quarta-feira, 31 de julho de 2013

20130324 Em tempos papais

Há um cálice que não é o "Calix Bento", mas um cálice de sangue posto. De ditaduras e desaparecidos. Um continente ultrajado em sua soberania.


Um cálice, na verdade um cale-se. Capaz de manter Jesus na Cruz, justamente para fazer esquecer o Torquemada da Inquisição Católica. Brutal e sanguinária.


Ateus todos.


Puseram de lado o terno nazareno e sua mensagem. Optaram pelas benesses temporais. A união ao poder dos monarcas. Alienando sempre o povo, inclusive das lutas internas do Vaticano, que nunca optou pela simplicidade.


É preciso tirar Jesus da Cruz. Colocá-lo junto ao povo, ao seu povo.


Ao povo de Deus como ensinam nomes como Pedro Casaldáliga; Leonardo Boff e Ernesto Cardenal de minha querida Nicarágua.


Jesus, real de verdade, tá é na rua.


Tá no meu lado na condução.


Ei! Jesus da Cruz! Desce daí, e vem junto a nós, o povo acolhido pela Teologia da Libertação.


Não há Igreja se não estiver nas ruas, nos bairros, nos recantos de todos os homens. Na única comunhão verdadeiramente possível: a "Comunhão Popular".


Todo o resto é fuzarca financeira. Idolatria do Bezerro de Ouro tão condenado por clérigos conscientes. Uma busca burguesa, em distanciar o Ser da mensagem cristalina do bom e justo nazareno.


Viver sua mensagem. Longe de cultos, instituições, etc. Tudo quanto possa permitir a falsidade.


Este é o único caminho, a única verdade, e a única Vida possível de nos trazer a paz de consciência.


Paulo Cesar Fernandes

24 03 2013


NOTA:

Este texto visa os adeptos da Igreja Católica. Mas cabe como uma luva em todas as casas espíritas que eu conheci. Assim, desfrutem-no, e reflitam sobre ele, se forem pessoas capazes de refletir serenamente. Como fez Jesus, quando subiu ao monte, e em diversos momentos de sua passagem pela Terra.

terça-feira, 30 de julho de 2013

20130730 Fatalidade

A fatalidade e os pressentimentos

Revista Espírita, março de 1858

INSTRUÇÕES DADAS POR SÃO LUÍS


Um dos nossos correspondentes nos escreveu o que segue:


"No mês de setembro último, uma embarcação leve, fazendo a travessia de Dunkerque à Ostende, foi surpreendida por um tempo agitado e pela noite; o barquinho soçobra, e das oito pessoas que o tripulavam, quatro perecem; as outras quatro, entre as quais me encontrava, conseguiram se manter sobre a quilha. Permanecemos
toda a noite nessa horrível posição, sem outra perspectiva do que a morte, que nos parecia inevitável e da qual experimentamos todas as angústias. Ao amanhecer, tendo o vento nos levado à costa, pudemos ganhar a terra a nado.


"Por que nesse perigo, igual para todos, só quatro pessoas sucumbiram? Anotai que, por minha parte, é a sexta ou sétima vez que escapo de um perigo tão iminente, e quase nas mesmas circunstâncias. Sou verdadeiramente levado a crer que mão invisível me protege.


Que fiz para isso? Não sei muito; sou sem importância e sem utilidade neste mundo, e não me gabo de valer mais do que os outros; longe disso: havia, entre as vítimas do acidente, um digno eclesiástico, modelo de virtudes evangélicas, e uma venerável irmã de São Vicente de Paulo, que iam cumprir uma santa missão de caridade cristã. A fatalidade me parece ter um grande papel no meu destino. Os Espíritos, nela não estariam para alguma coisa? Seria possível ter, por eles, uma explicação a esse respeito,
perguntando-lhes, por exemplo, se são eles que provocam ou afastam os perigos que nos ameaçam?-"


Conforme o desejo de nosso correspondente, dirigimos as perguntas seguintes ao Espírito de São Luís que gosta de se comunicar conosco todas as vezes que há uma instrução útil para dar.


1. Quando um perigo iminente ameaça alguém, é um Espírito que dirige o perigo, e quando dele escapa, é um outro Espírito que o afasta?


R_ Quando um Espírito se encarna, escolhe uma prova; escolhendo-a se faz uma espécie de destino, que não pode mais conjurar, uma vez que a ele está submetido; falo de provas físicas. Conservando o Espírito no seu livre arbítrio, sobre o bem e o mal, é sempre o senhor para suportar ou repelir a prova; um bom Espírito, vendo-o enfraquecer, pode vir em sua ajuda, mas não pode influir, sobre ele, de maneira a dominar a sua vontade. Um Espírito mau, quer dizer, inferior, mostrando-lhe, exagerando-lhe um perigo físico, pode abalá-lo e amedrontá-lo, mas, a vontade do Espírito encarnado não fica menos livre de todo entrave.


2. Quando um homem está no ponto de perecer por acidente, me parece que o livre arbítrio nisso não vale nada. Pergunto, pois, se é um mau Espírito que provoca esse acidente, que dele é, de algum modo, o agente; e, no caso em que se livra do perigo, se um bom Espírito veio em sua ajuda.


R_ O bom Espírito ou o mau Espírito não pode senão sugerir bons ou maus pensamentos, segundo a sua natureza. O acidente está marcado no destino do homem. Quando a tua vida é posta em perigo, trata-se de uma advertência que tu mesmo a desejaste, a fim de te desviares do mal e de te tomares melhor. Quando tu escapas
desse perigo, ainda sob a influência do perigo que correste, pensas mais ou menos fortemente, segundo a ação mais ou menos forte dos bons Espíritos, em te tomares melhor. O mau Espírito sobrevindo (digo mau subentendendo que o mal ainda está nele), pensas que escaparás do mesmo modo de outros perigos e deixas, de novo, tuas paixões se desencadearem.


3. A fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossas vidas seria, pois, ainda o efeito do nosso livre arbítrio?


R_ Tu mesmo escolheste tua prova: quanto mais ela é rude, melhor tu a suportes, mais tu te elevas. Aqueles que passam sua vida em abundância e na felicidade humana, são Espíritos frouxos que permanecem estacionários. Assim, o número dos infortunados sobrepuja em muito o dos felizes desse mundo, tendo em vista que os Espíritos procuram, em maior parte, a prova que lhes será a mais frutífera. Eles veem muito bem a futilidade de vossas grandezas e de vossas alegrias. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre perturbada, não seria isso senão pela ausência da dor.


4. Compreendemos perfeitamente essa doutrina, mas isso não nos explica se certos Espíritos têm uma ação direta sobre a causa material do acidente. Suponhamos que no momento em que um homem passa sobre uma ponte, essa ponte se desmorona. Que impeliu o homem a passar nessa ponte?


R_ Quando um homem passa sobre uma ponte que deve se romper, não é um Espírito que o conduz a passar nessa ponte, é o instinto do seu destino que para lá o leva.


5. O que fez desmoronar a ponte?


R_ As circunstâncias naturais. A matéria tem nelas suas causas de destruição. No caso do qual se trata o Espírito, tendo necessidade de recorrer a um elemento estranho à sua natureza para mover as forcas naturais, recorrerá antes à intuição espiritual. Assim tal ponte adiante se rompe, a água tendo desconjuntado as pedras que a compõe, a ferrugem tendo corroído a corrente que a suspenda, o Espírito, digo eu, ensinará antes ao homem para que passe por essa ponte do que fazer romper uma outra sob seus passos. Aliás, tendes uma prova material do que eu adianto: qualquer acidente que chegue sempre naturalmente, quer dizer, de causas que se ligam umas as outras, e se conduzem insensivelmente.


6. Tomemos um outro caso no qual a destruição da matéria não seja a causa do acidente. Um homem mal intencionado atira sobre mim, a bala me roça, não me atinge. Um Espírito benevolente pode tê-la desviado?


R_ Não.


7. Os Espíritos podem nos advertir diretamente de um perigo? Eis um fato que parece confirmá-lo: uma mulher saía de sua casa e seguia pelo boulevar. Uma voz íntima lhe diz: Vai-te; retorna para tua casa. Ela hesita. A mesma voz se faz ouvir várias vezes; então, ela volta sobre seus passos; mas, reconsiderando-se, ela se diz: que vou fazer em minha casa? Dela saí; é sem dúvida um efeito de minha imaginação. Então, ela continua o seu caminho. A alguns passos dali, uma viga que se soltou de uma casa, atinge-lhe a cabeça e a derruba inconsciente. Qual era essa voz? Não foi um pressentimento do que ia acontecer a essa mulher?


R_ A do instinto; aliás, nenhum pressentimento tem tais caracteres: sempre são vagos.


8. Que entendeis pela voz do instinto?


R_ Entendo que o Espírito, antes de se encarnar, tem conhecimento de todas as fases de sua existência; quando estas têm um caráter saliente, delas conserva uma espécie de impressão no foro íntimo, e essa impressão, despertando quando o momento se aproxima, torna-se pressentimento.


Nota. As explicações acima reportam-se à fatalidade dos acontecimentos materiais. A fatalidade morai está tratada, de modo completo, em O Livro dos Espíritos.


===


Aqui me vejo eu diante de uma dificuldade. As palavras de São Luís, se é que foram dele mesmo, defendem o fatalismo.. E, segundo minha forma de compreender a mensagem de Kardec em seu todo, o fatalismo não existe.


A Liberdade é Plena e Total na nossa existência.


Essa ideia de programarmos nossa encarnação é uma amarra, tolhendo nossa capacidade de tecer escolhas para nossa jornada.


Nunca na minha infância, nem de longe, pensara em trabalhar com computadores. Até porque essa área estava longe de nosso pais na época. Ou ainda, trabalhar numa biblioteca.


Como poderia eu ter planejado isso?


Circunstâncias de saúde, e de afeição às pessoas me levaram a ficar mais tempo que o planejado na biblioteca. Quando passei no concurso, tencionava ficar seis meses e volver ao trabalho em informática na cidade de São Paulo. Algumas oportunidades surgiram, mas acabei recusando. Os livros, por certo também exerceram forte atrativo. Ler muito. Ler sem limites. O assunto que me aprouvesse, tomando livros das Universidades Estaduais de São Paulo era para mim um privilégio sem par.


Posso até ter planejado uma existência longe da música, e das artes; visando desenvolver um pouco mais o aspecto da organização pessoal. De fato algo melhorou. Mas ainda muito me falta em organização.


Professor Paulo Freire define duas formas de organização: 1- organização geográfica; 2- organização mental.


Quem tem a organização geográfica, a sua sala é um primor, cada coisa em seu lugar e devidamente arrumado. Mas nem sempre a pessoa acessa facilmente as coisas.


Por outro lado, a sala de quem tem organização mental é uma bagunça, no entanto o acesso é sempre imediato a qualquer item.
Desde que ninguém "faça o favor de ordenar". Aí nada mais é encontrado.


Sou da segunda categoria. Na juventude, quando minha irmã arrumava minha escrivaninha era o inicio de um tormento. Pois havia ordem no antigo caos. Eu sabia onde as coisas andavam. Ainda hoje em minha casa é assim. Busco manter as coisas nos mesmos lugares sempre, e dessa maneira ter sempre rápido acesso a elas.


Mesmo geograficamente desordenadas, as coisas estão em seus lugares.


Voltando à determinação.


Nada está traçado em definitivo. Quem usa o texto de Kardec ao pé da letra, sem ver a obra como um todo pode discordar, por estar lá na Revista Espírita, e vir de São Luís.


Todos temos a missão de ler as coisas todas e raciocinar sobre elas.


Não há verdade e nem Verdade.


Somos capazes de construir nossas conclusões de forma livre e autônoma. Aliás, essa é minha meta para todas as pessoas na face da Terra. Já se foram os tempos do homem necessitar de guias e pastores. De Donos da Verdade. Tudo isso caiu por terra. Vivemos no Reino da Individualidade. E a Individualidade é livre e soberana
sobre os rumos de sua existência.


Estudando e pensando. Pensando e se transformando. O homem se constrói a cada dia, e a cada dia refaz a sociedade na qual está contribuindo com seu trabalho, seja ele braçal, seja ele intelectual.


Homem e sociedade formam uma interação dialética, onde nada pode ser estático. E nada pode ser dado a priori. Daí não haver determinismo na encarnação.


Se discordar me escreva e poste sua opinião. Como já disse não há verdade. Tão somente ideias, passíveis de engano.


Paulo Cesar Fernandes

30 07 2013

domingo, 28 de julho de 2013

20130728 Júpiter

 

Revista Espírita

 

Jornal de Estudos Psicológicos

 

Primeiro Ano – 1858 Março

 

 Júpiter e alguns outros mundos

 
 

De todos os planetas, o mais avançado, sob todos os aspectos, é Júpiter. Ali, é o reino exclusivo do bem e da justiça, porque não há senão bons Espíritos. Pode-se fazer uma idéia do feliz estado dos seus habitantes pelo quadro que demos do mundo habitado sem a participação dos Espíritos da segunda ordem.


A superioridade de Júpiter não está somente no estado moral dos seus habitantes; está, também, na sua constituição física. Eis a descrição que nos foi dada, desse mundo privilegiado, onde encontramos a maioria dos homens de bem que honraram nossa Terra pelas suas virtudes e seus talentos.


A conformação dos corpos é quase a mesma desse mundo, mas é menos material, menos denso e de uma maior leveza específica. Ao passo que rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter se transporta, de um lugar para outro, roçando a superfície do solo, quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água. Sendo a matéria, da qual o corpo está formado, mais depurada, ela se dissipa, depois da morte, sem ser submetida à decomposição pútrida. Ali não existe a maioria das enfermidades que nos afligem, sobretudo aquelas que têm sua fonte nos excessos de todos os gêneros e na desordem causada pelas paixões. A alimentação está em relação com essa organização etérea; não seria bastante substanciosa para os nossos estômagos grosseiros, e a nossa seria muito pesada para eles; ela se compõe de frutas e plantas, e, aliás, haurem, de algum modo, a maior parte do meio ambiente do qual aspiram as emanações nutritivas. A duração da vida é, proporcionalmente, muito maior que sobre a Terra; a média equivale a cinco dos nossos séculos. O desenvolvimento também é muito mais rápido, e a infância dura apenas alguns de nossos meses.


Sob esse envoltório leve, os Espíritos se desligam facilmente e entram em comunicação recíproca unicamente pelo pensamento, sem excluir, todavia, a linguagem articulada; também a segunda vista é, para a maioria uma faculdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao dos nossos sonâmbulos lúcidos; é também porque se manifestam, a nós, mais facilmente do que aqueles que estão encarnados em mundos mais grosseiros e mais materiais. A intuição que têm do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; vêem-na chegar sem medo e como uma simples transformação.


Os animais não estão excluídos desse estado progressivo, sem se aproximarem, entretanto, do homem, mesmo sob o aspecto físico; seus corpos, mais materiais ligam-se ao solo, como nós à Terra. Sua inteligência ó mais desenvolvida do que nos nossos; a estrutura dos seus membros se dobra a todas exigências do trabalho; são
encarregados da execução de obras manuais; são os servidores e os operários: as ocupações dos homens são puramente intelectuais. O homem é, para eles, uma divindade, mas uma divindade tutelar que jamais abusa do seu poder para oprimi-los.


Os Espíritos que habitam Júpiter, geralmente, se comprazem, quando querem se comunicar conosco na descrição do seu planeta, e quando se lhes pergunta a razão, respondem que é a fim de nos inspirar o amor ao bem pela esperança de, para lá, ir um dia. Foi com esse objetivo que um deles, que viveu na Terra com o nome de
Bernard Palissy, o célebre oleiro do décimo sexto século, empreendeu, espontaneamente e sem ser solicitado para isso, uma série de desenhos tão notáveis, tanto pela sua singularidade quanto pelo talento da execução, e destinado a nos dar a conhecer, até nos menores detalhes, esse mundo tão estranho e tão novo para nós. Alguns retratam personagens, animais, cenas da vida privada; mas, os mais notáveis, são aqueles que representam habitações, verdadeiras obras-primas das quais nada sobre a Terra poderia nos dar uma idéia, porque essa não parece com nada do que conhecemos; é um gênero de arquitetura indescritível, tão original e, no entanto, tão harmoniosa, de uma ornamentação tão rica e tão graciosa, que desafia a mais fecunda imaginação. O senhor Victorien Sardou, jovem literato e dos nossos amigos, cheio de talento e de futuro mas em nada desenhista, lhes serviu de intermediário. Palissy nos promete uma série que nos dará, de algum modo, a monografia ilustrada desse mundo maravilhoso.


Esperamos que essa curiosa e interessante coletânea sobre a qual voltaremos num artigo especial consagrado aos médiuns desenhistas, poderá ser, um dia, entregue ao público. O planeta Júpiter, apesar do quadro sedutor que dele nos foi dado, não é o mais perfeito entre os mundos. Há outros, desconhecidos para nós, que lhes são bem superiores, no físico e no moral, e cujos habitantes gozam de uma felicidade ainda mais perfeita; lá é a morada dos Espíritos mais elevados, cujo envoltório etéreo nada mais tem das propriedades conhecidas da matéria.


===


Vejo no texto acima uma nobre expressão poética, um texto de grande beleza estética.


Mas nada crível. Uma bela fantasia tão somente.


Aí reside a dificuldade daqueles que se apegam aos textos, a eles dando credibilidade cega.


O fato de Kardec ter colocado na Revista é marca de credibilidade?


Eu não vejo assim. O entusiasmo muitas vezes nos empapa a Razão. Inclusive em Kardec.


Quantas vezes nos vimos, cada um de nós, diante de um entusiasmo inusitado, e até irracional diante de algo, e o tempo foi sabiamente nos ajustando quanto ao tema.


A razoabilidade e o bom senso foram atributos defendidos e ensinados pelo próprio Allan Kardec, para não caíssemos em ciladas, estando diante de desencarnados ou mesmo de encarnados. Um resguardo para nossas opiniões.


O espírito é pensamento puro. Dessa característica lhe vem a liberdade de aceitação e recusa das coisas ao seu redor.


Isto, não nos afasta da possibilidade de usufruir da estética de um texto bem elaborado. O ver como um elemento artístico tão somente.


Assim vejo eu esse texto sobre Júpiter, publicado na Revista Espírita de Março de 1858.


Paulo Cesar Fernandes

28 07 2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

20130726 Nosso mundo

Se não é esse o mundo em que nos vemos atados.


Basta ver os Meios de Comunicação de Massas e teremos como verdadeira essa expressão.


Mas será realmente assim?


É o mal realmente soberano na face da Terra?


Sabemos o número exato das criaturas cuja vida é totalmente dedicada ao bem estar de seus semelhantes?


Se estamos em dúvida é melhor não estabelecermos julgamentos.
Mas vejamos de que mundo nos fala Kardec:



Júpiter e alguns outros mundos

Revista Espírita, março de 1858


Suponhamos, pois, um globo habitado, exclusivamente, por Espíritos da nona classe, por Espíritos impuros, e a ele nos transportemos pelo pensamento. Nele veremos todas as paixões desencadeadas e sem freio; o estado moral no último grau de embrutecimento; a vida animal em toda a sua brutalidade; nada de laços sociais, porque cada um não vive e não age senão para si e para satisfazer os seus apetites grosseiros; o egoísmo nele reina com soberania absoluta, e arrasta consigo o ódio, a inveja, o
ciúme, a cupidez, a morte.


Passemos, agora, para uma outra esfera, onde se encontrem Espíritos de todas as classes da terceira ordem: Espíritos impuros, Espíritos levianos, Espíritos pseudo-sábios, Espíritos neutros. Sabemos que, em todas as classes dessa ordem, o mal domina; mas, sem terem o pensamento do bem, o do mal decresce à medida que se afastam da última classe, O egoísmo é sempre o móvel principal das ações, mas os costumes são mais brandos, a inteligência mais desenvolvida; o mal, aí, estará um pouco disfarçado, enfeitado e dissimulado. Essas próprias qualidades, engendram um outro defeito, que é o orgulho; porque as classes mais elevadas são bastante esclarecidas para terem consciência da sua superioridade, mas não o bastante para compreenderem o que lhes falta; daí a sua tendência à escravização das classes inferiores, e de raças mais fracas, que tenham sob o seu jugo. Não tendo o sentimento do bem, não têm senão o instinto do eu e acionam a sua inteligência para satisfazerem as suas paixões. Numa tal sociedade, se o elemento impuro domina, esmagará o outro; no caso contrário, os menos maus procurarão destruir os seus adversários; em todos os casos, haverá luta, luta sangrenta, luta de extermínio, porque são dois elementos que têm interesses opostos. Para proteger os bens e as pessoas, serão necessárias leis; mas essas leis serão ditadas pelo interesse pessoal e não pela justiça; o forte as fará, em detrimento do fraco.

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Se tomarmos por base o que nos é passado pelos MCM achamos que Kardec, nesse trecho, se refere à Terra. Mas se raciocinarmos algo mais, teremos clara percepção do bem se apresentando em diversos momentos, sob as mais variadas formas. Apenas um exemplo, os "Médicos sem Fronteiras".


Que abertura mental e afetiva esses espíritos apresentam. São faróis para a humanidade. Nas mais complexas condições lá estão eles a servir.


O Bem sempre se apresenta. Basta ter olhos de ver.


Paulo Cesar Fernandes

26 07 2013

quarta-feira, 24 de julho de 2013

20130724 Publicações espíritas - Dificuldades segundo Kardec

Aos leitores da Revista Espírita
 
Revista Espírita, fevereiro de 1858
 
Vários dos nossos leitores quiseram responder ao apelo, que fizemos em nosso 1o. número, com respeito às notícias a nos fornecerem. Um grande número de fatos nos foram assinalados, entre os quais os há muito importantes, do que somos infinitamente reconhecidos; não o somos menos quanto às reflexões que os acompanham, algumas vezes, mesmo quando revelam um conhecimento incompleto da matéria: darão lugar a esclarecimentos sobre os pontos que não terão sido bem compreendidos. Se não fazemos uma menção imediata dos documentos que nos foram fornecidos, não passam desapercebidos por isso; deles sempre tomamos boa nota, para serem aproveitados cedo ou tarde.


A falta de espaço não é a única causa que possa retardar a publicação, mas, também, a oportunidade das circunstâncias e a necessidade de ligá-los aos artigos dos quais podem ser úteis complementos. A multiplicidade das nossas ocupações, unida à extensão da nossa correspondência, freqüentemente, nos coloca na impossibilidade material de responder como o desejaríamos, e como o deveríamos, às pessoas que nos honram em escrever-nos. Nós lhes pedimos, insistentemente, não tomarem em mau sentido um silêncio independente da nossa vontade.


Esperamos que a sua boa vontade com isso não se esfrie, e que queiram muito não interromper suas interessantes comunicações; para esse efeito, pedimos de novo sua atenção sobre a nota que demos no fim da introdução do nosso primeiro número, a respeito das notícias que solicitamos da sua bondade, rogando, de outra parte, não deixarem de nos dizer quando poderemos, sem inconvenientes, mencionar os lugares e as pessoas.


As observações acima se aplicam, igualmente, às perguntas que nos são dirigidas sobre diversos pontos da Doutrina. Quando elas necessitam de um desenvolvimento de certa extensão, nos é tanto menos possível dá-las por escrito, quanto, bem freqüentemente, a mesma coisa devesse ser repetida a um grande número de pessoas. Estando a nossa revista destinada a nos servir de meio de correspondência, essas respostas, nela encontrarão naturalmente seu lugar, à medida que os assuntos tratados nos fornecerem ocasião, e isso com tanto mais vantagem quanto as explicações poderão ser mais completas e aproveitarão a todos.

ALLAN KARDEC.
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Ressaltar inicialmente a linguagem. Nobre, porém simples.

Temos aqui que a escassez de espaço numa publicação é de longa data um impeditivo ou um limitante. Donde não me parecer justo nos aborrecermos caso um artigo nosso não seja veiculado por motivo de espaço. É justo que assim se proceda.


Por vezes, um texto mal escrito pode chegar às mãos do responsável do periódico. Como dói! Vem de pessoas bem intencionadas, amigas, mas cuja escrita é confusa na expressão das ideias.

Imagino eu, o próprio Kardec pode ter passado por dificuldades quanto a isso. Mas bem o resolveu na publicação da Revista Espírita.




Paulo Cesar Fernandes


24 07 2013 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

20130722 Espírito é pensamento

Revista Espírita - Fevereiro de 1858


Uma comunicação de uma menina de 13 anos vai muito além das possibilidades de sua idade no tempo de sua desencarnação.
Me despertou especial interesse o quanto ela se diz pensamento. Dando pouca importância à forma na qual poderia se apresentar.
Enquanto estamos imersos na matéria, não somos capazes de compreender outra coisa além da matéria.
Dela destacados, novas perspectivas se nos abrem. Sendo de pouca importância a apresentação física.
Vejamos a comunicação da "menina":



Palestras de além-túmulo - senhorita Clary D

SENHORITA CLARY D... - EVOCAÇÃO

Nota. A senhorita Clary D..., interessante criança, que morreu em 1850, com a idade de treze anos e, desde então, ficou como o gênio da sua família, onde é freqüentemente evocada, e à qual dá um grande número de comunicações do mais alto interesse. A palestra que relataremos a seguir, ocorreu entre ela e nós no dia 12 de janeiro de 1857, por intermédio de seu irmão médium.


1. P. Tendes uma lembrança precisa da vossa existência corporal?

_R. O Espírito vê o presente, o passado e um pouco do futuro, segundo a sua perfeição e a sua aproximação de Deus.


2. P. Essa condição, a da perfeição, é relativa só ao futuro ou se relaciona, igualmente, com o presente e o passado?

_R. O Espírito vê o futuro, mais claramente, à medida que se aproxima de Deus. Depois da morte, a alma vê e abarca com um golpe de vista, todas as suas migrações passadas, mas não pode ver o que Deus lhe prepara; é preciso, para isso, que ela esteja inteiramente em Deus, depois de muitas existências.


3. P. Sabeis em qual época sereis reencarnada?

_R. Em 10 ou 100 anos.


4. P. Será nesta Terra ou em um outro mundo?

_R. Num outro mundo.


5. P. O mundo em que estareis, com relação à Terra, tem condições melhores, iguais ou inferiores?

_R. Muito melhores do que na Terra. Nele se é feliz.


6. P. Uma vez que estais aqui entre nós, estais num lugar determinado, em que sítio?

_R. Estou com aparência etérea; poderia dizer que o meu Espírito, propriamente dito, se estende para muito mais longe; vejo muitas coisas, e me transporto para bem longe daqui com a rapidez do pensamento; minha aparência está à direita do meu irmão e guia o seu braço.


7. P. O corpo etéreo, do qual estais revestida, vos permite sentir as sensações físicas, como, por exemplo, a do calor ou do frio?

_R. Quando me lembro muito do meu corpo, sinto uma espécie de impressão, como quando se tira um casaco e se o crê ainda vesti-lo algum tempo depois.


8. P. Acabais de dizer que podeis vos transportar com a rapidez do pensamento; o pensamento não é a própria alma que se separa do seu envoltório?

_R. Sim.


9. P. Quando o vosso pensamento se transporta para alguma parte, como se dá a separação da vossa alma?

_R. A aparência se desvanece; o pensamento caminha sozinho.


10. P. É, pois, uma faculdade que se separa; o ser permanece onde está?

_R. A forma não é o ser.


11. P. Mas como esse pensamento age? Não age, sempre, por intermédio da matéria?

_R. Não.


12. P. Quando a vossa faculdade de pensar se separa, não agis mais por intermédio da matéria?

_R. A sombra se esvanece; ela se reproduz onde o pensamento a guia.


13. P. Uma vez que não tínheis senão 13 anos quando vosso corpo morreu, como ocorre que possais nos dar, sobre questões tão abstratas, respostas que estão fora do entendimento de uma criança da vossa idade?

_R. Minha alma é tão antiga!


14. P. Podeis nos citar, entre as vossas existências anteriores, uma das que mais elevaram os vossos conhecimentos?

_R. Estive no corpo de um homem que tornei virtuoso; depois da sua morte, fui levada ao corpo de uma jovem cuja face era a marca da alma; Deus me recompensa.


15. P. Poderia nos ser dado vos ver assim tal como sois atualmente?

_R. A vós poderia.


16. P. Como poderíamos? Isso depende de nós, de vós ou de pessoas mais íntimas?

_R. De vós.


17. P. Quais condições deveriam se cumprir para isso?

_R. Recolher-vos por algum tempo, com fé e fervor, serem menos numerosos, vos isolar um pouco, e fazerdes vir um médium no
gênero de Home.
===


Espero que seja útil para todos nós.

Paulo Cesar Fernandes

22 07 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

20130718 Tuas crenças

"Temos um altar."
Paulo aos Hebreus 13:10



Será que temos um altar fora de nossa individualidade?


Será essa procura da felicidade nas prateleiras e gôndolas não significar a busca do Bezerro de Ouro da Antiguidade? Assumindo o Consumo o foco central das preocupações de maior parcela da humanidade?


Nada há de errado nisso. Nem no niilismo. Nem no hedonismo. Nada há de errado em tudo.


Procure o homem a sua felicidade onde melhor lhe aprouver. Tem plena liberdade para isso. O Livre Arbítrio Radical está aí para garantir essa plenitude de busca.


Só uma coisa.


Quantos encontram a felicidade, a verdadeira, mais profunda, nos altares da "Sociedade de Consumidores"?


Ficarei muito contente, se alguns me disserem com toda sinceridade, da sua felicidade sem vazio posterior, ao atingir uma meta de consumo.


Mas o reclamo geral é diferente. O vazio invariavelmente aparece.


E o objeto de desejo já perdeu seu encanto. Afinal, a indústria lança mais e mais objetos de desejo a cada período. E de meta em meta segue o homem, dentro da materialidade, a não se ver no espelho como um ser humano, mas um objeto. Se trajando e portando
segundo as normas do mercado.


_ É um homem do seu tempo. Que mal há nisso?


Não me cabe questionar a vida de quem quer que seja. A única questão capaz de ser posta a todos nós, seres minimamente pensantes é:


_ Somos felizes?


E quanto a nós, cuja visão de imortalidade do espírito rasga as barreiras do passado e do futuro, uma outra coisa pode ser colocada:


_ Estamos usando as possibilidades todas, abertas pelo tempo no sentido mais altruísta da vida?


Dizendo curto e grosso:


_ Somos úteis de alguma forma a nossos semelhantes?


Estou sereno em apresentar as questões, pois sou o primeiro destinatário de todas elas. O primeiro.


E não me proponho a ser líder ou guru de ninguém. Quem busca um guru não o terá em mim. Estarei sempre forçando as pessoas a buscarem autonomia.


Quem não tem pensamento autônomo "É pensado." e não pensa.


Quando fazemos o altar de nossas vidas partindo de nossa Razão, e de nossa Sensibilidade, trazemos para nós o mérito da Felicidade venhamos a desfrutar.


Somos nós e o mundo. Entidades opostas.


Ou temos a matriz de nossa felicidade no mundo, isto é, fora de nós. Ou a colocamos dentro de nós, em nosso domínio, em nossas mãos.


A escolha é tua minha companheira. A escolha é tua meu companheiro.


Religiosos e ateus, todos temos altares aos quais devotamos 
algumas crenças, ou uma crença pelo menos.


_ Qual é a tua?


Paulo Cesar Fernandes

18 07 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

20130716 Aproximação

"...que vosso amor cresça cada vez mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento."
Paulo aos Filipenses 1:9




Houve tempo, dentro do movimento espírita, em que o amor era supervalorizado. Visando com isso, reduzir o valor da cultura e do conhecimento em geral. Isso tudo deu espaço ao crescimento e valorização da ignorância, como se isso fosse a simplicidade.


Simplicidade é outra coisa bem diferente, é uma outra busca.


Todo mundo admirava os grandes oradores, mesmo lhe entendendo pouco da mensagem. Penso eu, em alguns recantos mais afastados esse tipo de coisa ainda ocorre.


E, de uma forma ou de outra, o espiritismo segue servindo às criaturas dos mais diversos niveis culturais. E a cada qual segundo as suas possibilidades.


Não tem certo e não tem errado.


Tem o patamar de cada um de nós, na ampla gama de possibilidades. E a afinidade de pensamentos e atos formando grupos e instituições. É natural que isso ocorra. O movimento espirita não é algo destacado da sociedade. É um microcosmo dessa sociedade. Com erros e acertos. Com homens intransigentes. Com homens transigentes demais. Honestos. Desonestos. Falsos e sinceros. Nada diferente.


_ Mas então o espiritismo não serviu para nada? - perguntaria um homem mais afoito.


Serviu e serve muito. Cada um de nós, dele tira a seiva necessaria a sua alimentação interior segundo suas necessidades. Cada qual faz o uso de seus preceitos segundo seu patamar de evolução. Evolução intelectual e evolução ética.


Nunca confundir o espiritismo com o movimento espírita. São águas de rios diferentes.


O espiritismo é uma somatória de conceitos, nascidos num determinado tempo e traduzindo fielmente o espírito desse tempo. Dentro dele muito há do Catolicismo, do Cristianismo de forma geral. O avanço do conhecimento atual porém, nos permite uma nova leitura de seus conceitos. Repensando-os. Recolocando-os em novos patamares de realidade. Uma nova realidade nascida nos tempos de posmodernidade, ou seja lá como venhamos a chamar o tempo atual.


Outra coisa bem distinta é o movimento espírita. Feito de homens: alguns bons, outros ruins, refletindo a ampla gama do mundo em que vivemos.


Quem chega ao movimento espirita esperando encontrar serafins quebra a cara.


Somos de carne e osso. Erramos. Acertamos. Temos ideias e ideologias muito diversas, e por isso brigamos, nos debatemos, temos diferenças. Algumas vezes de tal forma profundas que a distância é o melhor remédio. "Dois bicudos não se beijam." diz a máxima popular. E nas casas espiritas isso é normal e corriqueiro.


Quantos Centros Espíritas nasceram a partir de dissidências dentro de um outro centro? Inúmeros.


Importa sermos, mesmo dentro das divergências, das idéias completamente diferentes, seres capazes de respeitar o oponente. Pois somos todos seres em busca de um melhor caminho. Erramos aqui e acolá. Mas faz parte do jogo. Por sinal, essa é uma faceta bonita da existência: a possibilidade de errar, perceber o erro, corrigir, rearranjar, reordenar.


E dentro de tudo isso aprender a amar. Amar de verdade. Simplesmente.


Se, como diz o historiador Leandro Karnal, no Brasil escondemos o ódio que carregamos. Para nós espíritas, ser sinceros conosco mesmo, admitir nossos ódios, e arrancá-los do coração. Pois sabemos todos o quanto isso nos faz mal, quanto atrasa nossa caminhada. Impedindo voos mais amplos.


Amor ao conhecimento e amor às pesoas são qualidades a serem cultivadas, nesse nosso processo de aproximação com a Felicidade.


Paulo Cesar Fernandes

16 07 2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

20130521 Espiritismo Ateu


Espiritismo Ateu.

 

A fé em Deus está em declínio. Pesquisa divulgada há cerca de um ano, encomendada pela agência de notícias Reuters, dá conta de que, no mundo todo, cresce o número de pessoas que confessam não crer em Deus. Elas já são 18% em todo o Planeta. A França lidera o ranking dos descrentes da divindade, somando 39% dos entrevistados. No Japão, 34% das pessoas ouvidas disseram às vezes acreditar, outras não, configurando um certo agnosticismo. (Opinião – Ano XIX nº 207) 

 

Parabéns! Tema profundamente atual e necessário.

O declínio de Deus é um processo natural, bem concorde com o tempo na qual vivemos. Onde o individualismo se assenhoreou do mundo. Se o Iluminismo trouxe o homem para o centro do mundo, nele centrando suas certezas. Esse processo se radicalizou a partir da década de 80 aproximadamente, com o nascimento dos Tempos Líquidos, segundo definição do sociólogo polonês Zygmunt Bauman.


Segundo penso, de todos os pensadores pesquisados por mim, para melhor me posicionar sobre a atualidade, foi Bauman quem trouxe a melhor conceituação. Virou moda agora na Academia. Todo mundo o cita sem ter lido suas obras.


Os “Tempos líquidos” em oposição aos “Tempos sólidos”, em vigor até a década de 60. A década que mudou o mundo. A chegada da tecnologia em massa e a construção da “Sociedade dos Consumidores” mudaram a forma do homem se portar/postar no mundo. Essa nova lógica não admite crenças religiosas, criando em seu lugar outras tantas crenças, e todas elas vinculadas à multiplicação do capital, e à manutenção perene do “homem desejante”. Seres humanos cuja preocupação única é estar em dia com a moda. A qualquer custo e a qualquer preço. A crença em Deus foi alijada do mundo.



E Deus é crença mesmo. Tal qual o Boi Tatá, Saci Pererê, o boto e outras construções históricas da humanidade.



Advogo de algum tempo, no Blog, o surgimento do Espiritismo Ateu.



Deus não se coaduna com a realidade atual, pois ele não existe. Uma respeitável criação histórica cujo objetivo inicial era conter um povo contra a adoração de ídolos pagãos. Isto no tempo de Jesus.



A Igreja nascente se apercebeu do poder desse ente sobre as pessoas e o utilizou por milênios como elemento de dominação.



Quantas vidas não me foram tiradas pela Igreja Católica por não crer em Deus? Por lutar junto a outros companheiros contra a ideia de Deus?



A Inquisição e Torquemada[1] foram apenas elementos episódicos. As diversas religiões se valem de Deus como elemento de contenção e mando. De domínio sobre os homens.



Em “Dialética do Amo e do Escravo” Hegel nos mostra a sede de poder entre os homens, sede de dominar o outro. Dois homens se encontram, se confrontam cada um tendo por objetivo dominar e submeter o outro. O que teve medo de morrer se fez escravo. Esta é a história da humanidade. E Deus matou e ainda mata muita gente no transcurso dos tempos. Guerras brotam em nome de Deus, ambos os lados se acreditando dele protegido.



Deus serviu a Jesus para estabelecer uma ordem ao povo de Israel, contra o possível paganismo. Serviu à Igreja Católica ao longo de toda Idade Média e até o Renascimento de forma violenta. A partir daí sua forma de domínio se fez mais sutil.



As Igrejas nascidas da Reforma Protestante seguiram postulando a existência de Deus e o valor da fé. Sempre comandando o homem, submetendo-o. Não foi pouco o sofrimento de Sir Charles Darwin diante de suas constatações científicas.



Os filósofos mesmo, salvo os gregos, sempre se pautaram pela crença em Deus. Mesmo o Idealismo Alemão sofreu desse mal. Apenas com Nietsche foi dado o grito de liberdade com relação a isso. Foi o primeiro a perceber que Deus estava morto.



Depois dele muitos outros se somaram. Estava aberta a porta da lucidez.



Mesmo nosso Kardec tinha uma estrutura espiritual religiosa. Como poderia ele se desvincular da preocupação com Deus, trazida de suas anteriores convicções? Há que compreender isto, e seguir lendo-o com o mesmo respeito e carinho, pois sua superioridade é inegável. Seus três diálogos em “O que é o espiritismo” são peças de uma beleza impar, e de uma clareza sem par.



Se libertar da crença em Deus é complicado. Peço apenas não tomem meu posicionamento como uma agressão. E muito menos como uma verdade ortodoxa. Mais de duas décadas me livrei de ortodoxias e das verdades todas. Tudo deve ser transitório, para permitir a renovação trazida pelas novas ideias encontradas em nossa perene busca.



Como nasceu meu ateísmo?



Trata-se apenas de uma constatação lógica, pautada na análise dos homens e das instituições do mundo em que vivemos. Dos atos dos homens, próximos ou distantes.



É uma posição solitária, porém nem por isso equivocada. Lógica, puramente lógica. Fruto de um processo observacional, sociologicamente correto. Creio eu.



Imaginemos nós quantos milênios fomos obrigados a ter Deus como uma realidade, um fato. É sempre muito dolorido nos libertarmos de tudo aquilo arraigado em nós. Sejam hábitos infelizes, sejam conceitos errôneos.



Não. Não foi fácil, e não será fácil daqui para frente. Incompreensões poderão surgir. A inevitabilidade do contraditório. Enfim, quem tem opinião e as esconde não merece respeito por sua torpeza. Meu respeito por Giordano Bruno; pelo roteirista argentino Hector Gérman Oesterheld, e por tantos outros homens capazes de viver, e morrer se preciso, em defesa de suas ideias.



Carrego comigo uma certeza pétrea: estou perfeitamente concorde com o tempo presente, e com o futuro vindouro. Sem Deus, mas com Justiça; Solidariedade entre todos os povos; sem guerras e sem a fome que envergonha nosso planeta.

 

Paulo Cesar Fernandes  -  21  05  2013

Santos – São Paulo




[1] Tomás de Torquemada

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Tomás de Torquemada (Valladolid, 1420 — Ávila, 16 de setembro de 1498) ou o O Grande Inquisidor foi o inquisidor-geral dos reinos de Castela e Aragão no século XV e confessor da rainha Isabel a Católica. Ele foi famosamente descrito pelo cronista espanhol Sebastián de Olmedo como "O martelo dos hereges, a luz de Espanha, o salvador do seu país, a honra do seu fim".
 
Torquemada é conhecido por sua campanha contra os judeus e muçulmanos convertidos da Espanha.
 
O número de autos-de-fé durante o mandato de Torquemada como inquisidor é muito controverso, mas o número mais aceito é normalmente 2 200.

 

20130713 Conhecendo Jujuy (Uma província argentina

Um caminho simples de terra, beirando uma alta cordilheira. Os Andes. Estou nesse caminho pelas mãos de Ricardo Vilca, sua música e seu sentir das tradições tão antigas de seu amado povo.


Abaixo, à minha direita, um verdejante vale. Onde um rio o corta, serpenteando e abastecendo as casas de teto de zinco, tal qual as casas avistadas por mim do ponto mais alto de La Paz, na Bolívia.


Nesse vale as casas são esparsas. Distam umas das outras. Vivem em harmonia, cada qual com seu cultivo, seu plantio.


O escambo se dá como fato histórico, e ancestral da vila. E nunca houve brigas. São e se sentem verdadeiros irmãos, naquela distância total.


É de solidariedade feita a relação humana.


"Ou nos unimos ou morremos todos." diziam os avós, dos avós, dos avós da atual geração. Cultuados são.


E assim se fez a harmonia nunca perdida.


"Somos poucos. Mas dos poucos que somos, se formos bons, sobreviveremos." Outro dito ancestral.


_ "É do saber ancestral que nossos filhos e netos se alimentam." - me diz Ricardo.


Depois de me ensinar tudo isso, me devolve à poltrona, não sem antes me dar um abraço, capaz de me trazer a paz.


Portal Fernandes   (via Paulo Cesar Fernandes

13 07 2013

20130713 Imortalidade

Carrego comigo essas musicas que minh'alma alimentam?


Quem estará ao meu lado? Eu, tão pequeno para estar em companhia dos grandes.


Terei comigo estes animais dos meus sonhos?


Como estarei? Diante de tão ampla Escala Espirita?


Terei medo da passagem, ou a verei como libertação real?


E se a vitalidade for decrescendo, se sustentarão os sonhos em meu peito?


Quem cohabita este Lar, este Portal?


Apenas questões de um convicto imortalista.


Paulo Cesar Fernandes

13 07 2013

20130715 Caminhar sim

"Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes."
Paulo aos Corintios I 16:13



Vigilância de nossos atos é admissível.


Fé é baboseira, pois coloca a energia e a força do homem fora dele mesmo. E isso é uma enganação. Ninguém será melhor com ilusões.


A realidade pode ser dura, mas é a única maneira de facear a nossa caminhada existencial. De mentiras já estamos rodeados o tempo todo. Gente que te abraça falsamente. Elogia falsamente, ou com o objetivo de incitar o teu orgulho. E a única maneira de nos colocarmos distantes disso tudo é estar vigilantes. Analisar os
encarnados, nos valendo do mesmo critério usado para com os desencarnados, em nossas reuniões mediúnicas.


Note bem. Em última instância, somos todos espíritos. Dentro ou fora do corpo.


Essa concepção de imortalidade, nos leva a uma postura varonil; prefiro dizer positiva da vida. Uma compreensão da vida como um grande caminho, onde desafios são sempre colocados diante de nós, e a cada um deles sobrepujado nos sentimos mais fortes. Mais inteiros e mais capazes, para o enfrentamento de todos os próximos
embates.


E são os embates da vida, são as pedras do caminho, que nos ajudam a melhor caminhar.


Pobre daquele cuja vida fosse toda ela sem dificuldades. Perderia seu tempo. Viver é vencer para avançar.


_ Mas eu errei feio. - exclamaria um.


_ Problema não meu fio. Se o leite tá no chão prá que chorá? Vai e
ordenha a outra vaca. - responderia o sábio caipira.


Somos livres para errar à vontade. Mas livres também de ir aparando as arestas.


Se somos seres incompletos, é o buril da vida o grande instrumento, capaz de nos fazer vigorar entre as obras de arte do mundo. Não precisa ser um Gandhi, ou uma Madre Terersa de Calcutá. Basta ser um espírito em plena harmonia com a sua consciência.


Que felicidade maior?


Caminhar sim. Um pouco cada dia, e cada dia um pouco.


Paulo Cesar Fernandes

15 07 2013

domingo, 14 de julho de 2013

20130714 Jornada liberta

“Perguntou-lhe Jesus:
-Que queres que eu faça?
Anotação de Marcos 10:51



Muitas vezes temos nos colocado na posição de eternos pedintes. E muita gente vive nessa, buscando coisas fora de si mesmo.


Para com isso! O negócio é aqui na Terra mesmo, é conosco mesmo. Os males da Terra são para solução na mesma Terra. Não tem Céu, não tem esse negócio de facilidades para quem não se cultiva. Não tem salvador nem nada disso, é pegar as rédeas do destino e tocar a vida.


Dentro ou fora da carne é indiferente, nosso equilíbrio e bem estar será o mesmo. Se buscamos um patamar de vida condizente com nossa consciência, com nossas mais profundas buscas, e isso nos vai fazendo feliz em nossa presente encarnação, nada será diferente no momento do corpo não mais nos permitir a manifestação.


Vamos nos desligar do corpo e pronto. Simples assim.


Eu penso que terei gratidão pelo corpo. Através dele prenetrei universos de grande beleza. Amei e demonstrei o meu amor da maneira mais sincera sempre. Bebi da seiva da vida tudo ofertado por ela. O corpo foi, e continua sendo, o meu instrumento de manifestação.


Sem ele não expressaria meu pensamento como agora o faço.


Nada peço À Vida, ou às Leis Naturais. Contrariamente, eu agradeço tudo quanto tenho recebido. Mais intensamente nos dois anos últimos, quando a arte e um conhecimento superior bafeja meu dia a dia. Não sem busca de minha parte; mas aí está, contribuindo para uma vivência mais séria e focada na espiritualidade (todas as coisas relativas à abstração do materialismo vigente na nossa sociedade).


Alguns podem me ver como um ET; ou, como já ouvi, como um monge. Nada disso. Tudo é sempre uma questão de escolha.


Tomo como exemplo uma banca de jornais e revistas, ou uma livraria. Não há leque mais amplo. Posso selecionar leituras abjetas, e plenas de violência sexual e física; e, por outro lado, posso selecionar um livro, cujo conteúdo, me leve a refletir sobre minha existência, de forma mais intensa e rica.


Levando em conta que somos o produto de nossos pensamentos. Nossos atos, todos eles, estarão pautados pelo universo mental criado por nós através das escolhas. Incluindo aí as escolhas de nossos próprios pensamentos, elementos de definição de nossas companhias espirituais.


Se vivo em prostíbulos. Espíritos vinculados às sensações da sensualidade lá estarão, sempre em busca do que tanto procuram.


Nos bares não é diferente. Encontraremos espíritos vinculados ao alcool e às conversas próprias desse ambiente.


Tudo na vida gira em torno de energias.


Por vezes, um ambiente mental desagradável, se "trata" com uma música de padrão energético positivo. Indutora de outro tipo de pensamentos.


Se o espírito é uma das forças da natureza, tal como preconiza Kardec em "O que é o espiritismo", a arte é a força dinamizadora desse mesmo espírito. Partindo da música, e se espraiando para as demais formas de manifestação, é através da arte com "A" maiúsculo, a movimentação de energias capazes de reverter positivamente todo o clima de um ambiente.


Como em tudo, compreender e sentir as manifestações artísticas, requer do homem uma busca. Coisa nem sempre encontrada em nosso mundo.


Mas cada qual faz a rota de sua viagem pela Terra. E o mais bonito: todos os roteiros levam ao progresso do espírito, inevitavelmente.


Não tem certo! Não tem errado! Temos sim é muita vida pela frente.


Paulo Cesar Fernandes

14 07 2013


Nota:

O que é o espiritismo - Capítulo II

NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO

18. Os Espíritos estão em toda parte, ao nosso lado, acotovelando-nos e observando-nos sem cessar. Por sua presença incessante entre nós, eles são os agentes de diversos fenômenos, desempenham um papel importante no mundo moral, e, até certo ponto, no físico; constituem, se o podemos dizer, uma das forças da Natureza.