quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Liberdade para viver

Quem não tem medo da morte ?
Questão que pega a todos nós, cada qual por seu motivo. O próprio reino animal, sem a possibilidade do pensamento contínuo, já apresenta tal medo em todas as espécies. Presente que está no instinto de sobrevivência.
Digo isto, para que o leitor perceba o quanto este medo é natural, o quanto este faz parte das Leis Naturais. Não é natural, no entanto, quando este medo se torna de tal forma forte que passe a ser um impeditivo à vivência plena do homem. Cabendo-lhe gerenciar tal medo e mantê-lo no patamar da naturalidade, o único aceitável.
Tal temor tinha justificativa, quando nossa educação se baseava na idéia de um céu ou de um inferno. Quando as concepções religiosas buscavam estabelecer como pecado tudo aquilo que faz parte da natureza humana. O homem vivia, e nessa vivência agia naturalmente como não poderia deixar de ser. Sendo essa naturalidade atacada pelas religiões o homem se via diante de diversos dramas de consciência.

Na Idade Média a salvação do homem apenas se daria através da fé. O homem era refém da Igreja a quem servia sob a égide do pavor. Ao homem cabiam apenas duas alternativas : o se deixava levar pelo medo do futuro, negando-se a viver; ou negava a continuidade da vida, aderindo ao ateísmo e ao materialismo, como filosofia de vida.

Quantos sofrimentos não teriam sido evitados se naquela época, as época medieval já tivessem vindo a lume os conceitos libertadores do Espiritismo?
À medida em que a civilização avança no entanto, se ampliam as concepções, e o espaço para a divulgação da idéia de pecado passa a ser exíguo, beirando o limite do ridículo, hilário. Algo não digno de atenção, pois tal discurso ignora os anseios mais profundos do espírito: a busca de uma vivência plena aliada à sua necessidade de transcendência.
As religiões, ao se aliarem ao poder temporal acabaram por deixar de lado sua maior tarefa como condutoras de almas. O medo não conduz, emperra caminhos.
O Espiritismo bem compreendido, e os desdobramentos éticos de tal compreensão, acaba por cumprir o papel de condutor de almas, não naquela ótica de uma verdade pronta e definitiva, porém como um conjunto de idéias que implicam numa revisão de nossa conduta, reorientando nossa prática no sentido da libertação.

A liberdade amplia nosso senso de justiça, implicando num deslocamento dos nossos focos de interesses para um melhor trato com os nossos semelhantes, com a sociedade e principalmente conosco mesmos.
As informações trazidas pelos espíritos a Kardec são um grande incentivo, porém o movimento real é de dentro para fora, é algo fortemente estruturado numa decisão interior. Decisão de se orientar segundo a construção de sua própria racionalidade. Abolindo o pensamento alheio como condutor de nossas existências.

É de Jesus que “se um cego orienta outro cego, caem os dois no abismo”.

Os pensadores são muitos, as idéias variadas, pobre daquele que elege outra pessoa para gerenciar o fluxo dos conceitos norteadores da sua existência. Será criança intelectual. Incompetente de se autogerir.

“Pensar pela própria cabeça” segundo Giorgio Gaber, grande cantor e autor italiano, essa é a fúrmula dada a todos nós, isto para que não tenhamos medo ou preguiça para ser autônomo e principalmente livre.

Todos buscam a felicidade. Mas ninguém estabelece um caminho para chegar a essa meta tão almejada.
Venho estabelecendo uma trilogia que me parece adequada a essa trajetória:

Liberdade »» Criatividade »» Felicidade

Liberdade:

A primeira etapa é a mais difícil. Todo o contexto social nos leva a tolher nossa liberdade. A família castra. Todas elas, de uma forma ou de outra acabam castrando o espírito em formação, até porque não capazes em sua grande maioria de perceber as qualidades e as características do reencarnante. Poeta? Cientista? Marceneiro, um artista em seu mister?
Não.
Médico. Advogado. Cirurgião Dentista. Veterinário. Fecham o ciclo de possibilidades ao espírito.

_ Ator? Músico? Voce está maluco. Devem ser essas suas companhias. Só me faltava ser bailarino.
_ Mas no Curso de Teatro temos aulas de Ballet para soltar o corpo...
O pai inculto sai bufando sala afora.

Criatividade:

Absolutamente toda atividade permite ao homem a possibilidade de se perguntar alguma vez na vida:
_ Será que eu preciso fazer isto sempre desta forma? Deve ter um outro jeito de ordenar esta rotina que me poupe trabalho e me traga maior prazer. Mesmo no âmbito de uma biblioteca onde algumas rotinas já se desenvolveram.

Pensando... Pensando... Pensando... Voila!!!

E algo é rerotinizado. Quando o grupo é coeso e minimamente inteligente, todos se alegram com a modificação criativa.
A grande questão é não ter preguiça e sempre se perguntar: “E se eu fizesse diferente? O que de novo sou capaz de pensar? Os norte-americanos se valem de uma expressão muito significativa: “And IF...?” que significa “ E se ....?”
E se eu pensar diferente? E se eu viver diferente? E se eu me despojar de todas as convenções sociais e mergulhar fundo no universo da plena liberdade?


Felicidade:

É decorrência natural dos dois itens anteriores.

Usei a profissão como exemplo mas em todos os aspectos da existência humana a liberdade pode ser nossa condutora.
Em certo sonho uma moça de lindo rosto, talhado de maturidade me conduzia por caminhos por mim desconhecidos.
Em principio pensei na possibilidade dela representar minha incapacidade de compreensão da mulher. Mas isso não se coadunava com a sensação de alegria e plenitude encontradas ao final do caminho.

Agora compreendo que aquela bela moça meiga, porém madura era a personificação da liberdade que só muito recentemente incorporei em minha existência.

Sem religião, sem gurus, sem pensadores que pensem por mim, contando com quase ninguém para compartilhar conhecimentos, mas como diz Wolfgang Ambroz no título de seu LP “Abandonado, mas livre!”.

Assim é, pois nossa liberdade incomoda as pessoas.

Paulo Cesar Fernandes
16/08/2011

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Perdão

"Perdoa nossas dividas assim como tivermos perdoado aos nossos devedores".

Nada mais justo.
Como a Lei Natural poderia, dentro de sua Sabedoria e Justiça ter desenvolvimento diferente desse.
Ainda erramos.
Somos intransigentes.
Críticos em demasia.
E acabamos por gerar antipatia e até construindo inimizades.
Sou assim e outros tantos também o serão, talvez.
Como advogar para nós uma atitude ainda incapazes de proporcionar a nossos semelhantes?
Equívoco pautado no egoísmo.
O correto é que à medida em que formos relevando, e logo em seguida esquecendo eventuais atitudes más para conosco, esse mesmo esquecimento se processe em relação aos nossos pensamentos e atos tidos para com nossos semelhantes.
Dessa forma ocorre o equilíbrio entre o recebido e o doado, na contabilidade da existência.
Pois tudo isso pode ocorrer no ambito do universo material, bem como na interrelação entre os dois planos existenciais.
Costumo chamar de o "Lado de Cá" do Muro de Berlim; e o "Lado de Lá" desse mesmo muro.
Em que pese a comunicação com os espiritos na imaterialidade ser bem mais difícil. É um telefone do lado de lá para o de cá apenas.
Já um berro, antes de 1989, ultrapassava o verdadeiro Muro de Berlim podendo chegar ao ouvinte do outro lado.
Mesmo esse povo tão sofrido, tem se valido do perdão, de parte a parte, para a possível Unificação Alemã, sem dores e sem feridas não cicatrizadas.
Quem sabe nós, com nosso perdão, não venhamos nos projetar num futuro mais feliz e de vivência melhor. É essa a minha perspectiva para chegar a uma Liberdade mais plena ainda.

Paulo Cesar Fernandes

07/08/2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Reflexão 05 08 2012 - Fé cega, faca amolada...

AMA E SERVE - Emmanuel


A grandeza do amor repousa invariavelmente na conjugação do verbo servir.
Sem atividade incessante no bem, não conseguiremos derramar os
valores do coração.
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Duas verdades incontestáveis. Amar é servir primordialmente, seja no espectro amplo de toda a humanidade. Seja no seio do Lar, onde depositamos o que de melhor temos, para compartilhar com nossos familiares. Nesse ambiente se dão as mais belas trocas de energia e emoções.

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A própria natureza é um livro aberto nesse sentido.
Tudo, em torno de nós, é um cântico de trabalho em doações da
Eterna Bondade que se evidencia no mundo, de mil modos diferentes em cada instante de nossa vida...
Por amar, em nome do Pai Misericordioso,
serve o sol, sustentando todas as criaturas;
serve o chão, nutrindo a sementeira;
serve a nuvem, criando a chuva benéfica;
serve o vento, a serviço de abençoadas fecundações;
serve a árvore, para que o bem-estar do homem se consolide;
serve a flor, preparando a colheita;
serve a fonte, socorrendo a terra necessitada;

serve a pedra, garantindo a segurança do lar;
serve o pássaro, cooperando com o lavrador;
serve o mar, serve o rio, serve o adubo, serve o fogo...


Forças de Deus amparando a Humanidade ajudam em silêncio, sem
retribuição e sem queixa...
Tudo porque o Divino Amor é devotamento, carinho, providência,
abnegação...
Se desejas partilhar o concerto das bênçãos divinas, ama e serve,
sem cogitar de ser amado e sem a expectação de ver-se servido...
Quem ama realmente nada pede, nada reclama, nada exige e nada
procura senão a alegria do objeto amado, para que o amor se
estenda, a multiplicar-se, soberano e sem fim.
Enquanto esperas o manto ilusório das considerações humanas, teu
amor sofre a vizinhança da vaidade.
Enquanto aguardas a compreensão dos outros, o teu amor
experimenta a inquietante aproximação do egoísmo...


Ama simplesmente.
Ajuda sem paga.
Dá sem reclamação.
Auxilia sem exigência.
E, servindo cada vez mais, serás um dia surpreendido, em pleno
campo de trabalho, pelo Divino Servidor que te converterá com a sua luz em nova luz para a Terra e para os Céus.

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Reflitamos...

Com todo respeito que nosso amigo espiritual me merece, não consigo acatar calado todas as suas idéias. Me reservo o direito de contestá-las. No tocante a Deus, eu não creio nele pois não tenho crenças. E muito menos fé, uma vez ser a fé a negação da Razão. "Fé cega, faca amolada..." disse Toninho Horta, companheiro de Milton Nascimento, em uma das suas canções.

Dessa forma, cai por terra de uma vez por todas, a questão da "Fé raciocinada". Um contrasenso.

Quanto a mim?

Tenho idéias diretrizes de minha conduta na existência.

Mas gosto muito das comparações de Emmanuel com os elementos da natureza. Certa poética e beleza se fazem presentes em tais comparações. Com ele aprendi. E eventualmente uso em meus textos. Outras vezes, se vale este dos avanços da inteligência humana, para nos mostrar caminhos a seguir como verdades inquestionáveis.

Honorável intenção, e de grande utilidade a muitas pessoas desde sua publicação até os dias atuais. Fato inegável!

Se ele parte do principio que estamos todos errados, e acreditamos estar corretos em nossas escolhas existênciais, devemos levar em consideração a concepção de pecado, ainda nele enraizada na década de setenta quando "Instrumentos do Tempo" foi escrito.

O mundo avança. E todo mundo avança junto.

Assim como muitos de nós, tivemos a possibilidade e o esforço dispendido para angariar progressos intelectuais; os espiritos, por certo, também andaram estudando mais, e revendo posições.

Herculano Pires por exemplo, não consigo conceber uma inteligência daquelas a se manter presa num mesmo conjunto de idéias. Ainda mais ele, com sua visão, estou seguro de suas novas perspectivas no que diz respeito à Teoria Espirita. Uma forma de pensar mais aberta a outras possibilidades. O questionamento de pontos de Kardec possível apenas a seu cabedal intelectual espirita e filosófico.

De nossa parte. Eu e outros pequenos, se tomarmos a Razão como base da jornada, e a afetividade por complemento indispensável, estaremos aptos a contribuir de alguma forma para o avanço das idéias neste planeta onde fomos chamados a servir.

Afinal foi esse o tema trazido por Emmanuel: servir.

Paulo Cesar Fernandes

05/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Resignação e vivência

"Seja feita a Tua Vontade, e não a nossa"


Há momentos de nossa existência, em nos quais gostariamos fosse outro o texto trazido por Jesus, ao nos ensinar a nos relacionar com o divino.
Mas, se assim não foi, há um motivo definido e notadamente justo.
Devemos aprender o processo da resignação, diante de todas as ocorrências de nossa existência. Tanto dentro do corpo físico, bem como fora dele, de vez que a existência é perene.


Somos viajantes, que tomamos multiplas e multiplas conduções, para chegar ao destino para todos nós traçado: a sabedoria e a felicidade.
Lutamos e sofremos por um motivo muito simples, segundo o grego Aristóteles: "não aprendemos a viver".


Nesse sentido, nos é dado o tempo e as inumeras encarnações (embarcações), com as quais vamos colhendo mais e mais tesouros de conhecimento. Elementos valiosos que permitirão a tão sonhada sabedoria. A justeza de raciocínio. O amor aos semelhantes.


A simplicidade e a liberdade plena, são os elementos que trarão a nós a felicidade.


Para chegar ao final de nossa jornada, vamos contando com amigos das mais diversas localidades, a começar pelo ninho doméstico, a familia consanguínea, se expandindo sem limites.
Vivências todas estruturadas no amor e perpassando o tempo.


Paulo Cesar Fernandes


03/08/2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

Riqueza

Estava lendo um texto no qual o autor, que já não vive entre nós, tecia críticas à riqueza, como se esta fosse um flagelo ou um crime.

Eu a defendo.
E defendo toda a riqueza angariada na dignidade do trabalho. Sem a exploração de nenhum semelhante, sem a obtenção de contratos fraudulentos, enfim uma riqueza merecida. Cristalina.


Quem não admira um cantor que, pouco a pouco vai construindo sua carreira, um pequeno sucesso lhe abre portas para maior número de shows, maior público, maior numero de musicas baixadas e pagas pela internet.
Pois é justo que todos ganhemos por nosso trabalho, inclusive e principalmente os artistas que com a sua arte fazem a alegria e a felicidade de muitas pessoas.


Artista há inclusive que voltam sua arte em benefício de alguma causa.
No momento em que a xenofobia se iniciou na Europa diversos artistas se reuniram num show contra tal atitude. E ao fundo do palco, um grande painel dizia "Hoje eles, amanhã voce". Se neste show os artistas deram seu cachê para a causa, seu aparecimento nele abriu portas para compra de sua arte por diversos meios.
Eu mesmo, que baixei muita coisa de um desses artistas, pois é uma arte não encontrada nas lojas do Brasil, estou agora, num outro momento inclusive financeiro importando um DVD desse artista. Pois nunca me senti bem em não recompensá-lo por seu trabalho. A hora chegou.


Um amigo de infância, e mesmo meu pai, viviam do comércio.
E certos negócios trazem uma lucratividade maior. Certo está que dão um trabalho muito grande; mas, ao fim e ao cabo, deixam expressiva lucratividade. E isso sem agir de forma incorreta. Agindo sempre de forma a não envergonhar os antepassados. Muitas familias prezam a forma correta de agir de seus antepassados e buscam dar-lhe continuidade.

Não podemos e nem devemos condenar qualquer pessoa de sucesso nos negócios. Ao contrário é uma alegria.

Me entristece é ver uma casa comercial se fechando. Sofrem os donos e sofrem os funcionários.
Perto de casa fechou uma casa de produtos elétricos, fiquei triste. Tinham bom estoque, bom atendimento, mas muitas vezes a concorrência é grande, e até mesmo desleal. Prejudicando a quem vive e trabalha com correção.

Arrematando.
Tenho para mim que o Reino dos Céus é também dos ricos. E estou muito tranquilo a falar isso, pois não sou um deles. Vivo, e hei de seguir vivendo de forma modesta, por opção e aprendizado que a vida me permitiu.

Quanto aos ricos eu faço votos que muitos mais o sejam, e sigam em seu caminho distribuindo as benesses do emprego que a riqueza propicia. Só reconhece o valor do emprego quem padeceu o flagelo do desemprego.
Humilde que seja, a atividade sempre traz ao homem a sensação de completude, e a auto-estima tão valiosa.

Paulo Cesar Fernandes

31/07/2012

Labirintos da Moral

Labirintos da moral
Fragmento do dialogo entre Mário Sergio Cortella (PUC-SP) e Yves de LaTaille (USP-SP).

Mário Sergio Cortella - Filósofo, teólogo e discípulo de Paulo Freire aprendeu direitinho as lições.
Yves de LaTaille - Professor do IP - Instituto de Psicologia da USP
Ambos, por sua simplicidade nos trazem lições de vida no contato pessoal.
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MS
E, como voce colocou, de fato, a temática dos valores aparece mais como queixa do que como convicção. Por vezes, é uma lamúria: "Essa juventude está perdida". Alias alguns dizem:
"O mundo está perdido". Costumo brincar dizendo que quem repete muito isso começa a se perder no mundo. Afinal "perde-se" aquele que não compreende o que está acontecendo ao seu redor.

Yves (falando sobre a escola e o suicidio
É fundamental tocar na questão existencial. Voce lembra bem o livro de Durkheim, em que ele coloca claramente: não é a miséria que leva ao suicidio, não são nem o alcoolismo nem a aflição, é sentir-se fora do mundo, sentir-se num mundo "desencantado" - para usar uma expressão de Weber - sem sentido.
As virtudes fazem parte de uma leitura ética do caráter, ou seja, de uma leitura não psicológica, que dá um sentido valorativo à questão da personalidade. Pode-se notar também uma volta do tema da "felicidade", do bem viver - tipico da Grécia Antiga.


MS
Mas o que se ve hoje? Há uma fratura muito fortedo tema da felicidade no nossoo cotidiano, pois não existe "felicidade individual". A felicidade é como a liberdade: a minha liberdade não acaba quando começa a do outro; acaba quando acaba a do outro.
Se algum ser humano não for livre, ninguém é livre. se alguém não for livre do descaso do abandono ninguém é livre. Assim também se alguém não for livre da discriminação, ninguém é. Portanto, tanto a noção de felicidade, quanto a de liberdade são universais. Éaí que elas se aproximam da éticano campo da própria universalidade.

Yves (falando de religião
E outra coisa que tambémme chama a atenção - embora seja até contraditório com a idéia de religião - é que muitas vezes, as buscas de sentido guardam uma característica do nosso modo de vida atual, ou seja, do individualismo.
Mas qual o preço ético do individualismo? É a idéia cosmopolita: "Então eu não sou mais da familia x, do pais y, do grupo tal, mas sou cidadão do mundo". No sec XVIII, isso era muito claro: para ser cidadão do mundo, eu preciso enxergar alguma coisa de comum neste mundo... Acho que as utopias permitiam essa identificação. Hoje não existe mais isso. Então o individualismo prevalece;...


MS (acerca da tolerância
Exato. Eu o suporto, aguento. Voce não é como eu, aceito isso, mas continuo sendo eu mesmo. Não quero ter contato, só respeito a sua individualidade. Em vez de utilizar a palavra "tolerância", tenho preferido uma outra: "acolhimento". Há uma diferença entre tolerar que voce não tenha as mesmas convicções que eu - sejam religiosas, politicas ou outras - e acolher suas convicções. Porque acolher significa que o recebo na qualidade de alguém como eu.
Voce citou Camus antes, e me lembrei agora do livro O estrangeiro. Embora Camus trate do tema do próprio sentido da existência- ou do não-sentido - acho o titulo especial, porque O estrangeiro lembra alteridade. Um dos temas que a escola precisa trazer cada vez mais para o cotidiano dos alunos é a visão de alteridade: olhar o outro como outro e não como estranho.


Yves
Portanto como um "nós".


MS Exato. Como um "nós", como nosotros. Afinal de contas quem é o outro de nós mesmos? O mesmo que nós somos para os outros, ou seja, outros e não estranhos.
Acho que temos familias que já foram comunidades e uma parte delas já se tornou mero agrupamento. Tanto que as pessoas não se encontram. Elas são alheias umas às outrasdentro da estrutura. Há comunidades escolares que não são mais comunidades, são agrupamentos escolares. Ora, a questão central da ética é a formação de comunidades e não de agrupamentos.


Yves (falando da responsabilidade de pai
Participei do movimento etudantil aqui do Brasil, na década de 70, e até hoje existe essa idéia de o fato de termos sido contra a ditadura - que claro é muito positivo - bastava para nosconferir uma perfeiçpão individual. Como o individuo não estava em foco naquele momento, talvez nós tenhamos sido ( não todos evidentemente) desleixados na educação de nossos filhos, porque, na verdade, ser pai é cuidar de indivíduos. Acho que falhamos na articulação entre o coletivo e o individual. Mas naturalmente não é só isso. Há vários outros fatores que contribuiram para que chegássemos à realidade atual.


MS
Paulo Freire conferiu um sentido novo à palavra esperança, lição que a gente deve repetir sempre. Ele dizia que era precisoo ter esperança, mas esperança do verbo esperançar. Porque a esperança que vem de "esperar" é pura espera, ao passo que quando proveniente de esperançar significaria se unir e ir atrás, não desistir.

Yves
É agir.

MS
Esperançar é uma idéia muito forte, porque coloca a pessoa na condiçãode agente.
Após tratarem das dificuldades de construir uma carreira na Universidade por 25 anos vem a questão do mérito.


Yves
Mérito como privilégio é similar ao tema da honra. Há dois tipos de honra: a honra-precedencia e a honra=-virtude. A honra-precedencia se caracteriza por alguém exigir deferencia - por exemplo, por ser nobre. Nesse caso trata-se de um privilégio. Já a honra-virtude é a proveniente das habilidades pessoais. Aí sim, há mérito.


MS (sobre o ócio
Porque também nós docentes, em várias situações, consideramos tedioso ensinar. Há um descompasso que deve ser superado, porque do tédio pode-se chegar à rejeição do outro, que passa a ser visto como responsável pelo nosso tédio. Como nossos filhos nos dizem (ou nós, quando crianças, diziamos para nossos pais): "Puxa, não tem nada para fazer nesta casa!?!". Como se alguém tivesse que nos oferecer o que fazer e nós não tivessemos que inventar por mérito próprio...
Acho que a honra como valor, retomando o tema, é a capacidade de inventar um uso do tempo e, portanto, ser o senhor de sua vida e não só o Senhor dos anéis.


Yves
Um mundo em que se enfraquecem as noções de mérito, de auto-respeito e de honra. Faz-se de tudo para ser uma pessoa conhecida. E essa busca de glória, de visibilidade é uma das características da sociedade atual. A ponto de, para tanto, fazerem-se concessões - como por exemplo, se pode ver no programa Big Brother. Aliás, que nome, não é? Estado totalitário, do dinheiro, da fama...
Depois de falar sobre Educação Moral e Cívica


Yves
Sem dúvida. A escola precisa urgentemente assumir sua tarefa, pois é a única instituição que ainda tem legitimidade social para tanto, a única que, no fundo, diz respeito a todo mundo, visto que, em algum momento da vida, todo mundo é aluno ou professor, pai ou irmão de aluno...Ou seja, a escola ocupa um lugar central na sociedade, embora me pareça que ela tem abdicado de seu caráter de liderança.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Escolhidos

Na Antiguidade, um meigo, porém justo nazareno disse com propriedade:
"Muitos serão os chamados, e poucos os escolhidos."


E o tempo passou. E as técnicas de comunicação se avolumaram e aprimoraram.
Temos, a tempo e a hora, todo tipo de informação necessária ao nosso aprimoramento.
Podemos inclusive escolher o tipo de aprimoramento ao qual estaremos investindo nosso tempo.
Na ciência; na tecnologia; no comércio; sociologia do conhecimento; etc.
Todas elas, de uma forma ou de outra desaguariam no aperfeiçoamento espiritual a que todos estamos convocados de tempos imemoriais. Só para lembrar tomemos os ensinos de Sócrates e Platão.

Nosso amigo Emmanuel em "Instrumentos do tempo" traz uma série de anotações, peço permissão ao leitor de escrever algumas dessas idéias com minhas palavras, tendo no pensamento do companheiro espiritual um mote inspirador, sugerindo ao leitor que não deixe de consultar o original, por ser melhor e mais completo em comparação às linhas a seguir traçadas.
Dada a facilidade trazida por nosso tempo todos somos instados a participar de um processo, não fora de nós, porém no mais profundo de nossa individualidade através de algumas iniciativas:


. lutar por aprimorar nossos pensamentos e atos, uma vez que o pensamento é força mobilizadora de energias capazes de desencadear nobres atitudes, ou seu inverso;


. perdoar, e perdoar cada vez mais, e sempre; a tal ponto de não lembrarmos da falta por outrem cometida: esse é o verdadeiro perdão, aquele que apaga tudo de nossa memória como se nada houvesse ocorrido;


. perceber que, todos nós habitantes deste planeta, temos um ou outro defeito; ou, muitos deles ao mesmo tempo; isto nos estimula a uma compreensão fraternal das diversas formas de pensar e agir com as quais temos oportunidade de nos confrontar. Aspecto enriquecedor, pois é a diferença que enriquece, é a divergência e o
confronto o que provoca e estimula a mudança e progresso de opiniões e crenças;


. tendo em vista a imperfectibilidade presente é vital que tenhamos a capacidade de ajudarmos uns aos outros em seus processos existenciais. "Não nascemos prontos" como nos ensina Mário Sério Cortella, dileto discípulo de Professor Paulo Freire. Todos vivemos num constante processo de burilamento e aperfeiçoamento. E este é um processo sem fim. Lembrando sempre que todos ensinamos, bem como todos aprendemos nos processos da vida. Tenhamos humildade de aprender. Quem teve oportunidade de contato com as camadas economicamente menos favorecidas, se foi um espirito atento, muito aprendeu por certo;


. ter fé na vida, e a certeza que nunca estamos desamparados, nunca. Mesmo nos momento em que nos sintamos mais solitários, estejamos convictos da presença de amigos não visíveis a nós sempre zelando por nossa alegria e bem estar. Isso é parte da vida, da Lei de Afinidade que une as almas vinculadas a este planeta.
Sempre é gratificante pensar nesta perspectiva;


. se a dor se apresenta ao nosso redor, possamos ser a palavra serena e calma e revigorar a alma que sofre. Muitas vezes em silêncio. Apenas os olhos clamando por auxilio. Devemos estar atentos aos olhos de nossos semelhantes, e olhá-los com a sinceridade de uma criança. E perguntar da dor ali presente;


. deixar o coração se enternecer pela dor e se colocar a serviço de seu semelhante, pois a oportunidade que temos não se repete facilmente. É como o verso ao poeta, fugaz, volátil, de fácil perda. Assim é, quando a possibilidade de fazer o bem se apresenta;


. afastar-se da vaidade, caso ainda ronde a própria existência, uma vez ser a simplicidade uma das fontes cristalinas e puras aos que tem sede de paz e felicidade;


. deixar que a Razão e a busca do Bem comandem a própria existência, pois "todo o resto vos será dado por acréscimo" buscando do próprio Jesus as palavras para finalizar nossa conversa.


Paulo Cesar Fernandes


30/07/2012

domingo, 29 de julho de 2012

Fome e sua satisfação

Tenho conversado com uma amiga através de e-mail, sobre diversos aspectos da nossa existência terrestre, aspectos físicos e aspectos espirituais, com a Lei de Afinidade vinculando espiritos, dentro e fora da vida corporal.

A caminho da Pamela, na Carvalho de Mendonça, local onde habitualmente almoço, me veio à mente a questão da fome. E a saciedade dessa fome.
Não falo aqui da fome que assola o mundo, essa vergonha, esse flagelo, que tem culpados sim, cujos lucros são astronomicos. Nada disso.

Pensava na fome e sua saciedade.
Por que motivo um almoço nos satisfaz e outro não?
Ambos nos alimentam o corpo, cumprem a função a que nos propusemos diante do prato.
Mas alguns dias saimos gratificados pela saciedade, e pelo prazer imenso, trazido por essa coisa simples e bela do ato de nos alimentar.
Há, por outro lado, dias em que saimos como se nada ocorrera. Falta algo. Uma sensação de incompletude.
E não sabemos dizer o que nos está faltando. Onde está o erro.
O mesmo pode se dar, tanto quando comemos fora de casa, como quando preparamos a comida em nosso Lar.


Pensava.
O mesmo ocorre com uma relação sexual, algo mais amplo que o ato sexual apenas, mas o mesmo fenômeno ocorre.
Até mesmo quando temos uma companheira por anos a fio. Com "estabilidade" marital.
Dias há com atividade sexual plena, satisfatória a ambos, um clima de delicadeza e emoção perpassa o Lar.
Outras vezes, no entanto, fica faltando algo. E não há quem culpar uma vez ser uma relação de espiritos que se conhecem bem.
Esse tipo de coisa é mais comum de ocorrer quando a troca de parceira é um elemento constante.
Afinal cada parceira é um psiquismo diferente, vivendo um momento diferente, com seus problemas e suas alegrias, tal como nós.
Podemos estar numa fase de maior intensidade energética e nossa performance na atividade sexual é mais forte. Satisfaz a parceira e a nós mesmos mais plenamente.

Embora esse tipo de coisa sempre tenha a característica de uma "trepadinha", nada comparável a uma relação estável, madura onde o casal se conhece, e se for inteligente conhece cada ponto do corpo do outro, sabendo onde o prazer é mais intenso. Lidando com isso com certa arte.

E não tem a ver ainda, em ambos casos, com os momentos anteriores, as chamadas preliminares, que ajudam porém não definem a satisfação. Não constroem a plenitude de uma relação sexual.

Agora. Refletindo sobre a plenitude de uma relação sexual, ou sua ausência, me vem a idéia disso se pautar na relação entre os espiritos.
Na similitude do momento, e do padrão energético do casal. Semelhança ideológica inclusive.

Homens e mulheres somos seres mutantes, e isso é uma qualidade em nossa existência.
E dentro dessa mutabilidade, seja o casal perene, seja eventual, pode estar dentro de um mesmo diapasão, ou em profundo desacordo.
Isso pode, em teoria apenas, explicar o motivo de determinadas relações serem tão insatisfatórias.
E outras, por benevolência da vida, serem tudo aquilo desejado e muito mais. Tocando as fibras mais profundas de nossa sensibilidade. E nos dando a sensação da beleza estar presente em todas as coisas ao nosso redor.

De Zygmunt  Bauman "Amor Líquido" trago um trecho onde este busca  meu  outro referencial, Erich Fromm:

Como que antecipando o padrão que iria prevalecer em nossa época, Erich Fromm tentou explicar a atração do "sexo em si" (do sexo "pelo sexo", praticado separadamente de suas funções ortodoxas), referindo-se à sua qualidade como uma (enganosa) resposta ao desejo, demasiadamente humano, de "fusão total" por meio de uma "ilusão de união".


União — porque é exatamente o que homens e mulheres procuram ardentemente em seu desespero para escapar da solidão que já sofrem ou temem estar por vir. Ilusão — porque a união alcançada no breve instante do clímax orgástico "deixa os estranhos tão distantes um do outro como estavam antes", de modo que "eles sentem seu estranhamento de maneira ainda mais acentuada". Nesse papel, o orgasmo sexual "assume uma função que o torna não muito diferente do alcoolismo e do vício em drogas". Tal como estes, ele é intenso — mas "transitório e periódico".


A união é ilusória e, no final, a experiência tende a ser frustrante, diz Fromm, por ser separada do amor (ou seja, permitam-me explicar, do tipo de relacionamento Fürsein; de um compromisso intencionalmente duradouro e indefinido com o bem-estar do parceiro). Na visão de Fromm, o sexo só pode ser um instrumento de fusão genuína — em vez de uma efêmera, dúbia e, em última instância, autodestrutiva impressão de fusão — graças a sua conjunção com o amor. Qualquer que seja a capacidade geradora de fusão que o sexo possa ter, ela vem de sua "camaradagem" com o amor.



Finalizo.
A sexualidade é uma área corpórea-espiritual, negar uma das partes desse binômio, ou valorizar mais a uma que a outra é um equivoco.

Afinal:
"Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor..."

Chico Buarque de Hollanda "Não existe pecado ao sul do equador"


Paulo Cesar Fernandes

29/07/2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Incluir socialmente X pactuar com a morte

De que é feita essa vida que tens na mão?
Te provoco sim. Por ousadia?


Não. Puro companheirismo. Sincero como o “não” de uma criança.


Vivemos a vida sem pensar, sem construir dela um conceito; sequer um pequeno “plano de vôo”. Planamos acima da vida e dos viventes com a mais perfeita serenidade.


Fora da nossa vida existem milhares de outras vidas. Zygmunt Bauman estabelece uma classificação/distinção entre essas vidas todas, inclusive a que vivemos.


De um lado estão os “de dentro”, cujo acesso aos bens da cultura e do consumo lhes é natural desde o nascimento, jamais chegando a pensar na possibilidade da existência de outras formas de viver. Temem o assalto; o seqüestro; essas coisas que rondam nosso ir e vir através das cidades de nosso mundo globalizado.


Do outro lado encontramos os “de fora”. A contraposição/oposição total do padrão de vida dos “de dentro”. Nada de cultura. Nada de consumo. Nada de aconchego de um lar. Apenas a frieza do mundo lhes doendo na alma sensível muitas vezes.


Esse contingente de vidas dos que estão do lado “de fora” é o consumidor das armas ilegais que transitam nos “não lugares” da nossa sociedade. “Não lugares” que são seu território, a polícia não se atreve.


Esse mesmo contingente de criaturas, seres humanos, espíritos ocupando um corpo, tal qual você e eu; são esses mesmos que apavoram nossas vidas. Colocando o medo como nosso maior acompanhante de todas as horas.


Os “de dentro” consomem mais e mais equipamentos de segurança; carros blindados; empresas de segurança cujos homens ou cães funcionam 24 horas no resguardo patrimonial. Mais das vezes sem sucesso.


É um problema similar em todo o mundo. Aqui ou acolá mudam os equipamentos, as formas, mas a insegurança se faz presente também de forma globalizada, da mesma forma que a avalanche do consumo.


Nas esferas de poder não há vontade política e nem competência em tornar o mundo mais seguro, isto porque o medo geral é o novo grande aliado do mercado global de consumo. Sendo as empresas de equipamentos de segurança um dos segmentos de mercado de crescentes e consolidados lucros.


Nesse conjunto todo, os Meios de Comunicação de Massa (MCM) sãs um fator importante na manutenção desse clima de insegurança, noticiando cada vez mais grotescamente os fatos criminosos que ocorrem. São fatos na verdade, mas recebem todo um tratamento, todo um clima é formado para não permitir, principalmente aos telespectadores a possibilidade de raciocinar. Acabam se tornando presas fáceis do terror urbano.


Na Zona Sul de São Paulo, mais exatamente na Chácara Santo Antonio, num retorno do horário de almoço, uma rua chamou minha atenção, bem como de minha companheira de trabalho. Uma quadra inteira era feita de casas fortemente gradeadas. Isto suscitou uma pergunta:


_ Quem são os verdadeiros presidiários? Nós em nossas casas ou os que nos assaltam?


Os MCM noticiam. As empresas que vendem seguranças enriquecem. Aumentam patrimônio; ampliam carteira de clientes; se consolidam no mercado.


E nós diante disso?


Deixar de viver está fora dos planos.


Seguir fazendo nossa parte com ética e integridade. Educar os nossos filhos e sobrinhos alertando das armadilhas do mundo e da vida atual.


Mas deixar que vivam livremente o seu momento. Vivam alegremente sua juventude, fazendo bom uso de suas energias. O tempo é muito fugaz e se esvai de forma instantânea.


E mais que tudo não temos crenças. Temos certezas como a imortalidade do espírito; do inevitável processo de evolução desse mesmo espírito. Uma evolução que abarcará inevitavelmente os “de dentro” e os “de fora”; aqueles que planam sobre a vida aos quais me referi anteriormente, e aqueles outros capazes de refletir seriamente a cada etapa da sua jornada existencial.


Estamos num mundo conturbado e imenso.


Não dá para fugir dessa realidade. A nossa existência e nossa ação é aqui e agora, cabendo a nós, a cada um de nós, fazer vingar os valores perenes, dentre os quais destaco a Esperança em primeiro lugar; e, não menos importante a Solidariedade Humana.


Pelo amor e pela vida!


Paulo Cesar Fernandes


24/07/2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Corporeidade e Vida

Como pode caber o Bem, onde habitam soberanos: o orgulho e a vaidade?

Como pode o altruismo ter espaço numa sociedade que tem no egoismo, na soberania do individualismo seu ponto basilar?
Como pode florescer a Espiritualidade numa mente totalmente voltada para a corporeidade?
Como pode por os pés no chão um ser humano capaz de buscar os valores do espirito, a ponto de esquecer de bem cuidar do corpo que o acolhe, permitindo sua práxis neste mundo?

Em tudo o equilibrio é necessário.
As mais belas edificações não o seriam se o arquiteto não tivesse em si a preocupação do equilíbrio estético.
Estamos todos vivendo num mundo multifacetado, onde os conflitos de toda espécie são tidos como naturais na existência das pessoas e das nações. Onde a felicidade é objeto de desejo de todas as pessoas, mas essa felicidade sempre é vista pelas pessoas como algo fora de si mesmo, e nunca como um elemento a ser conquistado partindo de valores internos, a serem calmamente cultivados como a temporança, a simplicidade, o altruismo e tantos outros capazes de, se unidos, construir a paz interior, necessária à Felicidade, bem como a Liberdade, condição inicial de tudo.


Viver é muito mais que sobreviver!
Poucos vivem!
Poucos colocam seu coração a cada pequeno ato seu. Ao conversar com alguém, ao lidar com os animais e com as plantas; na hora do banho, o prestar atenção ao próprio corpo.
Poucos desejam "Bom dia" na profundidade de seus coração.
Impera o reino das aparências!
Não é de estranhar que impere a dor, filha dileta da falsidade! Da incompreensão.
Tudo que é verdadeiro e sincero nos eleva e nos alivia. Não agrega peso a nossa existência; sendo ao contrário é situação de tormenta certeira.
Que nosso corpo e nosso tempo nos sirvam de valiosos instrumentos.


E nossos pensamentos estejam impregnados dos valores imorredouros do coração.
Se um outro mundo é possível na Terra. E é sem duvidas!
Uma outra forma de conduzir nossa existência também o é.
Valores reais são os perenes no tempo: amor; sinceridade; fidelidade; racionalidade, e tantos outros que nos garantem o sono mais sereno e restaurador.

Assim teremos vida, e vida em abundância.

Paulo Cesar Fernandes
23/07/2012

domingo, 22 de julho de 2012

Voar (Crônicas dos tempos do Quanta

Crônicas dos tempos do Quanta


Voar *

Quando um homem comum morre, perde a família consangüínea.
Ao morrer um idealista, ou seu ideal; perde muito de força o crescimento da família humana.
O ideal é o lubrificante que viabiliza a engrenagem do novo, do criativo, da verdadeira máquina de progresso que impulsiona a humanidade.
Olhemos fundo no passado da humanidade. Nomes não faltarão nas mais diversas áreas.
Nesses nomes se basearam os saltos qualitativos na caminhada do conhecimento.
O saber acadêmico é estático.
O do idealista é dinâmico; segue a própria dinâmica do inconformismo com o velho, com a mesmice, com a falta de visão histórica espraiada na sociedade de todos os tempos.
Só ele, só o idealista sai do quotidiano perscrutando a vida, com seu binóculo de ver o futuro. Como a gaivota de Richard Bach, deixa os outros e segue solitário seu rumo.
Incompreendido, criticado, isolado até por seus pares, tem na luz do seu norte a segurança da jornada.


Caminha.
Empreende.
Realiza.


Do centro de sua solidão; pouco a pouco compreende seus pares, vê seus pés, atados ao chão do imediatismo, sem poder ajudá-los a voar.
Pássaro nenhum voou sem tentar; partindo sempre de uma própria dinâmica interior.
Tal qual a ave mãe, se alegra o coração do idealista. Pois sabe, de experiência própria: uma vez alçados grandes vôos; pouca chance terá o aprendiz, de desprezar o prazer de ver o mundo, sempre a partir de perspectivas mais altas.



Paulo Cesar Fernandes.

14/06/98



* Texto dedicado a Jací Régis.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Viver pensando em qualquer coisa

Vivemos! E atribuladamente na maioria dos casos.
Nos deixamos carcomer pelos afazeres diários. Eles nos sufocam. Eles nos agridem com todas as forças...
Mas vivemos de roldão, na "Roda Viva" tão bem posta por Chico Buarque em sua obra.
E não pensamos.
No mal que fazemos. Ou no bem a escapar de nossas mãos.
Ganhar mais dinheiro; uma posição de maior destaque social; um tantoa mais de poder; tudo isso compondo uma série de não-pensamentos, um não pensar. Pela morbidez de tais preocupações.
É um viver atabalhoado, irracional até.
Principalmente se carregamos em nós a concepção imortalista da existência, onde o tempo se desdobra a nosso favor, sempre nos fornecendo oportunidades maiores, oportunidades novas; seja isto no âmbito mais amplo das diversas encarnações; seja isto dentro dos limites de uma encarnação apenas.
O tempo é sempre nosso aliado. Amigo. Nos ajuda a vencer os momentos de ira para convertê-los em afetividade.
O uso do tempo é uma arte. Emmanuel em "Instrumentos do Tempo" traz idéias importantes. Vamos a elas para depois adicionar algumas considerações;


Descrucifica o Cristo que ainda jaz crucificado em nossa semicaridade e obscurecido em nossa semiconfiança.
Dá vigor e existência ao Mestre que recebeste no templo da alma!
Crê e vive!  Crê e aperfeiçoa-te!  Crê e eleva-te, elevando os que te rodeiam!
Conduze a esperança onde a fé esmoreceu, faze brilhar a alegria onde a penúria abriu o manto imenso de sofrimento e escuridão...
Jesus é vida, amor, atividade redentora, bênção de todos os dias.

É muito isso! Ainda achamos que Jesus é cristo, cristo coisa nenhuma, homem como eu e tu, infelizmente mitificado pela ignorância reinante, permitindo assim um dominio mais fácil das religiões sobre os homens, fazendo-os servos fiéis e não pensantes. "Fareis tudo que o Senhor mandar..." tal qual no folguedo infantil.
A história da humanidade é a historia do homem desejante de domínio sobre outros homens.
Hegel está certissimo em seu pensamento. E os dominadores sempre conseguem espiritos preguicosos, louquinhos para encontrar alguém capaz de os comandar, livrando-os assim da responsabilidade de ter em suas mãos as rédeas do próprio destino. Néscios! Vagabundos existenciais é o que são.
Entregam de mão beijada o seu destino a outrem, sem cuidar da condição ético-espiritual desse outrem. Saem repetindo discursos como inconscientes aves parlantes. Repetem o discurso do pastor, do cura, do espirito da casa, vale tudo, desde que não se vejam diante da responsabilidade de si mesmo. Temem andar pelos próprios pés. Falam muito no Cristo e agem pouco em seu favor.


Vamos tirar esse camarada da cruz? Deixar ele caminhar entre os povos da terra. Tomar para nós a sua mensagem em nosso viver. Simples como um copo de água dessedentando aos que tem sede.
E o mundo tem sede sim; tem sede de homens vivendo a mensagem do nazareno no seu agir natural.
Pois claro! Sempre isso foi tido como o inatingível. Destinado a santos apenas, a grandes almas, "eu ainda não posso..."...
Pura baboseira!
É coisa para o nosso dia a dia.
O remédio é fabricado para os que apresentam alguma doença. Não para quem esta livre de todas as potologias.
Temos, muitos de nós, patologias da alma a ser trabalhadas, cuidadas carinhosamente para não agravar o quadro. E o remédio está no mundo desde seus primórdios. Pois em todas as eras da humanidade homens de bom senso e elevada moral deixaram seus recados.
Esta terra e seus viventes nunca estiveram ao desamparo!
Lembro de Silvio Brito se referindo a ele como o Homem de Nazaré. E suas mensagens, ensinamentos vieram para se somar a toda uma tradição de pensadores, condutores desta humanidade terrena. Resta ao surdo homem da PósModernidade agregar todos os ensinamentos ao carrinho de aquisições de sua existência. Um linguajar de supermercado é bem cabível numa "Sociedade de Consumidores".


Se assim o fizer. Se agregar a mensagem de Jesus a suas aquisições diárias, estará seguro de ter vida e vida em abundância; amor; uma atividade redentora, e finalizando terá a bênção de todos os dias.
Pois cada dia já é uma benção da vida a nos chamar para a senda do bem.
Resta apenas agradecer a Emmanuel pelo tanto feito em beneficio da humanidade, sempre a nos relembrar das mensagens do modelo a ser seguido, apontado pelos espiritos a Allan Kardec: Jesus de Nazaré.
Agora é conosco!


Paulo Cesar Fernandes


20/07/2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Minuto

O livro "Instrumentos do tempo" de Emmanuel tem um item chamado O minuto.
Vejamos seu inicio:

Dádiva divina, repete-se infinitamente em nossa estrada.

Usando-a, é possível a realização de surpreendentes milagres em nossa vida.
Pede-nos tão-somente trabalho, boa vontade e diligência no bem, para trazer-nos sublimes edificações...
A sementeira do êxito.
O reajuste da própria alma.
O regresso ao caminho de luz.
O tesouro do entendimento.
A fortuna da sabedoria.
A plantação da amizade.
O progresso nas boas obras.
A conquista da simpatia.
A aquisição do concurso fraterno.
A bênção do dever bem cumprido.
Todo o engrandecimento de nossa vida começa na insignificância aparente de um minuto.

«««««

De forma geral somos escravos do tempo. No âmbito profissional nem se fala. A tecnologia, com seus brinquedinhos móveis, nos fez voluntariamente escravizados. Somos encontrados nos momentos mais diversos, e nas situações mais dispares. E isso não nos aborrece.
Sou contra a tecnologia?
Totalmente a favor.
Sou contra a pessoa abrir mão da propria liberdade, com o intuito único de se fazer notada como alguém importante e necessária, uma vez que o celular toca regularmente e com frequencia.
Mas cada qual tem a liberdade inclusive de se escravizar ao ambiente de trabalho ao qual se vinculam, como vi no Banco Safra em sua área de Tecnologia da Informação.
Ficar horas a mais no ambiente da empresa, visando se fazer notar pelo grupo de coordenação, que nunca checava a produtividade dessas horas adicionais não remuneradas é certo.
Esse é um tipo de uso do tempo. Um fato observado.


Mas o interessante a nós espiritos encarnados na terra, em processo de aquisição de experiências, de ajustamento à Lei Natural, regente de tudo presente no universo, ou nos universos uma vez que alguns cientistas aventam a hipótese de haver vários universos.
Como se dará nosso reajuste se não for através do uso do tempo.
O bom uso do nosso tempo, do tempo a nós concedido para essa finalidade: nosso encontro e ajuste à Lei Maior.

Não há a menor religiosidade nisto.
Fatos não carregam religiosidade em si. Eles são. Tal qual nosso tempo é.

O que eu faço do meu minuto, depende de mim, e de mim tão somente. De minhas inclinações interiores, pendores, tendências.
No mesmo momento em que assisto na TV, um programa capaz de trazer a publico as mazelas da vida de uma familia, posso assistir a outro a nos trazer conhecimentos acerca das diferenciadas caracteristicas da fauna de determinada região do mundo.
Tudo não passando de uma questão de escolha tão somente.

Intencionalmente deixo as atividades benevolentes fora do escopo de minha reflexão. Muitos jáo fazem e seguramente bem melhor que eu o faria.

Andar pela cidade, observando as pessoas, e as diferentes expressões faciais, muitas delas sendo uma foto clara da confusão mental ali presente.
Atentar aos outros, nunca para desmerecer a ninguém, mas para melhor mirar o nosso interior, essa é uma forma eficaz de aprendizado. E, por certo, um bom uso de cada minuto.

Caminhamos todos para o melhor uso do tempo e de nossas potencialidades em cada etapa da jornada terrestre. Essa certeza habita minha Razão.  

Paulo Cesar Fernandes

17/07/2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Queixas ? ? ?

Ele é o desmancha rodinhas.
Presença desagradável.
Ninguém gosta de coisas negativas, de más noticias, de baixo astral.
_ Como vai voce rapaz? Faz tempo que não te vejo.
_ Eu vou bem. Mas a vida não é facil não. Voce pensa que é facil? Uma tia minha mora ali perto e Ilhéus ...
E desfia um rosario de queixas e mais queixas.
Lembra o Hardy Har Har, a hiena dos desenhos animados? É isso!
_ Oh céus, oh dias, oh azar... - era seu bordão.


Tenho uma amiga Quitéria, eu a chamo de Qui, um pouco para diminuir um nome que não é lá uma beleza, e outro aspecto é meu pensamento quando a encontro:
_ Qui virá por aí hoje? - já esperando alguma queixa.

Vez por outra dá uma passada em casa para tomar um café, e me contar uma queixa nova. Tem gente que conta descobertas interessantes. A Qui, queixas...
Gosto muito dela, é um coração bondoso, se anula pelas filhas e neta, deixando de viver, se divertir, ter momentos de prazer mesmo. Tenho percebido isso.


Um dia, toca o telefone e era a Qui. Voz lenta, a expressão do desânimo, arrepiei no ato:
_ Paulo? Voce está aí? - como se pudesse não estar ao atender o telefone.
_ Sim, botando umas coisas em em ordem na casa, mas diga lá!
_ Então,.... voce aguenta esse calor? Eu não aguento, está muito quente... - falou uma série de coisas relativas ao calor e quanto este a atrapalhava - Finalizou a fala com um sonoro: Aaaaaiii!


Eu estava me movimentando, ouvindo música, cantando junto, em alto astral...um dia alfa. Sorri muito e, admito, um sabor de molecagem me veio à boca...
_ Qui. Voce não se preocupe, vou te ajudar. - disse eu sorrindo muito do lado de cá da linha.
_ É? E como?
_ É fácil! Fácil, facil, veja bem: marco uma entrevista com o Prefeito. Compareço barbeado, bem vestido, como se fosse um milionário. Causo boa impressão é claro. Daí, eu intimo ele a instalar um novo equipamento na cidade: o Ar Condicionado Municipal. Nenhum bairro desta cidade vai mais passar por esse incômodo do calor.
_ Não se pode falar sério com voce mesmo. - e bateu o telefone na minha cara, falando forte e iradamente.
Senti muito carinho e gargalhei a grande.
Pelo menos falou com energia e não mais com boca mole. Pensei.


Mas algo de seriedade nas palavras de Emmanuel em "Instrumentos do tempo" (Queixas, não):


"Cada dia é uma fração de recursos que podemos empregar em aprendizado e melhoria por fora, para enriquecimento e sublimação por dentro de nós.
Ante aqueles que já despertaram nas responsabilidades próprias, não existe ocasião para queixas.
Todas as horas são instrumentos que favorecem a execução das tarefas que fomos induzidos ou claramente requisitados a realizar no campo do bem. Empenhemo-nos em lutar pela própria elevação.

Ninguém está excluído."


É muito isso. Quem tá com a cabeça bem ocupada, ou ocupada no bem, esqueçe o mundo ao redor.
Até mais!!!

Paulo Cesar Fernandes
13/07/2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ter para si um senso de utilidade

Ter para si um senso de utilidade



Nos dias nublados de mudança e desencanto, recorda que o auxílio da Vida Superior está chegando às tuas áreas de atividade e expectativa.

Não respondas ao Céu com o barulho da aflição.

Ruído e desequilíbrio impedem o amparo do amor e a mensagem da paz.

Espera servindo.

Na luz da esperança e pelas bênçãos do teu próprio serviço, Deus te socorrerá.

(Trecho de Instrumentos do Tempo - Emmanuel - Chico Xavier)



Buuu! Parar para pensar: e se Deus não existe? Muda alguma coisa?
Vejamos.
Mudança e desencanto não devem nos abalar, primeiro pois mudança é o vetor da vida. Não tem por onde. Enquanto voce le esta palavra, a Terra lá por dentro está se movimentando. Para saber mais desse tema fascinante, vai dar uma olhada nos livros de Geologia. Estou convicto de tua admiração, ante tantos fenômenos que não tomamos conhecimento no âmbito das primeiras letras. Ao menos noções deveriam ser fornecidas, mas essa é outra temática.


Desencanto só ocorre pois colocamos em alguma pessoa ou em alguma instituição uma fé cega. Larga mão! "Fé cega, faca amolada" segundo Milton Nascimento. Daí fé em nada e ninguém além de ti. Tu és o Senhor da tua vida e o único capaz de mudá-la e, por esse motivo o único responsável pela trajetória que venhas a escolher. Pode ser uma realidade dura, mas assim é! Confia em ti mesmo, tu és grande e tu podes e poderás coisas inimaginadas por ti nos momentos de aflição. Pois tudo passa, a chuva de verão é aterradora, mas limpa a atmosfera. Assim será a tormenta na tua vida, e depois dela verás mais claramente. "Eu posso ver claramente agora que a chuva se foi." dizia uma musica norte-americana da minha juventude, e é real, sempre bate limpeza depois das tormentas: na atmosfera ou na existência do espirito.

Assim sendo: bola prá frente que jogar na retranca é perigo certo.

Nesse contexto de dominio teu sobre a vida; a aflição, o tumulto mental, o desequilibrio passarão bem longe de ti.
Acredite em mim, apesar de ser um "adolescente de 60 anos". Tenho muito a aprender também.
Quem se acha sábio desconhece a extensão do conhecimento.
Paulo Freire o maior educador do Brasil para muitas pessoas, entre as quais me incluo, era o primeiro a afirmar que aprendia com os alunos. E assim é.

Diante dos desafios que a vida te apresenta.
Para! Pensa! E de forma autônoma define tua meta, teu roteiro, tendo sempre a certeza que amigos muitos, encarnados e desencarnados poderão te ajudar na execução da trajetória, mas o mérito da escolha é totalmente teu. Terás sido o Senhor de tua vida.
Poucos neste mundo o são ! ! !
Estarás entre os grandes desta terra.


Paulo Cesar Fernandes
12/07/2012

Nota: Em minha opinião os artistas, por sua sensibilidade mais acurada, tem uma capacidade maior de delinear os caminhos acertados da existência. É necessário estar atento, pois nem todos que ganham dinheiro com arte são artistas de verdade. Temos enganadores em todas as áreas de atividade humana.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Profecia como práxis.

Profecia


»»» Emmanuel - Seara dos Médiuns - Chico Xavier


Quando a espiritualidade sublime te clareou por dentro, passaste a mentalizar perfeição nas atitudes alheias.
Entretanto, buscando, aqui e ali, padrões ideais de comportamento, nada mais recolheste que necessidades e negações:
. irmãos que te pareciam sustentáculos da coragem tombaram no desânimo, em dificuldades nascentes;
. criaturas que supunhas destinadas à missão da bênção, pela música de carinho que lhes vibrava na boca, amaldiçoaram leves espinhos que lhes roçaram a vestimenta;
. companheiros que se afiguravam troncos na fé resvalaram facilmente nos atoleiros da dúvida, e almas que julgavas modelos de fidelidade e ternura abandonaram-te o clima de esperança, nas primeiras horas da luta incerta.

Sofres, exiges, indagas, desarvoras-te...

Trilhando o caminho da renovação que te eleva, solicitas circunstâncias e companhias em que te escores para seguir adiante; contudo, se estivesses no plano dos amigos perfeitos, não respirarias na escola do burilamento moral.
O Universo é governado por leis infalíveis.
“Dai e dar-se-vos-á” – ensinou Jesus.
Possuímos, desse modo, tão-somente aquilo que damos.

O entendimento na Doutrina Espírita esclarece-nos a cada um que é loucura reclamar a santificação compulsória e, sim, que é dever simples de nossa parte operar a própria transformação para o bem, a fim de que sejamos para os outros, ainda hoje, o que desejamos sejam eles para nós amanhã.
É possível estejas atravessando a estrada longa da incompreensão, pedregosa e obscura.

Façamos, porém, suficiente luz no próprio íntimo, e a noite, por mais espessa, será sempre sombra a fugir de nós.

»»» Emmanuel - Seara dos Médiuns - Chico Xavier

Sábias palavras desse amigo de todos nós, e poucas vezes ouvimos.

Pode parecer que este, no transcurso de seu discurso, faz a apologia do isolamento e do egoismo tão presente em nosso mundo.
Nada disso!

Nos exorta a investir pesadamente em nosso arcabouço de pensamentos renovadores, fazendo em nós, dentro do periodo mais curto possível, o que poderiamos chamar a virada do jogo. A tranformação. Transsubstanciação. Palavras a chamar uma mudança.

Isto significa colocar o coração nos eventos ao nosso redor, mas sempre com uma mirada positiva, e tendo dentro de si a preocupação em saber:
"Como é que eu posso ajudar?". (Senso de utilidade de Kant. Sempre com a filosofia em punho.)

Essa é uma ação militante no Bem, que eivada de sinceridade pode estruturar aquilo denominável de "Amor e Profecia".

A sinceridade e o desejo do bem levam a isso naturalmente, é o riacho se conformando com a geografia do terreno, para ordeiramente se somar a um rio, por sua vez ajudará um rio mais caldaloso, até chegar ao mar de bondade que o nosso mundo tanto deseja, tanto precisa; mas incapazes são as pessoas de sair de suas "zonas de conforto" para se tornar um humilde filete de água que virá a dar num pequeno riacho. Sendo um inicio de processo.

Quando jogo minha vida em "Amor e Profecia" quero ser uma gota desse filete inicial. E ir pouco a pouco cumprindo as tarefinhas no seio da familia. Pois aprendi como meu maior amigo, o Milton meu cunhado, que "Caridade bem ordenada começa dentro de casa". E eu sigo nessa trilha, pois estou cada dia mais convencido da necessidade de caminhar nas pegadas dos homens bons e dignos. E que quando estamos atrás desses passos, nenhum mal pode se abater sobre nós. E a felicidade nos chega de mão beijada, por bondade e beleza da vida.

A Profecia que preconizo nada tem a ver com a fala dos profetas, mas sim com a práxis de Karl Marx. Intencionalmente me apropriei de um termo católico para poder resignificá-lo no projeto de união e irmandade de todos os povos de nossa América de origem Espanhola: a HispanoAmerica. Evidentemente o Brasil está incluso nessa América por ter sofrido em sua história as mesmas vis mazelas politicas e economicas dos demais povos.

Uso ainda a palavra Profecia em humilde homenagem a D. Pedro Casaldaliga, homem de fé, homem de Deus e homem de Profecia. Meu ateismo não me impede de admirar o belo do coração humano e muito menos a dignidade expressa em atos. Sempre digo da necessidade de julgar um homem por seus atos, e nunca por suas palavras. Palavras levam os ventos. Vide politicos do mundo. Mas a Profecia...

Sei do custo disso: a vigilância constante dos atos e dos pensamentos. Pois pensamento é energia, na medida que permite a movimentação de mãos mecânicas, como temos visto nos documentários cientificos de nosso tempo.

Pensar energéticamente no sentido do bem, em todos instantes de nosso dia. Não é para gigantes essa tarefa, embora dificil, é exatamente para nós, para mim por exemplo, se quero manter o meu Lar num clima de harmonia em alta. E dessa harmonia em alta ter as palavras certas, para usar nos momentos incertos da vida de alguém, da minha família inicialmente, e de qualquer companheiro/companheira de jornada cujo olhar veja embassado pela dor. Quando a dor maltrata os olhos a retratam.

Profecia, práxis, sentimento, amor, amar, servir, busco apenas ser uma gota, mas uma gota cristalina a cumprir ordeiramente a sua função. Que tenhamos paz em nossa jornada!

Paulo Cesar Fernandes

11/07/2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

Nada Será Como Antes

Fui ao CEAK. Entidade que participei por 50 anos. Fui tomar um livro por empréstimo e lá dentro, e no caminho de volta, essa musica de Milton Nascimento me habitou a mente:


Nada Será Como Antes
(Clique e veja o video em nova janela)
Milton Nascimento

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

«««««

Tudo muda na face da Terra, e a meu ver para melhor.
Mudam as instituições e mudamos nós.
Por vezes somos obrigados, mesmo a contragosto, para não sofrer mais, a pegar o leme de nossa vida e marcar um outro rumo nesta vida. De inicio nos vem uma sensação de insegurança e medo, que apenas cessa quando nos chega a felicidade. É nesse momento a descoberta do caminho ser o mais correto. Estamos no leme e não tememos os bancos de areia do Rio São Francisco, somos capazes de apreciar a beleza de suas margens. Parar em Remanso; Agua Nova; Sento Sé; Pilão Arcado e cruzar a Barragem de Sobradinho sem medo do que virá do lado de lá.

Cada cidade pode ser uma concepção filosófica diferente (espiritismo, catolicismo, socialismo, comunismo, ateísmo, etc.), e depois da Barragem (a morte) chegar ao imenso mar azul carregando na boca da noite ou na boca do dia um forte gosto de sol.

Pela felicidade de usar este corpo, e pela certeza da felicidade após sigo no leme, sorriso largo e coração aberto, pois assim e apenas assim estarei apto a libertar os espiritos ainda presos aos grilhões das instituições.

Tenhamos todos vida, e vida em abundância!!!

«««««
Este texto é em homenagem a D. Pedro Casaldaliga, que foi bispo da Prelazia de São Felix do Araguaia e que ensina ao mundo a viver em amor e em professia.

Assim tento viver hoje!!!

Paulo Cesar fernandes

10/07/2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um outro tipo de telefone

Tenho afirmado e reafirmado a beleza da vida.
Ela é, mais que tudo, uma bela oportunidade de experiência, de renovação, de aprendizado nas mais diversas áreas.


Mas há um detalhe, um pequeno detalhe que hoje me tocou fundo a emoção, que é a questão do Muro; esse Muro de Berlim que separa os dois lados da existência. Que nos parece Intransponível.


O lado material e físico da existencia corporal; e o lado leve, quando nos despojamos do corpo físico.


Hoje, forte, muito forte senti a ausência de meu cunhado, que se foi a 4 de dezembro passado. A mesma dor, uma saudade imensa daquele ouvido sempre amigo, aquele coração seguramente sincero, a vibrar com meus sucessos todos, e pedindo calma e esquecimento em momentos tormentosos. "Esqueçe isso, não vale a pena!"


E, em geral tinha razão, algumas coisas não vale a pena rememorar.


Medito, me alço à espiritualidade a cada fim de tarde. Tem me ajudado a viver. Faziamos assim quando vivia com minha mãe e minha irmã. Encontro simples e proveitoso. Assim é hoje.


Não é fuga, muito ao contrário é conexão. Bem diferente!


Esta meditação, neste fim de tarde foi toda ela dedicada ao bem estar desse meu cunhado, à sua alegria, e à sua lucidez o mais rápido possível. Que penso já ocorreu.


Mas bem que a vida poderia ter um detalhe adicional, e nos permitir, vez por outra dar um "telefonema" para os que amamos e já passaram pelo Portal do Desconhecido. Da minha familia tenho muita gente amada por lá. Da companheirada do espiritismo centenas senão mais. Amigos artistas lá estão outro tanto. Gente da música, teatro, professores de matérias e de viver por lá já estão.


A bem da verdade não tenho a menor pressa, mas como não vou ficar prá semente, na hora de minha ida uns poucos vão chorar por aqui; e, assim eu espero, uma multidão a me receber, tão logo deixe o corpo.


É um tempo de espera a reencontrar e abraçar plenamente a todos os que amamos, muitos dos quais temos muita gratidão.


Com tudo isso, e exatamente por tudo isso, a vida segue sendo muito bela de ser vivida plenamente! Sempre estarei a favor da vida. E tenhamos a cada momento, vida em plenitude!

Paulo Cesar Fernandes

06/07/2012
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Nota.: Ao fim do dia, conversando com minha irmã mais nova, não a que ficou viuva, ela me dizia que ao longo da tarde tinha sentido uma saudade muito grande de nosso cunhado. Relembrando todas as coisas boas que este fazia às mais diversas pessoas sem o menor intento de projeção ou de recompensa. Pelo puro e simples prazer de servir. Disse que chorou muito.
Tal e qual ocorrera a mim.
Desses dois fatos nada de conclusivo posso afirmar.
Mas, isso me permite conjecturar, da possibilidade de nosso cunhado já estar lúcido, e o que é mais importante, estar tendo a possibilidade de visitar a familia tão amada por ele.
Nada comentei com minha outra irmã pois seria uma grosseria reavivar uma chaga tão dificil de cicatrizar. Deixei quieto.
Ninguém que eu tenha conhecido nesta minha existência, ninguém mesmo, teve a vida tão voltada à familia como o Milton, meu cunhado, meu irmão, meu amigo sincero.
Nem mesmo Altivo Ferreira, que é uma das pessoas que mais admiro, por sua dignidade e firmeza de propósitos, teve uma vida tão voltada para servir seu semelhante como Milton Carlos Larocca, meu cunhado, para minha honra.
Fecho esta longa nota com uma frase que jamais hei de esquecer que dele ouvi:
 "A caridade, bem coordenada, começa dentro de casa."
                                                       Milton Carlos Larocca

Mas Milton rompeu as fronteiras da familia se fazendo um espirito sempre pronto a ajudar as pessoas, bastando para tanto saber da necessidade dessa pessoa. Imposto de Renda de ex-colegas da Petrobrás; uma solicitação de exame de sangue junto a uma médica conhecida para uma pessoa que não podia/queria ir ao médico; um ventilador que "eu vi, achei que estava barato e trouxe, pois a sua casa é muito quente". São exemplos de atitudes que eram tomadas sem arrogância, de modo a não ferir o beneficiado.
Nas leituras que tenho feito de "Seara dos Médiuns" pelo espirito de Emmanuel tenho tido oportunidade de identificar, nas advertências do amigo espiritual, as atitudes rotineiras da vida de meu cunhado.
Um Santista (Santos F. C.) acima de qualquer suspeita, pois afinal, depois de tanta seriedade, uma verdade mais leve sempre melhora a qualidade do texto.
 Paulo Cesar Fernandes
 07/07/2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Viver

Vivemos. Mal ou bem vivemos. Vamos tocando a vida de roldão. Qual automatos vamos "deixando a vida nos levar" como diz o poeta Zeca Pagodinho.


Não. Parar para pensar não faz parte de nosso dia a dia. É algo que as aflições do corre-corre não permitem.


Quem admira o fim de tarde, quando o sol se deixa cair por trás da cidade no belo fenomeno do anoitecer?


Quem se coloca na descida do Morro da Nova Cintra no anoitecer só para ver a cidade acender as luzes?


Quem caminha pela Avenida Ibirapuera e para no Largo de Moema, senta num banco vazio, só para ver o dia se transformar em noite? (Se a violência o permitir ainda)


Quem se banha ocupando-se de cada pedaço do corpo, esse instrumento de manifestação cuja perfeição deveria extasiar aos próprios médicos, poucos hoje, que o estudam com seriedade?


Um amigo, de nome Emmanuel ten um texto que trata do nosso corpo, eu não teria palavras melhores para nossos orgãos reverenciar. Vejamos o que ele diz:



Abençoa teu coração. É o pêndulo infatigável, marcando-te as dores e as alegrias.
Abençoa teu cérebro. É o gabinete sensível do pensamento.
Abençoa teus olhos. São companheiros devotados na execução dos compromissos que a existência te confiou.
Abençoa teus ouvidos. São guardas vigilantes que te enriquecem o entendimento.
Abençoa a tua língua. É o buril que te auxilia a plasmar toda frase edificante que te escapa da boca.
Abençoa teu estômago. É o servo que te alimenta.
Abençoa tuas mãos. São antenas no serviço que consegues re-alizar.
Abençoa teus pés. São apoios preciosos em que te sustentas.
Abençoa tuas faculdades genésicas. São forças da vida pelas quais recebeste no mundo o aconchego do lar e o carinho de mãe.




São palavras. Palavras de incentivo à vida. Mas uma vida valorizadora de nosso corpo em cada um de seus orgãos, em cada um de seus recantos. Tal qual devemos fazer a cada dia, seja na hora do banho; no momento de nossa caminhada; por vezes na própria condução, no retorno ao Lar; pois qualquer momento é  certo para agradecer à vida o quanto ela nos oferece de bom. Para não mais passar ao largo das benesses ao nosso redor.



Paulo Cesar Fernandes

05/07/2012