terça-feira, 7 de julho de 2015

20150707 Acerca do Viver

Viver


Quando a vida te trouxer a tristeza, e ela vai te trazer algum dia, não te deixes dominar por ela (a tristeza). Só existe ela para nos testar, para ver a margem de forças dentro de nós, o quanto somos capazes de nos sobrepor aos ventos adversos. E somos capazes.


Quando menos se espera uma pessoa amiga chega em nossa casa. E traz ela uma dor tão profunda que somos obrigados a nos fazer mais fortes, para poder ajudar de alguma forma. Ali se apresenta uma emergência vital. E não temos o direito de ser fracos nessa hora.


E nos fazemos fortes, e ajudamos, e falamos, e acolhemos trazendo coisas do mais fundo dos nossos corações. A pessoa se vai reconfortada e com um olhar diferente, quase alegre. Nesse momento chega a leveza em nossa alma.


Os ventos bravios se fazem calmaria. A Paz tão buscada retorna em nós, espírito viajante de tantas romagens e de tantos momentos dispares.


Uma vez mais a vida nos deu oportunidade de ser útil. E não nos negamos a isso. Fomos o servidor fiel das palavras milenares nos concitando ao Bem.


São muitas as sementes em nossas mãos e o campo é imenso. Basta saber se estamos aptos a abrir a mão, e lançar as sementes, para que abundantes colheitas se possam ver no futuro próximo e nas gerações futuras.


Milhares são as formas de servir. Basta escolher!


Paulo Cesar Fernandes.

07/07/2015

domingo, 5 de julho de 2015

20150705 Eu falo aos espíritas




REVISTA ESPIRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

6a ANO NO. 3 MARÇO 1863


A LUTA ENTRE O PASSADO E O FUTURO.




Uma verdadeira cruzada ocorre neste momento contra o Espiritismo, assim como isso nos foi anunciado; de diversos lados se nos assinalam escritos, discursos e mesmo atos de violência e de intolerância; todos os Espíritas devem se alegrar com isso, porque é a prova evidente de que o Espiritismo não é uma quimera. Fariam tanto barulho por uma mosca que voa?

O que excita, sobretudo, essa grande cólera é a prodigiosa rapidez com a qual a ideia nova se propaga, apesar de tudo o que se fez para detê-la. Também nossos adversários, forçados pela evidência de reconhecer que esse progresso invade as classes mais esclarecidas da sociedade e mesmo os homens de ciência, se reduziram a deplorar esse arrastamento fatal que conduz a sociedade inteira aos manicômios. A zombaria esgotou seu arsenal de piadas e de sarcasmos, e essa arma, que se diz tão terrível, não pôde colocar os galhofeiros de seu lado, prova de que não tem matéria para rir. Não é menos evidente que ela não tirou um único partidário à Doutrina, longe disso, uma vez que aumentaram a olhos vistos. A razão disso é bem simples: reconheceu-se prontamente tudo o que há de profundamente religioso nessa Doutrina que toca as cordas mais sensíveis do coração, que eleva a alma para o infinito, que faz reconhecer a Deus àqueles que o tinham desconhecido; ela arrancou tantos homens ao desespero, acalmou tantas dores, cicatrizou tantas feridas morais, que os tolos e os chatos gracejos derramados sobre ela inspiraram mais desgosto do que simpatia. Os zombadores em vão se incomodaram sem proveito para fazer rir às suas custas; há coisas das quais, instintivamente, sente-se que não se pode rir sem profanação.


No entanto, se algumas pessoas, não conhecendo a Doutrina senão pelos gracejos sem graça, puderam crer que não se tratava senão de um sonho oco, de elucubração de um cérebro danificado, o que se passa é bem feito para desenganá-los. Ouvindo tantas declamações iradas, devem dizer a si mesmo que é mais sério do que não pensavam. A população pode se dividir em três classes: os crentes, os incrédulos e os indiferentes. Se o número dos crentes centuplicou depois de alguns anos, isso não pode ser senão às custas das duas outras categorias. Mas os Espíritos que dirigem o movimento acharam que as coisas não iam ainda bastante depressa. Há ainda, disseram a si mesmos, muitas pessoas que não ouviram falar do Espiritismo, sobretudo no campo; é tempo de que a Doutrina ali penetre; além disso, é preciso despertar os indiferentes adormecidos. A zombaria fez seu trabalho de propaganda involuntária, mas tirou todas as flechas de seu estojo, mas as setas que ela dispara ainda são menos cortantes; é um fogo muito pálido agora. É preciso alguma coisa mais vigorosa, que faça mais barulho do que o tinir dos folhetins, que repercuta mesmo nas solidões; é preciso que a última aldeia ouça falar do Espiritismo.


Quando a artilharia voltar, cada um se perguntará: O que há? e quererá ver.


Quando fizemos a pequena brochura: O Espiritismo em sua mais simples expressão, perguntamos aos nossos guias espirituais que efeito ela produziria. Foi-nos respondido: ela produzirá um efeito ao qual não esperas, quer dizer, teus adversários ficarão furiosos em ver uma publicação destinada, pelo seu extremo preço pouco elevado, a ser difundida em massa e penetrar por toda a parte. Anunciado te foi um grande desdobramento de hostilidades, tua 
brochura dele será o sinal. Não te preocupes com isso, conheces o fim. 


Eles se irritam em razão da dificuldade em refutar teus argumentos. - Uma vez que assim é, dissemos, essa brochura, que deveria ser vendida por 25 centavos, será dada por duas moedas. O acontecimento justificou essas previsões, e disso nos felicitamos. Tudo o que se passa, aliás, foi previsto e deveria ser para o bem da causa. Quando virdes alguma grande manifestação hostil, longe de vos amedrontar com ela, alegrai-vos, porque foi dito: o estrondo do raio será o sinal da aproximação dos tempos preditos. Orai então, meus irmãos; orai sobretudo pelos vossos inimigos, porque serão tomados de uma verdadeira vertigem.


Mas nem tudo ainda se cumpriu; a chama da fogueira de Barcelona não subiu tão alto. Se ela se renova em alguma parte, guardai-vos de extingui-la, porque ela se elevará mais, semelhante a um farol, será vista de longe, e ficará na lembrança das idades. Deixai, pois, fazer e em nenhuma parte oponde a violência à violência; lembrai-vos de que o Cristo disse a Pedro para guardar sua espada na bainha. Não imiteis as seitas que se entredilaceraram em nome de um Deus de paz, que cada um chamava em ajuda aos seus furores. A verdade não se prova pelas perseguições, mas pelo raciocínio; as perseguições, em todos os tempos, foram a arma das más causas, e daqueles que tomam o triunfo da força bruta pelo da razão. A perseguição é um meio mau de persuasão; pode momentaneamente abater o mais fraco, convencê-lo, jamais; porque, mesmo na aflição em que o tiver mergulhado, exclamará, como Galileu em sua prisão: e pur si muovel Recorrer à perseguição é provar que se conta pouco com o poder de sua lógica. Não useis, pois, de represálias: à violência oponde a doçura e uma inalterável tranqüilidade; restitui aos vossos inimigos o bem pelo mal; por aí dareis um desmentido às suas calúnias, e forçá-los-eis a reconhecer que vossas crenças são melhores do que eles dizem.


A calúnia! direis; pode-se ver com sangue frio nossa Doutrina indignamente deturpada por mentiras? acusada de dizer o que não disse, de ensinar o contrário do que ela ensina, de produzir o mal ao passo que não produz senão o bem? A própria autoridade daqueles que têm uma tal linguagem não pode dobrar a opinião, retardar o progresso do Espiritismo?


Incontestavelmente está aí seu o objetivo; atingi-lo-ão? é uma outra questão, e não hesitamos em dizer que chegam a um resultado todo contrário: o de se desacreditarem e à sua causa. A calúnia, sem contradita, é uma arma perigosa e pérfida, mas tem dois gumes e fere sempre aquele que dela se serve. Recorrer à mentira para se defender é a mais forte prova de que não se tem boas razões para dar, porque, tendo-as, não se deixaria de fazê-las valer. Dizeis que uma coisa é má, se tal é vossa opinião; gritai-o sobre os telhados, se bom vos parece, cabe ao público julgar se estais no erro ou na verdade; mas deturpá-la para apoiar vosso sentimento, desnaturá-la, é indigno de todo homem que se respeita. Nos relatórios das obras dramáticas e literárias, vêem-se freqüentemente apreciações muito opostas; um crítico louva exageradamente o que um outro achincalha: é seu direito; mas o que se pensaria daquele que, para sustentar a sua censura faria o autor dizer o que não disse, lhe emprestaria maus versos para provar que sua poesia é detestável?


Ocorre assim com os detratores do Espiritismo: pelas suas calúnias mostram a fraqueza de sua própria causa e a desacreditam fazendo ver a que lamentáveis extremismos são obrigados a recorrer para sustentá-la. De que peso pode ser uma opinião fundada sobre erros manifestos? De duas coisas uma, ou esses erros são voluntários, e então se vê a má fé; ou são involuntários, e o autor prova sua inconsequência falando do que não sabe; num e noutro caso perde todo direito à confiança.


O Espiritismo não é uma Doutrina que caminha na sombra; ele é conhecido, seus princípios são formulados de maneira clara, precisa, e sem ambiguidade. A calúnia, pois, não poderia atingi-lo; basta, para convencê-la de impostura, dizer: lede e vede. Sem dúvida, é útil desmascará-la; mas é preciso fazê-lo com calma, sem aspereza nem recriminação, limitando-se a opor, sem discursos supérfluos, o que é do que não é; deixai aos vossos adversários a cólera e as injúrias, guardai para vós o papel da força verdadeira: o da dignidade e da moderação.


De resto, não é preciso exagerar as conseqüências dessas calúnias, que levam consigo o antídoto de seu veneno, e são em definitivo mais vantajosas do que nocivas. Forçosamente, elas provocam o exame de homens sérios que querem julgar as coisas por si mesmos, e nisso são excitados em razão da importância que se lhe dá; ora, o Espiritismo, longe de temer o exame, provoca-o, e não se lamenta senão de uma coisa, é que tantas pessoas dele falam como os cegos das cores; mas graças aos cuidados que nossos adversários tomam em fazê-lo conhecer, esse inconveniente logo não existirá mais, e é tudo o que pedimos. A calúnia que ressalta desse exame 
engrandece-o em lugar de rebaixá-lo. 


Espíritas, não lamenteis, pois, essas deturpações; não tirarão nenhuma das qualidades do Espiritismo; ao contrário, as farão ressaltar com mais estrondo pelo contraste, e se voltarão para a confusão dos caluniadores: essas mentiras, certamente, podem ter por efeito imediato enganar algumas pessoas, e mesmo desviá-las; mas o que é isso? O quê são alguns indivíduos perto das massas? Sabeis, vós mesmos, quanto o seu número é pouco considerável. 


Que influência isso pode ter sobre o futuro? Esse futuro vos está assegurado: os fatos realizados vos respondem por ele, e cada dia vos traz a prova da inutilidade dos ataques de nossos adversários. A doutrina do Cristo não foi caluniada, qualificada de subversiva e de ímpia? Ele mesmo não foi tratado como velhaco e como impostor?


Perturbou-se com isso? Não, porque sabia que seus inimigos passariam e que a sua doutrina ficaria. Assim o será com o Espiritismo. Singular coincidência! Não é outro senão o chamado à pura lei do Cristo, e é atacada com as mesmas armas! Mas seus detratores passarão; é uma necessidade à qual ninguém pode se subtrair. A geração atual se extingue todos os dias, e com ela vão os homens imbuídos dos preconceitos de um outro tempo; a que se ergue está nutrida de idéias novas, e sabeis, aliás, que se compõe de Espíritos mais avançados que devem fazer, enfim, a lei de Deus reinar sobre a Terra. Olhai, pois, as coisas de mais alto; não as vejais do ponto de vista restrito do presente, mais estendei vossos olhares para o futuro e dizei a vós mesmos: O futuro é nosso; que nos importa o presente! que nos fazem as questões de pessoas! as pessoas passam, as instituições ficam. Pensai que estamos num momento de transição; que assistimos à luta entre o passado que se debate e se coloca para trás, e o futuro que nasce e se coloca para adiante.


Quem levará a melhor? O passado é vicioso e caduco, - falamos das idéias, - ao passo que o futuro é jovem, e caminha para a conquista do progresso que está nas leis de Deus. Os homens do passado se vão com ele; os do futuro chegam; saibamos, pois, esperar com confiança e nos felicitemos por sermos os primeiros pioneiros encarregados de arrotear o terreno. Se temos o trabalho, teremos o salário. Trabalhemos, pois, não para uma propaganda colérica e irrefletida, mas com a paciência e a perseverança do trabalhador que sabe o tempo que lhe é preciso para chegar à colheita. Semeemos a idéia, mas não comprometamos a colheita por um ensinamento intempestivo e por nossa impaciência, antecedendo a estação própria para cada coisa. Cultivemos sobretudo as plantas férteis que não pedem senão produzir; são bastante numerosas para ocupar todos os nossos instantes, sem usar nossas forças contra rochas irremovíveis que Deus se encarrega de abalar e destruir, quando chegar seu tempo, porque se tem a força de elevar as montanhas, tem a de abaixá-las. Tiremos a figura, e digamos simplesmente que há resistências que seria supérfluo procurar vencer, e que se obstinam mais por amor-próprio, ou por interesse, do que por convicção; seria perder seu tempo procurar traze-los a si; não cederão senão diante da força da opinião. Recrutemos os adeptos entre as pessoas de boa vontade, que não faltam; aumentemos a falange de todos aqueles que, cansados da dúvida e assustados com o nada materialista, não pedem senão crer, e logo o número deles será tal que os outros acabarão por se render à evidência. Esse resultado já se manifesta, e esperai, dentro em pouco, a ver em vossa fileiras aqueles que nela não esperáveis senão os últimos.


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O texto diz tudo. Só pus em relevo as coisas que me tocaram mais profundamente.

Espero que nos ajude a todos.

Paulo Cesar Fernandes

05/07/2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

20150702 Kardec e a vida




    Quando Kardec fala aos confrades de outras localidades é quando mais eu aprendo, e quando mais visto a carapuça.  
    Agora falo aos espíritas. Me respondam. 
    Para que serve o espiritismo na tua vida?
    ...
    Se tiver dúvida procura a saudação que faz em Lyon quando de sua primeira visita.                               
    Estou neste ano de 1863. Espero poder ler todo o resto da coleção.                                                                                                                         Um trecho cada dia e cada dia um questionamento diferente. Não preciso acatar tudo que Kardec escreveu.                                     
    Ele viveu num contexto cultural muito distante do nosso, mas no que diz respeito às diretrizes existenciais, essas são imortais e atemporais.                                                                             Nos colocam a seguinte questão:                                                                               
    QUE FAZES DA TUA VIDA?                                        
    PC - 02/07/2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

20150628 O Bem

O Bem


O Bem é.

Assim sendo, não é patrimônio de ateus ou religiosos; não se situa em algum ponto geográfico do nosso planeta. Simplesmente é!


Sua única morada possível é o coração do homem, seu único fundamento é o Amor Maior; significando isto o amor por toda a humanidade, e capaz de se ampliar a toda a criação; inclusive fora do âmbito do nosso planeta. Há uma irmandade universal, e tomando a certeza de vários universos, mais amplo se torna o espectro.


E se a vida fora da Terra se revela uma realidade?


Vamos a encarar da maneira como faz nossa pobre produção ficcional? Tendo nos seres de outros planetas e galáxias a expressão da maldade?


Em geral projetamos nos outros os nossos defeitos. Assim preconiza a psicologia.


Os autores de roteiros cinematográficos, ao tratar do tema, projetam nos outros seres o seu interior, e tudo aquilo que os circunda.


Mas... E se o Bem for o elemento predominante nos outros planetas e galáxias?

Como ficará toda nossa ficção?


Eu aposto no Bem.

Não por outro motivo além da lógica. É de se imaginar, a evolução do aspecto científico correndo ao lado e em paralelo com o aspecto ético. Dessa forma, apenas atinge patamar científico avançado, uma civilização cujo senso ético se tenha desenvolvido. E a solidariedade lhes seja um elemento natural.


Assim, nada temos a temer do contato com seres de fora da Terra. Terão chegado a um patamar de afetividade e solidariedade capaz de nos trazer mais amplas possibilidades de evolução.

Estarão em contato conosco; sim, mas buscando ajudar a por fim na brutalidade ainda em nosso planeta presente. Afinal...

O Bem já lhes habita.


Paulo Cesar Fernandes

28/06/2015


P.S.: Este texto é uma resposta ao livro de Jung: "Um mito moderno sobre coisas vistas no céu". Embora tenha uma perspectiva diferente da terapêutica adotada por Jung. Não lida com sonhos, não ataca Freud, nada disso. O foco é o Bem e o estágio evolutivo dos planetas e galáxias espaço afora. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

20150610 Limites

Limites


A vida tem limites?

Respondo Sim. Se tomo como intervalo o espaço [Berço - Túmulo].


Mas se olho mais profundo, e meu foco é o Ser em sua plenitude, já não consigo olhar tão somente a vida. Me alço a patamares mais altos, me baseio na existência; esse fenômeno nascido no imemorial tempo de nossa criação como um nada existencial, desprovido de conteúdos; ou simples e ignorantes como alguns afirmam.


Mas que é essa existência que me falas? - algum poderia me interpor.


Nada mais e nada menos do espraiar do Ser num processo contínuo de agregação de novos elementos em si.


Inicialmente como ProtoEspírito e aprendiz, pela oportunidade de contato com a matéria; assim vai seguindo jornada sempre 
ascensional em complexidade e cognição.


Surge a capacidade de observação, propiciando a cópia de procedimentos, uma forma rudimentar de transmissão cultural. Como exemplo temos as aves; roedores e mamíferos diversos, até chegar ao nosso semelhante mais próximo: o chipanzé. Ainda isto na fase protoespiritual.


Disto chegamos ao pensamento contínuo. Ponto inicial de nossa caminhada ética. E de nossa jornada como espírito, onde se abre a possibilidade de expansão crescente da racionalidade; e, mais importante ainda, da sensibilidade em todas as suas formas de expressão: solidariedade; afetividade; paixões fulminantes; ódios cruéis; e toda uma ampla gama de formas de sentir, dentro do campo do sensível. Inclusive a sensibilidade artística.


Esta é uma longa fase e cheia de contradições; dificuldades; dramas; mas de possibilidades por outro lado.


É a fase da Tomada de Consciência de Si. Do Si Mesmo. O Eu. E de tudo aquilo fora de Si. O nãoEu.


Nosso confronto com tudo ao nosso redor é inominável. Percebemos, sabemos das coisas e...  Mas, em nosso concurso surge a linguagem, o discurso; capaz de ordenar o nosso pensar e dar-lhe uma forma completa e coerente; um todo coeso: nasce assim o conceito.


Para a definição dos Entes (seres e coisas) ao nosso redor é necessária a estruturação de conceitos e de nomenclaturas. Os nomes designam conceitos, capazes de nos ajudar a visualizar de imediato o Ente em questão. 


E vamos seguindo nos sabendo Ser-em-Si, e nos defrontando com o outro; um outro Ser-em-Si tal como nós.


E dessa relação, pode ou não nascer o desejo de dominação de um pelo outro. Ocorrendo tal confronto, um tem que ceder e se colocar sob o comando. Nascem o Dominador e o Dominado.


O fato ocorrido entre os indivíduos, se assemelha ao corriqueiro processo entre as nações, quando medem forças entre si.


Longe de ser malefícios, tais confrontos são promotores de progresso individual; ou mesmo do progresso de coletividades inteiras. Por mais doloroso seja, tanto no âmbito individual como no das sociedades ou nações.


Mas viver é progredir, ampliar formas de ver a si mesmo e aos demais. Um processo nascido no seio da família; abre espaço se voltando para a cidade na qual vivemos; e em sucessivas ampliações acaba por ter no amor à Humanidade: terrestre e universal (dos universos vários).


Se a vida é amor. Gerada pelo amor, fortalecida apenas no amor; essa vida não pode enfrentar barreiras ou limitações de qualquer ordem.


Nessa perspectiva se insere a plena e total Liberdade do Ser. Quando a racionalidade sensível comandar o homem todos os sonhos serão realizados, pois teremos posto abaixo o egoísmo escravizante de nossa era. Chegando finalmente no Amor Maior, o Amor por toda a Humanidade.


Somos todos iguais. Da Criação à Sabedoria percorremos semelhantes roteiros, com variações já previstas na Leis Naturais ordenadoras da vida material e da vida ética.


Esta é a fase dos voos mais amplos e da Felicidade mais profunda. Não mais teremos limitantes ao nosso progresso intelecto-ético ou intelecto-moral.


Um futuro muito melhor espera por todos nós!


Paulo Cesar Fernandes


10/06/2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

20150609 Tentação

Tentação


"Não nos deixe cair em tentação
 E liberta-nos de todo mal."


Mas então o trabalho contra as tentações, se tentações houver; e a luta contra o Mal é tarefa para algo exterior a nós? Nós nada temos a ver com isso?

Essa tradução está mal feita. Tem algo de errado aí.


Que mérito terei eu em vencer as dificuldades a enfrentar? 

Nenhum? 


Não caio nessa e não vou por aí. 


Eu arregaço as mangas, me ponho no espelho vendo meus defeitos, os encarando de frente. Não estão fora de mim, são atributos positivos ou negativos de minha personalidade.  


Sanar os defeitos. Como posso atribuir a outrem uma tarefa unicamente minha? 


O meu progresso cabe a mim unicamente. Se derrotado, serei o único responsável por isso. Por outro lado, a cada vitória sobre um defeito meu eu posso comemorar, me sentir feliz por ter dado um passo a mais. Tenho o mérito mesmo.


É verdade ser longa a jornada e o caminho consta de algumas pedras de tamanhos diversos. As menores as chutamos; algumas as afastamos com as mãos, e outras ainda damos a volta ao seu redor por serem imensas. Mas seguimos na estrada. Melhor ainda quando temos claro o roteiro e a meta a alcançar. Os obstáculos e desafios nos fazem mais fortes e mais autoconfiantes. 


Podemos errar. Sim. Temos liberdade para isso. Ninguém, salvo nós, pode cobrar nada. Em nosso tempo o homem chegou ao momento maior da liberdade individual.


Quando eu digo: "Livre de tudo e de todos." Expresso o nosso tempo. 


O Ser é. E na Liberdade Plena se realiza. Sendo assim livre, se preocupa em não ferir seu semelhante. Se solidariza com a dor do semelhante. Se humaniza. Sim, a Liberdade humaniza, pois traz ao Ser uma nova forma de sentir a Si Mesmo e de perceber no outro, um Si Mesmo semelhante a ele. Dois seres livres não se 
confrontam, pois não sentem desejo de dominação.

A dominação é tipica de seres aprisionados por alguma ortodoxia. Os livres o são inclusive das ortodoxias todas, e das religiões, e das instituições. 


Quando o Ser toma consciência de Si e de sua Liberdade, novas ocupações chegam a si. Ocupações mais intensas e altruístas. Esquece o próprio umbigo, se volta para a humanidade. Sem perder a individualidade se integra de forma militante na Humanidade, sendo a Solidariedade e a Fraternidade desdobramentos naturais de todo esse processo.


Portal Fernandes

09/06/2015

sábado, 9 de maio de 2015

20150509 Algo de Carl Gustav Jung

Algo de Carl Gustav Jung


Trazido de "Um mito moderno sobre as coisas vistas no céu".




O livro todo trata dos OVNI (objetos voadores não identificados) e dos impactos destes objetos; quer reais, quer apenas no psiquismo das pessoas. Muitas vezes de apresentando através de sonhos com 
objetos de forma circular ou em forma de charuto. Nas décadas de 60 e 70 era uma questão em voga e Jung não fugiu ao tema. 

Todo este livro e toda a obra de Jung nos remete à espiritualidade na forma como a tenho proposto: abstração da materialidade.

_ Velho, ei velho! Deixa o Jung falar de uma vez.

_ OK. São dois itens apenas. Vamos a eles:

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676 A advertência de "permanecer embaixo" provocou, na nossa época, uma variedade de preocupações teológicas. 

Teme-se, pois, que a psicologia, que aqui entra em questão, provoque um afrouxamento da postura ética. 

Porém a psicologia nos proporciona, em primeiro lugar, um conhecimento claro, não só do mal, como também do bem. Desta forma, o perigo de se entregar ao mal é menor do que quando se está inconsciente dele. 

Para conhecer o mal, nem sempre se precisa da psicologia. Quem anda pelo mundo com os olhos abertos não pode ignorá-lo; nem cai num buraco tão facilmente quanto um cego. 

Assim como, do ponto de vista teológico, a pesquisa do inconsciente é suspeita de gnosticismo, da mesma forma, a sua problemática ética é suspeita de antinomismo e libertinismo. 

Ninguém supõe de sã consciência que depois de uma profunda confissão dos seus pecados, e conseqüente arrependimento, jamais volte a pecar. Pode-se apostar mil contra um que, num piscar de olhos, estará pecando novamente. 

Um conhecimento psicológico mais profundo demonstra até que não se pode viver sem pecar - "cogitatione, verbo et opere" (por pensamentos, palavras e obras). Só uma pessoa altamente ingênua e inconsciente pode presumir ser capaz de escapar ao pecado. 

A psicologia não se pode permitir mais semelhantes ilusões infantis, mas tem que obedecer à verdade, e até constatar que a inconsciência não somente não é uma desculpa, como, até mesmo, um dos piores pecados. A justiça humana pode até livrá-la da punição, mas, muito mais impiedosamente, vinga-se a natureza, que não se preocupa se se está consciente da culpa, ou não. 

Através da parábola do administrador infiel, podemos até mesmo saber que o senhor da casa elogiou o criado que lhe apresentou um balanço falso, por ter "agido ponderadamente", sem falar daquele 
trecho (excluído) em Lucas 6, onde Cristo diz àquele que violou o sábado: "Se sabes o que fazes, então, és bem-aventurado" (Evangelho apócrifo), etc.



677 Um maior conhecimento do inconsciente equivale a uma vivência mais ampla e a uma conscientização maior, e, por isso, nos proporciona aparentemente novas situações que exigem decisões éticas. 

Estas, por certo, sempre existiram, mas foram intelectual e moralmente captadas de forma menos apurada e, muitas vezes, intencionalmente deixadas na penumbra. 

De certa forma, arranjamos com esta indiferença um álibi, e assim podemos fugir de uma decisão ética. Mas, se alcançamos um autoconhecimento mais profundo, muitas vezes nos defrontamos com os problemas mais difíceis, ou seja, com as colisões de deveres, que simplesmente não podem ser decididas por nenhum parágrafo, nem do Decálogo, nem de outras autoridades. 

Aliás, é só a partir daqui que as decisões éticas começam, pois o simples cumprimento de um "tu não deves..." codificado está longe de ser uma decisão ética; é simplesmente um ato de obediência, e, em certos casos, até uma saída cômoda, que com a ética só se relaciona de forma negativa. 

Durante minha longa experiência, não enfrentei nenhuma situação que me tivesse sugerido uma negação dos princípios éticos, ou sequer uma dúvida a este respeito; ao contrário, conforme aumentaram a experiência e o conhecimento, o problema ético tomou-se mais premente e a responsabilidade moral se acentuou. 

Para mim, ficou claro que, contrariamente à compreensão geral, a inconsciência não representa uma desculpa, mas é muito mais um delito, no sentido próprio da palavra. Apesar de já se aludir a este 
problema no Evangelho, como foi mencionado, a Igreja não o tem levantado, por motivos compreensíveis, deixando-o, para que o gnosticismo se dedique a ele mais seriamente. Apoiamo-nos na doutrina da "privatio boni" e acreditamos saber com isso o que é bom e o que é mau; a decisão verdadeiramente ética, ou seja, livre, é substituída pelo código moral. Desta forma, a moralidade resvala para o comportamento de fidelidade às leis e a "felix culpa" permanece um assunto do paraíso. 

Admiramo-nos com a decadência ética do nosso século e contrabalançamos a estagnação, neste campo, com o progresso da ciência e da tecnologia. Mas não refletimos que, com tantas diretrizes morais, o ethos tem sido esquecido. Mas, o ethos é um assunto difícil que não se pode formular nem codificar, pois faz parte daquelas irracionalidades criativas, sobre as quais qualquer progresso verdadeiro está fundamentado. Ele solicita o homem todo, e não somente uma função diferenciada.


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Evidentemente não concordo com a existência do pecado. Se proponho o Espiritismo Libertário; a noção de pecado deitaria por terra toda a Liberdade que prego, tanto para o espírito encarnado, bem como para o desencarnado. Nada e ninguém pode ou deve interferir em nossa trajetória, em nossa livre determinação de escolha dos "pensamentos, palavras e obras" como dito por Jung.


Temos o direito de errar, tanto quanto nos possa aprouver. Sem castigo possível ou provável. A ruptura do erro, apenas se dará no momento, do aparecimento do processo de tomada de consciência de quem somos nós, e do estabelecimento de nossas metas enquanto espíritos imortais.


Quem sou eu?

Por que motivo eu estou nesta Terra afinal? Para que facear com tanta violência e tanta iniquidade?

Que tenho eu a ver com isso tudo? Como essa gente se mata e morre sem razão? Como essa gente negocia armas? Que senso há nisso?

Qual a minha tarefa? Qual a minha mais profunda aspiração diante do quadro geral da humanidade?

A Humanidade é isso mesmo?



Evidentemente são questionamentos feitos por muitas pessoas inteligentes e sensíveis ao nosso entorno.

Muitos porém, passam pelo mundo enceguecidos por afazeres outros, materiais tão somente. Algo natural numa sociedade competitiva como a nossa. E todos tem total liberdade de escolha. Total eu disse.

Não há e nem pode haver um juiz a julgar as tuas ou as minhas atitudes. 

Não cabe no nosso tempo. E ponto final.

Passar pelo mundo tal qual trator, e não ver a lágrima nos olhos dos nossos semelhantes é uma decisão pessoal; e muitas vezes nada há de intencional, tudo já veio assim do seio da família ao qual está vinculado o espírito. E ninguém tem nada com isso.

O processo de autodescoberta e de autocorreção é solitário como nenhum outro deste mundo. Somos sós. Não há possibilidade de ninguém por nós o fazer.

Mas uma coisa é alvissareira: obedece à Lei da Inércia. 

Se estamos fora do processo por inconsciência, seguimos dessa forma. Inconscientes e na maior inocência. Ao acordar porém, e apertar o botão de START passa-se a um quefazer acumulativo de vitórias e derrotas; mas sempre na busca de um novo acerto. 

Um erro. A este erro se opõe a percepção do mesmo. Como elemento de síntese, temos a campainha ligada para não voltar ao mesmo erro. Mas, como afirma o texto não estamos nunca convictos de acertar na oportunidade seguinte. A Vida nos provê do tempo, e assim seguimos no processo progressivo ou evolucionário. Ad eternum!

O mais positivo em tudo isso é que todos chegaremos ao movimento na inércia. Afinal, quem fica parado é poste.

Mais cedo ou mais tarde. Num momento qualquer, acordamos diferentes; revisando valores; ordenando o tempo; repensando sentimentos; ajustando-nos mais e mais às Leis Naturais.


Viver é isso!


Paulo Cesar Fernandes

09/05/2015 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

20150506 Outros tempos

Outros tempos


Olhando o mundo tal como se apresenta há muito a pensar.
Como chegamos a tal ponto?

Onde a guerra e a violência vencem a cada dia, onde o desamor e o desvinculo com os semelhantes é cada vez mais forte.

Onde pequenas coisas nos trazem emoções em desequilíbrio.

Venho apostando na ideia de falta espiritualidade ao mundo. E tenho por espiritualidade não somente as religiões, mas tudo aquilo capaz de nos levar a um abstrato pensar. Nesse sentido diversas 
áreas nos levam ao proposto por mim como espiritualidade: estudar as ciências naturais; a matemática; a física; sociologia; filosofia; a antropologia das religiões todas; e por aí vamos num sem número de possibilidades.

Unir os povos de todo o mundo. Somos todos iguais. Sentimos as mesmas dores com a morte dos nossos, a mesma alegria ao encontrar um grupo cujas ideias se somem às nossas; o nascimento de uma criança nos traz alegria e esperanças renovadas na maior parte dos países conhecidos. Que irracionalidade a violência!

Não. Se bem pensarmos não há fronteiras ao coração. Penso agora nos Médicos sem Fronteiras. Uma pura demonstração de amor e desprendimento.

Quando um pensar firme nos norteia a vida, nossas relações são mais afetuosas. Eu tomo como exemplo a carta a seguir. Trazida da Revista Espírita de Allan Kardec de setembro de 1862.

Vamos a ela:

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Respostas ao convite dos Espíritas de Lyon e de Bordeaux


Revista Espírita, setembro de 1862


Meus caros irmão e amigos espíritas de Lyon,

Apresso-me em vos dizer o quanto sou sensível ao novo testemunho de simpatia que vindes de me dar, pelo vosso amável e gracioso convite de ir vos visitar ainda este ano. Aceito-o com prazer, porque é sempre uma alegria para mim encontrar-me em vosso meio.


Minha alegria é grande, meus amigos, em ver a família crescer a vista d'olhos; é a mais eloquente resposta a dar aos tolos e ignóbeis ataques contra o Espiritismo. Parece que esse crescimento aumenta seu furor, porque recebo hoje mesmo uma carta de Lyon, que me anuncia o envio de um jornal desta cidade, La France littèraire, onde a doutrina em geral, e minhas obras em particular, são achincalhadas de maneira tão repugnante que me pergunto se é preciso responder-lhe pela imprensa ou pelos tribunais. Digo que é preciso responder-lhe pelo desprezo. 


Se a doutrina não fizesse nenhum progresso, se minhas obras fossem natimortas, com elas não se inquietariam e nem diriam nada. São os nossos sucessos que exasperam os nossos inimigos. Deixemo-los, pois, exalar sua raiva impotente, porque essa raiva mostra que sentem que sua derrota está próxima; não são bastante tolos para se lançarem sobre um monstro. Quanto mais seus ataques são ignóbeis, menos eles são a temer, porque são desprezados por todas as pessoas honestas, e provam que não têm nenhuma boa razão para o povo, uma vez que não sabem dizer senão injúrias.


Continuai, pois, meus amigos, a grande obra de regeneração começada sob tão felizes auspícios, e logo recolhereis os frutos de vossa perseverança. Provai sobretudo por vossa união, e pela prática do bem, que o Espiritismo é a garantia da paz e da concórdia entre os homens, e fazei que, em vos vendo, possa se dizer que seria a desejar que todo o mundo fosse espírita.


Estou feliz, meus amigos, em ver tantos grupos unidos num mesmo sentimento, e caminhar em comum acordo para esse nobre objetivo que nos propusemos. Sendo esse objetivo exatamente o mesmo para todos, não poderia nele haver divisão; uma mesma bandeira deve vos guiar, e sobre esta bandeira está escrito: Fora da caridade não há salvação. Ficai certos de que será ao redor dela que a 
Humanidade inteira sentirá necessidade de se unir, quando estiver cansada das lutas engendradas pelo orgulho, pelo ciúme e pela cupidez.


Esta máxima, verdadeira âncora de salvação, porque ela será o repouso depois da fadiga, o Espiritismo terá a glória de tê-la proclamado primeiro; inscrevei-a em todos os lugares de reunião e em vossas casas particulares; que ela seja doravante a palavra de união entre todos os homens que querem sinceramente o bem, sem pensamento dissimulado pessoal; mas fazei melhor ainda, gravai-a em vossos corações, e gozareis desde o presente da calma e da serenidade que nela haurirão as gerações futuras, quando ela for a base das relações sociais. Sois os vanguardeiros; deveis dar o exemplo para encorajar os outros a vos seguir.


Não olvideis que a tática de vossos inimigos encarnados ou desencarnados é de vos dividir; provai-lhes que perdem seu tempo se tentam suscitar entre os grupos sentimentos de ciúme e de rivalidade, que seria uma apostasia da verdadeira Doutrina Espírita Cristã.


As quinhentas assinaturas que acompanham o convite que consentistes me endereçar são um protesto contra essa tentativa, e a vários que estou feliz em vê-los. Aos meus olhos, é mais do que uma simples forma; é um convite para marchar no caminho que os bons Espíritos nos traçam. Eu os conservarei preciosamente, porque serão um dia os gloriosos arquivos do Espiritismo.


Uma palavra ainda, meus amigos. Indo vos ver, desejo uma coisa, é que não haja banquete, e isso por vários motivos. Não quero que a minha visita seja uma ocasião de despesa, que poderia impedir a
alguns de ali se encontrarem, e me privar do prazer de vos ver todos reunidos. Os tempos são duros; não é preciso, pois, fazer despesa inútil. O dinheiro que custaria será melhor empregado vindo em ajuda daqueles que dele terão necessidade mais tarde. E vo-lo digo com toda a sinceridade, o pensamento de que o que faríeis por mim, nessa circunstância, poderia ser uma causa de privação para muitos, me tiraria todo o prazer da reunião. Não vou a Lyon nem para exibir nem para receber homenagens, mas para conversar convosco, consolar os aflitos, dar coragem aos fracos, vos ajudar com meus conselhos tanto quanto estiver em meu poder fazê-lo; e o que podeis me oferecer de mais agradável é o espetáculo de uma boa, franca e sólida união. Crede bem que os termos tão afetuosos de vosso convite, valem mais para mim do que todos os banquetes do mundo, me fossem ofertados num palácio. Que me restaria de um banquete? Nada; ao passo que o vosso convite me fica como uma preciosa lembrança e uma garantia de vossa afeição.


Logo, meus amigos, se Deus quiser, terei o prazer de vos apertar cordialmente a mão.


===


Penso ser este o sentimento a abarcar todo nosso planeta. 

Num dia ainda distante, mas nós, como bons sonhadores, podemos vislumbrar e por esse momento lutar, em todas as circunstâncias surgidas. Pode ser nossa meta, nosso compromisso com o futuro.

Pela Paz e pelo Entendimento entre todos os homens de todas as formas de pensar.


Paulo Cesar Fernandes

06/05/2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015

20150422 Tao

TAO significa caminho.


Todos somos caminhantes, mas alguns homens, por seus exemplos de ética diante de diversas oportunidades, onde outros tropeçam, acabam sendo também um TAO.


Alexandre, o Grande; Carlos Magno; muitos homens da história humana são tidos como grandes.


Mas grande de verdade é o homem comum, na sua singela vida do dia a dia fazendo a felicidade de sua família. E sempre pautado na ética. Passa por dificuldades financeiras e não se deixa levar pelo dinheiro fácil.


_ Isso não é para mim. Estou bem no meu trabalho. - diz na possibilidade de ganhos imensos, mas sem base na correção.


Comenta no seio do Lar dessas ofertas, tece comentários negativos acerca daqueles que lhe fizeram propostas asquerosas.


Incompreendido, mesmo no seio do Lar, segue suas convicções.


Carrega dentro de si, a certeza de estar deixando aos filhos o tesouro maior capaz de ser oferecido por alguém: o exemplo.


Mesmo vivendo com algumas dificuldades, atentar às demandas da Ética é sempre o verdadeiro TAO.


Paulo Cesar Fernandes

22/04/2015


P.S.:

Fruto da lembrança da alegria de um espirito comunicante, faz muitos anos, numa reunião mediúnica do Centro Espírita onde eu frequentava.

Sua alegria se baseava na visita feita aos dois filhos, e na verificação dos dois terem se tornado Homens de Bem, como frisou algumas vezes.

Hoje, ao fim das minhas meditações, a alegria desse espírito me veio à mente, após a leitura da Revista Espírita, onde nalgumas mensagens os espíritos exaltavam os grandes homens: Carlos Magno; Clóvis e Cesar. 

domingo, 19 de abril de 2015

19980614 Voar


 

Crônicas dos tempos do Quanta

 

Voar

 

 

            Quando um homem comum morre, perde a família consangüínea.

            Ao morrer um idealista, ou seu ideal; perde muito de força o crescimento da família humana.

            O ideal é o lubrificante que viabiliza a engrenagem do novo, do criativo, da verdadeira máquina de progresso que impulsiona a humanidade.

            Olhemos fundo no passado da humanidade. Nomes não faltarão nas mais diversas áreas.

            Nesses nomes se basearam os saltos qualitativos na caminhada do conhecimento.

            O saber acadêmico é estático.

            O do idealista é dinâmico; segue a própria dinâmica do inconformismo com o velho, com a mesmice, com a falta de visão histórica espraiada na sociedade de todos os tempos.

            Só ele, só o idealista sai do quotidiano perscrutando a vida, com seu binóculo de ver o futuro. Como a gaivota de Richard Bach, deixa os outros e segue solitário seu rumo.

            Incompreendido, criticado, isolado até por seus pares, tem na luz do seu norte a segurança da jornada.

            Caminha.

            Empreende.

            Realiza.

            Do centro de sua solidão; pouco a pouco compreende seus pares, vê seus pés, atados ao chão do imediatismo, sem poder ajudá-los a voar.

            Pássaro nenhum voou sem tentar; partindo sempre de uma própria dinâmica interior.

            Tal qual a ave mãe, se alegra o coração do idealista. Pois sabe, de experiência própria: uma vez alçados grandes vôos; pouca chance terá o aprendiz, de desprezar o prazer de ver o mundo, sempre a partir de perspectivas mais altas.

 

                                                                       Paulo Cesar Fernandes.

 

                                                                                  14/06/1998

 



Nota: Texto dedicado a Jaci Régis, espírita.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

20150416 Vivos

Estamos VIVOS!

E isto é muito bom.


Resta saber apenas se estamos vivos para a materialidade: poder; consumo; competitividade; desregramentos mil.


Ou estamos vivos para a espiritualidade, tendo por espiritualidade o raciocínio abstrato; o estudo de uma disciplina; o desenvolvimento de uma potencialidade artística; o aprendizado de uma nova linguagem de computador, ou de uma nova língua mesmo.


Afinal se desdobram em milhares as áreas do conhecimento aos quais podemos nos dedicar.


Nada nos impede de ver espiritualidade nas religiões, todas elas tem em seus postulados elementos superiores de condução do homem.


Na Vida tudo é uma questão de escolha:
O Bem ou o Mal.
O Amor ou o Ódio.
A Guerra ou a Paz.


Nosso ajuste às Leis Naturais, é uma escolha, uma decisão, uma Tomada de Consciência. E  quanto mais turbulento o mar, mais a marujada deve estar preparada para o enfrentamento.


Segundo Bauman estamos em uma fase de transição, e tempos de transição são tempos de escolhas. E não há fórmulas mágicas.


Nestes tempos, a solidão se faz mais profunda. Pois se trata aí de escolha de um Projeto de Vida.


Escolher se estamos verdadeiramente Vivos.


Paulo Cesar Fernandes

16/04/2015

domingo, 8 de março de 2015

20150308 Um Deus pleno de paixões

Um Deus pleno de paixões


Textos como os que se seguem apenas reforçam minha ideia de Deus ser uma criação, uma crença meramente humana.

Não cabe em minha mente um Deus com tal postura diante dos seus filhos.

Deus é crença. Tal como Boi Tatá, Saci Pererê e outras do nosso rico folclore.

Leia e pense. Não quero sua concordância, apenas use sua razão, sua lucidez.

Textos publicados na Revista Espírita de Março de 1862.

Por que motivo Kardec não fez reparo algum?

Confira lá na sua RE.


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Os obreiros do Senhor

(Cherbourg, fevereiro de 1861. - Médium, Sr. Robin.)


Atingis o tempo do cumprimento das coisas anunciadas para a transformação da Humanidade; felizes serão aqueles que tiverem trabalhado no campo do Senhor com desinteresse e sem outro móvel que a caridade! Suas jornadas de trabalhos serão pagas ao cêntuplo do que tiverem esperado.


Felizes serão aqueles que tiverem dito aos seus irmãos:
"Irmãos, trabalhemos juntos, e unamos nossos esforços a fim de que o mestre encontre a obra pronta em sua chegada, porque o mestre lhes dirá: 'Vinde a mim, vós que fostes bons servidores, vós que
fizestes calar vossos ciúmes e vossas discórdias para não deixar a obra parada!"


Mas infelizes daqueles que, pelas suas dissensões, tiverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade virá e serão levados pelo turbilhão!

Eles gritarão: "Graça! graça!"

Mas o Senhor lhes dirá: "Porque pedis graça, vós que não tivestes piedade de vossos irmãos, e que recusastes estender-lhes a mão, vós que esmagastes o fraco em lugar de sustentá-lo? Por que pedis
graça, vós que procurastes vossa recompensa nas alegrias da Terra e na satisfação de vosso orgulho? Vós já recebestes, vossa recompensa tal como a quisestes; não a peçais mais: as recompensas celestes são para aqueles que não terão pedido as recompensas da Terra."


Deus faz neste momento o recenseamento de seus servidores fiéis, e marcou com o seu dedo aqueles que não têm senão a aparência do devotamento, a fim de que não usurpem o salário dos servidores
corajosos, porque será a estes, que não recuarão diante de sua tarefa, que vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo, e esta palavra se cumprirá: "Os
primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros no reino dos céus!"
O ESPÍRITO DE VERDADE


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Instrução moral

(Paris, grupo Faucherand. - Médium, Sr. Planche.)


Venho a vós, pobres transviados sobre uma terra escorregadia, cuja inclinação rápida não espera mais que alguns passos ainda para vos precipitar nos abismos. Como bom pai de família, venho vos estender mão caridosa para vos salvar do perigo. Meu maior desejo é vos conduzir sob o teto paterno e divino, a fim de vos fazer gozar, pelo amor de Deus e do trabalho, pela fé e caridade cristã, a paz, os prazeres e as doçuras do lar doméstico. Como vós, meus caros filhos, conheci as alegrias e os sofrimentos, sei tudo o que há de dúvidas em vossos espíritos, e de combate em vossos
corações. É para vos premunir contra vossos defeitos, e vos mostrar os escolhos contra os quais poderíeis vos chocar, que serei justo, mas severo.


Do alto das esferas celestes que eu percorro, meu olhar mergulha com felicidade nas vossas reuniões, e é com um vivo interesse que sigo as vossas santas instruções. Mas, ao mesmo tempo em que a
minha alma se alegra de um lado, de outro sente uma pena muito amarga, quando penetra os vossos corações e ali vê ainda tanto apego às coisas terrestres. Para a maioria, o santuário de nossas
lições vos tem lugar de sala de espetáculo, e esperais sempre ver ali surgir, de nossa parte, alguns fatos maravilhosos. Não estamos encarregados de vos fazer milagres, mas temos a missão de
lavrar os vossos corações, de abrir-lhes largos sulcos para neles lançar, a mãos cheias, a semente divina. Nós nos devotamos sem cessar a torná-la fecunda; porque sabemos que essas raízes devem
atravessar a terra, de um pólo ao outro, e cobrir-lhe toda a superfície. Os frutos que delas sairão serão tão belos, tão suaves e tão grandes que subirão até os céus.



Felizes aqueles que souberem colhê-los para com eles se saciarem; porque os Espíritos bemaventurados virão ao seu encontro, cingirão sua cabeça com a auréola dos eleitos, lhe farão escalar os
degraus do trono majestoso do Eterno, e lhe dirão para tomarem parte na felicidade incomparável, nos gozos e nas delícias sem fim das falanges celestes.


Infeliz aquele a quem houver sido dado ver a luz e ouvir a palavra de Deus, que tiver fechado os olhos e tapado os ouvidos; porque o Espírito das trevas o envolverá em suas asas lúgubres e o
transportará em seu negro império para lhe fazer expiar, durante séculos, pelos tormentos sem número, sua desobediência ao Senhor. É o momento de aplicara sentença de morte do profeta Oséias:
Coedan eos secundum auditionem coetus eorum (eu os farei morrer segundo tiverem ouvido). Que estas poucas palavras não sejam fumaça desaparecendo nos ares; mas que elas cativem a vossa atenção para que as mediteis e as reflitais seriamente. Apressai-vos em aproveitar alguns instantes que vos restam para consagrá-los a Deus; um dia viremos vos pedir que conta fizestes de nossos ensinamentos, e como tereis posto em prática a doutrina sagrada do Espiritismo.


A vós, pois, Espíritas de Paris, que podeis muito pela vossa posição pessoal e pela vossa influência moral, a vós, digo, a glória e a honra de dar o exemplo sublime das virtudes cristãs. Não espereis que a infelicidade venha bater em vossa porta. Ide diante de vossos irmãos sofredores, dai ao pobre o óbolo da jornada, secai as lágrimas da viúva e do órfão, com doces e consoladoras palavras.


Levantai a coragem abatida desse velho curvado sob o peso dos anos e sob o jugo dessas iniqüidades, fazendo luzir em sua alma as asas douradas da esperança numa vida futura e melhor.


Prodigalizai, por toda a parte, sobre a vossa passagem, o amor e a consolação; elevando assim as vossas boas obras à altura de vossos pensamentos, merecereis dignamente o título glorioso e brilhante que vos concedem mentalmente os espíritas da província e do estrangeiro, cujos olhos estão fixados sobre vós, e que, tocados de admiração diante das ondas de luz que escapam de vossas
assembléias, vos chamarão o Sol da França.

LACORDAIRE.

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Eu não consigo conceber as coisas dessa forma. Todo texto que procura diminuir o homem fere os preceitos espíritas. Acima de tudo o espiritismo visa o desenvolvimento do espírito.

Não creio que o primeiro texto seja mesmo do Espírito de Verdade, e não consigo aceitar a linguagem de Lacordaire. Demarquei nesse texto a arrogância do espírito. Diminuindo a população da terra com expressões como: "Venho a vós, pobres transviados sobre uma terra escorregadia"; "Do alto das esferas celestes que eu percorro".


Ou o espírito ou o médium erraram feio.


A única explicação encontrada por mim para a presença de tais textos na RE é uma ação pedagógica de Kardec deixando a nós, seus leitores a tarefa da necessária crítica.


Nesse sentido é perfeitamente aceitável a presença dessses dois textos. Ambos comparam o futuro do homem ao inferno das religiões.


Não são libertadores como é a proposta do espiritismo. São textos para aterrorizar os leitores.


E o crescimento do espírito se dá através de uma "tomada de consciência" como preconizava nosso Professor José Herculano Pires. Esta concepção me basta, não há maior defensor de Kardec que Herculano.


Paulo Cesar Fernandes

08/03/2015