sábado, 20 de setembro de 2014

20140920 Será este um texto religioso?

Será este um texto religioso?


O intervalo entre o berço e o túmulo é um breve instante em nossa longa jornada.


Mesmo um cão (protoespírito) meu companheiro, em seus quase 15 anos de convivência, foi um nada. Me parece ontem, trazia uma bola de pelos incapaz de subir um degrau. E já se foi.


Não é diferente conosco em nossa encarnação. Um piscar de olhos ante a imensidão do tempo.


Focar o prazer é vital.

O prazer de uma presença amiga não há o que bata. A confiança mútua, a certeza de mesmo vivendo separados, geográficamente distantes partilhar valores.


Valores como ser santista de berço; ou pelotense como Vitor Ramil; ou ainda de Santiago del Estero como a família Carabajal da Argentina.


Cada pago faz em nós crescer valores saídos do ventre da família, e mais ainda os valores carregados pelos ventos de nosso lugar.


Carregamos e expressamos em nossa arte o universo cultural do nosso crescimento: as músicas; as conversas na Praça da Independência penetrando a madrugada em todas as estações do ano; a mescla de valores do Lar com os da rua.


Somos resultantes desse emaranhado de influências. Emaranhado de sonhos. Emaranhado de ilusões para tantos.


Nesta etapa de vida caminhando ao final é uma ousadia por em dúvida e em perspectiva o valor de todos os componentes de nossa história de vida.


Certa tarde após almoço, junto a uma colega de trabalho, caminhávamos pela Zona Sul de São Paulo como sempre o fazíamos. Um burburinho tal qual o viveiro dos periquitos australianos que meu primo permitia cuidasse veio a nós, eram senhoras de uma sala de costura numa Casa Espírita. Chamei a atenção de minha colega para a alegria dessas mulheres no serviço aos semelhantes.


Agora, retorno no tempo, me vejo na Campanha da Fraternidade "Auta de Souza" desenvolvida na juventude. Quanta alegria. O mesmo periquitear das senhoras em serviço. Os sacos de brim com alimentos era leve carga. Algo batia diferente no coração.


O tempo mudou, mas nosso coração não deve ter mudado.


Pautados hoje mais pelos ditames da Razão, deixamos o servir a um plano secundário no intervalo inicialmente tratado.


Olho com admiração o trabalho de "Médicos sem Fronteiras";  e tantas outras atividades desenvolvidas por entidades de servir de todos os matizes, todos os credos.


No meio espírita são muitas as capazes de unir o estudo de Kardec à uma prática de benemerência tão importante ao necessitado.


"Não importa de onde sejam as mãos das quais os alimentos me venham. Minha gratidão se fará ao ver meus filhos com algo no prato e um sorriso nos olhos."


A lembrança do Bem, material ou espiritual desenvolvido por nós, é a única coisa "palpável" após a travessia para o campo  incorpóreo.


Vale a pena refletir sobre isso. Aqui e Agora!


Paulo Cesar Fernandes

20/09/2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

20140912 Somos todos Matragas

Somos todos Matragas



Nenhuma religião ou filosofia muda o homem. Somos herdeiros de nosso passado.


E de repente, o cidadão entra para uma religião e se ve transformado. Passa a viver nova vida.


A sociedade pode até achar que isso ocorreu, mas cada uma dessas pessoas sabe da sua realidade interior. Nada mais difícil que mudar.


Nem Paulo de Tarso na Estrada de Damasco mudou. Ele já era correto antes. Ao avistar Jesus, se deu conta de seu equívoco em
perseguir os cristãos. Se retira para a necessária meditação; e quando volta à ativa é o mesmo Paulo. Apenas de posse de um
outro universo conceitual. Se vale das epístolas para divulgar sua nova forma de ver a vida.


Não sei quantos gostam de João Guimarães Rosa. Ele tem um conto chamado "A Hora e a Vez de Augusto Matraga". Nhô Gusto era um desses camaradas violentos, mulherengo, sacana. Enfim, tudo de ruim que um homem pode ser. Seus inimigos armam uma emboscada e lhe dão uma surra para matar. Mas não o matam. Recolhido por um casal de beatos, almas caridosas e boas o tentam salvar. E por um tempo ele se fez converter. Rezava muito, pedia perdão e essas coisas.



Um certo dia um dos bandos que corria os sertões brasileiros se achegou ao rincão onde vivia Nhô Gusto com toda sua
dificuldade. Tentando se manter direito, mesmo sabedor de sua mulher e filha viver com seu inimigo. O chefe do bando
simpatizou de imediato com Nhô Gusto, nas conversas o convida ao uso de uma arma. Ele a usa, e só no seu manejo o chefe do
bando já se apercebe que alí estava um bom de briga. O convida a compor o bando, e este declina o convite.



Num momento posterior ambos se encontram, mas já em lados opostos. O bando queria matar um "cabra" que estava sob proteção do padre local, e Nhô Gusto intercede pelo "cabra" e pelo padre.


Sem proveito, o que o leva a retomar seus antigos brios e lutou
e brigou como sempre o fizera na juventude. Essa retomada era a sua Hora e a sua Vez.



Nós podemos enganar o mundo, mas não a nós mesmos. "Conhece a ti mesmo." é uma realidade.


Nada nos muda a não ser nossa decisão interior. E mesmo tomada tal decisão, o processo de mudança é lento, salpicado de
marchas e contramarchas. Quando pensamos ter vencido tal característica da personalidade nos defrontamos com uma
escorregadela. Daí a necessidade de recomeçar.


A proposta de todas as religiões é a mesma, exatamente a mesma: levar o homem à prática do Bem.


O problema é que não cabe aos "militantes" das religiões a mudança. "O Reino se controe no coração do homem." nos disse
Herculano Pires em sua obra "O Reino". Nada exterior ao Ser tem determinação na caminhada deste.


"Conhece-se o verdadeiro espírita pelo esforço que faça em domar as suas más tendências." é uma frase de Allan Kardec em uma
de suas obras não lembro qual.


É no esforço nosso de cada dia, o nosso dar a cara ao mundo, mostrando a nossa virada vivencial. Isso não ocorre de estalo. É
trabalho lento e persistente.


Cada um sabe de si e não há motivo para julgar ninguém. Podemos sim escolher companheiras e companheiros de jornada.


Determinadas pessoas não nos são interessantes, temos todo o direito ao afastamento. Não por julgamento mas pelo cultivo de
outros valores existenciais.  A Lei de Afinidade define as coisas muito mais do imaginado por nós. Nos aglutinamos segundo
preceitos e projetos afins.


Não te fies em nada fora de ti mesmo. És o maior referencial para tua trajetória, nesta e em outras encarnações. Toma tuas decisões, arma teu farnel, e te lança na estrada. Lembrando sempre o que disse o poeta espanhol Antonio Machado:



"Caminhante. Não há caminho, o caminho o fazemos ao caminhar."


Paulo Cesar Fernandes

12/09/2014

domingo, 7 de setembro de 2014

20140907 Temporalidade das ideias

Temporalidade das ideias
 




Acabo de ler Revisão do Cristianismo de José Herculano Pires numa edição impressa em 1977.


Interessante perceber como àquele tempo a data de escritura das obras era desprezada, não marcando assim o momento do pensamento do autor.


Foi o capítulo VI - O Olimpo Cristão.


Tendo como foco a Igreja Católica tece críticas pesadas. Justamente num tempo de surgimento dos padres operários, e das primeiras CEBs (Comunidades Eclesiais de Base). Iniciativas ainda dentro do Momento Ditatorial cujos desdobramentos todos devemos saber.


Em minha leitura daquele momento, havia plena concordância com Herculano.


Hoje, eu não mais vejo a Igreja Católica da mesma forma, e tenho certeza o próprio Herculano, com sua capacidade de descortínio histórico já não a ve da mesma forma.


Nossas ideias tem uma temporalidade, se lidamos com sociologia e mesmo com filosofia. Os fatos sociais são históricos e mudando a história nossa leitura de tudo deve acompanhar tal mudança.


Não fazendo assim, corremos o risco de uma postura estacionária, e perversamente retrógrada.


Isso não deve nos impedir de opinar sobre os temas candentes de cada momento histórico. Mas sempre tendo a certeza de estarmos lidando com ideias datadas, e certamente no tempo serão superadas.


Essa a dinâmica da vida em seu progresso inevitável.


Fugir disso é assentar na mesmice, e no desinteresse dos possíveis leitores.


Quando avança a cultura da humanidade devemos estar atentos; não para seguir qualquer "movimentinho novidadoso", mas para perceber aquilo cujo fundamento trará evidentes impactos nas formas de conceber a vida e de vivenciá-la.


Todas as ideias se movem no sentido do progresso. Não observar esse detalhe é perder o bonde da história. O que não desejo para nenhum de nós.



Paulo Cesar Fernandes

07/09/2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

20140904 Para o momento de hoje

JOSÉ HERCULANO PIRES
 
REVISÃO DO CRISTIANISMO

Para
HUMBERTO MARIOTTI
que me estendeu a mão da solidariedade, por cima da fronteira argentina,
em todos os momentos de luta, na defesa da Verdade Cristã.


Louis FOURCADE,
que da França me enviou o apoio de seu livro Un Monde S'ecroule,
Une Philosophie s'elève, um point d'optique da situação mundial contemporânea.


ANDREW PUHARICHE e S. J. HADAD,
que me deram espontâneo apoio na divulgação de meus trabalhos nos Estados Unidos sobre questões paranormais nesta fase de transição.
Omito os títulos e posições universitárias dos ilustres amigos para centralizar individualmente a minha gratidão.



V - O CULTO CRISTÃO



A revisão do Cristianismo é hoje uma exigência da própria sobrevivência humana. Embriagado pelas conquistas materiais, o homem se deixa arrastar pelas coisas, coisificando-se a si mesmo. As idéias materialistas o levam a considerar a existência terrena como um jogo de forças cegas em que só vale o mais forte. E como a força também não está mais no homem, transferiu-se para as máquinas e seus combustíveis, para as armas e seus explosivos, o próprio homem se transfere, já não apenas animicamente, mas de corpo inteiro, para o mundo das máquinas. Mecaniza-se. A visão cristã do mundo mudou-se em visão diabólica. Transformando Jesus de Nazaré em mito, o homem se transformou em robô. A ingenuidade da pragmática norte-americana ainda envia cosmonautas à Lua. Os soviéticos, apegados à praxis marxista, preferem enviar tratores de controle remoto, que lhe trazem as pedras lunares com menos complicações e menos perigo. O espírito de aventura dos norte-americanos não resiste ao desafio do Cosmos. O espírito prático dos russos, num processo de industrialização mais recente, não resiste ao fascínio da mecânica. Mas se os americanos continuam apegados às suas seitas cristãs e os russos ao materialismo marxista, no fundo se encontram e se conjugam na mesma alienação do homem à máquina.



Tagore assinalou a transformação da antropofagia selvagem à civilizada, mostrando que os homens atuais se entredevoram na selva selvaggia dos lucros e dos juros. Crianças esquálidas, nos arredores de metrópoles suntuosas, tiveram seu sangue sugado pelos vampiros insaciáveis do lucro. Os campos de trabalhos forçados da URSS são máquinas de vampirização montadas pelo Estado. O misticismo russo também se transferiu para o fanatismo político estatal. Na própria índia mística, os gurus montaram suas indústrias de espiritualidade enlatada. Santiniketan, a Universidade espiritual de Tagore, é hoje um centro de política universitária voraz, como disse o Dr. Barnejee. A política espiritual de Gandhi, o Mahatma cedeu lugar à política da violência, dirigida por uma mulher. O processo de inversão dos polos projeta-se em todo o mundo. A China entregou-se ao materialismo e à massificação cultural, eliminando os últimos resquícios das tradições espirituais. Na Africa negra tudo foi mais fácil. Bastou o afastamento dos brancos para que os negros revelassem o que aprenderam com eles para multiplicar sua auto-destruição. E Israel, que rejeitou o Cristo desde o princípio, conseguiu reorganizar-se na base das tradições da raça, mas agora em ritmo de 007, violando todos os princípios do Direito Internacional para mostrar a dureza interior dos sabras, esses frutos do cactus do deserto, prontos a revelar suas habilidades mecânicas.



A coincidência de todas essas modificações no mundo é significativa, como se diz na linguagem parapsicológica. O panorama mundial reflete a inversão de valores produzida pela deformação milenar do culto cristão. Porque a verdade é que o Cristianismo envolveu todo o mundo, pelo seu poder de expansão e contaminação, no fluxo de transformações deflagrado pelas palavras do Cristo. O mundo cristão desequilibrado, com sua polaridade invertida, desequilibrou todo o planeta. Ou reequilibramos esse mundo, restabelecendo a verdade cristã, ou pereceremos com ele.


===


Fiz questão de deixar a dedicatória do livro para ver como os grandes se reconhecem e se valorizam.


Muito antes de Zygmunt Bauman já Herculano Pires mostrava os caminhos ou descaminhos de nossa sociedade.


Atentar ao pensamento de Herculano é um dever. O que não significa ter plena concordância. Temos direito de discordar, bem como discordamos de tantos outros autores.


Mas discordar não significa invalidar a obra. Uma ou outra ideia de Jaci Regis eu me contraponho, mas seria pequeno demais não reconhecer o seu valor. O valor de toda sua obra.


O mesmo ocorre com Herculano. E mesmo Kardec. Quem concorda com tudo o que le é o "aceitador padrão". Não se dá ao trabalho de pensar um pouco mais no texto lido. E nas repercussões das ideias do autor.

Para ler e não pensar é melhor nem ler.


Paulo Cesar Fernandes

04/09/2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

20140901 Razão e fé

Razão e fé


Uma vez mais venho dispor sobre a incompatibilidade entre esses dois elementos.


Mas, se no primeiro momento negava às pessoas o direito de se sentirem acolhidas em alguma fé; hoje isto me parece de alguma forma atroz para com tais pessoas.


Quem sou eu para definir projetos e caminhos das pessoas?


Se descarto a fé e as crenças de toda sorte para minha jornada intelectual, não posso fazer disso uma regra geral.


Afinal cada um de nós tem sua forma de caminhar. Bem como na rua. Uns, mais joviais, caminham numa velocidade maior; outros, cuja idade ou a despreocupação contempla, tem a possibilidade de fazer sua caminhada mais atenta a tudo ao seu redor.


Não quero dizer com isso que inevitavelmente todos chegarão ao "primado da razão". Não mesmo. Digo apenas da liberdade necessária para cada pessoa escolher a sua forma de sentir a vida. Pois a vida deve ser sentida. E não vivida de roldão.


Alguns se inspiram mais pela trajetória do raciocínio se desenvolvendo e desenrolando numa dialética própria. Outros, por sua vez, já sentem seu coração mais agasalhado na aceitação de postulados recebidos, e estes lhes bastam; venham estes de onde vierem: do pastor da sua igreja; do dono de seu Centro Espírita; do seu guia espiritual; seu guru; etc.


São almas abertas ao acolhimento de ideias fornecidas, e sem preocupações maiores em lhes opor questionamentos.


E não podemos as condenar. É a sua maneira de andar na vida. Aceitável e digna de todo respeito.



Quem disse ser a correta a Civilização Ocidental?


Quem disse do saber dos Povos Originários como um saber sem valia no mundo atual?


Se tomamos a Europa como centro da Civilização, precisamos ler muito mais sobre a história dos povos colonizados pelos europeus.
Saber dos sofrimentos do povo árabe; dos povos latinoamericanos.




Você acha uma aberração o nascimento do "Califado"? Suas atrocidades?



Vá estudar a história da Argélia, colonizada pela "civilizada" França. Tome consciência de quantos massacres, tão grotescos ou mais que os apresentados pela mídia atual.


Vá estudar as atrocidades dos turcos com os armênios.


Em nome de uma religião e de uma fé se perpetram atrocidades.


"Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda transportareis montanhas." disse Jesus de Nazaré.


A fé proposta pelo nazareno é uma fé pautada no amor, e não no ódio. É a contraposição de tudo ocorrido no nosso continente latino onde uma cruz foi imposta a civilizações milenares.

Pautada no amor ao semelhante a verdadeira fé ajuda a edificar o ser humano e nunca destrui-lo.


Somos seres em construção, e temos muitos caminhos para essa necessária autoconstrução. Alguns optarão pela fé; outros pela razão; outros ainda pelo questionamento e pela dúvida; mas todos levarão a cabo uma trajetória.


Todos terão oportunidades várias de escrever e reescrever suas histórias.


O instrumental dado pela certeza nas vidas sucessivas (reencarnação) e na imortalidade do Ser é generoso e nos enche de esperanças.


E estes dois princípios não são artigo de fé, mas elementos comprovados por fatos, em diversos momentos da humanidade e em diversos contextos civilizatórios.


Paulo Cesar Fernandes

01/09/2014

terça-feira, 19 de agosto de 2014

20140810 Volver ao Medioevo

Volver ao Medioevo


Vou mais longe Idade Média
Louco tempo em bordéis
Poetas, cantores, vadias, ...


A vida corria e luzia em teus olhos
Entre tantas eras uma só a me ver, e sentir
Teu amante e benfeitor


As pedras das ruas
Fétidas vielas
As donas da vida
A vida na noite
Obscura cena


Num tal palco da Vida
Livre boemia
Em tempo breve.




Paulo Cesar Fernandes

10 08 2014

20140810 Presentar o passado

Presentar o passado



Ao recordar o passado
Ultrapasso fronteiras e perpasso gerações
Sou meu mais remoto antepassado
No mágico processo da reencarnação




Retornar ao passado
Vital para a existência
Recobrar a essência mesma do Ser
Nas pluripossibilidades trazidas à luta
Da Vida nas mais amplas dimensões




Não paro no tempo
Não me arrasto nas horas
Não choro erros
Pego minha rota e vou embora
O passado e o presente
Num só corpo incorpora




A Vida, o Ser, o Tempo, o Agora existencial.
Recobrando o passado no presente afloram
Vivências distantes
No espelho refletidas
Em desdobradas oportunidades.




Paulo Cesar Fernandes

10 08 2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

20140814 Por um mundo melhor segundo Mariotti



Humberto Mariotti

O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização

PENSE - Pensamento Social Espírita

 

 

Capítulo XVI

 

 

A ABOLIÇÃO DA LUTA DE CLASSES NÃO

É TAREFA EXCLUSIVA DO SOCIALISMO

 

 

O conceito de propriedade privada, de qualquer ponto de vista que o consideremos, está em contradição com a dinâmica evolucionista da filosofia espírita. Nem mesmo justificando-o como uma falta de evolução espiritual dos povos, o conceito de propriedade é admissível, pois a sua aceitação implicaria o reconhecimento de um sistema social em que o mais forte se imporia impiedosamente ao mais fraco.

 

 

O socialismo não é somente “uma bela expressão da cultura humana”; é, sobretudo, a resposta a uma necessidade da evolução espiritual alcançada pela civilização.

 

 

O sistema de propriedade privada representa um estado social condizente com o passado da humanidade, na fase em que o homem ainda ignorava a realidade de seu crescimento espiritual, em consequência de sua evolução palingenésica.

 

 

Esta lei, eminentemente progressista e criadora, transformará e renovará os sistemas sociais, ao revolucionar as condições íntimas dos espíritos. Por isso dizemos que a nova revolução socialista se realizará, ao mesmo tempo, externa e internamente.

 

 

É assim que surgirá um tipo de sociedade em que as normas morais serão protetoras e condenarão toda forma de privilégio social.

 

 

A reencarnação, ou lei palingenésica, não justificará jamais, como ainda se pretende, as desigualdades sociais. A lei de causalidade espiritual ou existencial não determina as formas de sociedade, pois o destino individual do homem carece de força histórica para estabelecer um regime social baseado no sistema de propriedade privada. Além disso, o socialismo não é uma questão de ditadura do proletariado nem de imposição estatal: o socialismo é o resultado de uma avançada evolução mental e espiritual dos indivíduos que, de um sistema social privado e egoísta, nos faz passar para outro, de tipo coletivo e fraternal. Quer dizer que o socialismo não é a consequência de uma ditadura, o que seria encará-lo unicamente do ponto de vista político, esquecendo-nos de sua natureza ética, científica e filosófica.

 

 

A lei de renascimento origina destinos individuais, mas não poderá jamais determinar sistemas sociais. Os sistemas ou formas de convivência social, estabelece-os a ciência da sociedade, elaborada pelos mais brilhantes espíritos. Mas disso a querer ligar a situação imperfeita de um indivíduo a um sistema social imperfeito torna-se ilógico e não corresponde às leis do pensamento evolutivo.

 

 

A lei de igualdade é facilmente reconhecida e aceita pelo pensamento filosófico, tanto mais que é uma resultante do desenvolvimento e da evolução espiritual, através da lei natural da palingenesia.

 

 

Aspirar, portanto, a uma sociedade sem classes, não é um anseio exclusivamente socialista e comunista. Podemos admitir que é também a consequência de um engrandecimento moral da alma humana. Vale dizer que, do ponto de vista espírita, pode-se aspirar ao estabelecimento da lei de igualdade, levado somente por uma razão filosófica.

 

 

O socialismo, que antigamente era aceito como um fenômeno exclusivamente político, é agora um postulado moral e filosófico que emana, por assim dizer, da própria alma dos indivíduos. Daí se conclui que o Estado sem classes sociais, concebido pela filosofia espírita, surge ao revés da concepção materialista: manifesta-se de dentro para fora, o que nos mostra que o sistema socialista não é somente um fenômeno político, mas a consequência de um estado de compreensão da fraternidade humana e espiritual, atingido pelas almas altamente evoluídas.

 

 

De acordo com esta visão evolucionista do indivíduo, não se pode afirmar, como o fazia a mentalidade conservadora, que “haverá sempre ricos e pobres”, pois se isto fosse certo teríamos que afirmar, com o mesmo critério, que “sempre haverá bons e maus” na humanidade. Sabemos, pelo contrário, que a evolução tudo transforma, e que o sistema social, com todo o conjunto espiritual e humano, evolui para melhores condições, já que nada permanece definitivamente fixo na natureza e na história.

 

 

A evolução palingenésica do homem permite-nos supor que a ordem social avança rumo a condições em que o socialismo se torna uma realidade fraterna, e em que a propriedade privada se torne realmente propriedade coletiva. Essa a razão por que o espiritismo não poderá justificar nem aceitar os tipos de economia social baseados no espírito de posse. Quando a riqueza econômica é de caráter privado, é porque está viciada pelo egoísmo e pelo exclusivismo individualista. Basta encararmos bem o problema e veremos que o que se considera propriedade privada não tem realidade física nem espiritual. Comprovaríamos que a vida humana passa inteligentemente do privado para o coletivo, isto é, do regime capitalista para o regime socialista.

 

 

As coisas físicas terão caráter privado enquanto o homem puser o seu espírito na dependência delas, procurando um meio de se firmar no mundo. Mas quando reconhecer que sua estada na Terra depende mais dos valores morais e espirituais que das coisas físicas, então o homem socializará a ordem econômica e repelirá o sistema de propriedade capitalista.

 

 

Reconhecerá, assim, que unicamente a propriedade coletiva poderá beneficiá-lo, libertando-o do egoísmo e da usura individualista.

 

 

De acordo com a filosofia espírita, a evolução espiritual, pura e real, realiza-se sem ligação alguma com os instrumentos terrestres. O espírito trabalhará por meio deles, mas seu único dono será a sociedade, pois bastaria aparecer o menor desejo de posse sobre as coisas para que o normal desenvolvimento de sua evolução se perturbasse. O espírito compreenderá que a propriedade, por pequena que seja, tem sua origem na pequenez moral do indivíduo. Saberá ainda que um Ser superior pensará sempre no todo e nunca na parte. Chegará a compreender que a propriedade privada se relaciona com o pequeno e se circunscreve ao mundo, enquanto a propriedade coletiva se vincula no grande e extenso, bem como na concepção cósmica da filosofia espírita.

 

 

O capitalismo, por seu egoísmo moral, crê que este mundo é o único a dominar o Universo. Ao contrário, o socialismo, espiritualizado pelo ideal espírita, apresentará ao espírito milhões de planetas girando pelo espaço. Porque o privado é próprio dos sistemas individualistas, enquanto o coletivo se liga facilmente à realidade, que nos apresenta a pluralidade dos mundos habitados e a doutrina das vidas sucessivas.

 

 

Acreditamos que a transformação social resulta iniludível frente à teoria da evolução espiritual; em consequência, ou o espírita se converte em socialista no plano econômico, social e político, ou será um opositor da linha ascendente da evolução geral da humanidade. Se ficar ao lado do progresso, auxiliará o espírito do futuro nas transformações que este vai realizando. A verdade é que o evolucionismo espírita não poderá submeter-se a nenhuma concepção conservadora ou misoneísta, já que para ele tudo avança, muda e se aperfeiçoa incessantemente. O próprio homem é um Ser que evolui sem parar, tanto na vida presente como através das múltiplas existências que terá de viver.

 

 

Em tudo e com tudo, pois, irá para diante, seguindo a poderosa lei de evolução, que transforma tanto os indivíduos em suas ideias e caracteres, como os povos em suas concepções ideológicas e em seus sistemas sociais.

 

 

A lei de igualdade, como consequência da lei palingenésica, não deixará de manifestar-se pelo fato de existirem destinos individuais a serem cumpridos. O destino individual não representa nem determina os sistemas sociais, pois, se assim fosse, teríamos de aceitar para sempre o sistema capitalista no mundo. Não obstante, dentro da própria lei de igualdade, fator revolucionário que institui o socialismo na Terra, podemos admitir a desigualdade; mas esta será sempre de caráter individual e nunca de natureza social. A igualdade responde ao lógico e ao natural, e para ela marcham o homem e a sociedade, repelindo continuamente todo intento de desigualdade econômica, por considerá-la um obstáculo moral na ascensão progressiva dos espíritos.

 

 

Por último, é preciso levar em conta que o Ser é uma essência impessoal e que, por isso mesmo, nada poderá aderir de temporal à sua natureza individual.

 

 

Se deseja avançar no caminho de sua evolução, deverá despersonalizar-se totalmente, enriquecendo seu mundo interior e imortal com sutis e variadas emoções estéticas, espirituais e religiosas, pois elas se fixarão em seu perispírito e se transformarão em faculdades superiores do espírito.

 

 

O Ser é uma essência livre; provém do mais profundo e avança para o mais sublime da divindade. Por conseguinte, todo verdadeiro homem livre e progressista deverá encarar os bens econômicos como um depósito que a sociedade lhe concede, para com ele contribuir em favor do aperfeiçoamento da comunidade; mas de maneira alguma se erigirá em proprietário do depósito social, já que para ele todo valor econômico só pertencerá ao patrimônio comum da sociedade.

 

 

===

 

O texto foi mantido sem negritos ou itálicos de minha parte. Abri alguns parágrafos para facilitar a leitura tão somente.
 
 
O diferente título apresentado na imagem é o título original Argentino. Ocorreu durante a Ditadura Militar a necessidade da editora chamá-lo "O homem e a sociedade numa nova civilização" para que fosse aprovado pela censura.

 

Quando o autor se refere ao capitalismo em contraposição ao socialismo devemos lembrar ter sido o texto escrito em outra época. Em que pese todas as suas considerações permanecerem atuais. Até pelo fato do mundo ter se aprofundado no egoísmo.

 

Hoje, pela característica dos nossos tempos, tenho preferido trabalhar o materialismo, ou materialidade se contrapondo à espiritualidade tão necessária ao presente estado de todo o Planeta Terra.

 

E espiritualidade para mim significa tudo que se contraponha aos valores materiais e egoístas de nossa vida. Dessa forma, quando estudamos matemática, história, filosofia; da mesma forma que quando fazemos uma oração estamos criando vínculos de espiritualidade; na medida em que toda atividade útil é trabalho, e todo trabalho (evidentemente digno em nosso caso) contribue para o progresso do espírito. E o progresso dos espíritos levará ao progresso da sociedade e dos processos históricos transcorrendo na atualidade.

 

Mais que nunca o homem é um Ser Histórico-Social, planetário, rumando a passos largos para uma compreensão cósmica da vida, da existência, e das suas criações nos diversos ramos do conhecimento.

 

Paulo Cesar Fernandes

 

14/08/2014

domingo, 10 de agosto de 2014

20140810 Saber Imediato de Deus – Em Hegel


 

 

§67

Pero por lo que atañe al saber inmediato de Dios, de lo justo, de lo ético (y aquí vienen a dar las demás determinaciones de instinto, ideas infusas o innatas, sentido común, razón natural, etc.), sea cual sea la forma que se le dé a esa originariedad, siempre se da la experiencia general de que para llevar a la conciencia lo que ahí se contiene se precisa esencialmente educación o desarrollo (incluso para la anamnesis platónica). - (El bautismo cristiano, aunque sea un sacramento, contiene también la obligación ulterior de una educación cristiana.) Por tanto, la religión, la eticidad, etc., por mucho que sean una fe o un saber inmediato, están simplemente condicionadas por la mediación que se llama desarrollo, educación, formación, etc.

 

 

En la afirmación de ideas innatas, como [también] en su negación, ha dominado una oposición entre determinaciones excluyentes, semejante a la que estamos considerando, o sea, la oposición, podemos decir, entre una conexión esencial e inmediata de ciertas determinaciones universales con el alma y otra conexión que ocurriría de manera extrínseca y estaría mediada por objetos y representaciones dadas. A la afirmación de las ideas innatas se le hacía el reproche empírico de que si todos los hombres poseen esas ideas, si tienen, p.e., el principio de contradicción en su conciencia, debieran saberlo, ya que aquel principio juntamente con otros parecidos se contaba entre las ideas innatas. Esta objeción puede atribuirse a un malentendido, por cuanto las determinaciones mencionadas como innatas no por ello debían serlo ya en forma de ideas o representaciones de algo [explícitamente] sabido. Pero contra el saber inmediato ese reproche es enteramente pertinente, puesto que tal saber afirma expresamente sus determinaciones en tanto están en la conciencia.—Si la doctrina del saber inmediato concede algo así como que, especialmente para la fe religiosa, es necesario cierto desarrollo o una educación cristiana o religiosa, resulta entonces una arbitrariedad querer ignorar lo mismo cuando se habla de creencia. O es falta de pensamiento no darse cuenta de que, concediendo la necesidad de la educación, se ha expresado precisamente el carácter esencial de la mediación.

 

 

Ideias inatas tem conexão imediata com a alma. As demais, como Deus, ética, cultura necessitam de uma mediação. E em geral tal mediação se realiza pela educação e pelo contexto cultural na qual vivemos. [PC

 

 

§ 6 8

 

En las experiencias aducidas se invoca aquello que se muestra vinculado con el saber inmediato. Si este enlace se toma en primer término como algo así como una conexión meramente extrínseca y empírica, se muestra entonces, incluso para la consideración empírica, como algo esencial e inseparable, puesto que es constante. Pero después, cuando de acuerdo con la experiencia de este saber inmediato, se toma este saber por sí mismo, en tanto es saber de Dios y de lo divino, se describe entonces esa conciencia generalmente como un elevarse sobre lo sensible, sobre lo finito, etc., así como sobre los deseos inmediatos e inclinaciones naturales del corazón; una elevación que llega hasta la fe en Dios y en lo divino y en ella acaba, de modo que esta fe es un saber y un tener por verdadero inmediatos, pero no por ello deja de tener aquel paso de la mediación como supuesto suyo y condición.

 

Ya hemos observado que las llamadas pruebas de la existencia de Dios que  expresan esta elevación partiendo del ser finito no son inventos de una reflexión  artificiosa, sino que son las mediaciones propias y necesarias del espíritu aunque, bajo la forma acostumbrada de aquellas pruebas, esas mediaciones no encuentran su expresión acabada y correcta.

 

Quando o homem se projeta acima do sensível, do finito, não necessita mediação alguma. Mas não há mediação possível para chegar a Deus. O Ser finito não o pode conceber. [PC

 
 
Há de se notar ser esta a minha interpretação do texto do outor. O que não significa de forma nenhuma seja a única ou a verdadeira. Outras mil podem aparecer igualmente dignas de reflexão.
Longe de buscar seguidores, procuro introduzir nas pessoas o desejo de um pensar autônomo e livre em todos os possíveis aspectos.
Assim como andas com os teus pés, penses por teu pensar. Liberta-te de todas as instituições. Todas te querem cooptar para seu rebanho, e nenhum de nós é gado.
 

Paulo Cesar Fernandes

10/08/2014

sábado, 9 de agosto de 2014

20140809 Competição ou inveja

Competição ou inveja


Nas reflexões desta tarde uma questão me foi posta:


Por que a competição entre as pessoas?

Mais forte ainda:

Por que motivo, entre alguns casais se dá a competição?

Se não ocorre de ambas as partes, numa delas a competição é de saltar aos olhos.


É triste isso. Triste e real. O capitalismo neoliberal estimula a competição. E pessoas inconscientes de si se deixam levar por essa chaga. Uma chaga que tem atrás de si a inveja. Quem não é competitivo não está nem aí com as coisas que os demais façam.


Cada qual cuida de sua vida e a toca da forma que melhor lhe convier.


Esse princípio de Liberdade eu advogo. Como posso estar livre se estou preocupado com alguém, com seu sucesso ou fracasso, com seus conhecimentos e com as disciplinas do seu saber.


Eu não quero (e nem posso) competir com um Eduardo Galeano, um Inácio de Loyola Brandão, um Mário Prata ou um Sérgio Porto.

Posso te-los como referenciais para melhora dos meus textos.


Descobrir num texto em italiano de Luigi Pirandello uma outra forma de dizer a coisa, e transpor essa forma para nossa língua. Eu uso muito desse recurso. Inverter palavras ou uni-las como ocorre no inglês e no alemão. Por vezes fica estéticamente perfeito.


Competir não. Eu comparo sim. Mas comparo meus textos:


1) Como escrevia na década de 90? Tinha estética? Tinha ideologia barata?


2) No ano 2000 que coisas escrevi e quais temas me dominavam?


3) O uso excessivo do termo "que" eu já consegui vencer?


4) Ainda preciso fazer revisões quanto à Concordância Nominal? E a Concordância Verbal, já é natural a escrita correta?


Uma outra questão a ser pensada. Se o marido desestimula a mulher ao estudo para esta ficar sempre aquém dele. E a esposa viver achando injusto o sucesso do marido. Quer para ela tal sucesso.


Quando teremos solucionado isto? Quando formos espiritualmente maduros. E nosso coração se alegrar com sinceridade, ao ver o sucesso das outras pessoas.

Mas isso não acontece através da racionalidade apenas. É um processo de reposicionamento dos valores capazes de conduzir nossa vivência de cada dia.

Construção difícil, lenta e uma vez iniciada não deve ser deixada ao desleixo. Ter o foco da vida em si e em sua Liberdade. Isso não é egoísmo. É uma escolha.


Mas é apenas essa escolha a capaz de nos alegrar com o sucesso de todos aqueles amigos e conhecidos. Fora disso tudo pode ser plena falsidade, algo tão abjeto.

Viva o seu. Faça o seu. E se alguém precisar de ajuda, abra os braços e acolha.


Paulo Cesar Fernandes

09/08/2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

20140804 DEUS - Segundo Hegel


 

 



 

 

GEORG WILHELM FRIEDRICH HEGEL

 

ENCICLOPEDIA DE LAS CIENCIAS FILOSÓFICAS EN COMPENDIO

 

Para uso de sus clases

 

Edición, introducción y notas de Ramón Valls Plana

 

Alianza

 

 

 

§49

 

3) El tercer objeto de la razón es Dios (§ 36) el cual debe ser conocido, esto es, determinado, pensando. Ahora bien, para el entendimiento toda determinación, contrariamente a la simple identidad, es solamente un límite, una negación en cuanto tal; así resulta que la realidad total sólo se puede entender como ilimitada, es decir, como indeterminada, y Dios, en cuanto compendio de todas las realidades o como ente realísimo, deviene un algo abstracto simple para cuya determinación sólo resta entonces la determinidad también simplemente abstracta, el ser. Identidad abstracta (que aquí [en este lugar de la filosofía kantiana] también se llama concepto) y ser son los dos momentos cuya unión es lo que la razón busca; esta unión es el ideal de la razón.

 

 

 

§50

 

Esta unión admite dos caminos o formas [para lograrla]. En efecto, se puede empezar por el ser y desde ahí pasar a lo abstracto del pensar, o viceversa, se puede llevar a cabo desde lo abstracto al ser.

 

Por lo que se refiere al comienzo desde el ser, éste se ofrece como lo inmediato, como un ser determinado de manera infinitamente múltiple, como un mundo pleno.

 

Éste a su vez se puede determinar más precisamente como una colección de infinitas contingencias en general (en la prueba cosmológica) o como una colección de infinitos fines y de relaciones finalísticas (en la prueba físico-teológica).—Pensar este ser pleno significa quitarle la forma de las singularidades y contingencias y captarlo como un ser universal, necesario en y para sí, como ser activo que se determina con arreglo a fines universales, el cual es distinto de aquel ser primero, abstracto; significa captarlo como Dios. El sentido principal de la crítica a esta vía es que ella es un concluir o un tránsito. En efecto, siendo así que las percepciones y su agregación (el mundo) no muestran tener en sí, en cuanto tales, la universalidad que el pensamiento alcanza purificando aquel contenido, esa universalidad no resulta, por consiguiente, justificada por aquella representación empírica del mundo.

 

 

De esta manera, al ascenso del pensamiento a Dios desde la representación empírica del mundo, se le contrapone el punto de vista de Hume (como se hace también al tratar de los paralogismos, véase § 47); un punto de vista que declara improcedente pensar las percepciones, o sea, extraer de ellas lo universal y necesario.

 

 

Porque el ser humano es un ser que piensa, nunca el sano entendimiento humano, como tampoco la filosofía, se dejarán convencer de que para elevarse a Dios se tenga que partir solamente de y desde la intuición empírica del mundo. Esta elevación no tiene ningún otro fundamento que la contemplación que piensa el mundo, no la [contemplación] meramente sensible o animal. La esencia, la sustancia, el poder universal y la determinación finalística del mundo son para el pensar y sólo para el pensar. Las llamadas pruebas de la existencia de Dios hay que verlas solamente como algo parecido a descripciones y análisis del camino del espíritu hacia el interior de s ím, el cual es espíritu que piensa y piensa lo sensible.' La elevación del pensamiento sobre lo sensible, su salida por encima de lo finito hasta lo infinito, el salto que se da a lo suprasensible rompiendo las series de lo finito, todo esto es el pensar mismo; este tránsito es sólo pensar. Si un tránsito de esta clase no debe realizarse, eso significa que no hay que pensar. Los animales, en efecto, no dan este paso; son ellos los que se quedan parados en la sensación y en la intuición empírica y por esta causa no tienen ninguna religión. Tanto en general como en particular hay que hacer dos clases de observaciones acerca de la crítica de esta elevación del pensamiento. En primer lugar, si esta elevación se presenta en forma de silogismos (las llamadas pruebas de la existencia de Dios), el punto de partida es entonces, desde luego, la contemplación del mundo, determinado de algún modo como agregación de contingencias o de fines y relaciones finalísticas.

 

 

Dentro del pensar y en tanto éste hace silogismos, este punto de partida puede parecer como un fundamento firme que permanece y se deja tan enteramente empírico como alprincipio lo es esta materia. La referencia del punto de partida al punto de llegada, al cual se pasa, se representa así como solamente afirmativa, como un concluir desde algo que es y permanece a otro algo que asimismo también es. Pero el gran error consiste en querer conocer la naturaleza del pensar sólo bajo esta forma propia del entendimiento. Pensar el mundo empírico significa más bien, de manera esencial, cambiar su forma empírica y transformarla en un

universal; el pensamiento ejerce a la vez una actividad negativa sobre aquel fundamento; la materia percibida, cuando se determina por la universalidad, no se queda con su primera figura empírica. El haber interno de lo percibido se extrae alejando y negando la cáscara (cfr. §§ 13 y 23). Las pruebas metafísicas de la existencia de Dios son interpretaciones y descripciones deficientes de la elevación del espíritu desde el mundo a Dios, porque no expresan el momento de negación que se contiene en esa elevación o, mejor dicho, no lo ponen de relieve, pues [también es verdad] que diciendo que el mundo es contingente queda igualmente dicho que es meramente caedizo, fenoménico, nulo en sí mismo y de por sí. El sentido de la elevación del espíritu consiste precisamente en atribuir al mundo un ser que sólo es sin embargo apariencia, no es el verdadero ser, no es verdad absoluta, sino que ésta se encuentra solamente en Dios más allá de ese fenómeno; sólo Dios es el verdadero ser.

 

 

Siendo esta elevación tránsito y mediación, es ella igualmente superación del tránsito y de la mediación, pues aquello mediante lo cual Dios podría parecer mediado, el mundo, se declara más bien como lo nulo; solamente la nulidad del ser del mundo es el vínculo de la elevación, de modo que aquello que se presenta como mediador desaparece y, de este modo, con esta mediación, se supera incluso la mediación. Es sobre todo a esa relación, aprehendida solamente como una relación afirmativa entre dos entes, a lo que se atiene Jacobi cuando impugna la demostración del entendimiento; le hace el justificado reproche de que con su modo de proceder está buscando condiciones (el mundo) al incondicionado, que lo infinito (Dios) se representa de este modo como fundado y dependiente. Pero es que aquella elevación, tal como se da en el espíritu, corrige ella misma esta apariencia; su entero valor está más bien en la corrección de esta apariencia. Pero esa aturaleza verdadera del pensamiento esencial, superar en la mediación incluso la mediación, eso no lo ha captado Jacobi, de donde se sigue que el atinado reproche que dirige al entendimiento meramente reflexivo, lo toma equivocadamente como un reproche que toca al pensamiento en general y, por consiguiente, también al pensamiento racional.

 

 

Como explanación de ese pasar por alto el momento negativo [de la elevación a Dios] se puede traer como ejemplo el reproche que se hace al spinozismo de ser panteísmo y ateísmo. La sustancia absoluta de Spinoza no es todavía, desde luego, el espíritu absoluto y con razón se exige que Dios sea determinado como

espíritu absoluto. Pero cuando la determinación de Spinoza se expone como si él confundiera a Dios con la naturaleza, con el mundo finito, y como si convirtiera el mundo en Dios, se supone entonces que el mundo finito posee verdadera realidad efectiva, realidad afirmativa. Con tal presuposición, en efecto, se finitiza

simplemente a Dios al establecer su unidad con el mundo y Dios queda [entonces] degradado a la mera multiplicidad finita y exterior de la EXISTENCIA.

 

 

No se atiende a que Spinoza no define a Dios como la unidad de Dios y del mundo, sino como la unidad del pensar y de la extensión (del mundo material), y entonces resulta que ya en esa unidad, incluso tomándola de esa manera enteramente inapropiada, el mundo viene determinado en el sistema spinoziano más bien solamente como un fenómeno al que no se le atribuye efectiva realidad, de tal manera que este sistema ha de ser visto más bien como acosmismo. Una filosofía que



afirma que hay Dios y que sólo hay Dios no debiera ser presentada, por lo menos, como ateísmo. Y no obstante se atribuye religión a los pueblos que veneran como dioses a monos o vacas, estatuas de piedra o de bronce. Sin embargo, en el sentido de la representación, [lo que] va más bien contra el hombre [es] renunciar a la suposición de la representación, a saber, que este conglomerado suyo de finítud que se llama mundo tiene efectiva realidad. Que no hay mundo, o como ello se quiera expresar, aceptar algo así, se tiene fácilmente como ompletamente imposible o, por lo menos, como algo mucho menos posible que el que pueda caber en la cabeza de alguien que no hay Dios. Más fácilmente se cree (y esa fe no honra a quien la tiene) que un sistema niegue a Dios y no que niegue el mundo; se encuentra

más comprensible que Dios sea negado que la negación del mundo.

 

 

La segunda observación se refiere a la crítica del haber que por de pronto se adquiere con esa elevación por el pensamiento. Este haber, si consiste solamente en las determinaciones de la sustancia del mundo, de su esencia necesaria, de una causa finalísticamente ordenadora y rectora, etc., no es desde luego adecuado a lo que se entiende o se debe entender por Dios. Ocurre, sin embargo, que, prescindiendo [ahora] de la rutina de suponer una representación de Dios y, de acuerdo con tal representación, juzgar de un resultado, aquellas determinaciones tienen ya un gran valor y son momentos necesarios de la idea de Dios. Sin apartarnos de este camino, para llevar ante el pensamiento aquel haber bajo su verdadera determinación, [o sea, para obtener] la verdadera idea de Dios, no hay que partir desde

luego de un contenido subordinado. Las cosas mundanas meramente contingentes son una determinación muy abstracta. Las configuraciones orgánicas y sus determinaciones finalísticas pertenecen al círculo superior, a la vida. Pero aparte de que la contemplación de la naturaleza viva y de otras relaciones que las cosas presentes tienen con fines, puede mancharse con la insignificancia de [ciertos] fines e incluso con la mención pueril de fines y sus relaciones, con todo, la naturaleza viviente tampoco es efectivamente aquello a partir de lo cual se puede captar la verdadera determinación de la idea de Dios; Dios es más que algo vivo, es espíritu.

 

 

Unicamente la naturaleza espiritual es el punto de partida más digno y más verdadero para pensar lo absoluto, en tanto el pensar se toma un punto de partida y quiere tomarse el más próximo.

 

 

 

§51

 

El otro camino de la unión mediante el cual se ha de lograr el ideal avanza desde lo abstracto del pensar hasta la determinación, para la cual sólo queda el ser (prueba ontológica de la existencia de Dios). La oposición que aquí se presenta es la oposición entre pensar y ser, ya que en la primera vía el ser es común a ambos extremos y la oposición [entre ellos] sólo se refiere a la distinción entre lo disperso [o singularizado] y lo universal.

 

 

 

Lo que el entendimiento objeta a esta segunda vía es lo mismo que ya fue mencionado, a saber, que no encontrándose lo universal en lo empírico, del mismo modo y viceversa, en lo universal no se contiene lo determinado (y lo determinado es aquí el ser). O [lo que es lo mismo], el ser no se puede deducir del concepto ni obtenerse por análisis.

 

 

La crítica kantiana del argumento ontológico ha encontrado una acogida y aceptación tan favorable sin duda también porque Kant, para aclarar la distinción entre pensamiento y ser, usó el ejemplo de los cien táleros que con arreglo al concepto son cien, tanto si son posibles como si son reales; pero para mi hacienda eso constituye una diferencia esencial Nada puede ser tan clarificador como esto: que lo que yo pienso o me represento no por ello es todavía efectivamente real; [en efecto, nada puede ser tan clarificador] como el pensamiento de que el representar, o incluso el concepto, no bastan para ser.—Prescindiendo de que no sin razón se podría designar como una barbaridad llamar concepto a algo así como cien táleros, aquellos que repiten una y otra vez, contra la idea filosófica, que pensar y ser son distintos, deberían, sin embargo, sospechar desde el primer momento que eso no les es del todo desconocido a los filósofos. ¿Qué conocimiento se podría aportar más trivial que éste? Pero entonces habría que pensar que al hablar de Dios se trata de un objeto de otra clase que cien táleros y distinto de cualquier otro concepto particular, representación, o como se le quiera llamar. En efecto, todo lo finito es esto y sólo esto, a saber, que su estar ahí es distinto de su concepto, Pero Dios ha de ser expresamente aquello que sólo puede ser «pensado como existente», aquello cuyo concepto incluye dentro de sí al ser. Esta unidad de concepto y ser es lo

que constituye [precisamente] el concepto de Dios.—Esta es aún, desde luego, una determinación formal de Dios que, por esta causa únicamente, contiene en efecto la naturaleza del concepto. Pero que éste, en su sentido completamente abstracto, ya contiene el ser, es fácil de ver. Pues el concepto, tal como se determina en otra parte, es por lo menos, él también, la referencia inmediata a sí que procede por la superación de la mediación; y el ser no es otra cosa que eso.—Se puede desde luego decir que debiera parecer extraño que lo más intimo del espíritu, el concepto, o también yo, o más aún la totalidad concreta que es Dios, no fueran por lo menos tan ricos como para poseer una determinación tan pobre como es ser, es más, la determinación que es la más pobre y más abstracta. Nada más pequeño, según su contenido, se puede ofrecer al pensamiento que el ser. Sólo esto podría ser aún más pequeño: lo que uno más o menos se representa en primer término con «ser», a saber, una existencia sensible exterior, como la del papel que tengo ante mí; pero de la existencia sensible de una cosa limitada y efímera no vamos [aquí] a hablar. Por lo demás, en virtud de la observación trivial de la crítica, que el pensamiento y el ser son distintos, se puede a lo sumo estorbar más o menos el paso del espíritu humano desde el pensamiento de Dios a la certeza de que él es, pero no se la puede impedir.

 

 

Este tránsito, la inseparabilidad absoluta del pensamiento de Dios y de su ser, es también lo que [ahora] de nuevo se instaura en su derecho con el modo de ver propio del saber inmediato o de la fe, de lo cual hablaremos luego.

 

 

===

 

Quando Hegel admite a fé acaba caindo em contradição. Pois a fé é a negação absoluta da Razão tão postulada pelo filósofo.

 

Nem entro na existência ou não de Deus. Já me posicionei quanto a isso.

 

Seu grande propósito é desqualificar o Sistema das Categorias de Kant. Ao longo de toda esta Enciclopédia ele se refere várias vezes e de formas diversas a esse tópico que tanto o agasta.

 

Não. Não é fácil de ler mesmo. Até mesmo para quem já vem um pouco cada dia acompanhando o pensamento de Hegel é muito difícil.

 

Ter lido Kardec facilita? Sim, um pouco. Mas há de lembrar ser o raciocínio alemão em pauta neste livro. Muito diferente do raciocínio linear das línguas de origem latina. Os anglo-saxões têm formas diferentes de construção das frases e dos pensamentos.

 

Mas tudo é uma questão de hábito. Como dizia a professora carioca sobre a filosofia:

 

"É como um prato de sopa muito quente. Não se pode meter a colher no meio do prato. É prudente sempre ir buscando as beiradas do prato e soprar um pouco, no inicio."

 

Filosofia é isso. Um pouco cada dia e com afinco ir caminhando dentro dela. É uma das mais belas fêmeas que conheci. A que mais tem curvas e meandros a explorar.

 

Paulo Cesar Fernandes

 

04  08  2014