quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Reflexão 07 02 2013 Trajetória


_ Nos momentos mais difíceis, filho, agarra-te com Deus. Ele nunca nos desampara.


O tempo passa. Nossas concepções se transformam. Ganham novas envergaduras. Rompem com todas as possíveis crenças.


Mas as palavras sinceras, saídas de um coração materno, calam fundo o coração de um filho. São palavras que entalham nosso espírito, dando-lhe uma forma; e muito além de uma morfologia estabelecem uma diretriz. No meu caso a diretriz do espiritismo como uma das fontes de conhecimento.


Eu o coloco entre tantas outras fontes de conhecimento, formadoras de minha personalidade: a concepção espírita; a concepção socialista; a concepção terceiromundista; hispanoamericana; etc.


E, a cada ano, novas possibilidades se me apresentam, para uma mudança de rumo, de rota; ou, a reafirmação da rota até a data trilhada. Sempre pautada pelos conceitos de certo e errado ministrados no mais remoto de minha memória.


_ Isso não se pode fazer filho, afinal a casa não é nossa, é alugada. Seu Aires vai se aborrecer conosco. - Quando eu desenhava nas paredes da casa.



Hoje. Aos 61 anos. sou a somatória dos conceitos dos primeiros anos, e das transformações efetivadas pelas centenas e centenas de leituras de minha trajetótia.


Mas sou um espirito inacabado. Ainda, e sempre inacabado.



Estou convicto disto. Muito mais há a agregar nesses conceitos todos, formadores do meu estofo intelectual. Talvez coisas inimaginadas por mim neste momento.



A Vida, na sua capacidade de me trazer surprezas, aprontará mais uma das suas; me trazendo um outro cantor, um outro filósofo, um outro sociólogo; melhor ainda, uma outra companheira, capaz de vir com elementos novos à nossa jornada. Pois não será correto e justo, seguir com uma companheira, mantendo a mentalidade de
solitário. Reaprenderei a viver a dois.



Essas coisas acima escritas, são apenas idéias brotantes de um momento de meditação dentre tantos. Instantes de cada tarde, dedicados a algo muito distante da materialidade. Espaço de mergulho no universo da abstração, capaz de se dar através do estudo do espiritismo, de um livro de mensagens, de um texto de sociologia e arte, da letra de uma canção. Mas, por certo, momentos em que eu, consciente disso, me projeto fora da corporeidade característica em todos nós e me vejo projetado na mais pura espiritualidade.



Momentos de comunhão com um Bem muito maior, apenas me deixo envolver em tudo isso, pois tenho a certeza na benevolência de quem me acompanha.



Paulo Cesar Fernandes

07  02  2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Transcender

Da necessidade de transcendência.


_ O ser humano transcende?
_ Sim.



_ E por que razão?
_ Por ter certeza de sua finitude. É o único animal cuja finitude lhe agasta a existência desde tempos
imemoriais. Sabe da morte e a teme. Digam o que digam. Seja qual seja sua forma de pensar, o homem teme a morte.


Nem sempre a morte em si, mas ao sofrimento que a antecede. Vemos o sofrimento dos nossos semelhantes, amigos e parentes. Vemos a sua morte e sofremos. Sofremos sua ausência. A dor cortante da ausência dos nossos. Dos nossos avós. Dos nossos tios e nossos pais.


E vemos a coisa se aproximar de nós.


Uma amiga se vai. Um amigo. Tão novo aos nossos olhos.


Essa angústia arroja o homem na busca da transcendência.


E a melhor forma de transcender, na minha opinião, é a busca da espiritualidade, de tudo aquilo contraposto à materialidade: a arte; o pensamento abstrato da matemática e das ciências; a filosofia; e até
mesmo alguma concepção religiosa, seja ela qual seja, é capaz de fazer o homem transcender.


E nesse processo de transcendência o homem ganha outra forma de ver a vida, e de se postar diante das dificuldades.


É o momento de força, de coragem, de instituição de outros parâmetros existenciais.


Parece um nada dizendo assim. Mas é muito. Pois revalora a existência. Dá-lhe um outro sentido.


Todos os pensadores foram homens transcendentes. Sua obra, sua criação, é a marca dessa transcendência e da necessidade de transcendência presente ao longo de sua vida.


Não nos prendamos à materialidade. Afinal a vida é sempre curta.


E acima de tudo, o homem necessita voar!


Paulo Cesar Fernandes


04 02 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O mundo possível virá

A Europa não é mais o centro do mundo.
Os EEUU não são mais o centro do mundo.


Hoje, no mundo, pipocam novos centros de cultura, novas formas de pensar trazidas por etnias das mais diversas.
 


Mesmo os blocos econômicos não tem a menor importância. Estão sempre às voltas com suas economias, e com seus mercados.
 

Uma outra lógica deverá salvar o mundo. Basta os que se julgam sábios e donos de todo o saber baixar a bola. E de forma humilde beber da sabedoria de todas as culturas ancestrais. Essas mesmas culturas que os europeus e os EEUU tentaram dizimar.



E não conseguiram.
 



Voltar às origens indianas, incaicas, quechuas, chinesas, etc.



Indo lá atrás, bem atrás mesmo no conhecimento desses povos.
 




Por certo aí está um tesouro capaz de trazer melhores rumos à civilização em agouro, a Civilização Ocidental Cristã. Uma cristandade materialista e genocida.



Jesus de Nazaré, o homem, não pactuaria com tudo isto. Nem mesmo de chamá-lo Cristo.
 


Cai por terra a civilização da exterioridade. E é necessário que nada sobre dela.


Nascerá a Civilização da Esssencialidade.


Do predomínio do Ser. (Espírito)


Da Espiritualidade.


De um novo conceito de progresso.


O progresso do Estar-Bem Para-Si e Estar-Bem Para o Outro.


Num nível de horizontalidade jamais visto. No mais natural colaboracionismo. Nada a ver com a materialidade dos códigos abertos dos softwares livres.


Falo de outra coisa. Noutro sentido, noutro rumo.
 


Construção paulatina e firme, onde cada um de nós poderá ir acordando. Cada um a seu tempo.


Sem mais a letargia da materialidade, do consumo, da objetificação do Ser.

O mundo possível virá!
 


Paulo Cesar Fernandes

23 01 2013



2013   »   Ano 1   »   Era da JUSTIÇA

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Retomando a questão

Tenho defendido a idéia da inexistência do perispírito.


Dessa forma, o espirito agiria diretamente sobre a matéria.


Raciocine comigo por favor. O espírito tem a capacidade de aglutinar energia ao redor de si, e por força de sua vontade destinar essa energia a outras pessoas necessitadas da mesma. Fenômeno esse ocorrendo diuturnamente em todas as casas espíritas.


Se, pelo pensamento, o espirito é capaz de aglutinar energia, e sendo energia matéria, deduzimos daí ser o espirito capaz de atuar diretamente sobre a matéria.


O Espírito atua diretamente sobre a Matéria.


Por que motivo teria uma série de elementos semimateriais, vaporosos, diáfanos, ou como queiramos chamar para intermediar a relação espírito/corpo ou espírito/objetos, neste último caso nos referindo às manifestações físicas ocorridas à época de Kardec, como tenho visto em "O Livro dos Médiuns" neste estudo sistemático de cada tarde.


Não te peço, leitor, para concordar comigo. Pois tenho afirmado à exaustão, ser minha tarefa no mundo lançar idéias apenas, sempre na perspectiva de pessoas dotadas de tino, e capacidade de análise, nessas idéias se debruçar, e a alguma conclusão delas tirar.


Confirmando meu raciocínio lógico, ou dele discordando.


Em nada me ferirá a rejeição das pessoas às minhas idéias. Homens muito mais inteligentes que eu tiveram suas idéias inicialmente rejeitadas e, o transcurso do tempo e a evolução das mentalidades acabaram por lhes dar a merecida razão.


Realmente não me preocupo. E tomo um cientista da geologia como exemplo. Alfred Lothar Wegener. Este homem foi detonado quando, por volta de 1930, trouxe à luz a "Teoria da Deriva dos Continentes". Advoga ele que os continentes estão se distanciando, desde o momento da Pangea, quando uma massa uniforme craqueou, e suas várias partes foram se deslocando, dando origem aos continentes hoje conhecidos.


Ainda em anos recentes, li um artigo, em que duas professoras eram ferozes contra a teoria de Wegener. Mesmo com a divulgação das pesquisas levadas a cabo por cientistas do mundo todo, onde reafirmam a teoria, com a oportunidade de medir o quanto de deslocamento se dá em determinados períodos de tempo.


Os equipamentos de Geoprocessamento e o avanço da computação científica permitiram a validação da teoria de Wegener. E, embora já tenha sido validada, segue com a denominação de "Teoria da Deriva Continental". (Para maiores informações procure livro de
Samuel Blanco sobre o assunto).


Digo ao leitor. Estou trazendo uma teoria, por mais pautada na lógica, é uma teoria. Que confronta com o texto de Allan kardec em "O Livro dos Médiuns", na segunda parte, capítulo IV denominado "Da teoria das Manifestações Físicas".


Antes de ver o texto de Kardec, pensemos que Albert Einstein não tinha ainda passado pela Terra, ainda não havia trazido sua contribuição ao nosso pensamento científico, quando define ser a matéria apenas uma transformação de energia, se bem entendi as aulas dos meus amigos mais versados em ciência. Expresso aqui o conteúdo aprendido e apreendido nas aulas dos cursos de Sexta-feira no Centro Espírita Allan Kardec. O pouco de conhecimento científico em mim presente, tem ali sua raiz. Sendo evidente minha gratidão.


Após uma série de perguntas aos espíritos sobre as manifestações Físicas Kardec tece as suas considerações:


75. Estas explicações são claras, categóricas e isentas de ambigüidade. Delas ressalta, como ponto capital, que o fluido universal, onde se contém o principio da vida, é o agente principal das manifestações, agente que recebe impulsão do Espírito, seja encarnado, seja errante.

Condensado, esse fluido constitui o perispírito, ou invólucro semimaterial do Espírito. Encarnado este, o perispírito se acha unido à matéria do corpo; estando o Espírito na erraticidade, ele se encontra livre. Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito se acha mais ou menos ligada, mais ou menos aderente, se assim nos podemos exprimir.

Em algumas pessoas se verifica, por efeito de suas organizações, uma espécie de emanação desse fluido e é isso, propriamente falando, o que constitui o médium de influências físicas. A emissão do fluido animalizado pode ser mais ou menos abundante, como mais ou menos fácil a sua combinação, donde os médiuns mais ou menos poderosos. Essa emissão, porém, não é permanente, o
que explica a intermitência do poder mediúnico.



76. Façamos uma comparação. Quando se tem vontade de atuar materialmente sobre um ponto colocado a distância, quem quer é o pensamento, mas o pensamento por si só não irá percutir o ponto; é-lhe preciso um intermediário, posto sob a sua direção: uma vara, um projetil, uma corrente de ar, etc.

Notai também que o pensamento não atua diretamente sobre a vara, porquanto, se esta não for tocada, não se moverá. O pensamento,
que não é senão o Espírito encarnado, está unido ao corpo pelo perispírito e não pode atuar sobre o corpo sem o perispírito, como não o pode sobre a vara sem o corpo.

Atua sobre o perispírito, por ser esta a substância com que tem mais afinidade; o perispírito atua sobre os músculos, os músculos tomam a vara e a vara bate no ponto visado. Quando o Espírito não está encarnado, faz-se-lhe mister um auxiliar estranho e este auxiliar
é o fluido, mediante o qual torna ele o objeto, sobre que quer atuar, apto a lhe obedecer à impulsão da vontade.



77. Assim, quando um objeto é posto em movimento, levantado ou atirado para o ar, não é que o Espírito o tome, empurre e suspenda, como o faríamos com a mão. O Espírito o satura, por assim dizer, do seu fluido, combinado com o do médium, e o objeto, momentaneamente vivificado desta maneira, obra como o faria um ser vivo, com a diferença apenas de que, não tendo vontade própria, segue o impulso que lhe dá a vontade do Espírito.

Pois que o fluido vital, que o Espírito, de certo modo, emite, dá vida factícia e momentânea aos corpos inertes; pois que o perispírito não é mais do que esse mesmo fluido vital, segue-se que, quando o Espírito está encarnado, é ele próprio quem dá vida ao seu corpo, por meio do seu perispírito, conservando-se unido a esse corpo, enquanto a organização deste o permite. Quando se retira, o corpo morre. Agora, se, em vez de uma mesa, esculpirmos uma estátua de madeira e sobre ela atuarmos, como sobre a mesa, teremos uma estátua que se moverá, que baterá, que responderá
com os seus movimentos e pancadas. Teremos, em suma, uma estátua animada momentaneamente de uma vida artificial. Em lugar de mesas falantes, ter-se-iam estátuas falantes. Quanta luz esta teoria não projeta sobre uma imensidade de fenômenos até agora sem solução!

Quantas alegorias e efeitos misteriosos ela não explica!

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Allan Kardec, Hegel, Kant a linguagem evidentemente superior utilizada por estes espíritos me trazem alegria e bem estar. Uma linguagem capaz de nos colocar num patamar mais elevado de concepções, nos arrojando distante da materialidade do dia a dia.


Está esse tipo de leituras entre as coisas por mim designadas como o universo da Espiritualidade.


O que resta ao leitor sério?


Pesar as duas teorias e adotar a mais lógica e mais condizente com os tempos, e os conhecimentos científicos por nós desfrutados na atualidade.


Evidente está, ao fazer este arrazoado chamo o leitor à minha teoria. Mas repito: em nada me sentirei diminuido se algum desses leitores vier a me negar o beneplácito de sua concordância.


Bem diz o dito popular "em cada cabeça uma sentença".  Estou longe de me crer dono da verdade. A verdade não existe.


Vou nos caminhos de Jesus, no seu exemplo. Este falava ao seu povo por parábolas, pois a alegoria é uma forma de sugestão de idéias. Nunca se configurando numa forma autoritária de discurso.


Permitindo estas ao receptor acatá-las e praticá-las segundo sua capacidade de compreensão, respeita a individoalidade, a subjetividade de cada um.


Apenas sugiro uma outra ótica de análise, para um mesmo fenômeno teorizado por Allan Kardec.


Nossa análise seja sempre visando o melhor para cada um dos homens, e à Humanidade como um todo.



Paulo Cesar Fernandes

16  01  2013



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Desarme

Quando nos desarmamos, e permitimos ao coração tomar por inteiro a palavra, a vida ganha.

E por nossa mente vão desfilando momentos alegres e felizes com as companheiras todas que esta vida me permitiu conviver. Os risos; os perigos; emoções; as intimidades conquistadas a dois; toques de delicadeza e doçura;  o café na cama; um poema fixado num guarda-roupas; um assalto sofrido a dois; a descoberta da ejaculação feminina; os dedos deslizando suavemente sobre o corpo depois do amor; a mão que penetra a cabeleira densa para um cafuné; e coisas tantas...

Mais forte que tudo é o silêncio tão parlante, os olhares atados entre si, circuito fechado sem nada lá fora.

Uma foto de passado distante trouxe esse desarme.

Imagem de emoções, estas plenamente espirituais, compondo o
passado no CEAK. Mocidade. Coisas de outra natureza.


Sensibilidade e beleza ainda, num sair do corpo. Projetar-se num grupo sendo apenas afetividade. A magia do amor, se deslocando do seio da consanguinidade para a família espiritual. Almas irmanadas num só diapasão. Corações alegres, cantando como sabiás ou bem-te-vis.


Alegria e sinceridade juvenis se somando para presentear as pessoas com um certo êxtase. Nada tão intenso até aquela data.

O próprio Alexandre Sech impactado diante do momento.

Felicidade!

Gotas de felicidade pinçadas do passado.
Lembranças todas plenas de alegria e prazer.
Todas boas. Todas fortes. Santificadas.
Fluem energias do coração aberto a tudo.
Sinceramente afetuoso, no passado e no presente.
A idade é força amiga, nos caminhos do coração aberto.


Paulo Cesar Fernandes

11   01   2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Carta a um homem atemporal e perene - Jesus

Sim, és tu Jesus, cujas mãos calientes tocam meu coração, fazendo dele brotar as mais puras emoções; límpidas, límpidas como as intenções e ações de todos aqueles verdadeiramente revolucionários.


Palavras e atos revolvendo a Razão e a sensibilidade.


Exemplos fortes, capazes de forjar novos militantes, para honrar mais e mais nossos massacrados países da América Espanhola, mas não só.


Massacrados por civilizações que se diziam e se dizem cristãs.


Aonde a cristandade? Brutalidade e genocídio, em nome de que deus?


Não Jesus, tu não estavas lá, e não estavas vendo tudo isso.


O mundo todo se ressente e sofre de tanta injustiça. O negrito magricela de todos os recantos deste injusto mundo.

Os olhinhos fundos de fome, assolando a África e o Sudeste Asiático. O Brasil e nossa HispanoAmérica. Até quando?


Não te chamo para pedir nada, nem para te lembrar do que talvez te fosse obrigação.


Clamo por ti para compartir a dor, essa dor de tanta injustiça forjada.


É do calor e do contato de tuas mãos, que tomo coragem para compartir essa dor. Não a quero apenas minha, mas nossa.


Te pergunto ainda.


Como existir Deus, se o coração da Humanidade é forjado da materialidade mais cruel?


Deus não existe!


Houve equívoco de tua parte, e de teu equívoco se valeram homens da mais vil categoria espiritual, para dominar outros homens, quer politicamente, quer mentalmente; são os pobres da terra de hoje, e os pobres de espírito de todos os tempos.


Estou certo que tu, junto como os filósofos de todos os tempos, deram ao homem mais autonomia. E hoje ainda, sob o ordenamento de tua Viva Razão, se dá o surgimento de novos nomes, capazes de por uma pá de cal na insensibilidade, na irracionalidade vigente em nosso tempo.


É a ti Jesus de Nazaré, e mais ainda à tua renovadora mensagem a negação geral. 
Os homens negam a ti e à tua mensagem a cada dia, a cada hora.

Como se uma venda de frieza e individualismo estivesse presente nos olhos de toda a Humanidade.


Crês ainda em Deus?

Estou convicto que não!


Temos no peito a mesma dor da desilusão! Dor de perda! A perda diária de cada pessoa engalfinhada em si mesmo. Na mesmice do egoísmo.


Por outro lado, trazes em teus lábios as palavras das Bemaventuranças, de todo o Sermão da Montanha e a promessa do Reino.


Agora já não mais no imanente, mas consolidado no contingente. Na vida diária. Concreta!


Um Reino Real e Palpável, capaz de dar sentido ao aperto de mão, ao abraço, ao olhar afetuoso, à mensagem encorajadora.


Não meu amigo de Nazaré, nós estamos no mesmo barco.

Já deixastes o "Reino de los Cielos" pisastes a Terra. Esta mesma terra hispanoamericana e conflituosa. De matanças e genocídios tantos.
Esse é o material a trabalhar. E trabalhar juntos!


Essa terra africana carente e faminta. Essa terra do Haiti, pobre em todos os aspectos, itens capazes de serem percebidos por nós dois.


Mas essa mesma terra tem, e tu sabes, homens cujas palavras e atos são cânticos de hossanas à Vida, e não mais os anjos dos céus, ou deuses abstratos e inexistentes.


A Vida existe e pulsa em mim agora, no correr da pena, no pensamento claro e amoroso a ti, e à Humanidade toda.


Essa mesma Humanidade adormecida, entorpecida pelo canto da sereia da materialidade capitalista.


É possível acordar! Sair da letargia e do marasmo. Da frieza. Egoísmo reinante.


Sabes. De Nazaré até hoje temos a mesma Humanidade. Os mesmos problemas, mesmas paixões.


Sabes também, do caminho da Espiritualidade, opositora ferrenha da materialidade vigente. Assassina e torpe. Capaz da indústria Bélica; da
pesquisa da destruição em massa; da eliminação planejada das populações pobres, num processo de "higienização" da Terra, levada a cabo pelas
grandes potências bélicas (Vide obra de Slavoj Zizek).


Uma espiritualidade não religiosa, e despida de todas as instituições, livre de preceitos outros além dos deixados por ti, e dos presentes nos limites da
Razão Humana. O Homem, capaz de se enternecer com a dor do outro homem, tendo dentro de si, a humanidade perdida na materialidade. Uma materialidade presente em todos os recantos do mundo.


Uma Espiritualidade capaz de mudar, através do coração as novas gerações, recebendo estas um legado mais feliz e mais harmonioso.


Nascerá uma nova militância pautada em ti, velho amigo. Homem como todos nós, mas com a capacidade de visão mais ampla, e com um amor
capaz de fazer renascer no coração do  homem, valores de Justiça e Equidade. Algo mais condizente com a Terra na qual todos sonhamos viver.


Se "Deus está morto". Cabe a ti viver e vivificar a Terra, ditando os rumos para uma Nova Humanidade.



Portal Fernandes   (Paulo Cesar Fernandes

18  09  2012

Filosofia e Religião - José Pablo Feinmann

Filosofia e Religião - José Pablo Feinmann



Prof. José Pablo Feinmann (UBA - Universidade de Buenos Aires)

Nota inicial: Estas anotações foram feitas no correr do video e alguma coisa pode ter se perdido. Peço tua compreensão. P.C. serão minhas observações pessoais.


Bueno. A idéia de religião está presente em todos os filósofos.

(Inclusive em filósofos que negam a existência de Deus há a ocupação com a questão religiosa. P.C.)


(É de se notar o discurso feito em 1933, na Universidade de Berlim por Martin Heidegger, um homem sempre acusado de sua ligação com o Nazismo. Mas cujas idéias são válidas como veremos. P.C.)


Karl Jaspers era um homem medíocre que trocava cartas com Heidegger. Segundo Jaspers o homem não chega a Deus pela Razão. Precisa dar um salto, sair da Razão e chegar a Deus pela fé.


Ora, a fé é a negação da razão.

(A fé é sempre cega. Não há outra forma de fé. Para me apegar a uma fé eu preciso aniquilar a Razão. Uma imbecilidade. P.C.)


Que é Deus?

Por que aparece na cultura do homem?


O homem busca explicaçã para tudo, busca saber de suas origens e destinações. Da finalidade de sua existência e, o pior, a questão de sua finitude.

A grande angústia humana. Essa finitude lhe dá a necessidade de um Ser Absoluto »» DEUS


Aristóteles o chama de motor primeiro.


Santo Agostinho em suas "Confissões" estabelece algumas questões:

Por que fui criado?
Vim ao mundo pelo pecado?
Por que sinto paixões?
Por que pusestes o Mal em mim?
Por que criastes o Mal?



Leibniz em sua obra nos diz que vivemos no "melhor dos mundos possíveis". Que Deus nos deu "o menos mal possível".

A Onipotência Divina se contrapoe à existência do Mal.

O Mal é fruto da Liberdade do homem.


Por que Deus fez um mundo tão imperfeito?


»»» Deus nas filosofias «««


Onde estava Deus em Alschwitz?

Onde estava Deus nos Campos de Concentração do Chile de Augusto Pinochet?


É cômodo crer em Deus, pois ele nos dá respostas a tudo o que nos incomoda.


A tortura de Jesus na cruz é uma justificativa para as torturas perpetradas pela Igreja na Idade Média. Se Jesus foi imolado na cruz, é justo que eu imole os hereges capazes de se opor à Santa Igreja.


Da mesma forma o Holocausto tão fortemente trabalhado pelos Judeus, busca justificar as ações do Estado de Israel contra o Povo Palestino.


Descartes precisou sair de um país católico, como a França, e se radicar na Holanda para poder pensar mais livremente.

Na Holanda duvidou de tudo, firmando seu ponto de partida no Cógito »» o pensamento do homem. Para Descartes o deus é o Homem. Mas Descartes acreditava em Deus.


Raciocínio de Descartes sobre Deus:

"O que está fora de mim existe.
Existe em mim a idéia de um ser perfeito.
Alguém pos essa idéia em mim.
Esse alguém é Deus."



Para Martin Heidegger, a subjetividade trazida pelo Cógito de Descartes: "Penso, logo existo" é o inicio do capitalismo.


E por que isso?

Pois o homem se coloca na centralidade de tudo. Passa a ser sujeito de si e de sua história. E passa a ter domínio sobre as coisas (Entes segundo Heidegger).


Para Heidegger os Entes dominam o mundo, e o homem se distancia do Ser. Criticava também a técnica capaz de dar ao homem a ilusão de ser maior que realmente o é.


1789 »» Revolução Francesa »» Negação de Deus.

E por que negavam a Deus?


Pois Luis XVI governava por direito divino.

(Vemos aí a forte ligação da instituição Igreja com os poderes temporais da Terra, o que lhe tira a possibilidade de um vínculo
maior com a divindade. P.C.)


Segundo Immanuel Kant, Deus é o sujeito transcendental.

O mundo é aquele que o Homem/Sujeito possa conhecer.

Não há verdade divina, a verdade é humana.



Finalmente para Karl Marx: "A religião é o ópio do povo."


«««
Opiniões de José Pablo Feinmann.
Comentários de Paulo Cesar.

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Grato pela sua atenção.


Paulo Cesar Fernandes

07 01 2013


2013 Era da Justiça Ano I

sábado, 5 de janeiro de 2013

Mediunidade e Mesas Girantes - 05 01 2013

Aqui temos dois aspectos de bastante interesse:

1) muitas pessoas gostariam de ser médiuns, mas para isso apenas a observação detalhada e sistemática poderá, ao longo de um bom período de tempo definir com maior exatidão;

2) outro aspecto que veremos no trecho abaixo é das mesas girantes, fenômenos iniciais de todo o processo de comounicação entre os desencarnados e o mundo material.

Atentemos às observações de Kardec, e sigamos na nossa rota de aprendizado e conhecimento mais seguro das relações entre o mundo material e o imaterial.

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Allan Kardec  -  Livro dos Médiuns

SEGUNDA PARTE

Das manifestações espíritas

CAPÍTULO II

DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS. - DAS MESAS GIRANTES


62. Nenhum indício há pelo qual se reconheça a existência da faculdade mediúnica. Só a experiência pode revelá-la. Quando, numa reunião, se quer experimentar, devem todos, muito simplesmente, sentar-se ao derredor da mesa e colocar-lhe em cima, espalmadas, as mãos, sem pressão, nem esforço muscular. A
princípio, como se ignorassem as causas do fenômeno, recomendavam muitas precauções, que depois se verificou serem absolutamente inúteis. Tal, por exemplo, a alternação dos sexos; tal, também, o contacto entre os dedos mínimos das diferentes
pessoas, de modo a formar uma cadeia ininterrupta. Esta última precaução parecia necessária, quando se acreditava na ação de uma espécie de corrente elétrica. Depois, a experiência lhe demonstrou a inutilidade. A única prescrição de rigor obrigatório é o recolhimento, absoluto silêncio e, sobretudo, a paciência, caso o efeito se faça esperar. Pode acontecer que ele se produza em alguns minutos, como pode tardar meia hora ou uma hora. Isso depende da força mediúnica dos co-participantes.



63. Acrescentemos que a forma da mesa, a substância de que é feita, a presença de metais, da seda nas roupas dos assistentes, os dias, as horas, a obscuridade, ou a luz etc., são indiferentes como a chuva ou o bom tempo. Apenas o volume da mesa deve ser levado em conta, mas tão-somente no caso em que a força mediúnica seja insuficiente para vencer-lhe a resistência. No caso contrário, uma pessoa só, até uma criança, pode fazer que uma mesa de cem quilos se levante, ao passo que, em condições menos favoráveis, doze pessoas não conseguirão que uma mesinha de centro se mova.
Estando as coisas neste pé, quando o efeito começa a produzir-se, geralmente se ouve um pequeno estalido na mesa; sente-se como que um frêmito, que é o prelúdio do movimento. Tem-se a impressão de que ela se esforça por despregar-se do chão; depois,
o movimento de rotação se acentua e acelera ao ponto de adquirir tal rapidez, que os assistentes se vêem nas maiores dificuldades para acompanhá-lo. Uma vez acentuado o movimento, podem eles afastar-se da mesa, que esta continua a mover-se em todos os
sentidos, sem contacto.


Doutras vezes, ela se agita e ergue, ora num pé, ora noutro, e, em seguida, retoma suavemente a sua posição natural. Doutras, entra a oscilar, imitando o duplo balanço de um navio. Doutras, afinal, mas para isto necessário se faz considerável força mediúnica, se destaca completamente do solo e se mantém equilibrada no espaço, sem
nenhum ponto de apoio, chegando mesmo, não raro, a elevar-se até o forro da casa, de modo a ser possível passar-se-lhe por baixo. Depois, desce lentamente, baloiçando-se como o faria uma folha de papel, ou, senão, cai violentamente e se quebra, o que prova de modo patente que os que presenciam o fenômeno não são vítimas de uma ilusão de ótica.


64. Outro fenômeno que se produz com freqüência, de acordo com a natureza do médium, é o das pancadas no próprio tecido da madeira, sem que a mesa faça qualquer movimento. Essas pancadas, às vezes muito fracas, outras vezes muito fortes, se fazem também ouvir nos outros móveis do compartimento, nas paredes e no forro. Dentro em pouco voltaremos a esta questão. Quando as pancadas se dão na mesa, produzem nesta uma vibração muito apreciável por meio dos dedos e que se distingue
perfeitamente, aplicando-se-lhe o ouvido.


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No que diz respeito ao processo de desenvolvimento da mediunidade, em muitos lugares se fez o avanço para o processo de conhecimento da mediunidade.

Muitas vezes, dentro do Curso de Mediunidade, por um criterioso registro e análise do desenvolvimento, do progresso de cada participante nas suas sensações, e possíveis sinais apresentados, pode a pessoa que coordena o curso de mediunidade como maior possibilidade de acerto encaminhar a pessoa para uma reunião mediúnica, para atuar como médium mesmo, ou ser sincera com a pessoa dizendo-lhe não ter mediunidade,. Mas isso não é impedimento para que trabalhe na casa espírita.

Em geral, em lugarea bem orientados, tais pessoas são alocadas nas reuniões, aí atuando como suportes energéticos para a harmonização maior do ambiente mediúnico.

Sendo a mediunidade, segundo Kardec, uma predisposição orgânica, podemos pensá-la como algo a se construir a partir do momento da concepção, evidentemente levando em consideração todas as experiências de comunicação acumuladas pelo espírito em sua trajetória existencial.

Comunicação é um processo capaz de ser aprendido. Dessa maneira, aprende o espírito comunicante a se comunicar; bem como aprendem os médiuns a cederam de bom grado seu físico para a consecução de um processo de comunicação mediúnica.

E sempre são levadas em conta todas as experiências das encarnações anteriores.

Mediunidade é um processo natural e belo. Permite uma série de consolações e de alegrias incapazes de ser imaginadas pelos materialistas contumazes.

O espiritismo é uma porta de ampliação de possibilidades de compreensão da existência, trazendo ao indivíduo sério uma responsabilidade bem maior para com os próprios atos. e nesse contato entre a esfera material e a imaterial muito de aprendizado se consolida; quer numa Casa Espírita, quer num Lar bem estruturado, onde uma atividade de estudo tenha constância e regularidade.

Espíritos sérios e voltados para o Bem Maior não se ligam a pessoas de vida desregrada e sem responsabilidade e respeito para com eles. É da Lei de Afinidade; uma das leis components da Lei Natural, regente de nossos destinos.


Paulo Cesar Fernandes

05  01  2013


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Reflexão 2013 01 04 - Muito pouco para muito

Partir de um texto, fazer reflexões existenciais sobre nossos pensamentos e atos, no sentido de aprimorá-los, é realmente uma coisa impactante na nossa vida diária.

Chamemos de meditação, prece, ou qualquer outro nome desejado.

É fato a alteração provocada por esses trinta ou quarenta minutos na nossa trajetória existencial.
Não somos os mesmos, nos pensamentos e nos atos.
Uma tranquilidade passa a nos acompanhar; e uma vigilância mais perene se apodera de nós quanto aos nossos pensamentos.

Não mais iracundos, os intransigentes como eu. Relativização dos fatos ao nosso redor.


Nasce um diferencial.


Teve inicio na minha vida no pior momento da minha existência: o segundo semestre de 2011.
O Semestre Terrível. O mundo desabando ao meu redor:
Doença na família. Desequilíbrio meu. Fragilidade ante um quadro desagrádável, renascido do passado.


Eu precisava me fortalecer.


Não sei de onde veio a idéia, se inspirado, ou da necessidade advinda da dor.

O fim de tarde seria tempo de meditação. Revendo o dia até a hora e planejando o futuro.

Uma batalha nos primeiros meses, e pouco a pouco as negras nuvens se foram dissipando.
A taquicardia saiu do quadro existencial.

Bem estar e sensibilidade aflorando. Um sono mais reparador.


O fluir dos textos são um demonstrativo desse outro momento de paz e criatividade.

A Felicidade tendo foco dentro de mim.

Sem ilusões infantis. Sem necessidades materiais de qualquer ordem.

A simplicidade franciscana como meta tem sido elemento de grande poder nesse processo todo.


Num poema eu disse, com muita verdade nisso:
   Fora de mim o Nada.
   Atrás, apenas o pó da estrada.



E não é egoísmo pois vivo na solidariedade.
Na luta por um mundo melhor.
Não me meto em maracutaias.
A ética me é ancestral.
Escolhi a simplicidade e a filosofia.

Numa corrente grandiosa:

Filosofia  »»»  Liberdade  »»»  Criatividade  »»»  Felicidade.


Mas não estou só nesse processo.
Conto com amigos espirituais, muitos eu creio.
Pois toda tarde é um renascer. Um bem estar sem fronteiras.

Amigos hispanicos que gostam das coisas que escrevo, inclusive no Blog Pour Kardec - De teoria Espírita


Daí concluí que não necessitamos de instituições de nenhuma ordem.
Precisamos apenas instituir em nossa vida a Vontade de Servir; a Sinceridade; e a alma totalmente voltada para o Bem.

Assim é! E assim há de continuar sendo.


Paulo Cesar Fernandes


04  01  2013



2013   Ano I   Era da Justiça

sábado, 29 de dezembro de 2012

Perispírito inútil - Parte 2

Ao apresentar tal idéia a um amigo, que respeito intelectualmente, recebi uma grosseria como resposta.
Foi muito engraçado, pois esperava alguma reação mais ou menos nos moldes da recebida. Segui a estimar esse amigo da mesma forma, e a
admirar seu trabalho intelectual, sempre em um corte renovador para o movimento Espírita que por aí anda. Sempre foge da mesmiçe institucionalizada. A característica de um intelectual é criar, segundo Prof. José Pablo Feinmann da Universidade de Buenos Aires. Isto coloca meu amigo na condição de um intelectual.

Espero apenas do amigo leitor, maior bom humor que esse meu amigo.

Mas eu quero, por motivo de pura justiça, contrapor minhas idéias, pautadas apenas num raciocínio lógico, que me arrogo o direito de faze-lo e divulgá-lo, com algumas palavras de nosso Allan Kardec encontradas em "O Livro dos Médiuns" e "O Livro dos Espíritos".
No texto de "O Livro dos Médiuns" Kardec faz referência a trechos do "Livro dos Espíritos". Todos estão a seguir:


O Livro dos Médiuns

Capítulo IV - Dos sistemas - 50 Sistema da alma material

Julgamo-nos, entretanto, na obrigação de dizer algumas palavras acerca dos fundamentos em que repousa a opinião dos que consideram distintos a alma e o perispírito. Ela se baseia no ensino dos Espíritos, que nunca divergiam a esse respeito. Referimo-nos aos esclarecidos, porquanto, entre os Espíritos em geral, muitos há que não sabem mais, que sabem mesmo menos do que os homens, ao passo que a teoria contraria é de concepção humana. Não inventamos, nem imaginamos o perispírito, para explicar os fenômenos.

Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a experiência no-la confirmou (O Livro dos Espíritos, n. 93). Apóia-se também no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, n. 257) e, sobretudo, no fenômeno das aparições tangíveis, fenômeno que, de conformidade com a opinião que estamos apreciando, implicaria a solidificação e a desagregação das partes constitutivas da alma e, pois, a sua desorganização.
Fora mister, além disso, admitir-se que esta matéria, que pode ser percebida pelos nossos sentidos, é, ela própria, o principio inteligente, o que não nos parece mais racional do que confundir o corpo com a alma, ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza intima da alma, essa desconhecemo-la.

Quando se diz que a alma é imaterial, deve-se entendê-lo em sentido relativo, não em sentido absoluto, por isso que a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma, ou o Espírito, são alguma coisa. Qualificando-a de imaterial, quer-se dizer que sua essência é de tal modo superior, que nenhuma analogia tem com o que chamamos matéria e que, assim, para nós, ela é imaterial. (O Livro dos Espíritos, ns. 23 e 82).


O Livro dos Espíritos

Perispírito

93. O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
“Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.”

Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.


Ensaio teórico da sensação nos Espíritos

(Selecta referente ao tema tão somente.
Por favor consulte Livro dos Espíritos.

257. ...
O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da
eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém, não o da vida intelectual, que reside no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. Daí o Espírito não dizer que sofre mais da cabeça do que dos pés, ou vice-versa.


Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espírito por intermédio do perispírito, que constitui, provavelmente, o que se chama fluido nervoso. Uma vez morto, o corpo nada mais sente, por já não haver nele Espírito, nem perispírito. Este, desprendido do corpo, experimenta a sensação, porém, como já não lhe chega por um conduto limitado, ela se lhe torna geral. Ora, não sendo o perispírito, realmente, mais do que simples agente de transmissão, pois que no Espírito é que está a consciência, lógico será deduzir-se que, se pudesse existir perispírito sem Espírito, aquele nada sentiria, exatamente como um corpo que morreu.

Haurido do meio ambiente, esse invólucro varia de acordo com a natureza dos mundos. Ao passarem de um mundo a outro, os Espíritos mudam de envoltório, como nós mudamos de roupa, quando passamos do inverno ao verão, ou do pólo ao equador. Quando vêm visitar-nos, os mais elevados se revestem do perispírito terrestre e então suas percepções se produzem como no comum dos Espíritos.

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23. Que é o Espírito?
“O princípio inteligente do Universo.”

a) - Qual a natureza íntima do Espírito?
“Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai 
sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”
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82. Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais?
“Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as idéias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da
imaginação.

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Peço ao leitor. Apesar da força e respaldo espiritual das palavras dos espíritos a Kardec, não deixe de considerar minha proposta da não necessidade do perispírito.



Lembre sempre. Tanto Kardec como os espiritos que o ajudavam eram todos frutos de uma época.


O mesmo Kardec imprimia ao espiritismo uma dinâmica capaz de faze-lo avancar sempre a novos horizontes. Era contra "a letra que mata" e lutava sempre em favor do "espírito que vivifica".


Não sou dono da verdade, até mesmo por não acreditar em verdades prontas e acabadas, a filosofia nos ensina a colocar todas as coisas sob análise, e isso num processo constante e sério. As próprias teorias científicas são válidas até a data; ou ainda dentro de limites claramente estabelecidos. Tomo como exemplo a Geometria Euclidiana, segue válida, mas sempre respeitados os limites de sua aplicabilidade.


O que trago aqui não é uma leviandade. É o processo de uma reflexão séria e racional. Capaz de ser hoje desconsiderada pela incompreensão dos homens, mas cuja veracidade o tempo e a ampliação do horizonte cultural de todos os homens, espiritistas ou não, trará luz a esta idéia pela qual me debato desde 2008. Seja para confirmá-la; seja para lançar-lhe uma pá de cal.


Se eu, algum dia, chegar a concluir por meu erro, não terei o menor pudor em admití-lo. Não seria ético manter um pensamento pautado no meu orgulho e na minha vaidade.


O que aqui trago é uma proposta teórica, de bases lógicas. Se será aceita ou rejeitada pelo leitor não é fonte de minha preocupação, tenho por dever estar concorde com minha consciência. Lutar pelas idéias nas quais eu acredito, como fiz desde a mais remota juventude. Quer se trate do espiritismo, quer se trate de qualquer outra área de conhecimento a que tenha me dedicado: geologia; filosofia; política; sociologia; etc


O tempo matura todos os frutos. Inclusive os frutos da Razão Humana.

Temos ainda de Livro dos Médiuns

Segunda parte - Capítulo I

Da ação dos espíritos sobre a matéria


58. A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, desconhecemo-la por completo. Apenas pelos seus atos ele se nos revela e seus atos não nos podem impressionar os sentidos, a não ser por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para atuar sobre a matéria. Tem por instrumento direto de sua

ação o perispírito, como o homem tem o corpo. Ora, o perispírito é matéria, conforme acabamos de ver. Depois, serve-lhe também de agente intermediário o fluido universal, espécie de veículo sobre que ele atua, como nós atuamos sobre o ar, para obter determinados efeitos, por meio da dilatação, da compressão, da propulsão, ou das
vibrações.

Partindo do desconhecimento atestado por Kardec, a partir das informações dos espíritos, isto me permite teorizar da possibilidade do espirito ser uma forma muita sutil de energia, uma energia capaz de eleboração pensante.

Dessa possibilidade, sendo o espírito energia, este pode atuar diretamente sobre a matéria. Não haveria disparidade de princípios a se contrapor; mas, tão somente energia em diferentes estágios de sutileza.

Um único princípio animaria o espírito, bem como a matéria bruta.

Reitero ser esta apenas uma teoria, uma elaboração pautada na lógica tão somente. Não obrigo ninguém a tomá-la como verdade; espero apenas dos homens de bom senso a abertura mental para analisar tal perspectiva desprovido de preconceitos.

Esta perspectiva traz em seu bojo desdobramentos filosóficos mais amplos, os quais não pretendo trabalhar neste momento. Mas que o leitor mais atento, e preocupado com o princípio de todas as coisas já poderá tirar ilações.

Me refiro a unicidade de princípios, sendo a alma um espiritoo encarnado e tendo o espírito a estrutura energética, daí podemos concluir que um único principio anima tudo o qu existe.

É isso! Uma questão filosófica a requisitar um debate mais profundo. De minha parte, um conhecimento mais profundo de física, principalmente no dizente à constituição da matéria enquanto condensação de energia.

Novo momento virá para tal discussão. Por ora fica lançada a idéia.



Fenômenos tangíveis

Não havendo perispírito como ficariam as materializações, voz direta e outras mais?


Efetivamente tais fenomenos não prescindirão de um médium. Um participante do processo capaz de ceder alguma forma de energia, mais animalizada a ser trabalhada pelo espírito comunicante.


É evidente a necessidade de tal espírito ter conhecimento de como lidar com tal energia. E esse conhecimento não precisa necssáriamente passar por fórmulas de física, de teorias de alta complexidade.


Pode ocorrer do espírito saber lidar com tal material por pura intuição. Da mesma forma ocorre em nossas reuniões diuturnas nas casas espíritas.


Se perguntado ao espírito numa comunicação, muitas das vezes ele não explica como ocorre, ou tem explicações como:


_ Me puseram perto dela/dele e o que eu ia pensando ele/ela ia falando.

Ou ainda:

_ Não sei como é, mas eu vou falando e ele/ela vai escrevendo o que eu falo.


Da mecânica do processo o espirito não tem conhecimento.

Simplesmente atua.


Imagino que o mesmo ocorria entre os espíritos materializados nas tribos da Polinésia. Fatos narrados por José Herculano Pires em seu livro "O Espírito e o Tempo".


Em seu horizonte tribal, tal conhecimento teórico não constava, mas sua prática e inclusive rituais de iniciação deviam haver, rituais passados de geração a geração, garantindo a perpetuação dessas práticas, onde os antepassados vinham e se materializavam, travando um diálogo natural com os membros das tribos.


Espírito e matéria interagem de forma direta e simples. Essa é a visão defendida por mim já fazem alguns anos.

Se ouvidos moucos não lhe deram importância, que posso fazer?

O tempo dirá onde anda a racionalidade. Serenamente aguardo!


Paulo Cesar Fernandes

29  12  2012

Perispírito inútil - Parte 1

Publicado em 23 de outubro de 2008 sob o título "E se..."

Chego ao CEAK, revejo os costumeiros amigos das quartas-feiras.

A alegria do reencontro. Algumas poucas palavras pois o pensamento ainda se pautava no aspecto da aprendizagem, do material de registro, da busca do conhecimento,...

E me deparo com o tema: Perispírito.

Iniciada a palestra um macaquinho perguntador se instala em meus ombros. Ora dizia “E se..., ora dizia “and  if...” tal qual ouvimos nos filminhos norte-americanos. Ora dardejava na orelha esquerda, ora tinha a direita como alvo. Intrigado, me limitei a registrar suas interpelações.

Na berlinda, o companheiro que falava seguia seu roteiro, sempre pautado em Kardec, com toda segurança e bom ânimo.

Transcrevo aqui alguma das questões que vieram à baila:

E se não houver perispírito?

Perderia o homem a possibilidade de viver e atuar no mundo?

Recuperado do espanto inicial, passei a admitir a possibilidade. Ao menos por hipótese, seria vantajoso e enriquecedor admiti-la.

Afinal, ao longo da história muitos avanços ocorreram em diversas áreas, muito provavelmente porque algum macaco perguntador tirou a paz de alguém. O meu seguiu adiante sarcástico:

Vou perguntar de outro jeito: sem o perispírito o espírito não teria como se manifestar fisicamente?

Respirei fundo, mas não perdi a compostura e segui no jogo.

Até porque a questão tinha fundamento. Historicamente pensamos na alma (espírito encarnado) apenas no esquema:

Espírito   »»»   Perispírito   »»»   Corpo


Sendo o perispírito matéria, quem me diz ser impossível esta matéria estar em forma de energia?

Sendo o pensamento um elemento aglutinador de energia, ao pensar, o espírito, em si e per si, seria capaz de atuar sobre o corpo de forma natural.

Tal qual bordão de antigo programa da TV brasileira, me parece que: “O macaco tá certo”.

Mas não para por aí:

Se a energia aglutinada pelo espírito é conversível em matéria, e tal matéria é passível de visualização.

Prá que o perispírito?

Pois é!

E podemos ainda pensar nos fenômenos físicos de materialização, onde o médium que viabiliza tal manifestação nem sequer se sabe médium. Cede ele o perispírito, ou alguma forma de energia animalizada, capaz de ser trabalhada pelo espírito comunicante?


Macacos me mordam pois não tenho respostas!

Paulo Cesar Fernandes

29  12  2012