quarta-feira, 7 de março de 2012

Deus cruel


A Bíblia, este livro cruel, não para de massacrar. O Livro de Job é uma fonte de injustiça que não se esgota. Leia!


Agrada ao deus terrível, na sua vileza, provar Job.


Seus amigos o aconselham a se resignar, ele mesmo também pensa nisso. Como lutar contra Deus? Como litigar contra Deus? Esse culto a um espírito exterior irritadiço, inflexível, invencível, pode ser essencialmente idolatria.


Pois o fetichista tem consolação e esperança na multiplicidade de deuses; um vencerá ao outro; estas ficções ingênuas bem representam a situação real do homem: essa variedade de coisas que a tudo remedia. Mas um Deus único que reúne em si espírito e força, massacra, massacra só por prazer.


Job era rico e feliz, tinha amigos; repentinamente se vê pobre, doente, abandonado e isto lhe parece natural. Este grande universo muito mais poderoso que nós, não é, aos olhos de Job mais que pó, modificável a um movimento de um dedo de um homem resoluto; mas não, seu mundo é Espírito, seu mundo é um todo único, e de uma só vontade. O homem, dessa forma se deita e se cala.


O Ocidental, me parece, não é facilmente massacrável. Rejeita, de todo o seu espírito a unidade terrível. Esse Deus objeto, esta substância espinozista, não deixa de negar.


Este mundo que gira, que desaba, nada mais é que fragmento, parcela, é imenso pela acumulação; mas sem projeto; sem idéias; sem decreto, divisível e, mais ainda discordante, absolutamente discordante; no qual o homem busca passagem sem respeito.


Se ele respeita algo no mundo, é poder ousar; Deus vai por aí, está conosco; não contra nós; falível como nós, mas engenhoso como nós; por sua vez invencível em si mesmo. Experimenta massacrar em nossa casa, só experimenta ameaçar, fazer o papel de tirano, para ver. Descartes não era paciente; Descartes tirou a espada. Seus filhos estão vivos; eles não acreditam no mundo. E, além de tudo, nada mais possuem que suas duas mãos, tal como os judeus da Ucrânia.


Falo para meu prazer, direis.


Mas este aspecto humano, esta alegria que me toma, nada mais é que felicidade. De alguém que nega o destino, e jamais diviniza a infelicidade.


Nós escarnecemos como fez Voltaire deste deus da Bíblia, que sempre massacra.


O inimigo que bem vemos, o inimigo infinitesimal, inimigo sem pensamento: o mundo; ele pode o mesmo que nós, quando o infinitesimal se converte em algo mais, ciclone ou vulcão; mas não há, mesmo no maior medo a confusão que alterna ousadia e vontade.


A outra resignação, enfática, fanática resignação, como não a chamar infelicidade? Pois a imaginação reina neste mundo. Uma maldição em si. Tudo o confirma. Pois a benção em si é a felicidade, e o que amamos cada um de nós. É, por efeito inverso que a sabedoria a duras penas chega à vitória; a infeliz metafísica, escrita no olhar; fala no olhar, esta profunda ironia, esta obstinação em viver sem esperança, é irritante.


A piedade não vai longe; esta estreita via marcou as margens da piedade. Tristeza se torna doença. Isto porque rápido odiamos os infelizes, que não se ajudam por força própria. Isto é odioso, à primeira vista nos define uma tristeza imperiosa e doutrinal visando nos destituir do nosso único bem.


Suponha agora duas unidades, dois tolos, sem sabedoria, sem precaução, onde um representa o outro através de uma maneira firme de viver e de pensar, a maldição bíblica vos traz reações cegas, desumanas, inconcebíveis de tal forma, que não se conceba que o furor contra os falíveis encerre uma forma de justiça.






Émile Chartier


5 de novembro de 1927



Émile-Auguste Chartier (Mortagne-au-Perche, 3 de março de 1868 — Le Vésinet, 2 de junho de 1951), cujo pseudônimo literário era Alain, foi um jornalista, ensaísta e filósofo francês.[1]

Ao longo de sua vida utilizará também outros pseudônimos, entre 1893 et 1914, tais como Criton (1893), Quart d'œil ou ainda Philibert, para assinar suas crônicas publicadas em La Dépêche de Lorient (até 1903) e La Dépêche de Rouen et de Normandie, bem como seus panfletos, em La Démocratie rouennaise


Obras
 
Spinoza (1900)



Les Cent un Propos d'Alain (2ème série) (1910)


Propos d'un Normand (1912)


Quatre-vingt-un Chapitres sur l'esprit et les passions (1917)


Petit Traité d'Harmonie pour les aveugles (em braille, 1918)


Les Marchands de Sommeil (1919)


Système des Beaux-Arts (1920)


Mars ou la guerre jugée (1921)


Propos sur l'esthétique (1923)


Lettres au Dr Henri Mondor (1924)


Propos sur les pouvoirs - Éléments d'une doctrine radicale (1925)


Souvenirs concernant Jules Lagneau (1925)


Le citoyen contre les pouvoirs (1926)


Les idées et les âges (1927)


La visite au musicien (1927)


Esquisses de l'homme (1927)


Propos sur le bonheur (1925, edição ampliada em 1928)


Les Cent un propos d'Alain (5ème série) (1928)


Entretiens au bord de la mer (1931)


Vingt leçons sur les Beaux-Arts (1931)


Idées (1932)


Propos sur l'éducation (1932)


Les Dieux (1933)


Propos de littérature (1934)


Propos de politique (1934)


Propos d'économique (1935)


Stendhal (1935)


En lisant Balzac, Laboratoires Martinet, 1935


Histoire de mes pensées (1936)


Avec Balzac , Gallimard, Paris, 1937, réédition 1999.


Souvenirs de guerre (1937)


Entretien chez le sculpteur (1937)


Les Saisons de l'esprit (1937)


Propos sur la religion (1938)


Convulsions de la force (suite à Mars) (1939, reditado em 1962)


Minerve ou de la Sagesse (1939)


Eléments de philosophie (1941)


Vigiles de l'esprit (1942)


Préliminaires à la mythologie (1943)


Idées, introduction à la philosophie (1945)


Vingt et une Scènes de Comédie (1955, obra póstuma)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Antonio Abdalla - Sua resposta

Da Humana Existência


BRILHANTE! Não há outro termo para definir a excelente dissertação do filósofo Paulo César Fernandes, publicada na edição nº 191 de “Opinião”. Se ele citasse os dois principais existencialistas do século XX, Heidegger e Sartre, não acrescentaria nem uma só proposição ou argumento, apenas ilustraria ainda mais seu ponto de vista.
Paulo César explicitou de forma magistral a ideologia da Confederação Espírita Pan-Americana: o Existencialismo Humanista Espírita. Não é a minha opção, pois me referencio em outra Ontologia do Ser Espiritual, aquela que postula que todos somos gemas preciosas carecendo de lapidação. Lapidação que depende do exercício contínuo e intenso da caridade, fora da qual não há salvação! Discordo do filósofo cepeano apenas em sua conclusão: “E basta!”. Não, não basta... A busca da Verdade deve prosseguir, pois somente quando a encontramos seremos efetivamente livres.
Antonio Abdalla Baracat Filho – Belo Horizonte/MG.
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Quero, de público, agradecer as palavras entusiásticas do companheiro mineiro Antonio Abdalla Baracat Filho. Dizer a ele, e a todos que possam estar lendo este POST, que palavras como estas nos servem de incentivo, a seguir na trilha de busca em coadunar o pensar filosófico espirita com o pensar filosófico que remonta os mais remotos tempos da civilização ocidental a qual me relaciono. O oriente me é desconhecido.

Desde os tempos de Mocidade Espírita, ainda com pretos cabelos, venho batalhando no sentido dos Centros Espíritas, e todas as entidades ditas espiritas, diálogar franca e abertamente com todas as áreas do conhecimento. Sem distinção de espécie alguma. E mesmo com entidades de pensar diverso do nosso.

Esta ponte de acesso à sociedade, é uma via de duas mãos.
Da mesma forma que nós espiritas nos veremos enriquecidos pelo conhecimento que as diversas academias do mundo trazem a público; por outro lado, daremos ao mundo a possibilidade de perceber que o espiritismo, tal qual o pensamos, não é fechado em si mesmo, e eivado de práticas estranhas, não condizentes com aquilo que Allan Kardec bem balizou em "O Livro dos Médiuns" no tocante à mediunidade, por exemplo.

E, em tempos de materialismo exacerbado, lembrar que foi Kardec quem colocou que o maior inimigo do espiritismoo é o materialismo.
Exatamente esse materialismo que tira das pessoas a posssibilidade de refletir sobre si mesmo, sobre seu lugar no mundo, e sobre a utilidade de sua existência.

Nesse aspecto, devo dizer que nós espiritas devemos nos somar aos grandes pensadores da atualidade, cujo foco de preocupação reside nos tempos em que vivemos, e os efeitos desastrosos da Globalização e das políticas Liberais e NeoLiberais que vigem em diversos países do globo.

Nomes como Anthony Giddens; Rochard Rorty; Gianni Vattimo; Zygmunt Bauman; Jean-Francois Lyotard e alguns mais, usados como referenciais de professores eméritos da Universidade de São Paulo. Estes nomes devem estar compondo o universo das nossas preocupações. Andar junto deles. Pensar o que eles pensam, para acatar ou para rejeitar as opiniões por eles adotadas. Mas refletir sobre a obra destes ilustres homens que nos dão a conhecer o nosso mundo, com todas as suas discrepâncias e mazelas.

Como interferir eficazmente num mundo que desconhecemos?

Disse ao Ricardo Nunes, companheiro da Baixada Santista  "Temos que olhar para o futuro."
Pois penso que o passado passou, e nos vale como referência tão somente, mas não como elemento aprisionante.

Nossos verdadeiros companheiros de lutas são estes homens, que de formas distintas combatem a Globalização e os efeitos destruidores por esta gerados: campos de refugiados; guerras fraticidas alimentadas pelas potencias mundiais; etc.

Estar junto destes homens hoje, é estar discutindo o que o senso comum só no próximo século talvez venha a discutir.

Paulo Cesar Fernandes
Filósofo
Santos - SP



sábado, 25 de fevereiro de 2012

E se fosse agora?

Pois o tempo passa e passando a qualquer momento a vida pode nos ser tirada. Semana que vem, amanhã, mes que vem ou aos 98 anos como minha avó materna foi.



(Se isso ocorre na semana que vem, tenho que sair correndo para El Salvador, pois estou achando um barato o processo eleitoral que lá se desenvolve. Novos conhecidos brotam a cada dia naquele querido país.)

Como pretendo ser incinerado, pode ser que tenha todo aquele cerimonial e tal. E alguém queira dizer algumas palavras. Acho justo que o façam aqueles que foram amigos verdadeiros. Pessoas cuja sinceridade comigo jamais coloquei em dúvida. Um minuto sequer.


Não há ordem. Propositadamente desordenado. Todos estes nomes foram meus grandes amigos. Todos absolutamente. Cada qual de distinta maneira me ajudou. E sou e serei sempre grato a cada nome desses.

Jonas Gonçalves Coelho;
Carlos Roberto de Messias;
Pedro Beneti;
José Rodrigues;
Jací Regis.


Algumas pessoas estranharão ver o nome do Jaci Régis entre meus grandes amigos. Se aí está é porque foi e continua sendo. Sem sombra de dúvidas. Nunca pus em dúvida sua sinceridade para comigo. Como jamais teria para com ele uma atituda que ferisse a ética, ele não o merecia. Ele sempre soube disso e ouviu de mim algumas vezes.


Pensamos diferentemente? Radicalmente diferente.
Isto em momento nenhum foi impedimento que houvesse mútua admiração.


Jací pensava.
Eu penso, e diferente dele. Pensamento único é para gente atrasada intelecto-moralmente.


Não quero aqui discutir o valor de cada um, pois sei bem o meu lugar e minhas restrições.


Certa manhã na Itororó disse a ele:
_ Te respeito porque tu tens ideologia. Melhor, ambos temos ideologias.
Jaci sorriu apenas. Foi a forma de concordância que encontrou, tímido que era.

A saudade que tenho do José Rodrigues e do Jaci Régis é a mesma.
São grandes companheiros de ideais em quem sempre confiei e seguirei confiando.

Gostaria que tanto os encarnados, bem como os desencarnados recebessem esse texto como uma pequena homenagem e uma demonstração de minha gratidão.

Paulo Cesar Fernandes

25/02/2012

Uma foto e um diálogo

Pois assim que ampliei a foto com minha prima tocando piano tomei um susto com o tempo.

Parado ao meu lado ria.


Não sei se ria para mim, ou se ria de mim e de meu susto, do meu reparar o quanto dele tinha passado.
_ Caramba. - disse eu
_ Onde estavas durante essa foto? - me perguntou
_ Por certo na rua que é o lugar de todo moleque. Pelo menos antes era assim. - disse eu.
_ Na rua jogando taco? Ou na casa do Jorginho na batalha de carambolas? Ou viajando com a Isabel e com o Rubão no trem de cadeiras enfileiradas indo para Marilia, Agudos, São José do Rio Preto, nomes para ti desconhecidos? Ou estarias na casa do Urbaninho jogando futebol no campinho gramado da casa dele. Grande campinho aquele, lembras?


_ É mesmo, era legal o campinho. Mas... - me interrompeu o tempo.
_ Cala-te. Eu sei. O "progresso" passou por lá e levou as tres casas, a do Urbaninho e mais duas. Grande empreendimento imobiliário se afigura.
_ E minha memória?
_ Quantas fotos tirastes na vida?
_ Poucas que recorde. - respondi.
_ Pois teu passado está nas imagens dos teus neurônios e nas fotos que não tirastes.
_ Não me venhas cobrando nada. Que é isso? E qual tua função afinal?


_ Tic Tac Tic Tac Eu passo na tua vida. - disse o tempo secamente.
_ Tu passas? - atônito eu.
_ Eu passo e te vou levando a vitalidade. Quer queiras quer não, saibas que eu levo a tua vitalidade. - falava sério e taciturno, mas era ferino. Tinha prazer naquilo.


_ Nessa nossa relação que eu nem quero e nunca quis... - respondi
_ Mas é inevitável meu caro, inevitável. Pensa em quantos passaram por ti. Eu os levei todos, todos.
_ Que ganho eu em me relacionar contigo afinal? Essa conversa está insuportável.

Eu não aguentava mais. Sereno o tempo respondeu.
_ O que ganhas comigo? Nada tem a ver comigo, o tempo.
_ Como assim? Numa relação a dois ambas as partes tem sua responsabilidade. - eu disse meio rude, ao meu estilo.


_ A relação com o tempo meu amigo, é tua para contigo. Eu sou totalmente teu. Fazes de mim gato e sapato, e nunca reclamo. Se te apetecer nada fazer na vida inteira nada farás. Tua vida vai pela janela. Mas, por outro lado, e sempre tem um outro lado, por outro lado se me utilizares de forma útil, condignamente, com projetos positivos de existência, eu serei pouco para ti. Terei que me desmembrar pois estarás sempre mais de mim requisitando.


_ E então? - perguntei.
_ A verdade é que se fores inteligente e me utilizares de forma sempre mais úitl, tu sairás enriquecido da vida.
_ Rico? - perguntei sarcástico.
_ Não animal. Quando falo em enriquecimento que eu te traga, até pode ser também o financeiro; mas o que tu vais carregar quando chegar aquela hora que te assusta, nada tem de material. Serás tu nu de todo, inclusive incapaz de esconder teus defeitos e tuas qualidades.


Fez breve pausa e seguiu:
_ Se bem me usastes serás um Ser consistente e respeitado. Engrandecido.


_ Caso contrário? - perguntei.
_Caso contrário sai a procura de um casal que esteja se preparando para formar uma família e já vai te acostumando com eles. Pois nessa familia tu voltarás, para ter uma nova oportunidade de recomeço.


_ Assim...  não és meu inimigo?
_ Nem uma coisa nem outra. Estou ao dispor de todos. Cada qual me usa segundo suas possibilidades intelectuais e suas tendências éticas. Pensa nisso que ...

Sem completar a frase se foi.
É algo a se pensar. Fez por deixar a reflexão no ar mesmo.
_ O tempo é danado mesmo!


Paulo Cesar Fernandes

25/02/2012

Carta de aniversário a Pedro Beneti

Fazer aniversário Pedrão é muito legal. Mas não tenhas a menor pressa em chegar aos 60 anos.

A primeira má noticia que recebi, dias antes de meu aniversário é que o Plano de Saúde UNIMED teria sua mensalidade majorada em mais de 100%. Queria arrumar uma maneira de ficar com 59 anos eternamente. rsrsrs


Mas o tempo passa e cada TIC e cada TAC do relógio vai me dizendo que tenho por obrigação ocupar cada vez melhor o meu tempo. Cuidando do corpo sim, mas sem neuroses de querer mil academias e coisas mirabolantes/ridículas a um homem de minha idade.


Na juventude as atividades relativas à juventude e a cada momento da vida a adequação necessária em todos os aspectos.

Alguém consegue me imaginar de cabelos tingidos?
Nada mais ridículo.


Saber viver é também saber envelhecer com dignidade. Acolhendo o tempo e aconchegando-o na existência.


Algumas vezes caminho na praia de forma acelerada, para exercitar mesmo. Nesses momentos cruzo com pessoas mais idosas que eu, cheias de paramentos juvenis, como se a roupa lhes pudesse restituir o tempo que passou. Eu rio mesmo/muito.


Cuidar do corpo para seu equilíbrio, e cuidar da espiritualidade.

E espiritualidade nada tem a ver com religião e essas coisas pequenas. Espiritualidade é investir em si como Ser. Espírito imortal com necessidade de agregar valores e conhecimentos que lhe possam ampliar a forma de ver, pensar e sentir a vida Pedro.


Talvez seja esse o "pensamento ampliado" a que o filósofo Kant se referia. Abarcar todas as formas de conhecimento, das mais diversas fontes e delas se valer para uma existência mais rica, e mais pertinente com o grande projeto de evolução rumo à felicidade.


Posso estar equivocado, errado. Uma vez que a verdade não existe estou apenas oferecendo reflexões.
Use-as ou descarte-as.
Não me sentirei ferido se vc descartar. É parte integrante do mercado de idéias nestes Tempos Liquidos que nos falam os homens inteligentes que bem pensam a PósModernidade.


São estes homens os verdadeiros combatentes do materialismo que tantas vezes Kardec colocou como o verdadeiro inimigo do espiritismo.


Mas tem gente que é cega! Essa gente que se acha Livre-Pensadora é totalmente cega. Estão a caminho de um grande vazio.

Namastê!


Paulo Cesar - Brasil -


25/02/2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Espíritos - Forças da natureza

Forças da natureza.


Por dois meses, estas idéias habitam o meu tempo. Delas não queria me ocupar. as punha de lado e, tal qual bumerangue, lá retornavam elas, numa intermitência cujo retorno sempre havia. Sabia que podia alijá-las, mas tinha a certeza de ser algo apenas momentâneo, seu retorno era questão de tempo, inevitável.

Enfim me rendo, são mais fortes que eu.

O item a seguir, de "O principiante Espírita" de Kardec, traz elementos para reflexão que, acredito eu, o próprio Kardec não se deu conta. Tanto é que o deixou nesta obra, em lugar de alavancá-lo para "O Livro dos Espíritos", obra que mais deu valor, ao lado da "Revista Espírita" seu laboratório diário.

18. Os Espíritos se acham em toda parte, ao nosso lado, acotovelando-nos e nos observando incessantemente. Por sua constante presença em nosso meio são agentes de vários fenômenos, representam papel importante no mundo moral e, até certo ponto, no mundo físico. Constituem, se assim podemos dizer, uma das forças da Natureza. (negritos meus)

Quando Kardec afirmou serem os espíritos "uma das forças da natureza" me parece que ele não se incluiu entre essas forças; não incluindo, por conseguinte, a todos nós. Tanto é que usou o pronome oculto eles, no verbo constituir. Fez um apartamento entre nós e os espíritos, como se nós não o fossemos. Talvez por uma questão até didática. Mas assim o fez, o que nos permite o desvendamento do texto.

É importante refletirmos nós, agora; que somos uma das forças da natureza. Isto deita por terra as concepções de desvalorização do homem, dos encarnados. Somos sim espíritos. Somos sim encarnados. E acima de tudo, somos uma das forças da natureza, co-participes no processo global das Leis Naturais.

Esta noção deverá ter, e terá por certo, forte impacto no psiquismo, e na estrutura vivencial de todos nós, se formos suficientemente capazes de aquilatar sua amplitude e profundidade.

Se Erich Fromm está certo, ao afirmar a existência no homem, de uma nostalgia quanto ao seu "estado de natureza"; mais certo ainda está Kardec devolvendo a este o seu verdadeiro estado natural, enquanto integrante de um processo. Um processo harmônico, onde sua importância se evidencia na medida em que mais participante seja.

Nesse aspecto, e talvez em muitos outros Kardec foi mais lúcido que Fromm. Mais lógico ainda, pois ninguém se pode apartar de algo integrante de sua essência. Somos natureza.

Sendo da natureza uma das forças, e parte dela como a árvore, as nuvens, os pássaros.

Gosto muito de uma seqüência do filme "Giordano Bruno" de 1973:

«««
GB_ Estava falando da magia das crianças.

I_ Nossa Senhora de Veneza. Podemos falar?


GB_ Mesmo sendo estúpidos e não entendendo nada.
I_ ...temos o direito de falar? Mas eu só queria saber...


GB_ Posso perguntar de que cor é o leite?
I_ Branco.


GB_ Então. Quando ele pensa em leite.
I_ ...pensa na cor branca.


GB_ E quem faz o leite?
I_ A vaca.


GB_ E o que come a vaca? Mato.

(Silêncio)


GB_ Prado... chuva... nuvens... céu... astros... universo... Deus... se assim quiserem.
GB_ Universo... astros... céu... nuvens... chuva... prado... grama... muuuuh... vaca... leite.
GB_ Uma imagem... viva... de Deus. Se assim quiserem.

(Silêncio)

GB_ Pensa-se por associações. Há correspondências entre o mundo animal. vegetal e humano.

«««

Somos natureza, guardadas as devidas proporções do patamar de racionalidade conquistado por nós em nossa trajetória. Somos carbono, e somos água, somos todos portadores de funções fisiológicas, sistemas digestivos e excretores, como os animais.

Fisicamente semelhantes, mas com uma brutal distinção: somos dotados de senso ético; somos dotados de senso de justiça; nossa razão serve de diretriz de conduta, nas tomadas de decisão; além disso, nossa sensibilidade é capaz de nos permitir alçar vôos que nenhum Fernão Capelo Gaivota jamais alcançará.

Fomos feitos para a mais plena felicidade, e toda a produtividade que essa felicidade engendrará.

Paulo Cesar Fernandes
Filósofo

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mirassol 1 x 3 Santos - Na imaterialidade



Ao final do jogo do Santos, me perguntava se meu cunhado já teria onde está a possibilidade de ver as jogadas do Neymar. Ele que tanto vibrava com as diabruras do moleque. Tanto ria de cada lançe. Eu acho que sim. Eu espero que sim. Quem é bom acaba por merecer um despertar mais rápido, acaba por receber um tratamento de urgência, para que lhe saia da mente os resquícios de lembrança da doença que o acometeu. O espírito toca adiante a vida assim como nós a tocamos. Cada qual de seu lado do "Muro de Berlim" que separa a materialidade da imaterialidade, com possibilidades de realizações em ambos os lados.


Conversando com minha irmã mais nova, dizia a ela, "o diacho é que o telefone só toca de lá para cá". Rimos muito dessa angústia que nos toma. E mesmo algum toque que recebamos, numa casualidade, nunca temos a absoluta certeza da concretude do fato.


Já que minhas irmãs sempre dizem que sou um otimista convicto, vamos pensar de maneira legal, isto é, positiva mesmo.


Imagino que no lugar onde hoje habite, deva ter uma poltrona confortável, e uma TV de plasma bem grande, onde meu querido possa saltar a cada gol do time de seu coração. Milton merece essa alegria do lado de lá, como nós a merecemos do lado de cá. Afinal qualquer vitória é algo bom demais.


Santos, Santos sempre Santos....em ambos os lados do Muro de Berlim.


Paulo Cesar Fernandes


18/02/2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Humildade e Perdão.


Hoje o dia passou me chamando a pensar novamente na Humildade.


Humildade, Deus, Bondade, "Dar a outra face...", tudo isso foi inventado para te fazer escravo.


Te fazer um inútil servo, um ser sem personalidade, um ser que não é nada, pois não se impoe, não se permite se sentir alguém, e alguém valioso no ponto evolutivo em que chegou.


Quer renegar todas as tuas qualidades para te colocar a serviço da imbecilidade do "não-ser".


Se algum calhorda começar a te falar de algo que ele diz ser qualidade, mas essa suposta qualidade te dimunuir de alguma forma, decreta-o como inimigo da tua induvidualidade e de tua livre e soberana vontade. E muitos pregadores dessa ordem andam espalhados por toda parte. Falam com palavras suaves e falsas. Se aproveitam, tal qual raposa, de alguma momentânea fragilidade tua para te escravizar. Te fazer refén dele. Devedor dele.


Liberta-te de tudo e de todos. Não sigas nada e ninguém. És plenamente soberano.


Mas minha atual reflexão não é sobre escória humana. É sobre perdão.


Perdão é uma qualidade, pois não te faz refén de nada e de ninguém.
Ao contrário, te enobrece e engrandece. Até porque todos sabemos as dificuldades encontradas na busca dessa qualidade.


Quantos avanços e quantos retrocessos. Aqui me refiro a chegar ao esquecimento do fato. Essa é a meta. Enquanto o fato desagradável estiver presente em nossa memória, esse tal de perdão não ocorreu.
Dentro do processo de luta pelo esquecimento, vai chegar uma hora que o fato perde toda sua carga emotiva. Isso é quase chegar lá. Mais um passinho e se consolida o perdão. Com pleno esquecimento.


Voce tem algum ódio que carrega desde a infância? Imagino que não. Pois as coisas pueris ficam nos tempos da puerilidade.


E muitas vezes a mágoa que carregamos na idade adulta é igualmente pueril. Mas temos o prazer mórbido de alimentar tal coisa.


Há um forte motivo para lutar contra isso: Nossa Liberdade Plena.
Ninguém é feliz se tem uma bola de ferro atada ao pé.
E mágoas, ódios, rancores são pesos inúteis que pela vida carregamos e muitas vezes tolamente cultivamos.


É imperioso romper com esses grilhões, ou esse grilhão se for apenas um, para que venhamos a ter a leveza que a Plena Liberdade nos traz.


Se alguém da baixa categoria que inicialmente tratei, se aproxima de ti, tenta emocionalmente manterte desvinculado, e atenta ao discurso, à postura corporal, ao abraço muitas vezes faaalso demais. Mas mantém a tranquilidade. É apenas alguém desinteressante à tua, à minha e à vida de qualquer um. Não cria antagonismo. Não fere.


Apenas tem clara a visão de que tipo de pessoa se trata. Esse conhecimento te basta como necessária prevenção. Num caso desses não será necessário perdoar, pois não haverá possibilidade de se estabelecer relação de confiança.


A animosidade ou ódio, em geral nasce quando uma pessoa que gostamos, e que prezamos nos atraiçoa, nos fere. Nunca esperavamos aquilo da pessoa.


É aí que, infelizmente nasce o ódio. Pura tolice.
O ódio é um peso desnecessário. Agimos como a carregar pesos mortos. Ódio é peso morto.


Só o amor traz a leveza. A doçura harmoniza relações. A bondade compreende as falhas humanas pois todos as temos: "Atire a primeira pedra...". foi dito.


A vida é curta, breve e fugaz para tanta discórdia. Caminhemos pois na concórdia.


Fomos feitos para o amor e pelo amor entre nossos pais. Assim sendo vamos levar adiante esse amor que de graça recebemos da vida.


Essa mesma vida que verte do pensamento dos homens de bons sentimentos.




Paulo Cesar Fernandes


18/02/2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Cidade (Zeca Afonso

A Cidade


(José Carlos Ary dos Santos/José Afonso)



A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
... A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.


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José Afonso ou Zeca Afonso - poeta e cantor portugues.
Meu irmão. Meu contemporâneo. Meu companheiro de ideais, ideologia.
Feres com teu verso tudo o que é feio. Tudo que está torto, tudo que está errado.
És na cidade ou na pradaria a palavra correta ao momento certo.
És... silêncio..... também és silêncio meu companheiro.... pois a saúde não é eterna e nos leva a vida de roldão.... e assim nos apercebemos mortos.... despojados do corpo a que animavamos..... isto nos desola.... mas não nos tira nada... nada de nada...e digo mais .. e muito menos a ideologia a perdemos... segue assim companheiro a cantar teu canto por outros recantos.... quem sabe amigo, ainda te oiça um dia.
Um dia qualquer, distante ou próximo, já bem não o sei.
Estaremos juntos a cantar hinos que falem em revoluções, sonhos e ideais libertários.
Em campo aberto, a milhares de operários.


Saudoso abraço deste camarada Paulo Cesar.
 
27/01/2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma questão de tamanho

Uma questão de tamanho?


Não sou pequeno. Não sou um nada.

Mas me ponho a refletir acerca de tudo aquilo que nos cerca; no âmbito material, bem como no imaterial; nas coisas tangíveis/visíveis, ou nas intangíveis/invisíveis. Apercebo-me do meu real valor, sua pequenez e relatividade ante o todo.

É uma postura de humildade. Mas nego a humildade piegas e autoritária das religiões e dos espíritos que supostamente nos vem ajudar. A humildade a que me submeto é pautada na Razão de alguém capaz de olhar o universo ao seu redor (ou os universos); saber de sua possibilidade de expansão; e ter em conta a impossibilidade de abarcar todo o conhecimento, uma vez que este tem contínuo crescimento.



Um filme de Woody Allen mostra o desespero da mãe cujo filho se nega terminantemente a voltar à escola. Seu raciocínio é simples e cristalino:

_ Se vou à escola aprender e aprendo tudo bem, mas o que aprendo é um nada na medida em que o crescimento do universo suscita novos conhecimentos que a escola não dá conta.

Diante da mãe e do Coordenador da Escola espantados, é categórico:

_ Não vou mais à escola.

Não me nego a novos conhecimentos, até porque, curioso nato, isso seria a morte intelectual, me restando apenas a vida vegetativa. Mas me defronto com o desafio do constante crescimento do que há a conhecer.

Desenvolvi desde a juventude uma metodologia, que se não dá conta cabal do problema, atende até certo ponto. Pinçar um ou dois tópicos, e neles mergulhar por um período, até que sinta saciada a necessidade/sede de melhor conhecer tal/tais assuntos.

Foi com surpresa e contentamento que assistindo uma entrevista do cantor pernambucano Otto, pouco conhecido, pois está fora do circuito dos Meios de Comunicação dominantes; quando o repórter se referiu a determinado ano em que uma obra sua teria sido publicada Otto responde:

_ Não, não. Nesse período a que você se refere, eu estava focado completamente nas Raízes Ibéricas da Música Nordestina.

Esse fato me despertou a atenção, fez cair a ficha do fato de muitas pessoas poder usar o mesmo método, a mesma forma de agir, com relação à determinada área de conhecimento a desbravar.

Mergulhando a fundo num tema, vai se apropriando pouco a pouco de algo mais da imensidão do conhecimento com o qual nos defrontamos. Sendo impossível, abarcar a totalidade, uma vez ser esta expansível.

Tenho dúvida se é mesmo um método, ou alguma forma de obsessividade. Retomo a tranqüilidade, ao pensar que por muitos anos já me vejo livre da obrigatoriedade de alguma coisa. O tormento da frase: “Tenho que ...” sempre causadora de amarras às quais me submetia, causadoras de tensão, ansiedade e frustração.

Agora não “Tenho que ...” mais nada.

Vinha bem no primeiro semestre de 2011, escrevendo, lendo bem.

Já o segundo semestre chegou me trazendo uma série de dificuldades e aborrecimentos. O tipo de clima mental incapacitante da expansão da criatividade; além do abalo ao sossego necessário a qualquer trabalho de cunho intelectual, que simplório seja, requer certo equilíbrio.

As coisas deram uma paralisada. Ficaram no que em informática chamamos de “wait status” (estado de espera). Muitas vezes necessário, como foi o caso.

Sem problema, fui me dedicando a outros aspectos da vida até que tudo se normatizou e a vontade de escrever se recompôs.

Por vezes encontro uma amiga, ex-aluna na universidade onde trabalhei e ela, fazendo mestrado na área de saúde da UNIFESP me incentivou a tentar fazer mestrado na área de psicologia.

Da primeira vez que a ouvi falar me chegou certo animo. No caminho do almoço para casa já ia ponderando o número de “Tenho que ...” que haveria de enfrentar novamente. A tranqüilidade que perderia. E a idéia se diluiu por completo no período de uma hora.

Preferi seguir focado no meu interesse em desvendar a PósModernidade. São muitos os autores, muitas as vertentes de pensamento, um instigante universo que me traz muito prazer mesmo.

Principalmente um autor polonês, nascido em 1925 e que mantém uma lucidez inacreditável. Seu nome é Zygmunt Bauman. Anotem esse nome. Sua análise sociológica, que no início nos parece difícil, em algumas páginas já vai se abrindo à nossa compreensão. A leitura de uma segunda obra desse autor clareia tudo. Realmente fascinante compreender o mundo atual, e os Tempos Líquidos aos quais ele se refere. Nossas perguntas sobre o nosso tempo têm ali uma série de respostas capazes de nos satisfazer a curiosidade plenamente.

Ler Bauman é um convite a ler mais Bauman, e não faltam obras a essa fértil inteligência.

Mas o sem fim do conhecimento não se restringe a Bauman, longe disso está. E tampouco me mete medo. Pois como bem diz o cantor Jorge Bem, quando ainda assim se chamava: “...pois eu só ponho meu chapéu aonde eu posso apanhar.” Deixar de lado o que está fora do foco e fazer o possível para avançar no projeto a que se está dedicando.

Com isso aproveitamos o tempo, e agregamos alegria e conhecimento, mesmo inseridos na conturbação desta PósModerna vida.



Paulo Cesar Fernandes

07/01/2012

sábado, 28 de janeiro de 2012

Quem se atreve a Nietzsche?

Poucos muito poucos se aproximam de sua obra. Alguns ousam.

Lêem suas palavras, mas não se dão conta do que está no palco, por trás da cortina de palavras de seu discurso.

Subjaz uma realidade distante da loucura a ele atribuída. Há sim, outra forma de racionalidade, com intencionalidade não evidente.

Não lhe percorri a obra com o carinho dedicado a Hegel e a Zygmunt Bauman, este nascido em 1925 e com uma cortante lucidez ainda hoje. Daí podemos todos concluir que pensar rejuvenesce.

Há neste Nietzsche um não sei que de instigante, que perpassa o aspecto demolidor de seu discurso. Há algo mais. Minha intuição sensível me induz a descobrir essa vertente, encoberta pela leitura superficial que até a data tenho feito.

Assim como eu, as pessoas não compreendem Nietzsche. Nada, mais que nada compreendemos.

Há um outro personagem, que a leitura banal não é capaz de vislumbrar.

Já foi um avanço a aproximação da obra desse pensador.

_ Aquilo é um louco. – ouvi certa feita de pessoa que muito considero. Perdeu muito de meu respeito intelectual ao fazer tal afirmação.

Nenhum pensador sério é merecedor de reproche, de nosso desprezo. Podemos discordar e até combater seu modo de pensar. Sempre através do bom combate no campo das idéias. Essa é a única maneira de agir, por exemplo, com pensadores conservadores/reacionários politicamente. Combater suas idéias tão somente. Espíritos dignos a ponto de expressar suas idéias abertamente, merecem a dignidade em contrapartida. Aos indignos, desprezo.

Nietzsche foi o primeiro a sistematicamente desconstruir tudo quanto havia sido engendrado pela religião; e mais, avançou corajosamente contra a filosofia anterior a ele.

Hegel combate a subjetividade dos filósofos que o antecederam (Kant e Descartes). E se vale do pensamento grego como modelo para suas reflexões. Se refere a Deus ora usando o próprio termo Deus, ora se valendo da expressão Razão Absoluta. Podemos comprovar essa assertiva no livro “Razão na História”.

Nietzsche foi o primeiro a afirmar a morte de Deus, numa ruptura total.

Vamos refletir juntos: vivemos séculos, senão milênios, sob os ditames nada cordiais da Igreja Católica, pagando com a vida o atrevimento de um pensamento divergente do seu. Giordano Bruno bem sabe disso, não deve ter esquecido dos eventos ocorridos no ano de 1600, quando foi queimado vivo. Mas, sempre firme, não abdicou de seus ideais. Exemplo de firmeza de caráter e dignidade.

Mesmo distante da Igreja Católica, por milênios afora, fomos obrigados a admitir a existência de um ser superior. Se nos projetarmos no passado da primitividade, já lá se nos impunha tal idéia como regra. E nos mais diversos povos, com as mais diversas denominações e representações, lá estava o ente superior a ser reverenciado.

Sem qualquer possibilidade de questionamento.

Quem afinal foi o libertador das consciências?

Quem abriu caminhos a outras possibilidades eliminando a idéia de Deus?

Nietzsche. E depois dele ficou tudo mais fácil para todos aqueles que quisessem refletir. Já havia um referencial anterior. Como ocorre na área do direito: já havia jurisprudência firmada sobre o assunto. Partir dessa jurisprudência e avançar, tornou-se algo comum e até certo ponto usual, entre pensadores de diversas áreas e escolas.

Este pensador é um gênio incontestavelmente. Sendo assim, é um divisor de águas na história da filosofia contemporânea. A tal ponto importante, já é merecedor de uma maior atenção nas lides acadêmicas que em geral o temem; bem como entre os espíritas capazes de pensar, despidos de preconceitos.



Paulo Cesar Fernandes

29/01/2012



Justiça ou Liberdade? - Vasco Rossi

Justiça ou Liberdade?


.por Paulo Cesar Fernandes, terça, 20 de Setembro de 2011 às 23:41

A liberdade implica a coragem de enfrentar o imprevisivel: e não é fácil de gerenciar isto.
A dependência; a castração é algumas vezes muito mais comoda e simples, implica sobretudo a mera execução de uma diretriz dada ou de uma ordem de alguem mais poderoso.
A liberdade te faz homem.
A dependência te faz seguir sendo animal.
A liberdade te torna responsável...
... a dependência te torna escravo.
Sem liberdade nada temos.
É uma questão de decisão de escala de valores:
Primeiro a justiça e depois a liberdade ou primeiro a liberdade e depois a justiça.

Pessoalmente prefiro:
PRIMEIRO A LIBERDADE e depois A JUSTIÇA

Porque não pode haver justiça sem liberdade


De Vasco Rossi cantor de Rock n Roll da Itália que faz diversos posts no Facebook todos eles dignos de nota. Se apresenta com frequencia no Estadio San Siro, onde grandes eventos futebolisticos tem lugar. Transita desde a musica romantica ao Rock and Roll mais rasgado. Seu trabalho leva ao delirio milhares de fãs. Confira se puder, vai ter ganho pelo menos, um espectro cultural mais amplo.
Abraço
PC

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Herculano Pires e sua lucidez

Herculano Pires e sua lucidez.

A meu juizo o espirita mais culto do nosso pais.
Não porque tenha sido professor de filosofia na maior universidade da América Latina, a USP.
Mas porque em cada texto seu a cultura que é portador se faz presente sem afetações.
Sendo para mim um grande exemplo de humildade real.


Em:
J. Herculano Pires – Os Sonhos de Liberdade

Contracapa (esquerda)

O princípio ético de preservação da liberdade exige a reformulação social e cultural do mundo.
Por isso, René Hubert recomenda uma pedagogia estética que corresponda ao sentido profundo no ato
de amor do processo educacional. Só pelo desenvolvimento da consciência estética, síntese consciencial que liberta o homem da arrogância e da brutalidade, aprimorando-lhe a sensibilidade estética – como Kant já reconhecera – poderemos estabelecer na Terra uma civilização de justiça e harmonia, condizente com as aspirações mais profundas e generalizadas da espécie humana.

A liberdade é também um princípio estético fundamental, como Schiller demonstrou em seus estudos de estética. Sem liberdade não há criação artística válida nem ética verdadeira.


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domingo, 22 de janeiro de 2012

Da humana existência.

por Paulo Cesar Fernandes, quarta, 31 de Agosto de 2011 às 23:29.

Sim, humana. É dos seres humanos e para seres humanos a destinação do presente artigo. Não está focado nos viventes em realidade não corpórea, mas nos espíritos que existencialmente e fisicamente habitam o nosso Planeta Terra. Este é o foco.

Por que usar no título a ordem inversa numa construção da Renascença? Para enfatizar o humano, tendo o existencial como qualificador do dia a dia do homem, inexoravelmente. E esta é uma realidade da qual este não se pode desvincular.

Viver é um ato existencial.

A morte, esse fantasma que assombra a humanidade desde tempos imemoriais. Não temos memória ou lembrança do momento em que pela primeira vez esta nos assombrou. Esta nos surpreende desde os primeiros tempos da passagem terrestre: um avô, uma tia, uma avó bonachona, deixam a vida num momento inesperado. Mesmo um animal de estimação pode morrer, trazendo ao ingressante do planeta alguma sensação de vazio e desconforto.

Diante da presença da morte, descobre a criança ou adolescente a sua condição de ente biológico; e o faz de forma mais profunda e impactante que poderiam lhe trazer qualquer uma das aulas de ciências biológicas dos bancos escolares. É tocada sua emoção, seu sentimento.

Muito além do biológico que o homem é, da consciência de si mesmo compartilhada com os animais, é possuidor algumas coisas a mais: a razão; a imaginação; e ampla gama de sentimentos e emoções. Faz parte da natureza, portanto está sujeito à Lei ou Natural (LN), mas se sente incapaz de modificar qualquer dos aspectos dessa Lei, por ser ela universal e perene. Daí lhe advém sua sensação de impotência diante de seus ditames.

Tendo a razão como instrumental, é capaz de desvendar aspectos da LN, mas cada aspecto desvendado lhe abre novas portas, trazendo novos desafios. Essa é a dinâmica do conhecimento. Segundo Fromm[1] “o homem é o único animal para quem sua existência é um problema que ele tem que solucionar e do qual não pode fugir. Ele não pode voltar ao estado pré-humano de harmonia com a Natureza; tem de prosseguir para desenvolver sua razão até que se torne senhor da Natureza e de si mesmo”.

A única possibilidade de fuga seria o suicídio, se este trouxesse realmente o fim. Diante do fato da imortalidade e da reencarnação esta opção cai por terra: o Espírito segue existindo.

Na atualidade, muitos homens e mulheres urbanos têm profunda nostalgia com relação à harmonia do meio rural. Se sentem apartados da natureza, descontentes. E tal descontentamento acaba sendo uma das alavancas do progresso, pois os impele na busca de novas opções, querendo tornar para si conhecido aquilo que desconhecem, procuram respostas enfim. Sentem necessidade de prestar contas de si a si mesmo. Saber o significado de sua existência terrestre e das atribulações desta.

Sabedor de sua condição de ser biológico e tendo a morte como um fato, a duração da vida terrena lhe impede o desenvolvimento das potencialidades plenas, melhor dizendo: de todas elas. Percebe suas possibilidades e é incapaz de transformar potência em ato.

Como poderia o homem desenvolver todas as suas potencialidades? Fazer de todas as suas potências atos?  Tendo o tempo da Humanidade.

Isso parece impossível se deixarmos nossos pés na Terra, mirando uma só existência. Se, em lugar disso, olharmos a imortalidade da alma como uma aliada, essa angústia existencial de ampliação de potencialidades se desfará no ar. O tempo sai da condição de algoz para se tornar um aliado.

Mesmo a morte, “angústia de quem vive” segundo Vinicius de Morais; passa a ter relativa significação, embora busquemos viver plenamente sempre, a cada minuto. Spinoza diz que “Tudo o que o homem tiver dará pela vida, e o homem sábio não pensa na morte, e sim na vida”.

Solidão e Sociedade

Somos solitários em nossa jornada espiritual. Na busca de decisões importantes na nossa vida atual. Porém, quanto mais solitários nos sabemos, maior importância auferimos ao outro. O outro que partilha conosco: seja no lar, no campo profissional, ou em qualquer outra área. Este é sempre o espelho onde podemos nos mirar, sendo o referencial para nos sentirmos vivos e também gente.

O isolamento denota patologia.

É no confronto e no encontro com seus semelhantes que o homem dá significado à própria vida. Um significado baseado nalguma certeza, porém também nas incertezas capazes de alavancar a expansão de suas forças, suas potencialidades, trazendo produtividade ao seu existir no mundo, se valendo da razão e da sensibilidade humana da qual é portador, sendo o uso de tais características a fonte de reencontro consigo mesmo.

O humano, se ligando ao outro humano numa perspectiva de solidariedade.

Segundo Fromm: “Todos os homens são ‘idealistas’ e anseiam por algo além da mera satisfação física. Eles divergem na espécie de idéias em que acreditam. As melhores, assim como as mais satânicas expressões da mente do homem, não são manifestações de sua carne, e sim desse ‘idealismo’ de seu espírito”.

Em que pese o texto de Fromm não se valer de terminologia espírita, mais adequada a meu ver, seu alerta é importante, pois coloca responsabilidade e autonomia diante de nós, tal qual faz o Espiritismo: fomos criados simples e ignorantes, chegamos ao patamar do pensamento contínuo, para enveredar cada vez mais no crescimento do senso de justiça e ampliar os conceitos da moral dominante na sociedade em que vivemos.

E basta!.

Paulo César Fernandes – Filósofo – Santos-SP

[1] FROMM, Erich “Análise do Homem”. Rio de janeiro : Zahar Editores, 19xx.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Resposta

Resposta a uma amiga espírita que me mandou um texto sobre Deus. Assustada que ficou ao saber-me ateu.
Abaixo a resposta:


Legal!!!
Obrigado mesmo.
Muito embora eu venha chegando à conclusão que Deus é uma invenção do homem, para poder mandar e principalmente subjugar outros homens.
A história do homem é, desde os mais remotos tempos a história da luta pelo poder.
Grécia. Roma. Através da força bruta. Deuses vários plenos de paixões humanas.
Idade Média através da brutalidade da religião.
Idade Moderna através da brutalidade das armas, cada vez mais poderosas, cada vez mais mortíferas.
Nesta mesma Idade Moderna das armas e do medo. Impedindo ao homem a doçura e a beleza da mais plena liberdade.
Em todas, absolutamente todas as concepções Deus castiga o homem.
Deus rouba a liberdade do homem. O homem precisa se ver livre de Deus.

Para um espírito como eu, isto é muito difícil, mas necessário não só a mim, mas a todos. Mas não quero e não devo interferir na liberdade de cada um escolher o seu caminho. Afinal fazem anos que joguei fora a crença numa verdade.

Quem acredita numa "Verdade" perde a liberdade, mata e morre por causa de sua "Verdade". Interdita a vida e a liberdade de seu semelhante, por causa de sua "Verdade". "Verdade" única.

Impede que as pessoas sejam livres, pensem pela própria cabeça, e que ajudem familiares e conhecidos a buscarem um pensamento autonomo. Pautado num caminho próprio e único. Construido a partir de buscas mais amplas de afetividade e razão. O mais importante é que nos eduquemos para a sensibilidade: humana; social; estética; quanto à justiça e tudo o mais que possamos aprender no caminho do amor mais puro por nossos semelhantes.

É isso? Ou será que ainda estou errado?

Paulo Cesar Fernandes

03/01/2011

Ateismo e Agnosticismo

O que é o Ateísmo?

O Ateísmo caracteriza-se pela ausência de crença na existência de deuses.
Essa ausência de crença geralmente vem, ou duma deliberada decisão filosófica, ou duma dificuldade em acreditar em ensinamentos religiosos que parecem literalmente incríveis. Não se trata portanto duma falta de crença nascida da simples ignorância dos preceitos religiosos.

Alguns ateus vão além duma simples descrença em deuses. Eles ativamente afirmam que deuses particulares ou todos os deuses, simplesmente não existem. A descrença em deuses é muitas vezes conhecida como a posição de "Ateísmo passivo ou fraco"; afirmar que deuses não existem (ou que não podem existir), é a posição conhecida como "Ateísmo ativo ou forte".

Com referência aos povos que nunca foram expostos aos conceitos de "Deus", seria um tema para debate se eles são ou não "ateus". Mas como é pouco provável que encontremos hoje alguém que nunca tenha ouvido falar em religião, esse debate não apresenta agora importância... (Estudos antropológicos nos ensinam que houve muitos povos que nunca acreditaram em deuses, como os esquimós.)

É no entanto importante esclarecer a diferença entre as posições dos ateísmos ativo e passivo. "Ateísmo passivo" é simplesmente ceticismo, descrença na existência de Deus. O "Ateísmo ativo" é uma afirmação positiva que Deus não existe. Não se deixe iludir, acreditando que todos os ateus têm uma posição de "ativos". Há uma grande diferença qualitativa entre essas duas posições; não é só uma questão de grau. Alguns ateus sustentam a não existência de todos os deuses; outros limitam o seu ateísmo a deuses específicos, como o Deus Cristão, em vez de fazerem uma negação generalizada.

A descrença em Deus não é a mesma coisa que a afirmação que ele não existe?
Definitivamente não. A descrença numa proposição significa que não se acredita que ela é verdadeira. Não crer que alguma coisa é verdadeira não é equivalente a crer que ela é falsa. Uma pessoa pode simplesmente não ter idéia se essa coisa é verdadeira ou falsa. O que nos leva ao agnosticismo.

O que é então o agnosticismo?
O termo "agnosticismo" foi cunhado pelo Professor T.H. Huxley em uma reunião da Sociedade Metafísica, em 1876. Ele definiu o agnóstico como alguém que nega tanto o Ateísmo (ativo) como o Teísmo e que acredita que a questão da existência ou não dum poder superior não foi nem nunca será resolvida. Outra maneira de apresentar isso é dizer que um agnóstico é alguém que acredita que nós não sabemos nem podemos ter certeza se um deus existe.
Desde essa época, no entanto, o termo "agnóstico" também tem sido usado para descrever aquele que não acredita que essa questão seja intrinsecamente incognoscível, mas por outro lado crê que as evidências pró e contra Deus não são conclusivas, ficando assim indeciso sobre o assunto. Para se reduzir a confusão estabelecida sobre o uso da expressão "agnosticismo", é recomendável que se use o termo de "agnosticismo estrito" para a definição original, e que se utilize a expressão "agnosticismo empírico" quando nos referirmos à segunda definição.

As palavras são entes escorregadios e a linguagem é inexata. Cuidemo-nos para não acreditar que poderemos induzir o ponto de vista filosófico de alguém simplesmente pelo fato de ele se intitular ateu ou agnóstico. Por exemplo, muita gente usa a palavra agnosticismo com o sentido que aqui definimos como "Ateísmo passivo" e usa a expressão "Ateísmo" apenas com o significado de "Ateísmo ativo".

Cautela também com as palavras "ateísta ou ateu", porque elas têm muitas nuanças de significado que fica difícil generalizar. Só poderemos afirmar, com certeza, que os ateus não acreditam em Deus. Por exemplo, não podemos estar convictos que todos os ateus acreditam que a Ciência é o melhor caminho para se desvendar tudo sobre o Universo.

18/08/2010
Fale: pcfernandes1951@bol.com.br
Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

Deus, cientistas e filósofos

Deus, cientistas e filósofos


E quanto aos cientistas e filósofos famosos que chegaram à conclusão de que um deus existe?
Primeiro, temos de notar que as pesquisas tipicamente encontraram em volta de 40% de cientistas que crêem em deus; assim vê-se que os crentes são minoria. (A pesquisa mais recente foi feita por Edward J. Larson e Larry Withman, em 1996, e apareceu na revista "Nature").

Para cada cientista ou filósofo que crê em deus, há outro que não acredita. Além do mais, como já foi indicado, a verdade duma crença não está determinada pela quantidade de gente que a sustenta. Também é importante assinalar que os ateus não vêem os cientistas e filósofos famosos do mesmo modo que os teístas vêem os seus lideres religiosos.

Um cientista famoso é somente um homem; pode ser um especialista em algumas áreas, mas quando fala de outros assuntos, as suas palavras não têem peso especial. Muitos cientistas respeitados, fizeram papel de bobos quando falaram de tópicos que estavam fora das suas especialidades.

Também, note que até os pontos de vista de cientistas famosos são tratados com ceticismo pela comunidade científica. Especialistas reconhecidos em algum campo particular ainda devem fornecer evidências para sustentar as suas teorias; a ciência só se fia em resultados reproduzíveis, independentemente confirmados. Teorias novas que sejam incompatíveis com muito do conhecimento científico existente, serão objeto de escrutínio especialmente apertado; mas se o trabalho é sensato e as experiências reproduzíveis, as novas teorias substituirão as antigas.

Por exemplo, ambas a teoria da relatividade e a da mecânica quântica foram muito controversas e fizeram com que muito das teorias científicas existentes fosse jogado fora. Mesmo assim, ambas foram relativamente aceitas rapidamente depois que experimentos extensivos provaram sua exatidão. Teorias pseudo-científicas tais como o criacionismo, são rejeitadas não porque são controversas, mas porque simplesmente não se mantêm perante análises científicas básicas (Ver FAQ da talk.origins para mais informações; http://www.talkorigins.org.)

O documento Construindo um Argumento Lógico tem mais a dizer sobre verificação científica e prova por autoridade.

Então você está dizendo que a ampla difusão da crença religiosa não indica nada?
Não completamente. Certamente indica que a religião em questão tem propriedades que a ajudou a se espalhar tanto.

A teoria da memética fala sobre os "memes" - conjuntos de idéias que podem propagar por si mesmas entre mentes humanas, em analogia com os genes. Alguns ateus vêem as religiões como conjuntos de memes parasitas particularmente bem sucedidos, que se espalharam por encorajarem os seus hospedeiros em converterem os outros.

Alguns memes evitam a destruição por desencorajarem os crentes no questionamento da doutrina, ou por pressionarem os ex-crentes a não admitirem que estavam errados. Alguns memes religiosos chegam a encorajar os seus hospedeiros a destruir outros hospedeiros contolados por outros memes.

Claro, que do ponto de vista memético, não há nenhuma virtude particular associada à bem sucedida propagação dum meme.
Religião não é uma coisa boa por causa do número de pessoas que acreditam nela, tal como uma doença não é boa por causa do número de pessoas que a pegaram.
A aproximação memética tem contudo pouco a afirmar sobre a veracidade da informação nos memes.
Mesmo que a religião não seja inteiramente verdadeira, pelo menos difunde mensagens importantes.

Quais são as mensagens fundamentais do Ateísmo?
Há muitas idéias importantes que o Ateísmo promove.

As seguintes são apenas algumas delas; não fique surpreso de encontrar idéias que também estão presentes em algumas religiões.
O comportamento moral é mais do que seguir regras irrefletidamente.
Seja especialmente cético com afirmações positivas.
Se você quer que sua vida tenha algum sentido, é você que tem de descobri-lo.
Procura a verdade, mesmo que isso não lhe seja confortável.
Aproveite o máximo da sua vida, porque é provavelmente a única que você terá.
Não é bom depender de algum poder externo para você mudar; você deve mudar sozinho.
Só porque algo é popular não significa que é bom.
Se você tem de assumir algo, assuma algo fácil de testar.
Não acredite em coisas só porque você quer que sejam verdadeiras.
E finalmente (e mais importante):

Todas as crenças devem estar abertas à crítica.

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Encontrei na Internet e gostei do texto como motivação para reflexão.

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Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

Livre pensador

Livre pensador


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Livre pensador ou Livre Pensar foi um movimento surgido em meados do século XVIII e século XIX cuja meta era desenvolver o raciocínio liberto e em contraposição a qualquer influência de ideias preconcebidas, desenvolvendo assim pressupostos científicos e filosóficos livres de quaisquer elementos dogmáticos.

O pensamento livre é fruto das correntes políticas progressistas dos séculos XVII e XVIII, entre estas o liberalismo político. Entre os mais famosos livre-pensadores estão Robert Green Ingersoll, Gotthold Ephraim Lessing e Francisco Ferrer y Guardia e Voltairine de Cleyre.



Precedentes

Hoje se considera que Voltaire e Thomas More (também conhecido por Thomas Morus ou São Thomas More) foram importantes predecessores do movimento Livre Pensar ou ainda pensadores avant la lettre, ou "antes que a expressão tivesse sido inventada".

Legado

O movimento Livre-Pensar tem seu legado partilhado tanto entre liberais como os anarquistas do século XIX e XX. Cada qual se referindo a certos aspectos e diferentes pensadores identificados como parte deste movimento.

Outra visão sobre o mesmo tema:

E a expressão Livre-pensador?

O que significa?

O Livre-pensador é aquele que pensa livremente - alguém que está preparado para considerar qualquer possibilidade, alguém que determina quais idéias estão certas ou erradas através da razão, de acordo com sistemas consistentes de regras tal como o do método científico.

Será que com facilidade chegamos à liberdade?

02/09/2010

Fale: pcfernandes1951@bol.com.br

Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Deus cruel

A Bíblia, este livro cruel, não para de massacrar. O Livro de Job é uma fonte de injustiça que não se esgota. Leia!

Agrada ao deus terrível, na sua vileza, provar Job.

Seus amigos o aconselham a se resignar, ele mesmo também pensa nisso. Como lutar contra Deus? Como litigar contra Deus? Esse culto a um espírito exterior irritadiço, inflexível, invencível, pode ser essencialmente idolatria.

Pois o fetichista tem consolação e esperança na multiplicidade de deuses; um vencerá ao outro; estas ficções ingênuas bem representam a situação real do homem: essa variedade de coisas que a tudo remedia. Mas um Deus único que reúne em si espírito e força, massacra, massacra só por prazer.

Job era rico e feliz, tinha amigos; repentinamente se vê pobre, doente, abandonado e isto lhe parece natural. Este grande universo muito mais poderoso que nós, não é, aos olhos de Job mais que pó, modificável a um movimento de um dedo de um homem resoluto; mas não, seu mundo é Espírito, seu mundo é um todo único, e de uma só vontade. O homem, dessa forma se deita e se cala.

O Ocidental, me parece, não é facilmente massacrável. Rejeita, de todo o seu espírito a unidade terrível. Esse Deus objeto, esta substância espinozista, não deixa de negar.

Este mundo que gira, que desaba, nada mais é que fragmento, parcela, é imenso pela acumulação; mas sem projeto; sem idéias; sem decreto, divisível e, mais ainda discordante, absolutamente discordante; no qual o homem busca passagem sem respeito.

Se ele respeita algo no mundo, é poder ousar; Deus vai por aí, está conosco; não contra nós; falível como nós, mas engenhoso como nós; por sua vez invencível em si mesmo. Experimenta massacrar em nossa casa, só experimenta ameaçar, fazer o papel de tirano, para ver. Descartes não era paciente; Descartes tirou a espada. Seus filhos estão vivos; eles não acreditam no mundo. E, além de tudo, nada mais possuem que suas duas mãos, tal como os judeus da Ucrânia.

Falo para meu prazer, direis.

Mas este aspecto humano, esta alegria que me toma, nada mais é que felicidade. De alguém que nega o destino, e jamais diviniza a infelicidade.

Nós escarnecemos como fez Voltaire deste deus da Bíblia, que sempre massacra.

O inimigo que bem vemos, o inimigo infinitesimal, inimigo sem pensamento: o mundo; ele pode o mesmo que nós, quando o infinitesimal se converte em algo mais, ciclone ou vulcão; mas não há, mesmo no maior medo a confusão que alterna ousadia e vontade.

A outra resignação, enfática, fanática resignação, como não a chamar infelicidade? Pois a imaginação reina neste mundo. Uma maldição em si. Tudo o confirma. Pois a benção em si é a felicidade, e o que amamos cada um de nós. É, por efeito inverso que a sabedoria a duras penas chega à vitória; a infeliz metafísica, escrita no olhar; fala no olhar, esta profunda ironia, esta obstinação em viver sem esperança, é irritante.

A piedade não vai longe; esta estreita via marcou as margens da piedade. Tristeza se torna doença. Isto porque rápido odiamos os infelizes, que não se ajudam por força própria. Isto é odioso, à primeira vista nos define uma tristeza imperiosa e doutrinal visando nos destituir do nosso único bem.

Suponha agora duas unidades, dois tolos, sem sabedoria, sem precaução, onde um representa o outro através de uma maneira firme de viver e de pensar, a maldição bíblica vos traz reações cegas, desumanas, inconcebíveis de tal forma, que não se conceba que o furor contra os falíveis encerre uma forma de justiça.


Émile Chartier (Filósofo francês)

5 de novembro de 1927

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Breve reflexão de um dia qualquer

O grande jogo da vida é composto de momentos. Pequenos hiatos de tempo a se desdobrar em sorrisos, quando a alegria nos bafeja e se espraia pela alma; mas temos ainda o tempo da tristeza, da angústia, da dúvida.

Ambos os lados da equação existencial. E o homem sabe disso, se sente existente, e não pode fugir a esta realidade.

Pensa. E tem consciência de toda sua capacidade intelectiva.

Apesar disso ainda sofre.

O intelecto, por si só, não lhe resolve as questões colocadas pela vida.

Os problemas aparecem e o homem os enfrenta. Por vezes com coragem e determinação; outras tantas, de uma forma titubeante, mas segue adiante. Com vontade ou sem ela, segue adiante.

Afinal, os dias prosseguem.

Com oportunidades e desafios, batalhas e lutas. Os dias prosseguem.

Inexoravelmente.

Existencialmente, prosseguem.

Olhando ao redor. Repensando os sonhos. Retraçando os caminhos, o homem segue no seu projeto, quando reflete.

Sabe-se algo mais que a matéria tão somente. Sente-se espiritual, imortal. E este sentir da imortalidade lhe traz segurança, e uma dinâmica que não lhe permite desistir daquilo que lhe acalenta a alma: os ideais. Estes lhe fazem sentir a vida pulsando.

O homem sabe e sente a vida.

Sabe pela intelectualidade da qual é portador: uma conquista no tempo; e sente por toda a espiritualidade que emana de si mesmo.

Como seus companheiros de caminhada, alterna momentos de alegria com outros de tristeza. Mas segue seguro, uma vez que cumpre a meta estabelecida para todos os viventes: a evolução.



Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

24/05/2006 a 22/01/2008

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Espiritualidade

Espiritualidade é tudo aquilo que nos distancia da corporeidade. De ter no corpo uma prisão. Corpo é instrumental de manifestação. Tratá-lo. Cuidá-lo. Nada mais é que obrigação, na medida em que nos permite melhor manifestação de nossas idéias, ideais e convicções.

Quem não tem convicções não é. Quem tem muitas convicções acaba não tendo nenhuma.
Buda propalava o caminho do meio como o melhor.
Assim é nesse aspecto. Venho tentando melhor usar o corpo, pois a idade assim o solicita. Mas quero seguir focando a espiritualidade. Aprender a perdoar, a ponto de esquecer todos os males que as pessoas me tenham feito. O dia em que todos esses fatos estiverem mortos em minha memória eu serei mais feliz ainda. Terei galgado mais um degrau da liberdade.

_ Mas eles ainda te odeiam e prejudicam. - dirá alguém.
Apesar de saber da veracidade do fato. Responderei sereno:
_ Não é possível, isso é coisa de passado muito remoto.

E será assim. Não me lembro das brigas de rua que tive na infância e adolescência.
Eu acredito que tive, como todo moleque. Mas cadê?
Assim precisa ser para que possa cultivar a espiritualidade; que para mim significa estar voltado aos aspectos do conhecimento e das artes. Dois aspectos importantes de minha vida, vindo logo abaixo da minha familia.
Um texto que leia ou escreva. Uma música que ouça, ou traduza de algum outro idioma. A preocupação com a FOME que assola o mundo, também é espiritualidade na medida em que me retira do egoísmo, arrojando meu sentir na direção do meu semelhante, seja ele quem for, fale ele a lingua que falar. É
humano, é meu semelhante.

Acho que estes são alguns dos aspectos da espiritualidade que busco. E que tenho lutado para nela me manter. Pois dela recebi muito de bom. Um certo montante da felicidade que hoje desfruto, tem aí a sua origem.

Sei que não é tudo, mas é muito mais que sonhava obter nesta etapa de minha existência terrestre.
Ser livre de todas as crenças: Deus; Estado; Partidos Políticos; Instituições Religiosas em todas as suas vertentes e dissidências; das obrigações que a nós mesmos nos impomos, o famoso "Tenho que..."; etc

Tudo isso fez parte de minha infância mental/espiritual. Nada disso tem mais valor.
Novos valores vão aparecendo, e se incorporando ao processo existencial, o que é bemvindo e salutar.
Seria de estranhar se mantivesse a mesma forma de pensar dos tenros anos da juventude.

Um outro Paulo disse: "Quando era criança pensava como criança..."
"Asi es la cosa!" - como dizem meus amigos nicaraguenses e salvadorenhos.
Em prol da Vida, e da Liberdade em vida!

Paulo Cesar Fernandes - 16/01/2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Senda única

Há um caminho que não seja o amor na busca serena da felicidade?


Não falo aqui no circuito fechado de um casal e pleno deleite de presença, como diz o poeta “na base do só vou se você for”, apesar de reconhecer o valor desses tempos deliciosos.

A questão mira/visa essa coisa transbordante de vários corações; admirados por todos, cujo único prazer é o sair de si em direção ao semelhante. Quantas vezes o encontro desejado não é uma trombada; um atropelo; deixando atônito o coração aberto do que ama verdadeiramente, e mais que tudo, sem fronteiras de qualquer espécie: racial; econômico-social; religião; nacionalidade; opção sexual; etc.

Amar é arrojar-se de pára-quedas de braços abertos abraçando o mundo.

Quanto me/nos falta para a trilha simples do amor sem quesitos, o amor “apesar de...” essa coisa negada invariavelmente por quase todos nós?

Não seria esse estado de coisas o verdadeiro aprisionamento?

Um obstáculo real à felicidade por todos tão almejada?

Como ser feliz cultivando o desamor, a animosidade ou o ódio?

A felicidade, segundo penso, pressupõe num corpo limpo, uma alma clara, de pensamentos edificantes e atitudes embora pequenas, significativas no processo existencial de nosso semelhante mais que no nosso.

É possível pensar em nossos semelhantes próximos ou distantes com um coração de acolhimento.

Pense este o que pensar, venha de onde vier; se tiver a paz no coração, a sinceridade e a sede de justiça propalada por Jesus, estará dentro de nosso universo de relações; se somará ao nosso caminho, nossa senda extensa rumo à felicidade. Mas uma senda que, uma vez transposta, não admite via de retorno em nosso íntimo.

Podemos sim resgatar algum retardatário que se demorou na estrada; tal qual fomos nós mesmos resgatados por tantas vezes.

Mas a existência espiritual não nos cobra pressa, a rigor não nos cobra nada. Cada qual caminha segundo seu ritmo.

A Liberdade Plena é parceira do Livre Arbítrio nesse aspecto. Somos capazes de estacionar sem qualquer perda; e, mais tarde, já reanimados, seguir adiante no projeto de felicidade a serviço dos nossos semelhantes.

Se aqui na Terra o tempo nos escraviza, na trajetória existencial do espírito a dimensão espaço/temporal perde o senso.

Somos viajantes do espaço sideral, bem como do espaço mental construído por nós em pensamentos e atos.

Como plantados estão nossos pés nesta Terra acolhedora, é no tempo que esta disponibiliza, quando faremos florescer nossas obras, no sentido desse amor mais amplo inicialmente tratado. Que projetado no tempo da Terra, ou no tempo existencial do espírito, se converterá no sentimento de plenitude e ajuste à Lei Natural nos trazendo esse elemento a qual chamamos Felicidade.



Paulo Cesar Fernandes

30/12/2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Distância cultural

Ao longo do almoço de hoje refletia na questão da distância cultural, o quanto ela separa pessoas de grupos, ou mesmo pessoas entre si.

Lembro que quando cheguei de Cuiabá, em retorno ao Centro Espírita Allan Kardec, eu senti que havia uma distância muito grande entre eles e eu. Eles tinham um acúmulo de discussão, de reflexão, que me faltava. Foi necessário um esforço bastante grande para que eu viesse a me colocar junto deles no que diz respeito às concepções que hoje juntos defendemos. Minha estada em Cuiabá foi enriquecedora em termos culturais, pois o Centro-Oeste é todo um universo cultural distinto do padrão de vida paulistana que vivia na época. Chegar a Cuiabá e me adaptar me pediu um tempo, mas uma vez integrado não tencionava voltar. Morava no que os cuiabanos chamam de pariferia. Nossos vizinhos eram funcionários públicos, professores, bancários, gerentes comerciais, e donos de pequenas fazendas no interior. Bons vizinhos mas com padrão de cuidados com a casa completamente diferente dos nossos.

Quando visitei Sinop, terra de Rogério Ceni, uma cidade de colonização paranaense e gaucha o mundo ganhou outro sentido. Na frente da casa o jardim bem cuidado, na parte dos fundos um pomar e uma horta. Universos culturais distintos.

O mesmo ocorre hoje entre eu e meus amigos da ECA-USP do Núcleo José Reis de Jornalismo Cientifico. Esses quase trinta anos de distância criaram um fosso quase intransponível, ou verdadeiramente intransponível. Pois não mais me vejo envolvido pelas questões do jornalismo, a filosofia e a sociologia tomaram de vez minhas preocupações.

A partir da certeza da minha ignorância em filosofia ao final de 2009 decidi acabar com isso. E 2010 e 2011 foram anos voltados para a PósModernidade que me abriu o leque dos atuais pensadores do mundo no que diz respeito aos tempos em que nos situamos. Dezenas de nomes e centenas de obras. Não
li tudo evidentemente mas me situei ante o tema. Mas isto teve um custo, o distanciamento das pessoas e a ausência de contrapartes para o diálogo. Peguei um caminho diferente, note bem leitor: nem melhor nem pior; tanto da mulher que amo, quanto do Centro Espirita Allan Kardec que também amo.

São apenas caminhos distintos e distantes. A tal ponto distantes que nossas vozes (intelectuais) não são capazes de ser ouvidas de parte a parte. Aqui nasce a questão focal do problema: o diálogo inviável, torna a convivência difícil demais, por vezes conflituosa, em que pese o amor que pelo menos de minha parte habite o coração.

Eu tenho que apostar no tempo, esse elemento benevolente que sempre acaba por harmonizar as nossas vidas, mesmo nos momentos mais turbulentos. Mas o mais importante é que cada um de per si vá fazendo a sua trajetória de forma autonoma e livre.

Pois a liberdade é o atributo maior do espírito, e creio eu, de qualquer instituição que se queira progressista.

Paulo Cesar Fernandes - 28/12/2011

Pequenas mudanças de direção

No domingo 18/12/2011 na Rede Vida foi entrevistado o músico Netinho, pertencente a banda "Os Incriveis" um dos grupos introdutórios do Rock no Brasil.

Se não me falha a memória, seu primeiro nome era The Jordans, mas depois, por problemas de igualdade de nome em outro lugar se tornou Incríveis. Bons músicos, principalmente no aspecto instrumental.
Segundo Netinho, uma coisa que ele se arrepende, e com o qual eu compartilho, é de não ter feito mais coisas boas na vida; não ter ajudado mais aos seus semelhantes.
Acho que o egoísmo ponteou momentos diversos de minha vida. Nada prejudicial a alguém, mas a preguiça pautando a inércia. Justo eu que tive de minha mãe principalmente, exemplos diversos de desprendimento.
Deixar de visitar alguém; de telefonar para saber como vai indo em caso de doença, etc.
Isso muito se deve ao receio de invadir a privacidade do outro. Aí reside uma dúvida: devo ou não especular? Esse é o termo na concepção de diversas pessoas.
Pessoas há que se envergonham da própria doença. Que não aprenderam a rir de si mesmo, um salvaguarda salutar. Embora deva respeitar tais pessoas como posso saber onde posso ser útil?
Me limito a pensar nas pessoas que sei necessitadas, com carinho, remetendo-lhes pensamentos de coragem e energia.
Faço isto em meu momento de meditação de cada dia.
Mas acho importante fazer mais. E nesse sentido peço à vida oportunidades de servir, sem abandonar meus projetos intelectuais e literários, fontes de prazer.
Se "toda atividade útil é trabalho" segundo os espiritos em resposta a Kardec; só quero ter forças para ampliar e dar conta de uma gama mais ampla de ações em prol de nosssos semelhantes, e da cultura para a liberdade humana. Liberdade de pensar e agir de forma autonoma, sem líderes de qualquer
espécie.

Espero finalizar 2011 e iniciar 2012 dando continuidade à "Empreitada contra a Fome e em favor da Razão". Através da qual vou divulgando ações positivas que tendam nesse sentido.

É pouco bem o sei. Mas sempre ajuda de alguma forma.

Se vc souber de alguma entidade, que se desdobre em beneficio de seu semelhante, mande um e-mail com o máximo de informações dessa entidade colocando no Assunto do e-mail RSH.

Vou trabalhar o texto e publicar em: http://rshrazoesolidariedadehumana.blogspot.com/

Meus e-mails:

pcfernandes1951@bol.com.br
velhorio@yahoo.com.br

Aguardo sua colaboração. Vamos divulgar o BEM que é feito em toda a Terra. Se "o mal não merece comentário em tempo algum " como disse André Luiz; é chegada a hora de darmos espaço ao BEM.

Paulo Cesar Fernandes - 18/12/2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Terminologia e Teoria Espírita

Fim de tarde.
Gosto de sentar e me dedicar um pouco à meditação. Lembro nessa hora de algumas pessoas que saiba em situação de maior fragilidade que a minha, encaminhando amor, carinho e força, dentro dos limites que me são próprios.
Venho me valendo do livro "Seara dos Médiuns" de Emmanuel, como uma leitura instigadora de reflexão.
No texto de hoje 27/12/2011 estava presente a expressão "Nosso Senhor Jesus Cristo" o que para mim foi chocante. Apesar de saber da data de publicação do livro, das origens de Emmanuel, e tudo o mais, a questão da terminologia me aborreceu bastante.
Antes desse livro vinha usando o "Diálogo dos Vivos", com mensagens de diversos espíritos, comentadas logo após por Herculano Pires. Um livro escrito na ocasião do incêncio no Edifício Joelma de São Paulo. Algumas mensagens defendendo a idéia de que ali teriam sido reunidos espíritos que teriam em vidas anteriores agido de tal ou qual maneira. Absurdo. Por que não pensar no desleixo, no que diz respeito a normas de segurança e manutenção do edificio, desprezadas em grande parte das organizações?
O que mais me aborreceu foi o fato de Herculano Pires, apesar da lucidez que o caracterizava, ter se deixado levar no tsunami de aberrações das mensagens psicografadas, depositando sobre elas a chancela de sua concordância.
Não consigo imaginar o Professor José Herculano Pires hoje, a defender as idéias que defendeu no passado. Até porque cada um de nós, voce leitor e eu, podemos nos defrontar com textos nossos com as quais não mais concordamos. Seja ele um texto de cunho espírita, seja de outro tema qualquer.
Digo isso pois venho digitando as coisas que escrevi ao longo da vida, e pouca coisa passa pelo atual momento de racionalidade. Destino final: lixo.
Um ou outro acaba escapando, para servir como elemento demarcatório de meu pensar em dada época. Digo sempre que espero a cada ano mudar um pouco, no sentido de uma maior compreensão de mim mesmo, e da Lei Natural que baliza nossos destinos. Essa Lei não comanda, não gerencia, não determina. Ela é. E por ser, tem seus parâmetros aos quais vamos nos adequando, à medida que desses parâmetros nos tornamos conhecedores.
Imagino esses espiritos inteligentes e libertos das limitantes do seu tempo, o quanto podem eles ter mudado de concepção. Quanto mais ampla deve ser sua compreensão dessa Lei. Que não é punitiva, não traz sofrimento, mas muito ao contrário, abre possibilidades de felicidade cada vez maiores, à medida
que dela nos apropriamos em conhecimento e nos adequamos enquanto atitude vivencial.
Voce não precisa concordar comigo, deve pensar autonomamente, mas creio ser chegado o momento de melhor cuidarmos da terminologia que usamos em todos os lugares onde sejamos chamados a emitir nossa opinião. Principalmente se a temática for a Teoria Espírita. Não é possível disseminar uma
terminologia e um arcabouço de idéias que venham a ferir o esforço feito no sentido de colocar o Espiritismo no seu devido lugar dentro do contexto cultural da atualidade.
Chamemos essa atualidade de "PósModernidade" como propoe Jean-Francois Lyotard; "Tempos Líquidos" como prefere Zygmunt Bauman ou ainda "Modernidade Avançada" tal qual propugna Anthony Giddens.

Importa que tenhamos uma terminologia adequada e idéias claras, capazes de enfrentar os teóricos de nosso tempo de igual para igual. Sem medo do debate. Firmes o suficiente para nunca abrir espaço a qualquer espécie de ridicularização por parte de quem quer que seja.

Somos conscientes do manancial que temos nas mãos. Resta defende-lo adequadamente.
 
Paulo Cesar Fernandes  -  27/12/2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sem fim de 29/03/1990

Sempre acreditei no concreto
E lhe digo bem agora
Nada mais concreto
Que o abstrato da vida


A vaidade ferida
Do que não quer ver
O caminho evidente:
Progresso e sabedoria do ser


Nas paragens dos milênios
Na distância sem fim dos dias
Segue sempre o mesmo elemento
Individualidade enriquecida


Ao que ve e não acredita
Desdenha o poder da hora
Lhe digo neste momento
Não jogue oportunidade fora.


Paulo Cesar Fernandes

29/03/1990

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pensamento

Toda forma de pensamento ortodoxo acaba sendo uma prisão. Não permite ao pensador extrapolar as gradesconceituaisda forma de pensar em questão.
Se faz necessária uma ruptura com todas as formas de pensamento até então estabelecidas.
Imperioso buscar novos e abertos referenciais.
A verdade/Verdade não existe.
É uma farsa historicamente usada visando condicionar mentes frágeis.
Enquanto seres pensantes, devemos cada vez mais sair em busca de novas estruturas capazes de sustentar nossas teses teórico-vivenciais.
Nada é real sobre a face da Terra.
O universo amplo de discrepâncias teóricas, aniquilou a possibilidade da verdade, ou de conceitos imutáveis.
Teorias e pessoas tendem mais e mais à mutabilidade.
Não mais a estabilidade perene dos conhecimentos, mas a permanente dúvida permeando o espaço dos conceitos.
Assim, derrubemos as quatro paredes da prisão que a vida nos tenha colocado, iniciando uma nova caminhada aberta aos quatro ventos.

Paulo Cesar Fernandes

25/04/2002

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sou um camarada intolerante

Tive que deixar de participar de uma reunião pública de terça-feira, no CEAK (Centro Espírita Allan Kardec - Santos onde participo já lá se vão 50 anos).

Uma reunião que eu muito gostava, mas minha opinião era tolhida. Era dito em/ao público que eu falava para aparecer, evidentemente dito de maneira geral, mas não sou burro e sabia que me visava. Sempre dito de outra forma, mas toda semana dito. Que eu falava demais, dito em tom de brincadeira mas reiteradas vezes em algumas reuniões.

Durante alguns meses eu voltava para casa da reunião passando mal. Em casa, uma leitura qualquer punha por terra tal sensação.

Foi dura a decisão de abandonar a reunião. Difícil pois acreditava poder ser algo útil, e essa oportunidade me foi tirada, uma vez que toda semana sabia que teria pela frente um aborrecimento.

Mas o que me trouxe a comentar isso, além da denúncia, é destacar a minha intolerância, um defeito que desaprovo no povo judeu, intolerante e invasor dos territórios dos palestinos, eu mesmo ser portador dessa mesma intolerância como posso criticar o povo judeu.

Claro que as instâncias são bem diferentes, mas em ambos os casos a mesma intolerância presente. Mesma raiz de sentimento infelizmente.

É sempre dificil descobrir aspectos escuros de nossa personalidade, mas humanos somos todos não devemos teme-los ou esconde-los. Somos aprendizes.

Retomando a questão.

Doeu muito, e levei meses até tomar a decisão de abandonar a reunião, que participava já por muitos anos, onde fazia um tripé com dois companheiros que me davam muita alegria, ensinamento e acolhimento.

Mas, quem sabe, todos esses fatos não foram apenas gatilhos, capazes de disparar o processo de estudar um pouco mais da obra de Carl Gustav Jung. No momento, meu estudo está focado no livro "A natureza da psique". Atividade de leitura que desenvolvo exatamente nas terça-feiras das 19:30 até as 21:00h, o tempo anteriormente dedicado à supracitada reunião.

Ao fim e ao cabo, não há tempo inútil quando um bom livro ocupa nossas mãos; e por outro lado não há instituição perfeita, uma vez que composta por nós, espíritos imperfeitos.



Postado em 02/12/2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Acerca da Humildade

Semana passada, num dos fins de tarde quando me ponho a meditar sobre o dia que tive, abri ao acaso o livro Diálogo dos Vivos e o texto tratava de passagem na humildade.
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E a palavra e a idéia ficou em minha cabeça.
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Será que ser humilde é uma boa coisa para o espirito que quer evoluir, mas sabe também do valor do esforço que fez para chegar ao ponto onde está?
Sendo humilde diante de um degradado não estaria eu dando sopa pro azar e facilitando a ele seu dominio sobre mim?
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Quem não presta não presta, e devemos sim colocar o cidadão no seu devido lugar. Sem agredir. Sem ofender. Mas mostrando a ele seu lugar através da ascendência espiritual que temos sobre ele. Caso não entenda, palavras firmes lhes darão sua exata dimensão.
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Minha reflexão não está focada no Movimento Espírita. Está focada na vida.
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Alguns locais da esfera pública são horripilantes as pessoas com as quais temos que nos defrontar. Espíritos deformados em seus mais diferentes aspectos, desde a sexualidade até a ética.
Seria uma temeridade nos postar diante de um espirito nessas condições com humildade.
Nem todo enfrentamento precisa se pautar na agressividade, até porque inútil. Mas nos valer de firmeza de posições e atitudes se faz necessário até pelo aspecto pedagógico que nossa firmeza terá diante do desequilíbrio desse espírito.
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Humildade é um desses conceitos pobres herdados de um passado onde o espiritismo era mal compreendido. Mal interpretado. Eivado de conceitos piegas e sem concretude real. Podemos ser humildes mantendo o conhecimento dos aspectos positivos da nossa personalidade, bem como dos aspectos negativos.
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Esta a deve ser a humildade que vingará no futuro.
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O homem olhará o outro homem como seu igual. Nem superior e nem inferior. A menos que um deles tenha deprimentes aspectos da personalidade. Mesmo assim, o que estiver numa posição algo melhor comprenderá o outro e estenderá a mão,  se a ajuda for rejeitada nada mais há a fazer.
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"A aranha vive no que tece" disse Gilberto Gil num momento de inspiração. E nada mais verdadeiro se transpusermos isto para a vida do homem. Vivemos dentro da teia das atitudes que tecemos em nossa existência. Seja ela corpórea ou incorpórea. Se bem tecemos a teia por ela nos movimentamos com maior facilidade. Ao passo que ao relaxar nessa tecitura, nós mesmos seremos as vitimas de tal descuido.
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Humildade. Humildade sim. Mas, antes de mais nada uma auto-estima bem consolidada, para bem saber seu lugar no contexto da sociedade onde vive.
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Paulo Cesar Fernandes
Postado em 10/11/2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Humanos e animais

Hoje não estou com toda força. Os problemas que tive ontem no Centro Espirita Allan Kardec de Santos me deram meia noite de sono o que acaba com o dia seguinte. É uma pena que tenha problemas exatamente na casa que me viu nascer para Kardec. Para seus conceitos. Digo desde os tempos de Mocidade Espirita Estudantes da Verdade que "esta é minha segunda casa". E justamente esta casa ser fonte de sofrimento é inconcebível. São 50 anos de casa. Compreendo que assim como carrego toneladas de defeitos as pessoas podem ter os seus. Mas acho importante que as pessoas saibam que não existe paraíso na terra. Todas as instituições tem problemas. Humanos que somos projetamos nas instituições nossa realidade espiritual.


Hoje estou assim, abalado, humilhado. Amanhã menos. Daqui a algumas horas menos. Daqui a alguns minutos menos. Quem sabe já tenha passado?

Quem sabe as cambacicas (pássaros) já não estejam brincando novamente no meu pé de Maracujá?

Alguém já disse: "Quanto mais conheço os homens, mais admiro os animais."

É isso!!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cultura e poder segundo Hegel

Cultura e poder segundo Hegel



Cultura e poder

Dois homens desejosos de poder se encontraram

...

E desejosos se enfrentaram

e enfrentaram

e enfrentaram

até que um

que mais amor à vida tinha

se fez escravo.



Um escravo e um amo.



O escravo trabalha.

O amo ordena



Mas o escravo tão próximo da natureza

tão junto à natureza

passa a conhece-la

e dominá-la

e domá-la

e se fez poderoso.



E de escravo se fez amo

pelo poder que tinha

de domar a natureza

o poder da cultura.



Nota: Origem da Cultura segundo Hegel numa adaptação de José Afonso (espirito desencarnado) e Paulo Cesar Fernandes (espírito encarnado).