quarta-feira, 22 de julho de 2015

20150722 O Bem e a decisão

O Bem e a decisão




O Bem brota de dentro para fora do Ser. Assim sendo, todas as religiões são boas, pois todas elas concitam o homem à Solidariedade ao amor ao próximo, e à busca do Bem.


O processo de chegar a essa meta é individual. Processo difícil e lento; exige um longo despojar do homem velho, para pouco e pouco fazer nascer o Homem Novo proclamado por tantos idealistas de todos os tempos neste nosso Planeta Terra.


Desde Sócrates, Platão e Aristóteles até Kant, Hegel, Martin Heidegger e Nietzsche há sempre uma busca de direcionamento do homem, nos seus pensamentos e atos, para algo mais sutil e espiritual.


A forte oposição de Heidegger à tecnologia não era uma oposição ao progresso; mas ao deslocamento do foco de todos os homens para coisas distantes do Ser. E com acerto Heidegger percebia a essência de tudo como o Ser. 


Somos todos Seres em última instância.


E seres em processo de progresso ou evolução; segundo compreendi nas obras de Hegel, me referindo aqui à "Enciclopédia das Ciências Filosóficas em epíteto" e "Fenomenologia do Espírito" mais especificamente.



Todos os pensadores acima propuseram o Bem; da mesma forma, as religiões assim o fizeram e fazem.


Não nos faltam elementos. Estar no Bem, progredir, evoluir é, sem sombra de dúvidas, uma questão de Tomada de Consciência, tal qual nos ensinava, e ensina o Professor Herculano Pires.


E esse ponto de inflexão na vida é totalmente individual. Decisão e escolha pessoal.


Somos Livres!


Faremos essa escolha, tomaremos ou não essa decisão, no momento mais propício e segundo critérios individuais de percepção da vida. Nada e ninguém nos obriga. Nem pode ousar a isso.


Somos os diretores do filme da nossa existência, lidamos com o roteiro a nosso bel prazer; nunca atendendo a observações de outras pessoas; para cada TAKE tomamos como valor maior os ditames da nossa consciência.


E essa consciência sempre estará vinculada ao progresso intelecto-moral por nós atingido. 


Cada um de nós tem o próprio patamar de evolução, e a liberdade de acatar ou não os ditames de uma religião para a senda do seu progresso. 


Se vamos usar as religiões ou a filosofia é meramente uma questão de escolha. Cada um sabe de si.



Paulo Cesar Fernandes

22/07/2015 

terça-feira, 14 de julho de 2015

20150705 Forma Operacional do Pensar

Forma Operacional do Pensar




Me perdoem, mas não me posso furtar a algumas reflexões ativas nos tempos últimos. Sobre a nossa essência e o modus operandi de cada um de nós. 


Nós, nos comunicamos por uma linguagem ordinária (no seu sentido de simples, de comum, sem desvaloração da mesma): português; inglês; espanhol; francês; etc.


Esta é uma forma já traduzida dos nossos pensamentos. Estes, segundo venho pensando, se desenvolvem em pacotes (packages), onde se mesclam uma série de itens: elementos racionais; sentimentos; sonhos; aspirações; ânsias diversas. Todos aspectos conscientes ou inconscientes. Dentre os inconscientes figurando os do Inconsciente Pessoal e os do Inconsciente Coletivo, ambos formulações de Carl Gustav Jung, discípulo de Freud.


Queiramos ou não, a cada momento de elaboração mental, forjamos novos pacotes de informações; traduzidos ou não, segundo as circunstâncias e as conveniências, para a linguagem ordinária visando a exteriorização de uma ideia ou um conceito por nós elaborado.


O espírito é pensamento. Dessa forma não tem uma linguagem ordinária para pensar. Ele simplesmente pensa, se valendo daquela série de elementos acima citados. Quando da necessidade de exteriorizar suas elaborações mentais, aí sim busca uma linguagem de seu interesse para tanto. Assim sendo, um intelectual no domínio de diversos idiomas faz suas conferências segundo o público para o qual vai se dirigir. Se vale da língua mais próxima ao público alvo.


Dizem sempre operarmos matematicamente em nossa língua 
natural, aquela na qual fomos criados. Que dizer de crianças nascidas numa família onde dois ou mais idiomas são naturalmente usados? Cai por terra tal mito.


O Pensamento é, com seus pacotes, um processo de pré-elaboração racional. Ao raciocinarmos, trabalhamos os pacotes do pensar sem uma determinada codificação; efetivamente não é uma linguagem. Podemos muito bem transmitir toda uma ordem lógica através de elementos icônicos. Que é uma animação afinal?


A linguagem é, em geral, a forma final de todo um processo do nosso "criar o pensar". Tudo se organiza, dentro de nós; espíritos, para desaguar numa linguagem. Seja uma linguagem falada; escrita; ou mesmo semiótica, onde os signos nos determinam caminhos ao raciocínio, chegando a resultados muitas vezes admiráveis.


Sempre fomos levados a pensar a linguagem tão somente a fala e a escrita; e ponto final! Mas não é exatamente assim. O universo do saber, e da Arte, nos abre outras tantas possibilidades de expressão desses pacotes de elementos elaborados a cada novo momento; a cada novo desafio a nós apresentado. E usamos ou não essas outras tantas formas de apresentar o que vai em nós segundo nossas possibilidades.


Vamos pensar na telepatia? Que transita nesse processo? Palavras ou pacotes de ideias, sensações e sentimentos?


E numa relação mediúnica? Na qual o médium é falante nativo de uma determinada língua, o espírito de outra completamente diferente; e apesar de algumas dificuldades naturais a comunicação se dá a contento. Pode ter ocorrido um ditado letra a letra. Mas é comum o médium se ver até com dificuldade em registrar as coisas, tal o fluxo de ideias do espirito. Nesse tipo de comunicação o espírito faz a transmissão no estágio pré-Razão, sem ter transposto para nenhum idioma, sendo captado pelo médium em seu estado bruto, por este elaborado segundo sua cultura e sua integração com o espírito comunicante. Nisso a confiança mútua é fator determinante.


Me parece necessário pensar nos pacotes de elaboração e reelaboração dos nossos pensamentos. Esse diálogo interno capaz de nos iluminar diversas ideias. Esse confronto de uma ideia e sua contraproposta, gerando como resultado um novo elemento. Isso nem sempre ocorre através do uso de uma linguagem nativa de qualquer ordem. Os pensamentos contraditórios se sucedem e criam pacotes inusitadamente novos. A ser ou não propostos a um público segundo as necessidades e interesses do autor.


Proponho essa Forma Operacional do Pensar como uma teoria tão somente. E como toda Teoria sujeita a seus contraditores e seus adeptos. 


Eu nunca tinha pensado como pensamos. 


A maneira como se comporta nossa forma de pensar. Estou com isso apostando na possibilidade de nosso pensamento agregar ainda elementos semióticos e/ou semiológicos (alguns autores sustentam a igualdade dos dois conceitos e outros os diferenciam, eu não tenho posição firmada no momento).


Penso ser possível trabalharmos com um conjunto de imagens capazes de se contrapor umas às outras, ou mesmo se reforçarem mutuamente; tendo como resultante uma ideia, um conceito. Estes sim, mais próximos da corrente da linguagem.


Que me levou a trazer essa ideia de metapensamento?


O fato das muitas criações da humanidade: na Ciência; na Arte; na própria renovação das concepções religiosas, terem nascido em momentos de Consciência Não Ativa. Nos momentos de devaneios; de apartamento total da Racionalidade Ocidental. A Razão Científica. A Razão Filosófica, caso não concebamos a Filosofia como uma ciência. A Ratio Religiosa aí se enquadra, e aqui penso em Lutero e Calvino, precursores da Escola Protestante do 
pensamento. Conclamo a todos se permitam momentos de devaneios, não se arrependerão.


O devaneio é o prenúncio de toda a Criação.


Paulo Cesar Fernandes

05/07/2015

20150714 Devaneios em nossa vida




A quem não ocorreu a solução de problemas, exatamente naqueles momentos de maior devaneio, ou em meio da noite?


Qual de nós, ao deixar um problema no mais puro repouso, não teve um insight "solucionático" para tal problema?


Verdade, o espírito não descansa. Mas, por outro lado, o aplacar da Racionalidade abre espaço ao surgimento das soluções.


Mas de onde emergem tais soluções? Essa é a questão.


Por que motivo ela nos acorda no meio da noite se entregando assim, de forma tão simples?


Ou invadindo, como uma torrente, os momentos do nada se apoderando de nós, os momentos meditativos mais serenos, momentos de um quase não existir.


Esses momentos são, de forma geral, os momentos de acesso a estruturas ancestrais de conhecimento. Trazemos ao presente, isto é, "presentamos" progressos e vivências pessoais de momentos ancestrais; ou, ainda mais forte, trazemos a carga de ancestrais 
civilizações nas quais tenhamos tido experiências.


Onde fica isso? No inconsciente.


Para Carl Gustav Jung há distinção entre o Inconsciente Pessoal e o Inconsciente Coletivo.


Sendo o espírito uma unidade, capaz de vivenciar oportunidades em diversos momentos históricos; bem como nas mais diferentes regiões geográficas da Terra. Nele tudo se concentra. É o ponto focal de todo o conhecimento acumulado.


Esse conhecimento não está vivo em tempo de consciência ativa. Mas não deixa de estar registrado em algum lugar. O lugar que Freud e seus seguidores resolveram chamar de inconsciente. Aquilo que não aflora à consciência em nossa vida de relação. É isso.


A Arte inclusive tem muito disso. O músico por exemplo, se projeta fora de si em momentos em que nada existe, a não ser a obra na qual está trabalhando. A dimensão temporal perde o sentido. É um mecanismo de acesso a coisas muito profundas e aparentemente sem lógica explicação.


Estou abstraindo de minha análise a possibilidade mediúnica, uma realidade a meu ver. Não é disso que trato aqui.


Meu foco é a criação do artista. Um ator, ao interpretar um personagem como Giordano Bruno, por exemplo. Não pode ele trazer algo de uma experiência tida nessa mesma época de 1600?


Um interprete de J. S. Bach, em sua fidelidade à obra, não pode nesse momento de execução trazer algo do mais profundo de si para o palco?


Heitor Villa-Lobos, ao escrever as Bachianas Brasileiras, não estaria imbuído do sentir de uma época remota de suas pessoais 
experiências. Não seja ele mesmo a reencarnação de Bach. Mas tenha vivido na Áustria de remotos tempos?


Somos todos velhos espíritos, e nunca sabemos quais caminhos marcaram nossas experiências mais importantes. Que espaço geográfico habitamos. Quais áreas do saber nos foram mais próximas. O rio do esquecimento nos apaga tudo.


E a Racionalidade Ocidental reforça esse apagar.


Mas será capaz disso? 


A intuição está sempre ao nosso lado, para nos permitir um acesso mais amplo a coisas não imaginadas por nós, em tempos recentes 
até.


Por mais "formatados" tenhamos sido para a mentalidade científica e racional, um momento de relaxamento nos virá ao encontro, nesse momento será a voz da intuição a ecoar em nós, trazendo indicativas do caminho a seguir. E acredite. O inconsciente tem sua sabedoria, e vale a pena confiar nele.


Não apenas Jung, mas Gustave Geley nos apontam elementos importantes vindos das profundezas da alma. Nas primeiras décadas do século passado esta foi a proposta de Jung. E ainda hoje, o homem moderno e pós-moderno se defronta com a mesma dificuldade de aplacar sua mentalidade científica, sua racionalidade. Motivo de parte dos seus sofrimentos.


O restante dos sofrimentos são provenientes de anseios infantis não realizados.


Ouvir o mundo interior, se livrar das ilusões; me parece ser um bom inicio para uma relação harmoniosa consigo mesmo.


Paulo Cesar Fernandes

14/07/2015  

terça-feira, 7 de julho de 2015

20150707 Acerca do Viver

Viver


Quando a vida te trouxer a tristeza, e ela vai te trazer algum dia, não te deixes dominar por ela (a tristeza). Só existe ela para nos testar, para ver a margem de forças dentro de nós, o quanto somos capazes de nos sobrepor aos ventos adversos. E somos capazes.


Quando menos se espera uma pessoa amiga chega em nossa casa. E traz ela uma dor tão profunda que somos obrigados a nos fazer mais fortes, para poder ajudar de alguma forma. Ali se apresenta uma emergência vital. E não temos o direito de ser fracos nessa hora.


E nos fazemos fortes, e ajudamos, e falamos, e acolhemos trazendo coisas do mais fundo dos nossos corações. A pessoa se vai reconfortada e com um olhar diferente, quase alegre. Nesse momento chega a leveza em nossa alma.


Os ventos bravios se fazem calmaria. A Paz tão buscada retorna em nós, espírito viajante de tantas romagens e de tantos momentos dispares.


Uma vez mais a vida nos deu oportunidade de ser útil. E não nos negamos a isso. Fomos o servidor fiel das palavras milenares nos concitando ao Bem.


São muitas as sementes em nossas mãos e o campo é imenso. Basta saber se estamos aptos a abrir a mão, e lançar as sementes, para que abundantes colheitas se possam ver no futuro próximo e nas gerações futuras.


Milhares são as formas de servir. Basta escolher!


Paulo Cesar Fernandes.

07/07/2015

domingo, 5 de julho de 2015

20150705 Eu falo aos espíritas




REVISTA ESPIRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

6a ANO NO. 3 MARÇO 1863


A LUTA ENTRE O PASSADO E O FUTURO.




Uma verdadeira cruzada ocorre neste momento contra o Espiritismo, assim como isso nos foi anunciado; de diversos lados se nos assinalam escritos, discursos e mesmo atos de violência e de intolerância; todos os Espíritas devem se alegrar com isso, porque é a prova evidente de que o Espiritismo não é uma quimera. Fariam tanto barulho por uma mosca que voa?

O que excita, sobretudo, essa grande cólera é a prodigiosa rapidez com a qual a ideia nova se propaga, apesar de tudo o que se fez para detê-la. Também nossos adversários, forçados pela evidência de reconhecer que esse progresso invade as classes mais esclarecidas da sociedade e mesmo os homens de ciência, se reduziram a deplorar esse arrastamento fatal que conduz a sociedade inteira aos manicômios. A zombaria esgotou seu arsenal de piadas e de sarcasmos, e essa arma, que se diz tão terrível, não pôde colocar os galhofeiros de seu lado, prova de que não tem matéria para rir. Não é menos evidente que ela não tirou um único partidário à Doutrina, longe disso, uma vez que aumentaram a olhos vistos. A razão disso é bem simples: reconheceu-se prontamente tudo o que há de profundamente religioso nessa Doutrina que toca as cordas mais sensíveis do coração, que eleva a alma para o infinito, que faz reconhecer a Deus àqueles que o tinham desconhecido; ela arrancou tantos homens ao desespero, acalmou tantas dores, cicatrizou tantas feridas morais, que os tolos e os chatos gracejos derramados sobre ela inspiraram mais desgosto do que simpatia. Os zombadores em vão se incomodaram sem proveito para fazer rir às suas custas; há coisas das quais, instintivamente, sente-se que não se pode rir sem profanação.


No entanto, se algumas pessoas, não conhecendo a Doutrina senão pelos gracejos sem graça, puderam crer que não se tratava senão de um sonho oco, de elucubração de um cérebro danificado, o que se passa é bem feito para desenganá-los. Ouvindo tantas declamações iradas, devem dizer a si mesmo que é mais sério do que não pensavam. A população pode se dividir em três classes: os crentes, os incrédulos e os indiferentes. Se o número dos crentes centuplicou depois de alguns anos, isso não pode ser senão às custas das duas outras categorias. Mas os Espíritos que dirigem o movimento acharam que as coisas não iam ainda bastante depressa. Há ainda, disseram a si mesmos, muitas pessoas que não ouviram falar do Espiritismo, sobretudo no campo; é tempo de que a Doutrina ali penetre; além disso, é preciso despertar os indiferentes adormecidos. A zombaria fez seu trabalho de propaganda involuntária, mas tirou todas as flechas de seu estojo, mas as setas que ela dispara ainda são menos cortantes; é um fogo muito pálido agora. É preciso alguma coisa mais vigorosa, que faça mais barulho do que o tinir dos folhetins, que repercuta mesmo nas solidões; é preciso que a última aldeia ouça falar do Espiritismo.


Quando a artilharia voltar, cada um se perguntará: O que há? e quererá ver.


Quando fizemos a pequena brochura: O Espiritismo em sua mais simples expressão, perguntamos aos nossos guias espirituais que efeito ela produziria. Foi-nos respondido: ela produzirá um efeito ao qual não esperas, quer dizer, teus adversários ficarão furiosos em ver uma publicação destinada, pelo seu extremo preço pouco elevado, a ser difundida em massa e penetrar por toda a parte. Anunciado te foi um grande desdobramento de hostilidades, tua 
brochura dele será o sinal. Não te preocupes com isso, conheces o fim. 


Eles se irritam em razão da dificuldade em refutar teus argumentos. - Uma vez que assim é, dissemos, essa brochura, que deveria ser vendida por 25 centavos, será dada por duas moedas. O acontecimento justificou essas previsões, e disso nos felicitamos. Tudo o que se passa, aliás, foi previsto e deveria ser para o bem da causa. Quando virdes alguma grande manifestação hostil, longe de vos amedrontar com ela, alegrai-vos, porque foi dito: o estrondo do raio será o sinal da aproximação dos tempos preditos. Orai então, meus irmãos; orai sobretudo pelos vossos inimigos, porque serão tomados de uma verdadeira vertigem.


Mas nem tudo ainda se cumpriu; a chama da fogueira de Barcelona não subiu tão alto. Se ela se renova em alguma parte, guardai-vos de extingui-la, porque ela se elevará mais, semelhante a um farol, será vista de longe, e ficará na lembrança das idades. Deixai, pois, fazer e em nenhuma parte oponde a violência à violência; lembrai-vos de que o Cristo disse a Pedro para guardar sua espada na bainha. Não imiteis as seitas que se entredilaceraram em nome de um Deus de paz, que cada um chamava em ajuda aos seus furores. A verdade não se prova pelas perseguições, mas pelo raciocínio; as perseguições, em todos os tempos, foram a arma das más causas, e daqueles que tomam o triunfo da força bruta pelo da razão. A perseguição é um meio mau de persuasão; pode momentaneamente abater o mais fraco, convencê-lo, jamais; porque, mesmo na aflição em que o tiver mergulhado, exclamará, como Galileu em sua prisão: e pur si muovel Recorrer à perseguição é provar que se conta pouco com o poder de sua lógica. Não useis, pois, de represálias: à violência oponde a doçura e uma inalterável tranqüilidade; restitui aos vossos inimigos o bem pelo mal; por aí dareis um desmentido às suas calúnias, e forçá-los-eis a reconhecer que vossas crenças são melhores do que eles dizem.


A calúnia! direis; pode-se ver com sangue frio nossa Doutrina indignamente deturpada por mentiras? acusada de dizer o que não disse, de ensinar o contrário do que ela ensina, de produzir o mal ao passo que não produz senão o bem? A própria autoridade daqueles que têm uma tal linguagem não pode dobrar a opinião, retardar o progresso do Espiritismo?


Incontestavelmente está aí seu o objetivo; atingi-lo-ão? é uma outra questão, e não hesitamos em dizer que chegam a um resultado todo contrário: o de se desacreditarem e à sua causa. A calúnia, sem contradita, é uma arma perigosa e pérfida, mas tem dois gumes e fere sempre aquele que dela se serve. Recorrer à mentira para se defender é a mais forte prova de que não se tem boas razões para dar, porque, tendo-as, não se deixaria de fazê-las valer. Dizeis que uma coisa é má, se tal é vossa opinião; gritai-o sobre os telhados, se bom vos parece, cabe ao público julgar se estais no erro ou na verdade; mas deturpá-la para apoiar vosso sentimento, desnaturá-la, é indigno de todo homem que se respeita. Nos relatórios das obras dramáticas e literárias, vêem-se freqüentemente apreciações muito opostas; um crítico louva exageradamente o que um outro achincalha: é seu direito; mas o que se pensaria daquele que, para sustentar a sua censura faria o autor dizer o que não disse, lhe emprestaria maus versos para provar que sua poesia é detestável?


Ocorre assim com os detratores do Espiritismo: pelas suas calúnias mostram a fraqueza de sua própria causa e a desacreditam fazendo ver a que lamentáveis extremismos são obrigados a recorrer para sustentá-la. De que peso pode ser uma opinião fundada sobre erros manifestos? De duas coisas uma, ou esses erros são voluntários, e então se vê a má fé; ou são involuntários, e o autor prova sua inconsequência falando do que não sabe; num e noutro caso perde todo direito à confiança.


O Espiritismo não é uma Doutrina que caminha na sombra; ele é conhecido, seus princípios são formulados de maneira clara, precisa, e sem ambiguidade. A calúnia, pois, não poderia atingi-lo; basta, para convencê-la de impostura, dizer: lede e vede. Sem dúvida, é útil desmascará-la; mas é preciso fazê-lo com calma, sem aspereza nem recriminação, limitando-se a opor, sem discursos supérfluos, o que é do que não é; deixai aos vossos adversários a cólera e as injúrias, guardai para vós o papel da força verdadeira: o da dignidade e da moderação.


De resto, não é preciso exagerar as conseqüências dessas calúnias, que levam consigo o antídoto de seu veneno, e são em definitivo mais vantajosas do que nocivas. Forçosamente, elas provocam o exame de homens sérios que querem julgar as coisas por si mesmos, e nisso são excitados em razão da importância que se lhe dá; ora, o Espiritismo, longe de temer o exame, provoca-o, e não se lamenta senão de uma coisa, é que tantas pessoas dele falam como os cegos das cores; mas graças aos cuidados que nossos adversários tomam em fazê-lo conhecer, esse inconveniente logo não existirá mais, e é tudo o que pedimos. A calúnia que ressalta desse exame 
engrandece-o em lugar de rebaixá-lo. 


Espíritas, não lamenteis, pois, essas deturpações; não tirarão nenhuma das qualidades do Espiritismo; ao contrário, as farão ressaltar com mais estrondo pelo contraste, e se voltarão para a confusão dos caluniadores: essas mentiras, certamente, podem ter por efeito imediato enganar algumas pessoas, e mesmo desviá-las; mas o que é isso? O quê são alguns indivíduos perto das massas? Sabeis, vós mesmos, quanto o seu número é pouco considerável. 


Que influência isso pode ter sobre o futuro? Esse futuro vos está assegurado: os fatos realizados vos respondem por ele, e cada dia vos traz a prova da inutilidade dos ataques de nossos adversários. A doutrina do Cristo não foi caluniada, qualificada de subversiva e de ímpia? Ele mesmo não foi tratado como velhaco e como impostor?


Perturbou-se com isso? Não, porque sabia que seus inimigos passariam e que a sua doutrina ficaria. Assim o será com o Espiritismo. Singular coincidência! Não é outro senão o chamado à pura lei do Cristo, e é atacada com as mesmas armas! Mas seus detratores passarão; é uma necessidade à qual ninguém pode se subtrair. A geração atual se extingue todos os dias, e com ela vão os homens imbuídos dos preconceitos de um outro tempo; a que se ergue está nutrida de idéias novas, e sabeis, aliás, que se compõe de Espíritos mais avançados que devem fazer, enfim, a lei de Deus reinar sobre a Terra. Olhai, pois, as coisas de mais alto; não as vejais do ponto de vista restrito do presente, mais estendei vossos olhares para o futuro e dizei a vós mesmos: O futuro é nosso; que nos importa o presente! que nos fazem as questões de pessoas! as pessoas passam, as instituições ficam. Pensai que estamos num momento de transição; que assistimos à luta entre o passado que se debate e se coloca para trás, e o futuro que nasce e se coloca para adiante.


Quem levará a melhor? O passado é vicioso e caduco, - falamos das idéias, - ao passo que o futuro é jovem, e caminha para a conquista do progresso que está nas leis de Deus. Os homens do passado se vão com ele; os do futuro chegam; saibamos, pois, esperar com confiança e nos felicitemos por sermos os primeiros pioneiros encarregados de arrotear o terreno. Se temos o trabalho, teremos o salário. Trabalhemos, pois, não para uma propaganda colérica e irrefletida, mas com a paciência e a perseverança do trabalhador que sabe o tempo que lhe é preciso para chegar à colheita. Semeemos a idéia, mas não comprometamos a colheita por um ensinamento intempestivo e por nossa impaciência, antecedendo a estação própria para cada coisa. Cultivemos sobretudo as plantas férteis que não pedem senão produzir; são bastante numerosas para ocupar todos os nossos instantes, sem usar nossas forças contra rochas irremovíveis que Deus se encarrega de abalar e destruir, quando chegar seu tempo, porque se tem a força de elevar as montanhas, tem a de abaixá-las. Tiremos a figura, e digamos simplesmente que há resistências que seria supérfluo procurar vencer, e que se obstinam mais por amor-próprio, ou por interesse, do que por convicção; seria perder seu tempo procurar traze-los a si; não cederão senão diante da força da opinião. Recrutemos os adeptos entre as pessoas de boa vontade, que não faltam; aumentemos a falange de todos aqueles que, cansados da dúvida e assustados com o nada materialista, não pedem senão crer, e logo o número deles será tal que os outros acabarão por se render à evidência. Esse resultado já se manifesta, e esperai, dentro em pouco, a ver em vossa fileiras aqueles que nela não esperáveis senão os últimos.


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O texto diz tudo. Só pus em relevo as coisas que me tocaram mais profundamente.

Espero que nos ajude a todos.

Paulo Cesar Fernandes

05/07/2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

20150702 Kardec e a vida




    Quando Kardec fala aos confrades de outras localidades é quando mais eu aprendo, e quando mais visto a carapuça.  
    Agora falo aos espíritas. Me respondam. 
    Para que serve o espiritismo na tua vida?
    ...
    Se tiver dúvida procura a saudação que faz em Lyon quando de sua primeira visita.                               
    Estou neste ano de 1863. Espero poder ler todo o resto da coleção.                                                                                                                         Um trecho cada dia e cada dia um questionamento diferente. Não preciso acatar tudo que Kardec escreveu.                                     
    Ele viveu num contexto cultural muito distante do nosso, mas no que diz respeito às diretrizes existenciais, essas são imortais e atemporais.                                                                             Nos colocam a seguinte questão:                                                                               
    QUE FAZES DA TUA VIDA?                                        
    PC - 02/07/2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

20150628 O Bem

O Bem


O Bem é.

Assim sendo, não é patrimônio de ateus ou religiosos; não se situa em algum ponto geográfico do nosso planeta. Simplesmente é!


Sua única morada possível é o coração do homem, seu único fundamento é o Amor Maior; significando isto o amor por toda a humanidade, e capaz de se ampliar a toda a criação; inclusive fora do âmbito do nosso planeta. Há uma irmandade universal, e tomando a certeza de vários universos, mais amplo se torna o espectro.


E se a vida fora da Terra se revela uma realidade?


Vamos a encarar da maneira como faz nossa pobre produção ficcional? Tendo nos seres de outros planetas e galáxias a expressão da maldade?


Em geral projetamos nos outros os nossos defeitos. Assim preconiza a psicologia.


Os autores de roteiros cinematográficos, ao tratar do tema, projetam nos outros seres o seu interior, e tudo aquilo que os circunda.


Mas... E se o Bem for o elemento predominante nos outros planetas e galáxias?

Como ficará toda nossa ficção?


Eu aposto no Bem.

Não por outro motivo além da lógica. É de se imaginar, a evolução do aspecto científico correndo ao lado e em paralelo com o aspecto ético. Dessa forma, apenas atinge patamar científico avançado, uma civilização cujo senso ético se tenha desenvolvido. E a solidariedade lhes seja um elemento natural.


Assim, nada temos a temer do contato com seres de fora da Terra. Terão chegado a um patamar de afetividade e solidariedade capaz de nos trazer mais amplas possibilidades de evolução.

Estarão em contato conosco; sim, mas buscando ajudar a por fim na brutalidade ainda em nosso planeta presente. Afinal...

O Bem já lhes habita.


Paulo Cesar Fernandes

28/06/2015


P.S.: Este texto é uma resposta ao livro de Jung: "Um mito moderno sobre coisas vistas no céu". Embora tenha uma perspectiva diferente da terapêutica adotada por Jung. Não lida com sonhos, não ataca Freud, nada disso. O foco é o Bem e o estágio evolutivo dos planetas e galáxias espaço afora. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

20150610 Limites

Limites


A vida tem limites?

Respondo Sim. Se tomo como intervalo o espaço [Berço - Túmulo].


Mas se olho mais profundo, e meu foco é o Ser em sua plenitude, já não consigo olhar tão somente a vida. Me alço a patamares mais altos, me baseio na existência; esse fenômeno nascido no imemorial tempo de nossa criação como um nada existencial, desprovido de conteúdos; ou simples e ignorantes como alguns afirmam.


Mas que é essa existência que me falas? - algum poderia me interpor.


Nada mais e nada menos do espraiar do Ser num processo contínuo de agregação de novos elementos em si.


Inicialmente como ProtoEspírito e aprendiz, pela oportunidade de contato com a matéria; assim vai seguindo jornada sempre 
ascensional em complexidade e cognição.


Surge a capacidade de observação, propiciando a cópia de procedimentos, uma forma rudimentar de transmissão cultural. Como exemplo temos as aves; roedores e mamíferos diversos, até chegar ao nosso semelhante mais próximo: o chipanzé. Ainda isto na fase protoespiritual.


Disto chegamos ao pensamento contínuo. Ponto inicial de nossa caminhada ética. E de nossa jornada como espírito, onde se abre a possibilidade de expansão crescente da racionalidade; e, mais importante ainda, da sensibilidade em todas as suas formas de expressão: solidariedade; afetividade; paixões fulminantes; ódios cruéis; e toda uma ampla gama de formas de sentir, dentro do campo do sensível. Inclusive a sensibilidade artística.


Esta é uma longa fase e cheia de contradições; dificuldades; dramas; mas de possibilidades por outro lado.


É a fase da Tomada de Consciência de Si. Do Si Mesmo. O Eu. E de tudo aquilo fora de Si. O nãoEu.


Nosso confronto com tudo ao nosso redor é inominável. Percebemos, sabemos das coisas e...  Mas, em nosso concurso surge a linguagem, o discurso; capaz de ordenar o nosso pensar e dar-lhe uma forma completa e coerente; um todo coeso: nasce assim o conceito.


Para a definição dos Entes (seres e coisas) ao nosso redor é necessária a estruturação de conceitos e de nomenclaturas. Os nomes designam conceitos, capazes de nos ajudar a visualizar de imediato o Ente em questão. 


E vamos seguindo nos sabendo Ser-em-Si, e nos defrontando com o outro; um outro Ser-em-Si tal como nós.


E dessa relação, pode ou não nascer o desejo de dominação de um pelo outro. Ocorrendo tal confronto, um tem que ceder e se colocar sob o comando. Nascem o Dominador e o Dominado.


O fato ocorrido entre os indivíduos, se assemelha ao corriqueiro processo entre as nações, quando medem forças entre si.


Longe de ser malefícios, tais confrontos são promotores de progresso individual; ou mesmo do progresso de coletividades inteiras. Por mais doloroso seja, tanto no âmbito individual como no das sociedades ou nações.


Mas viver é progredir, ampliar formas de ver a si mesmo e aos demais. Um processo nascido no seio da família; abre espaço se voltando para a cidade na qual vivemos; e em sucessivas ampliações acaba por ter no amor à Humanidade: terrestre e universal (dos universos vários).


Se a vida é amor. Gerada pelo amor, fortalecida apenas no amor; essa vida não pode enfrentar barreiras ou limitações de qualquer ordem.


Nessa perspectiva se insere a plena e total Liberdade do Ser. Quando a racionalidade sensível comandar o homem todos os sonhos serão realizados, pois teremos posto abaixo o egoísmo escravizante de nossa era. Chegando finalmente no Amor Maior, o Amor por toda a Humanidade.


Somos todos iguais. Da Criação à Sabedoria percorremos semelhantes roteiros, com variações já previstas na Leis Naturais ordenadoras da vida material e da vida ética.


Esta é a fase dos voos mais amplos e da Felicidade mais profunda. Não mais teremos limitantes ao nosso progresso intelecto-ético ou intelecto-moral.


Um futuro muito melhor espera por todos nós!


Paulo Cesar Fernandes


10/06/2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

20150609 Tentação

Tentação


"Não nos deixe cair em tentação
 E liberta-nos de todo mal."


Mas então o trabalho contra as tentações, se tentações houver; e a luta contra o Mal é tarefa para algo exterior a nós? Nós nada temos a ver com isso?

Essa tradução está mal feita. Tem algo de errado aí.


Que mérito terei eu em vencer as dificuldades a enfrentar? 

Nenhum? 


Não caio nessa e não vou por aí. 


Eu arregaço as mangas, me ponho no espelho vendo meus defeitos, os encarando de frente. Não estão fora de mim, são atributos positivos ou negativos de minha personalidade.  


Sanar os defeitos. Como posso atribuir a outrem uma tarefa unicamente minha? 


O meu progresso cabe a mim unicamente. Se derrotado, serei o único responsável por isso. Por outro lado, a cada vitória sobre um defeito meu eu posso comemorar, me sentir feliz por ter dado um passo a mais. Tenho o mérito mesmo.


É verdade ser longa a jornada e o caminho consta de algumas pedras de tamanhos diversos. As menores as chutamos; algumas as afastamos com as mãos, e outras ainda damos a volta ao seu redor por serem imensas. Mas seguimos na estrada. Melhor ainda quando temos claro o roteiro e a meta a alcançar. Os obstáculos e desafios nos fazem mais fortes e mais autoconfiantes. 


Podemos errar. Sim. Temos liberdade para isso. Ninguém, salvo nós, pode cobrar nada. Em nosso tempo o homem chegou ao momento maior da liberdade individual.


Quando eu digo: "Livre de tudo e de todos." Expresso o nosso tempo. 


O Ser é. E na Liberdade Plena se realiza. Sendo assim livre, se preocupa em não ferir seu semelhante. Se solidariza com a dor do semelhante. Se humaniza. Sim, a Liberdade humaniza, pois traz ao Ser uma nova forma de sentir a Si Mesmo e de perceber no outro, um Si Mesmo semelhante a ele. Dois seres livres não se 
confrontam, pois não sentem desejo de dominação.

A dominação é tipica de seres aprisionados por alguma ortodoxia. Os livres o são inclusive das ortodoxias todas, e das religiões, e das instituições. 


Quando o Ser toma consciência de Si e de sua Liberdade, novas ocupações chegam a si. Ocupações mais intensas e altruístas. Esquece o próprio umbigo, se volta para a humanidade. Sem perder a individualidade se integra de forma militante na Humanidade, sendo a Solidariedade e a Fraternidade desdobramentos naturais de todo esse processo.


Portal Fernandes

09/06/2015

sábado, 9 de maio de 2015

20150509 Algo de Carl Gustav Jung

Algo de Carl Gustav Jung


Trazido de "Um mito moderno sobre as coisas vistas no céu".




O livro todo trata dos OVNI (objetos voadores não identificados) e dos impactos destes objetos; quer reais, quer apenas no psiquismo das pessoas. Muitas vezes de apresentando através de sonhos com 
objetos de forma circular ou em forma de charuto. Nas décadas de 60 e 70 era uma questão em voga e Jung não fugiu ao tema. 

Todo este livro e toda a obra de Jung nos remete à espiritualidade na forma como a tenho proposto: abstração da materialidade.

_ Velho, ei velho! Deixa o Jung falar de uma vez.

_ OK. São dois itens apenas. Vamos a eles:

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676 A advertência de "permanecer embaixo" provocou, na nossa época, uma variedade de preocupações teológicas. 

Teme-se, pois, que a psicologia, que aqui entra em questão, provoque um afrouxamento da postura ética. 

Porém a psicologia nos proporciona, em primeiro lugar, um conhecimento claro, não só do mal, como também do bem. Desta forma, o perigo de se entregar ao mal é menor do que quando se está inconsciente dele. 

Para conhecer o mal, nem sempre se precisa da psicologia. Quem anda pelo mundo com os olhos abertos não pode ignorá-lo; nem cai num buraco tão facilmente quanto um cego. 

Assim como, do ponto de vista teológico, a pesquisa do inconsciente é suspeita de gnosticismo, da mesma forma, a sua problemática ética é suspeita de antinomismo e libertinismo. 

Ninguém supõe de sã consciência que depois de uma profunda confissão dos seus pecados, e conseqüente arrependimento, jamais volte a pecar. Pode-se apostar mil contra um que, num piscar de olhos, estará pecando novamente. 

Um conhecimento psicológico mais profundo demonstra até que não se pode viver sem pecar - "cogitatione, verbo et opere" (por pensamentos, palavras e obras). Só uma pessoa altamente ingênua e inconsciente pode presumir ser capaz de escapar ao pecado. 

A psicologia não se pode permitir mais semelhantes ilusões infantis, mas tem que obedecer à verdade, e até constatar que a inconsciência não somente não é uma desculpa, como, até mesmo, um dos piores pecados. A justiça humana pode até livrá-la da punição, mas, muito mais impiedosamente, vinga-se a natureza, que não se preocupa se se está consciente da culpa, ou não. 

Através da parábola do administrador infiel, podemos até mesmo saber que o senhor da casa elogiou o criado que lhe apresentou um balanço falso, por ter "agido ponderadamente", sem falar daquele 
trecho (excluído) em Lucas 6, onde Cristo diz àquele que violou o sábado: "Se sabes o que fazes, então, és bem-aventurado" (Evangelho apócrifo), etc.



677 Um maior conhecimento do inconsciente equivale a uma vivência mais ampla e a uma conscientização maior, e, por isso, nos proporciona aparentemente novas situações que exigem decisões éticas. 

Estas, por certo, sempre existiram, mas foram intelectual e moralmente captadas de forma menos apurada e, muitas vezes, intencionalmente deixadas na penumbra. 

De certa forma, arranjamos com esta indiferença um álibi, e assim podemos fugir de uma decisão ética. Mas, se alcançamos um autoconhecimento mais profundo, muitas vezes nos defrontamos com os problemas mais difíceis, ou seja, com as colisões de deveres, que simplesmente não podem ser decididas por nenhum parágrafo, nem do Decálogo, nem de outras autoridades. 

Aliás, é só a partir daqui que as decisões éticas começam, pois o simples cumprimento de um "tu não deves..." codificado está longe de ser uma decisão ética; é simplesmente um ato de obediência, e, em certos casos, até uma saída cômoda, que com a ética só se relaciona de forma negativa. 

Durante minha longa experiência, não enfrentei nenhuma situação que me tivesse sugerido uma negação dos princípios éticos, ou sequer uma dúvida a este respeito; ao contrário, conforme aumentaram a experiência e o conhecimento, o problema ético tomou-se mais premente e a responsabilidade moral se acentuou. 

Para mim, ficou claro que, contrariamente à compreensão geral, a inconsciência não representa uma desculpa, mas é muito mais um delito, no sentido próprio da palavra. Apesar de já se aludir a este 
problema no Evangelho, como foi mencionado, a Igreja não o tem levantado, por motivos compreensíveis, deixando-o, para que o gnosticismo se dedique a ele mais seriamente. Apoiamo-nos na doutrina da "privatio boni" e acreditamos saber com isso o que é bom e o que é mau; a decisão verdadeiramente ética, ou seja, livre, é substituída pelo código moral. Desta forma, a moralidade resvala para o comportamento de fidelidade às leis e a "felix culpa" permanece um assunto do paraíso. 

Admiramo-nos com a decadência ética do nosso século e contrabalançamos a estagnação, neste campo, com o progresso da ciência e da tecnologia. Mas não refletimos que, com tantas diretrizes morais, o ethos tem sido esquecido. Mas, o ethos é um assunto difícil que não se pode formular nem codificar, pois faz parte daquelas irracionalidades criativas, sobre as quais qualquer progresso verdadeiro está fundamentado. Ele solicita o homem todo, e não somente uma função diferenciada.


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Evidentemente não concordo com a existência do pecado. Se proponho o Espiritismo Libertário; a noção de pecado deitaria por terra toda a Liberdade que prego, tanto para o espírito encarnado, bem como para o desencarnado. Nada e ninguém pode ou deve interferir em nossa trajetória, em nossa livre determinação de escolha dos "pensamentos, palavras e obras" como dito por Jung.


Temos o direito de errar, tanto quanto nos possa aprouver. Sem castigo possível ou provável. A ruptura do erro, apenas se dará no momento, do aparecimento do processo de tomada de consciência de quem somos nós, e do estabelecimento de nossas metas enquanto espíritos imortais.


Quem sou eu?

Por que motivo eu estou nesta Terra afinal? Para que facear com tanta violência e tanta iniquidade?

Que tenho eu a ver com isso tudo? Como essa gente se mata e morre sem razão? Como essa gente negocia armas? Que senso há nisso?

Qual a minha tarefa? Qual a minha mais profunda aspiração diante do quadro geral da humanidade?

A Humanidade é isso mesmo?



Evidentemente são questionamentos feitos por muitas pessoas inteligentes e sensíveis ao nosso entorno.

Muitos porém, passam pelo mundo enceguecidos por afazeres outros, materiais tão somente. Algo natural numa sociedade competitiva como a nossa. E todos tem total liberdade de escolha. Total eu disse.

Não há e nem pode haver um juiz a julgar as tuas ou as minhas atitudes. 

Não cabe no nosso tempo. E ponto final.

Passar pelo mundo tal qual trator, e não ver a lágrima nos olhos dos nossos semelhantes é uma decisão pessoal; e muitas vezes nada há de intencional, tudo já veio assim do seio da família ao qual está vinculado o espírito. E ninguém tem nada com isso.

O processo de autodescoberta e de autocorreção é solitário como nenhum outro deste mundo. Somos sós. Não há possibilidade de ninguém por nós o fazer.

Mas uma coisa é alvissareira: obedece à Lei da Inércia. 

Se estamos fora do processo por inconsciência, seguimos dessa forma. Inconscientes e na maior inocência. Ao acordar porém, e apertar o botão de START passa-se a um quefazer acumulativo de vitórias e derrotas; mas sempre na busca de um novo acerto. 

Um erro. A este erro se opõe a percepção do mesmo. Como elemento de síntese, temos a campainha ligada para não voltar ao mesmo erro. Mas, como afirma o texto não estamos nunca convictos de acertar na oportunidade seguinte. A Vida nos provê do tempo, e assim seguimos no processo progressivo ou evolucionário. Ad eternum!

O mais positivo em tudo isso é que todos chegaremos ao movimento na inércia. Afinal, quem fica parado é poste.

Mais cedo ou mais tarde. Num momento qualquer, acordamos diferentes; revisando valores; ordenando o tempo; repensando sentimentos; ajustando-nos mais e mais às Leis Naturais.


Viver é isso!


Paulo Cesar Fernandes

09/05/2015 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

20150506 Outros tempos

Outros tempos


Olhando o mundo tal como se apresenta há muito a pensar.
Como chegamos a tal ponto?

Onde a guerra e a violência vencem a cada dia, onde o desamor e o desvinculo com os semelhantes é cada vez mais forte.

Onde pequenas coisas nos trazem emoções em desequilíbrio.

Venho apostando na ideia de falta espiritualidade ao mundo. E tenho por espiritualidade não somente as religiões, mas tudo aquilo capaz de nos levar a um abstrato pensar. Nesse sentido diversas 
áreas nos levam ao proposto por mim como espiritualidade: estudar as ciências naturais; a matemática; a física; sociologia; filosofia; a antropologia das religiões todas; e por aí vamos num sem número de possibilidades.

Unir os povos de todo o mundo. Somos todos iguais. Sentimos as mesmas dores com a morte dos nossos, a mesma alegria ao encontrar um grupo cujas ideias se somem às nossas; o nascimento de uma criança nos traz alegria e esperanças renovadas na maior parte dos países conhecidos. Que irracionalidade a violência!

Não. Se bem pensarmos não há fronteiras ao coração. Penso agora nos Médicos sem Fronteiras. Uma pura demonstração de amor e desprendimento.

Quando um pensar firme nos norteia a vida, nossas relações são mais afetuosas. Eu tomo como exemplo a carta a seguir. Trazida da Revista Espírita de Allan Kardec de setembro de 1862.

Vamos a ela:

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Respostas ao convite dos Espíritas de Lyon e de Bordeaux


Revista Espírita, setembro de 1862


Meus caros irmão e amigos espíritas de Lyon,

Apresso-me em vos dizer o quanto sou sensível ao novo testemunho de simpatia que vindes de me dar, pelo vosso amável e gracioso convite de ir vos visitar ainda este ano. Aceito-o com prazer, porque é sempre uma alegria para mim encontrar-me em vosso meio.


Minha alegria é grande, meus amigos, em ver a família crescer a vista d'olhos; é a mais eloquente resposta a dar aos tolos e ignóbeis ataques contra o Espiritismo. Parece que esse crescimento aumenta seu furor, porque recebo hoje mesmo uma carta de Lyon, que me anuncia o envio de um jornal desta cidade, La France littèraire, onde a doutrina em geral, e minhas obras em particular, são achincalhadas de maneira tão repugnante que me pergunto se é preciso responder-lhe pela imprensa ou pelos tribunais. Digo que é preciso responder-lhe pelo desprezo. 


Se a doutrina não fizesse nenhum progresso, se minhas obras fossem natimortas, com elas não se inquietariam e nem diriam nada. São os nossos sucessos que exasperam os nossos inimigos. Deixemo-los, pois, exalar sua raiva impotente, porque essa raiva mostra que sentem que sua derrota está próxima; não são bastante tolos para se lançarem sobre um monstro. Quanto mais seus ataques são ignóbeis, menos eles são a temer, porque são desprezados por todas as pessoas honestas, e provam que não têm nenhuma boa razão para o povo, uma vez que não sabem dizer senão injúrias.


Continuai, pois, meus amigos, a grande obra de regeneração começada sob tão felizes auspícios, e logo recolhereis os frutos de vossa perseverança. Provai sobretudo por vossa união, e pela prática do bem, que o Espiritismo é a garantia da paz e da concórdia entre os homens, e fazei que, em vos vendo, possa se dizer que seria a desejar que todo o mundo fosse espírita.


Estou feliz, meus amigos, em ver tantos grupos unidos num mesmo sentimento, e caminhar em comum acordo para esse nobre objetivo que nos propusemos. Sendo esse objetivo exatamente o mesmo para todos, não poderia nele haver divisão; uma mesma bandeira deve vos guiar, e sobre esta bandeira está escrito: Fora da caridade não há salvação. Ficai certos de que será ao redor dela que a 
Humanidade inteira sentirá necessidade de se unir, quando estiver cansada das lutas engendradas pelo orgulho, pelo ciúme e pela cupidez.


Esta máxima, verdadeira âncora de salvação, porque ela será o repouso depois da fadiga, o Espiritismo terá a glória de tê-la proclamado primeiro; inscrevei-a em todos os lugares de reunião e em vossas casas particulares; que ela seja doravante a palavra de união entre todos os homens que querem sinceramente o bem, sem pensamento dissimulado pessoal; mas fazei melhor ainda, gravai-a em vossos corações, e gozareis desde o presente da calma e da serenidade que nela haurirão as gerações futuras, quando ela for a base das relações sociais. Sois os vanguardeiros; deveis dar o exemplo para encorajar os outros a vos seguir.


Não olvideis que a tática de vossos inimigos encarnados ou desencarnados é de vos dividir; provai-lhes que perdem seu tempo se tentam suscitar entre os grupos sentimentos de ciúme e de rivalidade, que seria uma apostasia da verdadeira Doutrina Espírita Cristã.


As quinhentas assinaturas que acompanham o convite que consentistes me endereçar são um protesto contra essa tentativa, e a vários que estou feliz em vê-los. Aos meus olhos, é mais do que uma simples forma; é um convite para marchar no caminho que os bons Espíritos nos traçam. Eu os conservarei preciosamente, porque serão um dia os gloriosos arquivos do Espiritismo.


Uma palavra ainda, meus amigos. Indo vos ver, desejo uma coisa, é que não haja banquete, e isso por vários motivos. Não quero que a minha visita seja uma ocasião de despesa, que poderia impedir a
alguns de ali se encontrarem, e me privar do prazer de vos ver todos reunidos. Os tempos são duros; não é preciso, pois, fazer despesa inútil. O dinheiro que custaria será melhor empregado vindo em ajuda daqueles que dele terão necessidade mais tarde. E vo-lo digo com toda a sinceridade, o pensamento de que o que faríeis por mim, nessa circunstância, poderia ser uma causa de privação para muitos, me tiraria todo o prazer da reunião. Não vou a Lyon nem para exibir nem para receber homenagens, mas para conversar convosco, consolar os aflitos, dar coragem aos fracos, vos ajudar com meus conselhos tanto quanto estiver em meu poder fazê-lo; e o que podeis me oferecer de mais agradável é o espetáculo de uma boa, franca e sólida união. Crede bem que os termos tão afetuosos de vosso convite, valem mais para mim do que todos os banquetes do mundo, me fossem ofertados num palácio. Que me restaria de um banquete? Nada; ao passo que o vosso convite me fica como uma preciosa lembrança e uma garantia de vossa afeição.


Logo, meus amigos, se Deus quiser, terei o prazer de vos apertar cordialmente a mão.


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Penso ser este o sentimento a abarcar todo nosso planeta. 

Num dia ainda distante, mas nós, como bons sonhadores, podemos vislumbrar e por esse momento lutar, em todas as circunstâncias surgidas. Pode ser nossa meta, nosso compromisso com o futuro.

Pela Paz e pelo Entendimento entre todos os homens de todas as formas de pensar.


Paulo Cesar Fernandes

06/05/2015