sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

20140124 Que gênio qual nada: trabalho

Que gênio qual nada: trabalho


Fredrich W. H. Myers

A Personalidade Humana : Sobrevivência e manifestações paranormais

Título do original em inglês: Fredrich W. H. Myers - Human Personality and Its Survival of Bodily Death   (1903


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A inspiração genial e o pensamento lógico-consciente formam duas quantidades talvez incomensuráveis. Da mesma forma que o
jovem calculador resolve problemas com o auxílio de métodos que diferem dos usados pelos matemáticos, nas produções artísticas
esse algo estranho, que comporta “toda a beleza deslumbrante”, pode ser a expressão de uma diferença real entre o mundo da
percepção subliminar e o da atividade supraliminar. Parece-me que esta diferença é particularmente sensível no que diz respeito às relações do eu subliminar com a função da linguagem. Ao tratar a linguagem como um ramo da arte ou da poesia, o eu subliminar ultrapassa com freqüência o esforço consciente, e algumas vezes permanece nesse esforço, quando se vê obrigado a usar as palavras como uma forma necessária para exprimir idéias para as quais a linguagem comum não foi criada.


Desse modo, na presença de uma das obras-primas verbais da Humanidade, o Agamenon de Ésquilo, por exemplo, temos a vaga
impressão de que uma inteligência diversa da razão supraliminar ou da seleção consciente contribuiu para a elaboração desta
tragédia. O resultado, mais do que a perfeição de uma escolha racional entre dados conhecidos, assemelha-se a uma apresentação imperfeita de algum esquema baseado em percepções por nós desconhecidas.


Mas, por outro lado, ainda que o gênio possa servir-se das palavras de uma forma que lembre um pouco a nostalgia misteriosa da música, parece-me que a nossa educação subliminar está menos ligada à faculdade da linguagem do que a supraliminar. Existe na linguagem corrente uma frase cujo alcance psicológico é maior do que se pensa. Daquilo que chamamos gênio e de tudo que com o gênio relacionamos, arte, amor, emoção religiosa, dizemos que vai além do alcance da linguagem.


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A cada tarde vou lendo um pouco desta obra. Nem sempre de fácil compreensão para mim uma vez que não sou da área de
psiquiatria. De pouco em pouco vou caminhando e avançando através dessa floresta encantada de alguma forma.


Afinal é ela a floresta de nossa própria personalidade, daí o seu encantamento.


Me intriga o trecho a seguir:

"Ao tratar a linguagem como um ramo da arte ou da poesia, o eu subliminar ultrapassa com freqüência o esforço consciente, e
algumas vezes permanece nesse esforço, quando se vê obrigado a usar as palavras como uma forma necessária para exprimir idéias
para as quais a linguagem comum não foi criada."


Segundo entendi, para o autor, todo texto melhor elaborado viria do inconsciente de alguém possuido de genialidade.


Enquanto escritor eu me rebelo completamente com essa assertiva.


Onde fica todo meu esforço na leitura de diversas obras para melhor escrever?


Por que me esforço na busca do conhecimento de outros idiomas e outras culturas?


Nada de inconsciente ou genialidade. Escrevemos textos, alguns medíocres mesmo, outros de maior felicidade na elaboração. Mas
todos, absolutamente todos, são frutos de esforço e trabalho.


"1% de inspiração e 99% de transpiração." dizem alguns escritores e músicos de qualidade superior.


A propositura de Myers desqualifica o esforço do músico ou do escritor no aprimoramento de sua cultura, para que tal
aprimoramento venha melhor qualificar o seu trabalho.


Afinal somos todos frutos de nós mesmos, de nossa energia e nosso empenho nas coisas de nosso interesse.


Investir tempo em nosso aprimoramento é a chave de um bom texto, ou de uma bela canção.


O inconsciente e a genialidade ficam bem distantes da curva da normalidade na qual todos nos encontramos.


Paulo Cesar Fernandes

24  01  2014

20140124 Basta

Basta


Pois é. Ontem foi o ponto de ruptura entre eu e Leon Denis.


Vinha lendo a cada fim de tarde "Os problemas do Ser, do destino e da dor". Estava a meio do livro e a repetitividade dos mesmo
conceitos me foi tirando o interesse.


Mas o ponto maior de discórdia foi quando, pela terceira vez ele insiste em ser o perispírito o "local" onde ficam gravadas as
lembranças de nossas experiências de cada encarnação. Mesmo erro de Gabriel Dellane em suas obras por mim lidas.


Não dá para fechar com esse conceito. Tira do espírito a sua capacidade mnemônica (de memória) atribuindo tudo ao perispírito.


Como se o perispírito fosse o grande repositório das nossas lembranças, assim como temos o repositório em nosso computador.


Não lembro em Kardec de tal assertiva. A meu juizo, mesmo com todo valor dado por Kardec ao peristírito, não podemos enveredar
por tais caminhos, estaremos incorrendo em graves erros.


O que temos?
Temos o espírito e o corpo.


Sendo o espírito pensamento é capaz de agregar energia ao seu redor. É essa energia vista na mediunidade de vidência.
Sendo mais grosseira em espíritos cujos pensamentos transitam dentro da materialidade; das preocupações e intrigas da
competitividade presente em nossa sociedade na maioria das instituições; em vidas voltadas aos excessos da sexualidade, dos
vícios; etc.


Quando nossos pensamentos se vão voltando para coisas mais sutis, mais elevadas, dentro do que venho chamando de espiritualidade (direcionamento do pensamento para o abstrato: nas ciências; na filosofia; nas artes; nas atividades de benemerência; etc.)
a matéria mental agragada ao redor do espírito efetivamente se sutiliza, permitindo uma maior percepção da sua existência
enquanto Ser transexistencial, vivenciando uma outra etapa de sua jornada.


Nesse encontro de novos pensamentos seguidos de novos atos podemos fazer surgir em nós a luminosidade tantas vezes narrada por médiuns videntes, estejamos nós encarnados ou desencarnados.


Somos, na verdade, a expressão dos nossos pensamentos, e construimos ao nosso redor um campo mental capaz de ser "lido" por encarnados e desencarnados de maior sensibilidade.


Algumas pessoas podem até continuar pensando o homem como espírito, perispírito e corpo.


Descarto o perispírito. Somos apenas e tão somente espírito (pensamento) e corpo. Dois elementos capazes de permitir nossa
intervenção no mundo e sua modificação no sentido de um mundo de Justiça e de Paz.


Capaz de acolher os espíritos e a eles fornecer possibilidades de sutilização de suas energias mentais.


Penso ser este o caminho para o surgimento do Homem Novo preconizado por todos idealistas que conheço: Ernesto Che Guevara; José Herculano Pires; Tupac Amaru; Carlos Fonseca Amador; José Martí; Farabundo Martí; Augusto Cesar Sandino e todos os grandes visionários dos cinco continentes capazes de apontar para um mundo onde reine o Amor e a Solidariedade entre todos os homens.


Paulo Cesar Fernandes

24  01  2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

20140123 Que tal o Pai Nosso?

Que tal o Pai Nosso?


"Não nos deixes cair em tentação
 Livra-nos de todo mal."



Ora bem estranho esse pedido.

Como coisa que a tentação, se é que existe, seja algo exterior a nós.
Um bicho papão ou um diabo, a nos tentar insistentemente para que, caindo em tentação, sejamos levados ao calderão do diabo.



Com efeito. Que falta de senso. Outra coisa:


Pode alguém nos livrar de todo mal?


Seja o mal advindo de alguém exterior a nós, seja o mal que nos habita.

Não tem nada disso. Pura besteira.
É colocar fora de nós as questões atinentes ao nosso projeto de vida e unicamente a ele.


Um amigo, chamado Rafael, diz que "tudo depende como nos posicionamos em nossa vida".

Nada mais verdadeiro que isso.


Veja a Felicidade por exemplo. Todos a querem e sempre, mas sempre mesmo, a colocam em coisas e projetos exteriores à sua
essência interior. Não é de estranhar que nunca a alcancem. Melhor dizendo, que na maioria das vezes não a obtenham. Me lembra
em muito a cenoura que colocamos à frente do cavalo para acelerar sua marcha.


Há uma grande diferença entre sermos dotados de projetos, de sonhos, e vivermos o tempo todo pautados em ilusões.

Projetos e sonhos são elementos propulsores do progresso do homem, enquanto que as ilusões deslocam o homem da realidade,
rompem com sua racionalidade fazendo-o passar por um infante.


Nas crianças as ilusões e as fantasias fazer parte de seu universo
onírico essencial para sua formação. Num adulto me parece haver algo de patológico se este vive de ilusões.


Como observa Rafael, nossa vida é o que dela fazemos, sem tirar
nem por.


Disto advém nosso bem ou nosso mal estar. Já nem me refiro à Felicidade, algo mais complexo. Mas ao bem estar.


Nada melhor que a sensação de completude. De inteireza. Mesmo dentro de um mundo complexo e injusto podemos chegar a um
patamar de completude interessante. Principalmente se estamos certos de fazer a nossa parte de alguma forma. Ou nos esforcarmos
para fazer tudo da melhor maneira ao nosso alcance.


Nada faz a alma mais feliz. A consciência tranquila é o foco maior do bem estar das pessoas voltadas ao Bem Maior (O Bem de toda
a humanidade).


O processo consciencial e a construção do amor tem um percurso interessante: inicia no estreito limite do Lar; ganha novo espaço
no universo escolar, onde o egoísmo é testado a cada dia, e precisamos ensinar a amar ao outro para que a educação cumpra sua finalidade; uma vez feita a trajetória de preparação para a vida profissional o Ser chega ao âmbito profissional, é aí a arena onde
recebe os maiores golpes, é onde a ética da formação familiar falará de seu sucesso ou de seu fracasso; alguns homens ampliam mais ainda sua forma de atuar no mundo se vinculando a entidades de cunho benemerente, mesmo aí a formação familiar mostrará a
sua cara, é inconcebível a competitividade nesse tipo de entidade.


Na verdade um homem competitivo pode ter até sucesso, mas só terá valor "se os meios forem verdadeiramente caminhos do fim".
Uma finalidade positiva só é validada se, para atingir tal meta, os atos da caminhada tiverem sido coerentes com a finalidade. "Seja o
teu falar sim sim e não não."


Caminhos tortos são desestabilizadores da alma.


Não tem religião. Não tem filosofia. Não tem nada.


Somos frutos bons ou podres de nossas famílias. E muitas vezes frutos de nós mesmos apesar das familias, para o Bem ou para o
Mal.


Toda meta tem um caminho, e todos os caminhos podem ter veredas, bifurcações e atalhos. Somos cavaleiros sem cavalos. Nossos pés tomam a direção de nossos mais profundos sentimentos, sentimentos cultivados em nós desde a mais tenra idade. Mas é a nossa Razão quem dirige nossos pés e nossos caminhos.


Cosi é, secondo me.   (Assim é, na minha opinião.


Paulo Cesar Fernandes

23  01  2014


Nota: A leitura do livro sobre a vida e obra de Giorgio Gaber tem me obrigado a um pensamento mais profundamente existencial.