segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Alegria

O Movimento Espirita me era mais interessante nos tempos de infância e juventude?
Ele era diferente?
Mas nem um pouco. Irmãos já se degladiavam por um maior destaque na mesma casa espirita. E tudo que hoje vejo e condeno já estava lá.
Eu era inocentão. E tinha uma confiança cega, em todos os habitantes do meu coração. Tudo isso se desenrolava bem diante de meus olhos, e eu nada via. Sempre debitei à maldade humana, as críticas feitas às minhas almas amigas.
Foram necessárias muitas pancadas da vida. E pancadas muito pesadas e doloridas. Desestruturantes mesmo.
Fora do Movimento Espirita, e dentro dele, para que eu viesse a acordar.
Sentir o Ego estilhaçado e ser o agente maior no processo de sua reconstituição.
Chegava na Nilce, a terapeuta, com muitas coisas escritas e já elaboradas. Maturadas!
Carl Gustav Jung e Erich Fromm foram dois nomes basilares nesse processo todo.
Tenho e li a obra toda de Fromm e grande parte do Jung, que chamo de vovô Jung. Nos conduz pela vida como um bondoso avô.
Me mostrou algo importante: eu e o mundo temos nosso lado obscuro, mas também temos nosso lado cristalino e luminoso.

Foi vital perceber de nossa humanidade, e enquanto humanos, nossa falibilidade.
Minha e dos demais.

Dentro e fora do Partido. dentro e fora do Centro Espírita.

A única instituição cujo amor sempre me foi incondicional foi a família. E nos momentos de maior dor. Quando crueldade humana fez ruir de vez minhas crenças nas instituições todas, foi o seio sereno e firme da familia meu regaço de energia e força para seguir lutando, e mantendo a certeza em alguma coisa. Em meu valor humano e intelectual.

Venho com insistência dizendo que:
"O amor sincero é a única coisa perene no(s) universo(s)".

E de onde nasceu tal convicção?
Do seio familiar.

E principalmente esse núcleo mais próximo que, mesmo não tendo o contato diário, tem um vínculo afetivo muito forte. Me chega agora a idéia de que somos um clã. Tal qual os clãs da Galiléia e do Egito Antigo.
Temos esse laço, esse elo que fortemente nos ata.

Discussões e desavenças podem surgir vez por outra, mas muito acima de tudo isso, reside o amor entre nós.

Eu andava triste por não contar com a mesma afetividade fora do núcleo familial. Mas estou certo ser mais por minha incapacidade de esquecer os eventos do passado e tocar adiante; uma vez sermos todos seres em crescimento. Estava preso a fatos evanescidos. E se ainda forem não tem mais a menor importância. Pois cada um tira de seu coração o que tem de melhor. Estou certo disso. Meu foco são meus atos.

Hoje, quando iniciaria a costumeira meditação de fim de dia, a Biblia me chamou a atenção, e a abri ao léu. Me deparei com um texto sobre a tristeza, essa cada vez menos sentida por mim, mas por vezes dá uma passadinha em meu coração, como a testa-lo. Justo a mim, com tanta gratidão pelo recebido da vida nestes cinco últimos anos; e mais intensamente nos dois últimos.

Mas quanto à tristeza a Biblia tem razão, vejamos:

22. Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos.
23. A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida.
24. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti,
25. pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma.
26. A inveja e a ira abreviam os dias, e a inquietação acarreta a velhice antes do tempo.
27. Um coração bondoso e nobre banqueteia-se continuamente, pois seus banquetes são preparados com solicitude.

Fonte: http://www.bibliacatolica.com.br/01/28/30.php#ixzz24mhr1zpX  

Na leitura desses itens, instintivamente voltei o olhar à imagem de Francisco de Assis, um exemplo de simplicidade e amor.
A Biblia que tenho, me foi presenteada faz muito tempo por uma aluna de informática, uma senhora de 70 anos. Toda ela convencionalismo.  Eramos o contraste mais marcante.

Ao ver minha casa sem um exemplar sequer da Biblia, me perguntou se a tinha guardada em algum lugar da casa.
Diante da negativa, na semana seguinte recebi um presente e fiz a promessa de le-la de forma livre e esporádica.
Promessa em andamento como ocorreu no dia de hoje. Afinal onde está o bem e a sinceridade, é impossível que não encontremos o amor. Os itens acima são uma exaltação à vida, e à correção de atitudes.

Quem pode ser infeliz agindo de conformidade com as Leis Naturais, regentes do nosso destino?
Dona Dora sabia das coisas do bem, e ele é sempre bom.  

Paulo Cesar Fernandes  

27/08/2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A mente oculta das plantas

A mente oculta das plantas

A ciência descobre o surpreendente domínio da consciência vegetal

Os corpos sutis


Se, no homem, essa percepção básica nem sempre parece ocorrer,
isso se deve ao filtro dos cinco sentidos, à força do pensamento
racional, que obscurece as demais funções psíquicas, e a todo um
condicionamento cultural, que determina o que deve ou não deve ser percebido. Como provaram outros experimentos, essa percepção a distância não é bloqueada por dispositivos de blindagem elétrica, como a gaiola de Faraday, nem por paredes de chumbo.

E Backster chegou a cogitar que ela não se limitaria aos organismos complexos, mas poderia descer aos níveis celular, molecular, atômico e até mesmo subatômico, perpassando toda a existência. Essa opinião ousada apresenta fortes afinidades com a hipótese da ressonância mórfica, do biólogo inglês Rupert Sheldrake, e com as revolucionárias descobertas sobre a consciência do psiquiatra checo Stanislav Grof (leia as reportagens "Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco" e "Consciência sem limites", em Galileu, números 91 e 94,

respectivamente).

Em outras palavras, cada planta — para não dizer cada ente material — estaria associada a um invisível e impalpável campo de consciência. Tal idéia, que vem ganhando adeptos entre os

cientistas de vanguarda, converge com a visão de todas as grandes tradições espirituais da humanidade. Estas são unânimes em considerar a consciência como um dado primário da
existência e afirmam que, além de seus corpos físicos, os entes materiais são constituídos por uma série de "corpos sutis", encaixados uns dentro dos outros como bonecas russas.
As percepções descobertas por Backster e seus sucessores configurariam um esboço ou embrião daquilo que algumas tradições chamam de "corpo mental". Entre esse nível mais alto e o físico, as plantas, como todos os seres vivos, possuiriam um corpo intermediário, constituído pela rede de canais por onde flui a chamada "energia vital" (que corresponde ao prana dos indianos e ao qi dos chineses). Esse "corpo vital" é o objeto de práticas médicas como a acupuntura, que se destinam a desobstruir os canais e regularizar o fluxo da energia.

Vantagem econômica

A acupuntura em plantas vem sendo praticada com sucesso pelo médico Evaldo Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura. Ele orientou, há cinco anos, uma pesquisa científica rigorosa, realizada pelo biólogo Alexandre Eustáquio de Sena, na Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte, MG. Sena dividiu uma plantação de feijão em duas partes iguais,
tratando uma com acupuntura e mantendo a outra como grupo de controle. As plantas submetidas à acupuntura desenvolveram maior número de vagens, maior quantidade de grãos em cada vagem e maior peso por grão.

"Como ocorre nos homens e animais, os problemas de saúde que afetam os vegetais decorrem de um perturbação na circulação e distribuição do qi, a energia vital", explica Evaldo Martins Leite.
"Isso resulta de um desequilíbrio dos princípios yang e yin (masculino e feminino)." O acupunturista ensina que as áreas de ramificação das plantas — isto é, onde os galhos saem dos troncos ou os ramos saem dos galhos — são regiões de concentração de qi.

Os ângulos externos formados nesses lugares são yang e os internos, yin. "A energia yang é responsável pelo crescimento da planta. A yin, pela produção de flores, frutos e sementes. A
introdução de pregos, agulhas ou a simples raspagem das áreas correspondentes estimula um ou outro princípio e promove a função regida por ele", informa o acupunturista. Não é possível ativar as duas funções ao mesmo tempo.

A energia é uma só: se ela for desviada para o crescimento, a produção de frutos cairá, e viceversa.

Mas as vantagens — inclusive econômicas — oferecidas pela acupuntura em vegetais são importantes demais para serem tratadas como simples curiosidade.

Na Bahia, está em curso uma pesquisa visando aumentar a produção de látex nas seringueiras e o enraizamento dos toletes de cana-de-açúcar destinados ao plantio. Reconhecendo as dimensões sutis do mundo vegetal, o homem poderá estabelecer com ele um novo tipo de relacionamento, vantajoso para ambos.

Mente em plantas?

O que hoje chamo de protoespírito (fase anterior ao que podemos chamar de espírito), e antigamente chamava de princípio espiritual, ao que parece tem sensibilidade bem antes do imaginado por mim e exposto num trabalho apresentado no CPDoc (Centro de Pesquisa e Documentação Espirita) sobre o tema. Me valia do livro citado na reportagem, mas com certa dose de incerteza. Ao que parece minha incerteza era infundada. Todo ser vivo tem sensibilidade.

Segundo o antropologo e etnologo Levy-Bruhl em suas pesquisas com povos por ele denominados de primitivos, ou pelo menos portadores de uma mentalidade primitiva; tais povos seriam animistas, acreditavam que em tudo havia uma alma. Tal concepção reside também na mentalidade dos povos indigenas brasileiros. E ao que me parece, segundo depreendi de sua leitura, Giordano Bruno já propunha tais concepções.

Temos hoje, cientistas de ilibada seriedade, lidando com temas causadores de estranheza, ou de reticências a muitos de nós até pouco tempo.
Vejamos a primeira parte da reportagem:
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A mente oculta das plantas


A ciência descobre o surpreendente domínio da consciência vegetal
http://galileu.globo.com/edic/98/conhecimento5.htm
Por José Tadeu Arantes
jtadeu@edglobo.com.br

As plantas são capazes de perceber agressões à vida praticadas do outro lado da parede. E parecem ter consciência até mesmo de intenções ocultas na mente humana. Essa fantástica revelação — que foi tema do livro A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, e inspirou o álbum de mesmo nome do compositor e cantor Steve Wonder — vem sendo confirmada por pesquisas científicas realizadas no Brasil. Ela faz parte de um conjunto de descobertas que deverá revolucionar a visão de mundo do próximo século e apontam para um relacionamento mais harmonioso entre o homem e a natureza.

Os xamãs — homens de conhecimento das comunidades préhistóricas — já sabiam que, por trás de seu aparente torpor, as plantas possuem uma vida secreta, cheia de percepções e atividades. Esse mundo oculto foi contactado, desde então, por visionários de diferentes épocas e lugares, como o místico alemão Jacob Boehme (1575-1624), que dizia ser capaz de penetrar a consciência das plantas.

A ciência materialista, porém, preferiu descartar esse tema, que desafiava sua limitada descrição da realidade. Ele co ntinuaria provavelmente ignorado se, em 1966, uma descoberta casual não tivesse rompido essa conspiração de silêncio. Naquele ano, Cleve Backster, então o maior especialista americano em detecção de mentiras, teve a estranha idéia de fixar os eletrodos de um de seus detectores numa folha de dracena, espécie tropical utilizada como planta ornamental.

Ele foi movido pela simples curiosidade, mas o que encontrou abalaria os fundamentos da visão de mundo dominante. Backster suspeitava que a planta reagisse a agressões reais à sua integridade física. Mas não podia imaginar que a simples idéia dessas agressões provocasse saltos violentos nos gráficos traçados pelo aparelho. Pois foi exatamente o que aconteceu quando ele pensou em queimar uma das folhas da dracena.

E voltou a acontecer quando se aproximou dela com uma caixa de fósforos, disposto a levar sua intenção à prática. A planta parecia ler o seu pensamento e sabia distinguir as ameaças reais da mera simulação.

Sem querer, Backster abrira a porta que dava entrada a uma realidade totalmente inesperada — e desconcertante.

A grande novidade do experimento foi ter propiciado um acesso direto às percepções das plantas sem a intermediação de sensitivos humanos: não era preciso ser paranormal para contactar o mundo da consciência vegetal. Esse ponto de vista foi reforçado, em julho último, por uma pesquisa feita na Universidade de Gant, na Bélgica.

Valendo-se de imagens em infravermelho, o pesquisador Dominique van der Straeten e sua equipe descobriram que as folhas de tabaco têm a capacidade de reagir com uma espécie de febre quando infectadas por certos tipos de vírus. Como relatado no jornal Nature Biotechnology, as folhas sofreram um aumento de temperatura de até 0,4 grau Celsius, oito horas antes dos efeitos dos vírus se manifestarem, num processo "fisiológico" semelhante ao do corpo humano.

 

Percepção básica

Atento a tais descobertas, um brasileiro resolveu fazer uma investigação parecida. Trata-se do engenheiro Arlindo Tondin, mestre em eletrônica pela Universidade de Nova York e um dos fundadores da Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, SP.

Tondin fixou eletrodos próximo à raiz e num dos galhos de um limoeiro.

"Verifiquei que havia, entre os dois pontos, uma diferença de potencial elétrico da ordem de microvolts", informa. "Eu já desconfiava que a ascensão da seiva estivesse associada a um fenômeno elétrico e, para confirmar isso, liguei aos eletrodos uma pilha de 1,5 volt, de modo a intensificar a corrente na região. Resultado: os frutos do galho onde estava o eletrodo ficaram maiores e amadureceram mais rápido que os demais."

Estava provada a tese da seiva. O próximo passo era averiguar como as agressões externas afetavam a corrente elétrica que circula na planta. Para isso, o engenheiro utilizou um osciloscópio de raios catódicos de alta sensibilidade. "Conectei o osciloscópio aos eletrodos e, com uma vela, comecei a queimar algumas folhas. A resposta foi quase imediata: a imagem da tela do osciloscópio, que estava estacionária, passou a apresentar intensas variações." Tondin espantou-se com a reação provocada por seu ato. "Comecei a questionar até que ponto eu tinha o direito de agredir o vegetal e a natureza. E resolvi interromper a pesquisa."

O engenheiro convenceu-se da seriedade dos experimentos descritos em A Vida Secreta das Plantas. Num deles, também realizado por Backster, três plantas reagem à matança de camarões, cometida numa outra sala. Essa investigação foi conduzida com os cuida dos que caracterizam as melhores pesquisas científicas:

1. foram escolhidos, como vítimas, animais de grande vitalidade, pois já tinha sido notado que seres doentes ou a caminho da morte não eram capazes de estimular as plantas a distância;

2. para evitar que a subjetividade dos pesquisadores influísse nos resultados, os camarões eram despejados numa vasilha de água fervente por um mecanismo automático, longe das vistas de qualquer ser humano;

3. eliminaram-se as possibilidades de que o próprio funcionamento do mecanismo ou eventuais perturbações eletromagnéticas afetassem a forma dos gráficos;

4. as plantas, monitoradas por detectores, foram colocadas em três salas diferentes, submetidas às mesmas condições de temperatura e iluminação.

A análise dos gráficos mostrou que as plantas reagiam intensa e sincronizadamente à morte dos camarões — numa proporção que excluía qualquer hipótese de uma flutuação puramente casual das variáveis elétricas. Backster sentiu-se respaldado para formular a tese de que os vegetais, como todo organismo vivo, dispõem de uma percepção primária que lhes permite detectar, a distância, qualquer agressão à vida.

 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reflexão 22 08 2012 - Revolução dos Neurônios

Envolvido que estou em questões sociais e mais especificamente na compreensão de nossa sociedade, e na luta pelo socialismo no mundo. Que velhos homens dizem estar morto e ultrapassado. Velhos homens de poucos anos vividos, mas velhos pois nada mais tem de ideais. Seres mortos, zumbis a usar os Meios de Comunicação de Massa. Não percebem o quanto o mundo precisa do Socialismo. O mundo precisa do Socialismo, na mesma medida em que o homem precisa da Filosofia.

Caminhos retos e dignos em ambos os casos. Atentar à sociedade descrita por Wallace.

Texto trazido do site PENSE.

Idéia original de José Rodrigues e Eugênio Lara.




O Espiritualismo e a Obrigação Social

Escreve: Alfred Russell Wallace (1823-1913)
Em: São Vicente, maio de 2004

Traduzido do original “Spiritualism and Social Duty”, de 1898.
Leia comentário do prof. Martin Fichman, York University, Ontário, no pé deste artigo.


Companheiros e amigos espiritualistas,

Nos últimos 10 anos tenho dado atenção a outros assuntos que não o Espiritualismo e, a menos de três anos, em uma nova edição de meus escritos sobre o assunto, eu declarei minhas firmes convicções com relação à realidade e importância de nossas dúvidas e a inutilidade de todos os argumentos de meus oponentes. Não tenho, portanto, nada a dizer a vocês sobre o Espiritualismo propriamente dito mas aproveitarei esta oportunidade para apresentar algumas observações sobre o que me parece ser a relação de nossas crenças como espiritualistas com o assunto que atualmente ocupa meus pensamentos a maior parte do tempo – como fazer a grande massa emergir dessa terrível situação, difícil de se livrar, em que se encontra agora, de não ter dinheiro ou posses, vivendo de forma infeliz, sem perspectiva de mudança,
trabalhando longas horas pelo mínimo de subsistência, vidas encurtadas, sem ter prazer por nenhum dos refinamentos da arte ou apreciação pela natureza, sendo esses últimos essenciais ao desenvolvimento do ser humano.

Num trabalho publicado há algumas semanas, provei que assim é, hoje, a condição de uma grande proporção de nosso povo, apesar de um aumento da riqueza e do poder gerador de riqueza melhor visto na história do mundo, aceitável, se adequadamente utilizado, para dar não apenas abundância, mas conforto, luxo e amplo lazer a todos. Sobre essas questões, entretanto, não direi mais nada. Apenas pedirei vossa atenção a algumas observações sobre o que eu considero ser a relação entre Espiritualismo e Dever Social.


As novas doutrinas - fundamentadas quase que totalmente nos ensinamentos do Espiritualismo moderno, embora sejam agora amplamente aceitas, até entre não espiritualistas – são exatamente o reverso de tudo isso. Elas são baseadas na concepção de continuidade mental e moral; que não há castigos impostos; que
crenças dogmáticas são absolutamente sem importância, com exceção até agora na medida em que afetam nossas relações com nossos próximos; e que as formas e cerimônias e os complexos rituais da maioria das religiões são igualmente sem importância. Por outro lado, o que realmente importa são os motivos e as ações que deles resultam e tudo o mais que desenvolve e exercita por completo a natureza mental, moral e psíquica, resultando em vidas felizes e saudáveis para todo ser humano. A vida futura será simplesmente a continuação do presente, sob novas condições; e suas alegrias ou infortúnios dependerão de como aperfeiçoamos tudo o que temos de melhor em nossa natureza humana.


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Reflitamos pois sobre nossa ação no tocante a um mundo possível de ser melhor. Quando digo melhor significo JUSTO.

Tenho lutado pela Revolução. Sempre lutei na vida, desde minha adolescência pela Revolução Socialista. Hoje porém, a Revolução que preconizo deixou  de lado as armas metálicas. Desgraça da humanidade, causa de guerras inventadas e engendradas pelas Grandes Potências Mundiais visando o lucro e a "higienização do planeta" fazendo sucumbir as populações pobres.

Preconizo a Revolução dos Neurônios. Esta sim!

Apenas através da Razão, e da Sagacidade no processo pedagógico seremos capazes de trazer a Sociedade Socialista sonhada por tantos idealistas e tantos mártires na História da Humanidade.

A Pedagogia Sagaz não é apenas possível, porém necessária.
Sagaz como Paulo Freire, Amilcar Cabral, Darcy Ribeiro, Boaventura de Souza Santos e alguns outros que honram a atividade pedagógica.

O oportunismo, tão combatido por Amilcar Cabral, não é sagacidade, é outra coisa.

Paulo Cesar Fernandes

22/08/2012

sábado, 18 de agosto de 2012

Reflexão 18 08 2012 - Outras perdas

Perdas de companheiros valiosos


Perdas, outras perdas.

Nunca, como hoje, me tocou a situação das pessoas conhecidas que perderam seus companheiros.

Companheiro é aquele homem que está integralmente do lado da mulher. Não apenas fisicamente mas espiritualmente também.

Nada diferente disso lhe passa pela cabeça.

Pactuam projetos de vida.

Voltados para a mulher e para a familia. Sua familia e familia da esposa, são homens que somam, engrandecem a vida; a sua, e a de todos aqueles com os quais tem a oportunidade de conviver.

Em outro aspecto, numa outra ótica, mas esses são também os imprescindíveis de Bertold Brecht. Imprescindíveis.

Todo homem pode te-los como exemplo na mais profunda tranquilidade.

Não é sem razão o esvaziamento da vida das mulheres, um vácuo, uma justa tristeza.

Sim. Seguem sua vida. Continuam tocando suas atividades.

Mas o mundo lhes ficou diferente. Perdeu um ponto referencial, um ponto de apoio, um amor em última instância. E isto é forte.

O que mais quero, mais desejo com sinceridade, é cada uma dessas heroínas se superando cada vez mais, pois elas todas são merecedoras do respeito e do carinho de todos nós.

Se nós, amigos e admiradores desses homens, lhes sentimos a ausência, é possível imaginar o impacto sofrido por cada uma dessas mulheres.

Aqui. De longe. Me cabe aplaudir e abraçar a cada uma delas com o que houver de melhor em meu coração.

Paulo Cesar Fernandes
18/08/2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Espelho de ver verdades

Nele eu me vejo África


"Mas eu tenho um espelho cristalino
Que uma baiana me mandou de Maceió."

                                                   Alceu Valença   (Romance da Bela Ines


Sabe tudo da materialidade e da imaterialidade também.
Todos temos a imaterialidade da África pegada em nós
Mormente no Brasil, deste povo chocolate e mel.
Doce povo brasileiro.
Doce Pedro Casaldaliga
Doce Herculano Pires.
Por que negar a espiritualidade africana?
Por que negar nossa ancestralidade?
Somos todos, somos um.
Preconceito não pode imperar
O terreiro é a cidade e a cidade é o terreiro.
É assim, e assim sempre será.

Paulo Cesar Fernandes

17/08/2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Adversários

O ideal é que não os tenhamos, mas por vezes os vemos onde eles não existem.
E por vezes eles são reais e nos combatem.
Num ou noutro caso bola prá frente que o jogo é de campeonato!!!
Emmanuel em Instrumentos do Tempo fala sobre os adversários:

Às vezes, fustigando aqueles que nos ofendem, a pretexto de servirmos à verdade, quase sempre faltamos ao nosso dever de amor.
Nem todos podem enxergar a vida por nossos olhos ou aceitar o mapa da jornada terrestre, através da cartilha dos nossos pontos de vista.

Usemos o amor que o Mestre nos legou, se desejamos a paz na Vida Maior.
Compreendamos aos que nos ofendem.
Oremos pelos que nos perseguem ou caluniam.
Amparemos os que nos perturbam.

Quantas vezes nos pegamos equivocadamente ferindo as pessoas. E a palavra dita não tem como puxar de volta. Bem como uma mensagem eletrônica, e-mail. Não tem barbante que o puxe depois de enviado.
Dessa forma, é melhor pensar muito bem antes de escrever um texto. Antes de se enrubescer de raiva e sair detonando as pessoas. Admito as besteiras que fiz. Humano sou.
Não importa se as pessoas mereçam ou não mereçam uma resposta ríspida.
Importa pensar e lutar pela nossa paz. Ela vale ouro.
Se alguém se equivocou conosco, esqueçamos.
Vale a pena lembrar uma antiga música dos Novos baianos:

Dê Um Rolê (Escute/Veja)

Composição: Moraes Moreira / Galvão
Cantores: Novos Baianos e Gal Costa

Não se assuste pessoa
se eu lhe disser que a vida é boa
não se assuste pessoa
se eu lhe disser que a vida é boa

Enquanto eles se batem,
dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia,
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés

E só vou beijar no rosto de quem me dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés


Pode nem ser exatamente isso, mas é bem por aí.
Que a vida é boa é boa.
E é preciso ser amor da cabeça aos pés.
E com toda a gente. Peito aberto ao mundo. E pá!
Bate a tal da felicidade, bate sim.

Paulo Cesar Fernandes
14/08/2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Liberdade para viver

Quem não tem medo da morte ?
Questão que pega a todos nós, cada qual por seu motivo. O próprio reino animal, sem a possibilidade do pensamento contínuo, já apresenta tal medo em todas as espécies. Presente que está no instinto de sobrevivência.
Digo isto, para que o leitor perceba o quanto este medo é natural, o quanto este faz parte das Leis Naturais. Não é natural, no entanto, quando este medo se torna de tal forma forte que passe a ser um impeditivo à vivência plena do homem. Cabendo-lhe gerenciar tal medo e mantê-lo no patamar da naturalidade, o único aceitável.
Tal temor tinha justificativa, quando nossa educação se baseava na idéia de um céu ou de um inferno. Quando as concepções religiosas buscavam estabelecer como pecado tudo aquilo que faz parte da natureza humana. O homem vivia, e nessa vivência agia naturalmente como não poderia deixar de ser. Sendo essa naturalidade atacada pelas religiões o homem se via diante de diversos dramas de consciência.

Na Idade Média a salvação do homem apenas se daria através da fé. O homem era refém da Igreja a quem servia sob a égide do pavor. Ao homem cabiam apenas duas alternativas : o se deixava levar pelo medo do futuro, negando-se a viver; ou negava a continuidade da vida, aderindo ao ateísmo e ao materialismo, como filosofia de vida.

Quantos sofrimentos não teriam sido evitados se naquela época, as época medieval já tivessem vindo a lume os conceitos libertadores do Espiritismo?
À medida em que a civilização avança no entanto, se ampliam as concepções, e o espaço para a divulgação da idéia de pecado passa a ser exíguo, beirando o limite do ridículo, hilário. Algo não digno de atenção, pois tal discurso ignora os anseios mais profundos do espírito: a busca de uma vivência plena aliada à sua necessidade de transcendência.
As religiões, ao se aliarem ao poder temporal acabaram por deixar de lado sua maior tarefa como condutoras de almas. O medo não conduz, emperra caminhos.
O Espiritismo bem compreendido, e os desdobramentos éticos de tal compreensão, acaba por cumprir o papel de condutor de almas, não naquela ótica de uma verdade pronta e definitiva, porém como um conjunto de idéias que implicam numa revisão de nossa conduta, reorientando nossa prática no sentido da libertação.

A liberdade amplia nosso senso de justiça, implicando num deslocamento dos nossos focos de interesses para um melhor trato com os nossos semelhantes, com a sociedade e principalmente conosco mesmos.
As informações trazidas pelos espíritos a Kardec são um grande incentivo, porém o movimento real é de dentro para fora, é algo fortemente estruturado numa decisão interior. Decisão de se orientar segundo a construção de sua própria racionalidade. Abolindo o pensamento alheio como condutor de nossas existências.

É de Jesus que “se um cego orienta outro cego, caem os dois no abismo”.

Os pensadores são muitos, as idéias variadas, pobre daquele que elege outra pessoa para gerenciar o fluxo dos conceitos norteadores da sua existência. Será criança intelectual. Incompetente de se autogerir.

“Pensar pela própria cabeça” segundo Giorgio Gaber, grande cantor e autor italiano, essa é a fúrmula dada a todos nós, isto para que não tenhamos medo ou preguiça para ser autônomo e principalmente livre.

Todos buscam a felicidade. Mas ninguém estabelece um caminho para chegar a essa meta tão almejada.
Venho estabelecendo uma trilogia que me parece adequada a essa trajetória:

Liberdade »» Criatividade »» Felicidade

Liberdade:

A primeira etapa é a mais difícil. Todo o contexto social nos leva a tolher nossa liberdade. A família castra. Todas elas, de uma forma ou de outra acabam castrando o espírito em formação, até porque não capazes em sua grande maioria de perceber as qualidades e as características do reencarnante. Poeta? Cientista? Marceneiro, um artista em seu mister?
Não.
Médico. Advogado. Cirurgião Dentista. Veterinário. Fecham o ciclo de possibilidades ao espírito.

_ Ator? Músico? Voce está maluco. Devem ser essas suas companhias. Só me faltava ser bailarino.
_ Mas no Curso de Teatro temos aulas de Ballet para soltar o corpo...
O pai inculto sai bufando sala afora.

Criatividade:

Absolutamente toda atividade permite ao homem a possibilidade de se perguntar alguma vez na vida:
_ Será que eu preciso fazer isto sempre desta forma? Deve ter um outro jeito de ordenar esta rotina que me poupe trabalho e me traga maior prazer. Mesmo no âmbito de uma biblioteca onde algumas rotinas já se desenvolveram.

Pensando... Pensando... Pensando... Voila!!!

E algo é rerotinizado. Quando o grupo é coeso e minimamente inteligente, todos se alegram com a modificação criativa.
A grande questão é não ter preguiça e sempre se perguntar: “E se eu fizesse diferente? O que de novo sou capaz de pensar? Os norte-americanos se valem de uma expressão muito significativa: “And IF...?” que significa “ E se ....?”
E se eu pensar diferente? E se eu viver diferente? E se eu me despojar de todas as convenções sociais e mergulhar fundo no universo da plena liberdade?


Felicidade:

É decorrência natural dos dois itens anteriores.

Usei a profissão como exemplo mas em todos os aspectos da existência humana a liberdade pode ser nossa condutora.
Em certo sonho uma moça de lindo rosto, talhado de maturidade me conduzia por caminhos por mim desconhecidos.
Em principio pensei na possibilidade dela representar minha incapacidade de compreensão da mulher. Mas isso não se coadunava com a sensação de alegria e plenitude encontradas ao final do caminho.

Agora compreendo que aquela bela moça meiga, porém madura era a personificação da liberdade que só muito recentemente incorporei em minha existência.

Sem religião, sem gurus, sem pensadores que pensem por mim, contando com quase ninguém para compartilhar conhecimentos, mas como diz Wolfgang Ambroz no título de seu LP “Abandonado, mas livre!”.

Assim é, pois nossa liberdade incomoda as pessoas.

Paulo Cesar Fernandes
16/08/2011

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Perdão

"Perdoa nossas dividas assim como tivermos perdoado aos nossos devedores".

Nada mais justo.
Como a Lei Natural poderia, dentro de sua Sabedoria e Justiça ter desenvolvimento diferente desse.
Ainda erramos.
Somos intransigentes.
Críticos em demasia.
E acabamos por gerar antipatia e até construindo inimizades.
Sou assim e outros tantos também o serão, talvez.
Como advogar para nós uma atitude ainda incapazes de proporcionar a nossos semelhantes?
Equívoco pautado no egoísmo.
O correto é que à medida em que formos relevando, e logo em seguida esquecendo eventuais atitudes más para conosco, esse mesmo esquecimento se processe em relação aos nossos pensamentos e atos tidos para com nossos semelhantes.
Dessa forma ocorre o equilíbrio entre o recebido e o doado, na contabilidade da existência.
Pois tudo isso pode ocorrer no ambito do universo material, bem como na interrelação entre os dois planos existenciais.
Costumo chamar de o "Lado de Cá" do Muro de Berlim; e o "Lado de Lá" desse mesmo muro.
Em que pese a comunicação com os espiritos na imaterialidade ser bem mais difícil. É um telefone do lado de lá para o de cá apenas.
Já um berro, antes de 1989, ultrapassava o verdadeiro Muro de Berlim podendo chegar ao ouvinte do outro lado.
Mesmo esse povo tão sofrido, tem se valido do perdão, de parte a parte, para a possível Unificação Alemã, sem dores e sem feridas não cicatrizadas.
Quem sabe nós, com nosso perdão, não venhamos nos projetar num futuro mais feliz e de vivência melhor. É essa a minha perspectiva para chegar a uma Liberdade mais plena ainda.

Paulo Cesar Fernandes

07/08/2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Reflexão 05 08 2012 - Fé cega, faca amolada...

AMA E SERVE - Emmanuel


A grandeza do amor repousa invariavelmente na conjugação do verbo servir.
Sem atividade incessante no bem, não conseguiremos derramar os
valores do coração.
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Duas verdades incontestáveis. Amar é servir primordialmente, seja no espectro amplo de toda a humanidade. Seja no seio do Lar, onde depositamos o que de melhor temos, para compartilhar com nossos familiares. Nesse ambiente se dão as mais belas trocas de energia e emoções.

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A própria natureza é um livro aberto nesse sentido.
Tudo, em torno de nós, é um cântico de trabalho em doações da
Eterna Bondade que se evidencia no mundo, de mil modos diferentes em cada instante de nossa vida...
Por amar, em nome do Pai Misericordioso,
serve o sol, sustentando todas as criaturas;
serve o chão, nutrindo a sementeira;
serve a nuvem, criando a chuva benéfica;
serve o vento, a serviço de abençoadas fecundações;
serve a árvore, para que o bem-estar do homem se consolide;
serve a flor, preparando a colheita;
serve a fonte, socorrendo a terra necessitada;

serve a pedra, garantindo a segurança do lar;
serve o pássaro, cooperando com o lavrador;
serve o mar, serve o rio, serve o adubo, serve o fogo...


Forças de Deus amparando a Humanidade ajudam em silêncio, sem
retribuição e sem queixa...
Tudo porque o Divino Amor é devotamento, carinho, providência,
abnegação...
Se desejas partilhar o concerto das bênçãos divinas, ama e serve,
sem cogitar de ser amado e sem a expectação de ver-se servido...
Quem ama realmente nada pede, nada reclama, nada exige e nada
procura senão a alegria do objeto amado, para que o amor se
estenda, a multiplicar-se, soberano e sem fim.
Enquanto esperas o manto ilusório das considerações humanas, teu
amor sofre a vizinhança da vaidade.
Enquanto aguardas a compreensão dos outros, o teu amor
experimenta a inquietante aproximação do egoísmo...


Ama simplesmente.
Ajuda sem paga.
Dá sem reclamação.
Auxilia sem exigência.
E, servindo cada vez mais, serás um dia surpreendido, em pleno
campo de trabalho, pelo Divino Servidor que te converterá com a sua luz em nova luz para a Terra e para os Céus.

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Reflitamos...

Com todo respeito que nosso amigo espiritual me merece, não consigo acatar calado todas as suas idéias. Me reservo o direito de contestá-las. No tocante a Deus, eu não creio nele pois não tenho crenças. E muito menos fé, uma vez ser a fé a negação da Razão. "Fé cega, faca amolada..." disse Toninho Horta, companheiro de Milton Nascimento, em uma das suas canções.

Dessa forma, cai por terra de uma vez por todas, a questão da "Fé raciocinada". Um contrasenso.

Quanto a mim?

Tenho idéias diretrizes de minha conduta na existência.

Mas gosto muito das comparações de Emmanuel com os elementos da natureza. Certa poética e beleza se fazem presentes em tais comparações. Com ele aprendi. E eventualmente uso em meus textos. Outras vezes, se vale este dos avanços da inteligência humana, para nos mostrar caminhos a seguir como verdades inquestionáveis.

Honorável intenção, e de grande utilidade a muitas pessoas desde sua publicação até os dias atuais. Fato inegável!

Se ele parte do principio que estamos todos errados, e acreditamos estar corretos em nossas escolhas existênciais, devemos levar em consideração a concepção de pecado, ainda nele enraizada na década de setenta quando "Instrumentos do Tempo" foi escrito.

O mundo avança. E todo mundo avança junto.

Assim como muitos de nós, tivemos a possibilidade e o esforço dispendido para angariar progressos intelectuais; os espiritos, por certo, também andaram estudando mais, e revendo posições.

Herculano Pires por exemplo, não consigo conceber uma inteligência daquelas a se manter presa num mesmo conjunto de idéias. Ainda mais ele, com sua visão, estou seguro de suas novas perspectivas no que diz respeito à Teoria Espirita. Uma forma de pensar mais aberta a outras possibilidades. O questionamento de pontos de Kardec possível apenas a seu cabedal intelectual espirita e filosófico.

De nossa parte. Eu e outros pequenos, se tomarmos a Razão como base da jornada, e a afetividade por complemento indispensável, estaremos aptos a contribuir de alguma forma para o avanço das idéias neste planeta onde fomos chamados a servir.

Afinal foi esse o tema trazido por Emmanuel: servir.

Paulo Cesar Fernandes

05/08/2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Resignação e vivência

"Seja feita a Tua Vontade, e não a nossa"


Há momentos de nossa existência, em nos quais gostariamos fosse outro o texto trazido por Jesus, ao nos ensinar a nos relacionar com o divino.
Mas, se assim não foi, há um motivo definido e notadamente justo.
Devemos aprender o processo da resignação, diante de todas as ocorrências de nossa existência. Tanto dentro do corpo físico, bem como fora dele, de vez que a existência é perene.


Somos viajantes, que tomamos multiplas e multiplas conduções, para chegar ao destino para todos nós traçado: a sabedoria e a felicidade.
Lutamos e sofremos por um motivo muito simples, segundo o grego Aristóteles: "não aprendemos a viver".


Nesse sentido, nos é dado o tempo e as inumeras encarnações (embarcações), com as quais vamos colhendo mais e mais tesouros de conhecimento. Elementos valiosos que permitirão a tão sonhada sabedoria. A justeza de raciocínio. O amor aos semelhantes.


A simplicidade e a liberdade plena, são os elementos que trarão a nós a felicidade.


Para chegar ao final de nossa jornada, vamos contando com amigos das mais diversas localidades, a começar pelo ninho doméstico, a familia consanguínea, se expandindo sem limites.
Vivências todas estruturadas no amor e perpassando o tempo.


Paulo Cesar Fernandes


03/08/2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

Riqueza

Estava lendo um texto no qual o autor, que já não vive entre nós, tecia críticas à riqueza, como se esta fosse um flagelo ou um crime.

Eu a defendo.
E defendo toda a riqueza angariada na dignidade do trabalho. Sem a exploração de nenhum semelhante, sem a obtenção de contratos fraudulentos, enfim uma riqueza merecida. Cristalina.


Quem não admira um cantor que, pouco a pouco vai construindo sua carreira, um pequeno sucesso lhe abre portas para maior número de shows, maior público, maior numero de musicas baixadas e pagas pela internet.
Pois é justo que todos ganhemos por nosso trabalho, inclusive e principalmente os artistas que com a sua arte fazem a alegria e a felicidade de muitas pessoas.


Artista há inclusive que voltam sua arte em benefício de alguma causa.
No momento em que a xenofobia se iniciou na Europa diversos artistas se reuniram num show contra tal atitude. E ao fundo do palco, um grande painel dizia "Hoje eles, amanhã voce". Se neste show os artistas deram seu cachê para a causa, seu aparecimento nele abriu portas para compra de sua arte por diversos meios.
Eu mesmo, que baixei muita coisa de um desses artistas, pois é uma arte não encontrada nas lojas do Brasil, estou agora, num outro momento inclusive financeiro importando um DVD desse artista. Pois nunca me senti bem em não recompensá-lo por seu trabalho. A hora chegou.


Um amigo de infância, e mesmo meu pai, viviam do comércio.
E certos negócios trazem uma lucratividade maior. Certo está que dão um trabalho muito grande; mas, ao fim e ao cabo, deixam expressiva lucratividade. E isso sem agir de forma incorreta. Agindo sempre de forma a não envergonhar os antepassados. Muitas familias prezam a forma correta de agir de seus antepassados e buscam dar-lhe continuidade.

Não podemos e nem devemos condenar qualquer pessoa de sucesso nos negócios. Ao contrário é uma alegria.

Me entristece é ver uma casa comercial se fechando. Sofrem os donos e sofrem os funcionários.
Perto de casa fechou uma casa de produtos elétricos, fiquei triste. Tinham bom estoque, bom atendimento, mas muitas vezes a concorrência é grande, e até mesmo desleal. Prejudicando a quem vive e trabalha com correção.

Arrematando.
Tenho para mim que o Reino dos Céus é também dos ricos. E estou muito tranquilo a falar isso, pois não sou um deles. Vivo, e hei de seguir vivendo de forma modesta, por opção e aprendizado que a vida me permitiu.

Quanto aos ricos eu faço votos que muitos mais o sejam, e sigam em seu caminho distribuindo as benesses do emprego que a riqueza propicia. Só reconhece o valor do emprego quem padeceu o flagelo do desemprego.
Humilde que seja, a atividade sempre traz ao homem a sensação de completude, e a auto-estima tão valiosa.

Paulo Cesar Fernandes

31/07/2012

Labirintos da Moral

Labirintos da moral
Fragmento do dialogo entre Mário Sergio Cortella (PUC-SP) e Yves de LaTaille (USP-SP).

Mário Sergio Cortella - Filósofo, teólogo e discípulo de Paulo Freire aprendeu direitinho as lições.
Yves de LaTaille - Professor do IP - Instituto de Psicologia da USP
Ambos, por sua simplicidade nos trazem lições de vida no contato pessoal.
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MS
E, como voce colocou, de fato, a temática dos valores aparece mais como queixa do que como convicção. Por vezes, é uma lamúria: "Essa juventude está perdida". Alias alguns dizem:
"O mundo está perdido". Costumo brincar dizendo que quem repete muito isso começa a se perder no mundo. Afinal "perde-se" aquele que não compreende o que está acontecendo ao seu redor.

Yves (falando sobre a escola e o suicidio
É fundamental tocar na questão existencial. Voce lembra bem o livro de Durkheim, em que ele coloca claramente: não é a miséria que leva ao suicidio, não são nem o alcoolismo nem a aflição, é sentir-se fora do mundo, sentir-se num mundo "desencantado" - para usar uma expressão de Weber - sem sentido.
As virtudes fazem parte de uma leitura ética do caráter, ou seja, de uma leitura não psicológica, que dá um sentido valorativo à questão da personalidade. Pode-se notar também uma volta do tema da "felicidade", do bem viver - tipico da Grécia Antiga.


MS
Mas o que se ve hoje? Há uma fratura muito fortedo tema da felicidade no nossoo cotidiano, pois não existe "felicidade individual". A felicidade é como a liberdade: a minha liberdade não acaba quando começa a do outro; acaba quando acaba a do outro.
Se algum ser humano não for livre, ninguém é livre. se alguém não for livre do descaso do abandono ninguém é livre. Assim também se alguém não for livre da discriminação, ninguém é. Portanto, tanto a noção de felicidade, quanto a de liberdade são universais. Éaí que elas se aproximam da éticano campo da própria universalidade.

Yves (falando de religião
E outra coisa que tambémme chama a atenção - embora seja até contraditório com a idéia de religião - é que muitas vezes, as buscas de sentido guardam uma característica do nosso modo de vida atual, ou seja, do individualismo.
Mas qual o preço ético do individualismo? É a idéia cosmopolita: "Então eu não sou mais da familia x, do pais y, do grupo tal, mas sou cidadão do mundo". No sec XVIII, isso era muito claro: para ser cidadão do mundo, eu preciso enxergar alguma coisa de comum neste mundo... Acho que as utopias permitiam essa identificação. Hoje não existe mais isso. Então o individualismo prevalece;...


MS (acerca da tolerância
Exato. Eu o suporto, aguento. Voce não é como eu, aceito isso, mas continuo sendo eu mesmo. Não quero ter contato, só respeito a sua individualidade. Em vez de utilizar a palavra "tolerância", tenho preferido uma outra: "acolhimento". Há uma diferença entre tolerar que voce não tenha as mesmas convicções que eu - sejam religiosas, politicas ou outras - e acolher suas convicções. Porque acolher significa que o recebo na qualidade de alguém como eu.
Voce citou Camus antes, e me lembrei agora do livro O estrangeiro. Embora Camus trate do tema do próprio sentido da existência- ou do não-sentido - acho o titulo especial, porque O estrangeiro lembra alteridade. Um dos temas que a escola precisa trazer cada vez mais para o cotidiano dos alunos é a visão de alteridade: olhar o outro como outro e não como estranho.


Yves
Portanto como um "nós".


MS Exato. Como um "nós", como nosotros. Afinal de contas quem é o outro de nós mesmos? O mesmo que nós somos para os outros, ou seja, outros e não estranhos.
Acho que temos familias que já foram comunidades e uma parte delas já se tornou mero agrupamento. Tanto que as pessoas não se encontram. Elas são alheias umas às outrasdentro da estrutura. Há comunidades escolares que não são mais comunidades, são agrupamentos escolares. Ora, a questão central da ética é a formação de comunidades e não de agrupamentos.


Yves (falando da responsabilidade de pai
Participei do movimento etudantil aqui do Brasil, na década de 70, e até hoje existe essa idéia de o fato de termos sido contra a ditadura - que claro é muito positivo - bastava para nosconferir uma perfeiçpão individual. Como o individuo não estava em foco naquele momento, talvez nós tenhamos sido ( não todos evidentemente) desleixados na educação de nossos filhos, porque, na verdade, ser pai é cuidar de indivíduos. Acho que falhamos na articulação entre o coletivo e o individual. Mas naturalmente não é só isso. Há vários outros fatores que contribuiram para que chegássemos à realidade atual.


MS
Paulo Freire conferiu um sentido novo à palavra esperança, lição que a gente deve repetir sempre. Ele dizia que era precisoo ter esperança, mas esperança do verbo esperançar. Porque a esperança que vem de "esperar" é pura espera, ao passo que quando proveniente de esperançar significaria se unir e ir atrás, não desistir.

Yves
É agir.

MS
Esperançar é uma idéia muito forte, porque coloca a pessoa na condiçãode agente.
Após tratarem das dificuldades de construir uma carreira na Universidade por 25 anos vem a questão do mérito.


Yves
Mérito como privilégio é similar ao tema da honra. Há dois tipos de honra: a honra-precedencia e a honra=-virtude. A honra-precedencia se caracteriza por alguém exigir deferencia - por exemplo, por ser nobre. Nesse caso trata-se de um privilégio. Já a honra-virtude é a proveniente das habilidades pessoais. Aí sim, há mérito.


MS (sobre o ócio
Porque também nós docentes, em várias situações, consideramos tedioso ensinar. Há um descompasso que deve ser superado, porque do tédio pode-se chegar à rejeição do outro, que passa a ser visto como responsável pelo nosso tédio. Como nossos filhos nos dizem (ou nós, quando crianças, diziamos para nossos pais): "Puxa, não tem nada para fazer nesta casa!?!". Como se alguém tivesse que nos oferecer o que fazer e nós não tivessemos que inventar por mérito próprio...
Acho que a honra como valor, retomando o tema, é a capacidade de inventar um uso do tempo e, portanto, ser o senhor de sua vida e não só o Senhor dos anéis.


Yves
Um mundo em que se enfraquecem as noções de mérito, de auto-respeito e de honra. Faz-se de tudo para ser uma pessoa conhecida. E essa busca de glória, de visibilidade é uma das características da sociedade atual. A ponto de, para tanto, fazerem-se concessões - como por exemplo, se pode ver no programa Big Brother. Aliás, que nome, não é? Estado totalitário, do dinheiro, da fama...
Depois de falar sobre Educação Moral e Cívica


Yves
Sem dúvida. A escola precisa urgentemente assumir sua tarefa, pois é a única instituição que ainda tem legitimidade social para tanto, a única que, no fundo, diz respeito a todo mundo, visto que, em algum momento da vida, todo mundo é aluno ou professor, pai ou irmão de aluno...Ou seja, a escola ocupa um lugar central na sociedade, embora me pareça que ela tem abdicado de seu caráter de liderança.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Escolhidos

Na Antiguidade, um meigo, porém justo nazareno disse com propriedade:
"Muitos serão os chamados, e poucos os escolhidos."


E o tempo passou. E as técnicas de comunicação se avolumaram e aprimoraram.
Temos, a tempo e a hora, todo tipo de informação necessária ao nosso aprimoramento.
Podemos inclusive escolher o tipo de aprimoramento ao qual estaremos investindo nosso tempo.
Na ciência; na tecnologia; no comércio; sociologia do conhecimento; etc.
Todas elas, de uma forma ou de outra desaguariam no aperfeiçoamento espiritual a que todos estamos convocados de tempos imemoriais. Só para lembrar tomemos os ensinos de Sócrates e Platão.

Nosso amigo Emmanuel em "Instrumentos do tempo" traz uma série de anotações, peço permissão ao leitor de escrever algumas dessas idéias com minhas palavras, tendo no pensamento do companheiro espiritual um mote inspirador, sugerindo ao leitor que não deixe de consultar o original, por ser melhor e mais completo em comparação às linhas a seguir traçadas.
Dada a facilidade trazida por nosso tempo todos somos instados a participar de um processo, não fora de nós, porém no mais profundo de nossa individualidade através de algumas iniciativas:


. lutar por aprimorar nossos pensamentos e atos, uma vez que o pensamento é força mobilizadora de energias capazes de desencadear nobres atitudes, ou seu inverso;


. perdoar, e perdoar cada vez mais, e sempre; a tal ponto de não lembrarmos da falta por outrem cometida: esse é o verdadeiro perdão, aquele que apaga tudo de nossa memória como se nada houvesse ocorrido;


. perceber que, todos nós habitantes deste planeta, temos um ou outro defeito; ou, muitos deles ao mesmo tempo; isto nos estimula a uma compreensão fraternal das diversas formas de pensar e agir com as quais temos oportunidade de nos confrontar. Aspecto enriquecedor, pois é a diferença que enriquece, é a divergência e o
confronto o que provoca e estimula a mudança e progresso de opiniões e crenças;


. tendo em vista a imperfectibilidade presente é vital que tenhamos a capacidade de ajudarmos uns aos outros em seus processos existenciais. "Não nascemos prontos" como nos ensina Mário Sério Cortella, dileto discípulo de Professor Paulo Freire. Todos vivemos num constante processo de burilamento e aperfeiçoamento. E este é um processo sem fim. Lembrando sempre que todos ensinamos, bem como todos aprendemos nos processos da vida. Tenhamos humildade de aprender. Quem teve oportunidade de contato com as camadas economicamente menos favorecidas, se foi um espirito atento, muito aprendeu por certo;


. ter fé na vida, e a certeza que nunca estamos desamparados, nunca. Mesmo nos momento em que nos sintamos mais solitários, estejamos convictos da presença de amigos não visíveis a nós sempre zelando por nossa alegria e bem estar. Isso é parte da vida, da Lei de Afinidade que une as almas vinculadas a este planeta.
Sempre é gratificante pensar nesta perspectiva;


. se a dor se apresenta ao nosso redor, possamos ser a palavra serena e calma e revigorar a alma que sofre. Muitas vezes em silêncio. Apenas os olhos clamando por auxilio. Devemos estar atentos aos olhos de nossos semelhantes, e olhá-los com a sinceridade de uma criança. E perguntar da dor ali presente;


. deixar o coração se enternecer pela dor e se colocar a serviço de seu semelhante, pois a oportunidade que temos não se repete facilmente. É como o verso ao poeta, fugaz, volátil, de fácil perda. Assim é, quando a possibilidade de fazer o bem se apresenta;


. afastar-se da vaidade, caso ainda ronde a própria existência, uma vez ser a simplicidade uma das fontes cristalinas e puras aos que tem sede de paz e felicidade;


. deixar que a Razão e a busca do Bem comandem a própria existência, pois "todo o resto vos será dado por acréscimo" buscando do próprio Jesus as palavras para finalizar nossa conversa.


Paulo Cesar Fernandes


30/07/2012

domingo, 29 de julho de 2012

Fome e sua satisfação

Tenho conversado com uma amiga através de e-mail, sobre diversos aspectos da nossa existência terrestre, aspectos físicos e aspectos espirituais, com a Lei de Afinidade vinculando espiritos, dentro e fora da vida corporal.

A caminho da Pamela, na Carvalho de Mendonça, local onde habitualmente almoço, me veio à mente a questão da fome. E a saciedade dessa fome.
Não falo aqui da fome que assola o mundo, essa vergonha, esse flagelo, que tem culpados sim, cujos lucros são astronomicos. Nada disso.

Pensava na fome e sua saciedade.
Por que motivo um almoço nos satisfaz e outro não?
Ambos nos alimentam o corpo, cumprem a função a que nos propusemos diante do prato.
Mas alguns dias saimos gratificados pela saciedade, e pelo prazer imenso, trazido por essa coisa simples e bela do ato de nos alimentar.
Há, por outro lado, dias em que saimos como se nada ocorrera. Falta algo. Uma sensação de incompletude.
E não sabemos dizer o que nos está faltando. Onde está o erro.
O mesmo pode se dar, tanto quando comemos fora de casa, como quando preparamos a comida em nosso Lar.


Pensava.
O mesmo ocorre com uma relação sexual, algo mais amplo que o ato sexual apenas, mas o mesmo fenômeno ocorre.
Até mesmo quando temos uma companheira por anos a fio. Com "estabilidade" marital.
Dias há com atividade sexual plena, satisfatória a ambos, um clima de delicadeza e emoção perpassa o Lar.
Outras vezes, no entanto, fica faltando algo. E não há quem culpar uma vez ser uma relação de espiritos que se conhecem bem.
Esse tipo de coisa é mais comum de ocorrer quando a troca de parceira é um elemento constante.
Afinal cada parceira é um psiquismo diferente, vivendo um momento diferente, com seus problemas e suas alegrias, tal como nós.
Podemos estar numa fase de maior intensidade energética e nossa performance na atividade sexual é mais forte. Satisfaz a parceira e a nós mesmos mais plenamente.

Embora esse tipo de coisa sempre tenha a característica de uma "trepadinha", nada comparável a uma relação estável, madura onde o casal se conhece, e se for inteligente conhece cada ponto do corpo do outro, sabendo onde o prazer é mais intenso. Lidando com isso com certa arte.

E não tem a ver ainda, em ambos casos, com os momentos anteriores, as chamadas preliminares, que ajudam porém não definem a satisfação. Não constroem a plenitude de uma relação sexual.

Agora. Refletindo sobre a plenitude de uma relação sexual, ou sua ausência, me vem a idéia disso se pautar na relação entre os espiritos.
Na similitude do momento, e do padrão energético do casal. Semelhança ideológica inclusive.

Homens e mulheres somos seres mutantes, e isso é uma qualidade em nossa existência.
E dentro dessa mutabilidade, seja o casal perene, seja eventual, pode estar dentro de um mesmo diapasão, ou em profundo desacordo.
Isso pode, em teoria apenas, explicar o motivo de determinadas relações serem tão insatisfatórias.
E outras, por benevolência da vida, serem tudo aquilo desejado e muito mais. Tocando as fibras mais profundas de nossa sensibilidade. E nos dando a sensação da beleza estar presente em todas as coisas ao nosso redor.

De Zygmunt  Bauman "Amor Líquido" trago um trecho onde este busca  meu  outro referencial, Erich Fromm:

Como que antecipando o padrão que iria prevalecer em nossa época, Erich Fromm tentou explicar a atração do "sexo em si" (do sexo "pelo sexo", praticado separadamente de suas funções ortodoxas), referindo-se à sua qualidade como uma (enganosa) resposta ao desejo, demasiadamente humano, de "fusão total" por meio de uma "ilusão de união".


União — porque é exatamente o que homens e mulheres procuram ardentemente em seu desespero para escapar da solidão que já sofrem ou temem estar por vir. Ilusão — porque a união alcançada no breve instante do clímax orgástico "deixa os estranhos tão distantes um do outro como estavam antes", de modo que "eles sentem seu estranhamento de maneira ainda mais acentuada". Nesse papel, o orgasmo sexual "assume uma função que o torna não muito diferente do alcoolismo e do vício em drogas". Tal como estes, ele é intenso — mas "transitório e periódico".


A união é ilusória e, no final, a experiência tende a ser frustrante, diz Fromm, por ser separada do amor (ou seja, permitam-me explicar, do tipo de relacionamento Fürsein; de um compromisso intencionalmente duradouro e indefinido com o bem-estar do parceiro). Na visão de Fromm, o sexo só pode ser um instrumento de fusão genuína — em vez de uma efêmera, dúbia e, em última instância, autodestrutiva impressão de fusão — graças a sua conjunção com o amor. Qualquer que seja a capacidade geradora de fusão que o sexo possa ter, ela vem de sua "camaradagem" com o amor.



Finalizo.
A sexualidade é uma área corpórea-espiritual, negar uma das partes desse binômio, ou valorizar mais a uma que a outra é um equivoco.

Afinal:
"Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor..."

Chico Buarque de Hollanda "Não existe pecado ao sul do equador"


Paulo Cesar Fernandes

29/07/2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Incluir socialmente X pactuar com a morte

De que é feita essa vida que tens na mão?
Te provoco sim. Por ousadia?


Não. Puro companheirismo. Sincero como o “não” de uma criança.


Vivemos a vida sem pensar, sem construir dela um conceito; sequer um pequeno “plano de vôo”. Planamos acima da vida e dos viventes com a mais perfeita serenidade.


Fora da nossa vida existem milhares de outras vidas. Zygmunt Bauman estabelece uma classificação/distinção entre essas vidas todas, inclusive a que vivemos.


De um lado estão os “de dentro”, cujo acesso aos bens da cultura e do consumo lhes é natural desde o nascimento, jamais chegando a pensar na possibilidade da existência de outras formas de viver. Temem o assalto; o seqüestro; essas coisas que rondam nosso ir e vir através das cidades de nosso mundo globalizado.


Do outro lado encontramos os “de fora”. A contraposição/oposição total do padrão de vida dos “de dentro”. Nada de cultura. Nada de consumo. Nada de aconchego de um lar. Apenas a frieza do mundo lhes doendo na alma sensível muitas vezes.


Esse contingente de vidas dos que estão do lado “de fora” é o consumidor das armas ilegais que transitam nos “não lugares” da nossa sociedade. “Não lugares” que são seu território, a polícia não se atreve.


Esse mesmo contingente de criaturas, seres humanos, espíritos ocupando um corpo, tal qual você e eu; são esses mesmos que apavoram nossas vidas. Colocando o medo como nosso maior acompanhante de todas as horas.


Os “de dentro” consomem mais e mais equipamentos de segurança; carros blindados; empresas de segurança cujos homens ou cães funcionam 24 horas no resguardo patrimonial. Mais das vezes sem sucesso.


É um problema similar em todo o mundo. Aqui ou acolá mudam os equipamentos, as formas, mas a insegurança se faz presente também de forma globalizada, da mesma forma que a avalanche do consumo.


Nas esferas de poder não há vontade política e nem competência em tornar o mundo mais seguro, isto porque o medo geral é o novo grande aliado do mercado global de consumo. Sendo as empresas de equipamentos de segurança um dos segmentos de mercado de crescentes e consolidados lucros.


Nesse conjunto todo, os Meios de Comunicação de Massa (MCM) sãs um fator importante na manutenção desse clima de insegurança, noticiando cada vez mais grotescamente os fatos criminosos que ocorrem. São fatos na verdade, mas recebem todo um tratamento, todo um clima é formado para não permitir, principalmente aos telespectadores a possibilidade de raciocinar. Acabam se tornando presas fáceis do terror urbano.


Na Zona Sul de São Paulo, mais exatamente na Chácara Santo Antonio, num retorno do horário de almoço, uma rua chamou minha atenção, bem como de minha companheira de trabalho. Uma quadra inteira era feita de casas fortemente gradeadas. Isto suscitou uma pergunta:


_ Quem são os verdadeiros presidiários? Nós em nossas casas ou os que nos assaltam?


Os MCM noticiam. As empresas que vendem seguranças enriquecem. Aumentam patrimônio; ampliam carteira de clientes; se consolidam no mercado.


E nós diante disso?


Deixar de viver está fora dos planos.


Seguir fazendo nossa parte com ética e integridade. Educar os nossos filhos e sobrinhos alertando das armadilhas do mundo e da vida atual.


Mas deixar que vivam livremente o seu momento. Vivam alegremente sua juventude, fazendo bom uso de suas energias. O tempo é muito fugaz e se esvai de forma instantânea.


E mais que tudo não temos crenças. Temos certezas como a imortalidade do espírito; do inevitável processo de evolução desse mesmo espírito. Uma evolução que abarcará inevitavelmente os “de dentro” e os “de fora”; aqueles que planam sobre a vida aos quais me referi anteriormente, e aqueles outros capazes de refletir seriamente a cada etapa da sua jornada existencial.


Estamos num mundo conturbado e imenso.


Não dá para fugir dessa realidade. A nossa existência e nossa ação é aqui e agora, cabendo a nós, a cada um de nós, fazer vingar os valores perenes, dentre os quais destaco a Esperança em primeiro lugar; e, não menos importante a Solidariedade Humana.


Pelo amor e pela vida!


Paulo Cesar Fernandes


24/07/2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Corporeidade e Vida

Como pode caber o Bem, onde habitam soberanos: o orgulho e a vaidade?

Como pode o altruismo ter espaço numa sociedade que tem no egoismo, na soberania do individualismo seu ponto basilar?
Como pode florescer a Espiritualidade numa mente totalmente voltada para a corporeidade?
Como pode por os pés no chão um ser humano capaz de buscar os valores do espirito, a ponto de esquecer de bem cuidar do corpo que o acolhe, permitindo sua práxis neste mundo?

Em tudo o equilibrio é necessário.
As mais belas edificações não o seriam se o arquiteto não tivesse em si a preocupação do equilíbrio estético.
Estamos todos vivendo num mundo multifacetado, onde os conflitos de toda espécie são tidos como naturais na existência das pessoas e das nações. Onde a felicidade é objeto de desejo de todas as pessoas, mas essa felicidade sempre é vista pelas pessoas como algo fora de si mesmo, e nunca como um elemento a ser conquistado partindo de valores internos, a serem calmamente cultivados como a temporança, a simplicidade, o altruismo e tantos outros capazes de, se unidos, construir a paz interior, necessária à Felicidade, bem como a Liberdade, condição inicial de tudo.


Viver é muito mais que sobreviver!
Poucos vivem!
Poucos colocam seu coração a cada pequeno ato seu. Ao conversar com alguém, ao lidar com os animais e com as plantas; na hora do banho, o prestar atenção ao próprio corpo.
Poucos desejam "Bom dia" na profundidade de seus coração.
Impera o reino das aparências!
Não é de estranhar que impere a dor, filha dileta da falsidade! Da incompreensão.
Tudo que é verdadeiro e sincero nos eleva e nos alivia. Não agrega peso a nossa existência; sendo ao contrário é situação de tormenta certeira.
Que nosso corpo e nosso tempo nos sirvam de valiosos instrumentos.


E nossos pensamentos estejam impregnados dos valores imorredouros do coração.
Se um outro mundo é possível na Terra. E é sem duvidas!
Uma outra forma de conduzir nossa existência também o é.
Valores reais são os perenes no tempo: amor; sinceridade; fidelidade; racionalidade, e tantos outros que nos garantem o sono mais sereno e restaurador.

Assim teremos vida, e vida em abundância.

Paulo Cesar Fernandes
23/07/2012

domingo, 22 de julho de 2012

Voar (Crônicas dos tempos do Quanta

Crônicas dos tempos do Quanta


Voar *

Quando um homem comum morre, perde a família consangüínea.
Ao morrer um idealista, ou seu ideal; perde muito de força o crescimento da família humana.
O ideal é o lubrificante que viabiliza a engrenagem do novo, do criativo, da verdadeira máquina de progresso que impulsiona a humanidade.
Olhemos fundo no passado da humanidade. Nomes não faltarão nas mais diversas áreas.
Nesses nomes se basearam os saltos qualitativos na caminhada do conhecimento.
O saber acadêmico é estático.
O do idealista é dinâmico; segue a própria dinâmica do inconformismo com o velho, com a mesmice, com a falta de visão histórica espraiada na sociedade de todos os tempos.
Só ele, só o idealista sai do quotidiano perscrutando a vida, com seu binóculo de ver o futuro. Como a gaivota de Richard Bach, deixa os outros e segue solitário seu rumo.
Incompreendido, criticado, isolado até por seus pares, tem na luz do seu norte a segurança da jornada.


Caminha.
Empreende.
Realiza.


Do centro de sua solidão; pouco a pouco compreende seus pares, vê seus pés, atados ao chão do imediatismo, sem poder ajudá-los a voar.
Pássaro nenhum voou sem tentar; partindo sempre de uma própria dinâmica interior.
Tal qual a ave mãe, se alegra o coração do idealista. Pois sabe, de experiência própria: uma vez alçados grandes vôos; pouca chance terá o aprendiz, de desprezar o prazer de ver o mundo, sempre a partir de perspectivas mais altas.



Paulo Cesar Fernandes.

14/06/98



* Texto dedicado a Jací Régis.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Viver pensando em qualquer coisa

Vivemos! E atribuladamente na maioria dos casos.
Nos deixamos carcomer pelos afazeres diários. Eles nos sufocam. Eles nos agridem com todas as forças...
Mas vivemos de roldão, na "Roda Viva" tão bem posta por Chico Buarque em sua obra.
E não pensamos.
No mal que fazemos. Ou no bem a escapar de nossas mãos.
Ganhar mais dinheiro; uma posição de maior destaque social; um tantoa mais de poder; tudo isso compondo uma série de não-pensamentos, um não pensar. Pela morbidez de tais preocupações.
É um viver atabalhoado, irracional até.
Principalmente se carregamos em nós a concepção imortalista da existência, onde o tempo se desdobra a nosso favor, sempre nos fornecendo oportunidades maiores, oportunidades novas; seja isto no âmbito mais amplo das diversas encarnações; seja isto dentro dos limites de uma encarnação apenas.
O tempo é sempre nosso aliado. Amigo. Nos ajuda a vencer os momentos de ira para convertê-los em afetividade.
O uso do tempo é uma arte. Emmanuel em "Instrumentos do Tempo" traz idéias importantes. Vamos a elas para depois adicionar algumas considerações;


Descrucifica o Cristo que ainda jaz crucificado em nossa semicaridade e obscurecido em nossa semiconfiança.
Dá vigor e existência ao Mestre que recebeste no templo da alma!
Crê e vive!  Crê e aperfeiçoa-te!  Crê e eleva-te, elevando os que te rodeiam!
Conduze a esperança onde a fé esmoreceu, faze brilhar a alegria onde a penúria abriu o manto imenso de sofrimento e escuridão...
Jesus é vida, amor, atividade redentora, bênção de todos os dias.

É muito isso! Ainda achamos que Jesus é cristo, cristo coisa nenhuma, homem como eu e tu, infelizmente mitificado pela ignorância reinante, permitindo assim um dominio mais fácil das religiões sobre os homens, fazendo-os servos fiéis e não pensantes. "Fareis tudo que o Senhor mandar..." tal qual no folguedo infantil.
A história da humanidade é a historia do homem desejante de domínio sobre outros homens.
Hegel está certissimo em seu pensamento. E os dominadores sempre conseguem espiritos preguicosos, louquinhos para encontrar alguém capaz de os comandar, livrando-os assim da responsabilidade de ter em suas mãos as rédeas do próprio destino. Néscios! Vagabundos existenciais é o que são.
Entregam de mão beijada o seu destino a outrem, sem cuidar da condição ético-espiritual desse outrem. Saem repetindo discursos como inconscientes aves parlantes. Repetem o discurso do pastor, do cura, do espirito da casa, vale tudo, desde que não se vejam diante da responsabilidade de si mesmo. Temem andar pelos próprios pés. Falam muito no Cristo e agem pouco em seu favor.


Vamos tirar esse camarada da cruz? Deixar ele caminhar entre os povos da terra. Tomar para nós a sua mensagem em nosso viver. Simples como um copo de água dessedentando aos que tem sede.
E o mundo tem sede sim; tem sede de homens vivendo a mensagem do nazareno no seu agir natural.
Pois claro! Sempre isso foi tido como o inatingível. Destinado a santos apenas, a grandes almas, "eu ainda não posso..."...
Pura baboseira!
É coisa para o nosso dia a dia.
O remédio é fabricado para os que apresentam alguma doença. Não para quem esta livre de todas as potologias.
Temos, muitos de nós, patologias da alma a ser trabalhadas, cuidadas carinhosamente para não agravar o quadro. E o remédio está no mundo desde seus primórdios. Pois em todas as eras da humanidade homens de bom senso e elevada moral deixaram seus recados.
Esta terra e seus viventes nunca estiveram ao desamparo!
Lembro de Silvio Brito se referindo a ele como o Homem de Nazaré. E suas mensagens, ensinamentos vieram para se somar a toda uma tradição de pensadores, condutores desta humanidade terrena. Resta ao surdo homem da PósModernidade agregar todos os ensinamentos ao carrinho de aquisições de sua existência. Um linguajar de supermercado é bem cabível numa "Sociedade de Consumidores".


Se assim o fizer. Se agregar a mensagem de Jesus a suas aquisições diárias, estará seguro de ter vida e vida em abundância; amor; uma atividade redentora, e finalizando terá a bênção de todos os dias.
Pois cada dia já é uma benção da vida a nos chamar para a senda do bem.
Resta apenas agradecer a Emmanuel pelo tanto feito em beneficio da humanidade, sempre a nos relembrar das mensagens do modelo a ser seguido, apontado pelos espiritos a Allan Kardec: Jesus de Nazaré.
Agora é conosco!


Paulo Cesar Fernandes


20/07/2012