quarta-feira, 23 de abril de 2014

20140423 Fitas do Ateismo_Daniel Dennett

Fitas do Ateismo
Daniel Dennett


Obra: A perigosa ideia de Darwin :
          a evolução e os significados da vida.





Fonte: Vídeo tirado do YouTube e transcrito por Fernap

"Embora não tenha feito pesquisas mais profundas posso dizer que Darwin abriu as portas para o cepticismo ou para o ateísmo."
"Antes de Darwin a única resposta para a vida era a Criação Divina."



Cérebro  x  Mente     ou     Alma  x  Corpo
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"Enquanto Descartes manteve a ideia de uma alma imaterial, Darwin a negava.
Wallace por sua vez disse que a Seleção Natural incluia tudo, menos a alma imaterial."


Wallace disse: "Não devemos abrir uma exceção para a mente humana."


A respeito disso Darwin lhe respondeu dizendo: "Voce matou nosso filho."



Para Dennett "nós temos uma alma, mas ela é mecânica. Devemos esquecer o fascínio natural de termos uma alma.
Isto é válido como consolação a um pai ao perder um filho.
Creio que a origem da ideia de alma imaterial sobrevivendo à morte esteja ligada ao fato do objetivo de nossa alma vivente, de nosso cérebro seja projetar o futuro, prever o futuro, ter esperanças sobre o futuro. E esses projetos, planos, expectattivas fazem aquilo que somos.
Essa tendência a se projetar no futuro não a podemos desativar."




Corpo Material  x  Projetos e PLanos
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"As pessoas se enganam quando pensam a alma como uma coisa semimaterial, uma espécie de holograma. Eles sabem que não é verdade.
Sabem ser difícil imaginar alma sem corpo. Mas não há mal pensarem em pessoas sentadas em núvens e tocando harpas."




A fé de Dennett
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Quando vc se tornou ateu?

Houve um momento do desenvolvimento da sua descrença?


"Fui educado numa fé suburbana protestante da Nova Inglaterra, que não tem nenhum credo, mas tem hinos e cerimônias.
Fiz catecismo, li a Bíblia em ordem Gênesis, Exodo, etc. Mas nem de longe tive severa educação religiosa.
Era interessado nisso, intelectualmente, filosóficamente.
Era adolescente quando comecei a perceber ser apenas interesse acadêmico.
Eu não acreditava em nada. Era apenas parte de uma tradição. Seria ofensivo por em dúvida algo assim.
Acho que a maior parte das pessoas diz crer em deus, mas na verdade acreditam na Fé em Deus.
As pessoas que acreditam na Fé em Deus vão à Igreja, cantam hinos, etc.
As pessoas que realmente crêm em Deus fazem loucuras por isso. Inclusive pondo a vida em risco por Deus, habitualmente."




E quanto à Fé Religiosa?


"Tenho pensado nisso e talvez fosse melhor ser rudes a respeito da fé religiosa.
Se olharmos o nosso mundo eu diria que os maiores perigos e danos derivam da fé religiosa.
Não há necessidade de dizer nossas descrenças às pessoas, da mesma forma não ser necessário dizer a um gordo que ele é gordo; a um feio que ele é feio; etc.
Seria perverso. Mesmo que seja verdadeira nossa posição, é bom observar os limites disso tudo.
Se o Cristianismo fosse minoria no mundo, talvez não fosse tão respeitado. Mas veja a arte cristã, a música cristã. É difícil ser rude.
Tive uma disputa amigável com Richard Dawkins a respeito disso.
Eu disse: 'Richard concordo contigo completamente, mas não creio que queira ferir sentimentos. Por que quer ferir as pessoas?'
Pensei que ele não tivesse uma boa resposta e pensei que eu talvez devesse ferir mais os sentimentos das pessoas.
Talvez devessemos reverter a situação e nos colocar como os rudes, malvados.
Talvez o que a América precise é de liberais autênticos fazendo uma grande barulheira para abrir caminhos.
Mudando o centro efetivo das coisas."




Como se sentiria em escrever um livro atacando as religiões da mesma forma que as religiões nos atacam?


"Eu adoraria. Mas o que se teme é o que vem depois. Quanta confusão?
Quão certas estão as pessoas da necessidade da religião para a civilização e para os bons sentimentos.
Muitas pessoas precisam de um sentido para a vida. Se lhes tirarmos a religião de onde lhes virá?"

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Vejo esta entrevista, em primeiro lugar como uma peça de muita sensibilidade.

Sendo este diálogo uma arma contra os materialistas. Para combater uma coisa necessário é bem a conhecermos.

De onde tiraremos seus pontos de fragilidade sem tal conhecimento?


Mas, em minha visão, os materialistas mais perigosos estão por aí dentro das Igrejas; Centros Espíritas; Centros de Umbanda; Sinagogas; Templos Protestantes; etc.


O materialismo de Dennett e seu interlocutor é um materialismo intelectual, de postura filosófica.


O materialismo verdadeiramente pernicioso é o da estrutura vivencial de cada um de nós. É esse que nos leva a competir; a buscar o Poder a qualquer custo; a desprezar preceitos éticos; a invejar o sucesso do semelhante; e promover guerras e disputas internas; etc.


Nos discursos somos os tais. Mas a nossa práxis nem sempre é condizente com o dito. Uma contradição inaceitável neste período de transição histórica da nossa pós-modernidade.


Deixamos o continente conhecido da Modernidade e da subjetividade para trás; e agora navegamos num mar incerto com diversos nomes e ainda não vislumbramos a nova terra na qual aportaremos.


Nestes momentos de transição, a eleição de valores claramente definidos é um elemento de segurança e orientação. O espiritismo traz em seu arcabouço teórico elementos capazes de nos orientar e conduzir dentro das brumas da incerteza predominante no mundo atual.


Penso em valores como a solidariedade sincera; a busca de um mundo de paz, de justiça; jamais permitindo a presença do ódio em nosso coração.


Evidentemente os escorregões serão inevitáveis.


Mas quando falo ódio penso naquele sentimento intermitente e desequilibrador.


Não somos feitos para isso. Não mesmo. Fomos criados para o Bem, para a Sabedoria.


E para uma apreensão cada vez mais profunda das Leis Naturais.



Paulo Cesar Fernandes

23 04 2014


P.S.: Quando vejo alguma referência a Wallace lembro de nosso companheiro José Rodrigues. Jornalista que muito me ajudou nos meus artigos para o Jornal "Espiritismo e Unificação", ainda antes de meu curso de jornalismo. Com sua calma, com seu jeito manso, me dizia da melhor forma de dizer as coisas.

José escreveu um texto muito legal sobre Wallace pontificando um valor igual entre ele e Darwin.


Onde quer se encontre nosso Zé, receba meu abraço saudoso.

sábado, 19 de abril de 2014

20140420 Provável trajetória.

Provável trajetória


Desta vez nasci em Sanros, São Paulo, Brasil.


Da outra, imediatamente anterior, foi de breve curso no início do século, em São Paulo a boemia me chamava pelo nome, e as noites eram meu espaço de viver entre poetas e músicos, prostitutas e um enxame de outros pintores, poetas e marginais urbanos. Tempo aberto ao novo ao experimento.


Uma vida intensa demais para um corpo mal cuidado. Emoções profundas e inimizades ferozes. Não recordo das circunstâncias, mas uma leveza tomou conta de mim, e me vi diante de outros poetas; estes já todos mortos, todos ao meu redor e me dizendo para não perder tempo, devíamos voltar aos bares, e mais tarde eu
entenderia. Achei estranho deixar ali um corpo que era eu... mas a boemia estava me chamando junto à saudade dos velhos amigos que reencontrava, tudo era confuso e alegre até certo ponto. Fiz um poema e alguém escreveu meu poema. E não me deu a menor satisfação pelo fato. Ia contestar mas meus velhos amigos
riram e fomos a outro bar...


No sul dos Estados Unidos fui um negro forte, trabalhava muito colhendo algodão, e brigava mais que trabalhava. Gostavam da minha voz e eu cantava, claro em troca de uns tragos, sempre amaciam a voz e o coração. Aquele Rio Mississippi sabe de minha vida. De cidade em cidade. Quando as coisas enrolavam aqui me
punha no trem e la ia eu. Em cada cidade um novo nome: Joe Tally; Anderson White; Brown Dog; e amantes. Um tiro. O sangue quente escorrendo no peito e ninguém por perto na  noite chuvosa. E me veio o sono afinal.


Já antes, muito antes, vivia atrás de Mãe Negra numa fazenda aqui no Brasil. Habitava mais o barraco das comidas que a casa dos pais. De moleque roubava doces e sempre salvo pela Mãe Negra, sempre meio gorda e como me abraçava. "Leque ruin" e ria, "Cade o doce?, eu apontava a barriga, e ria dela, e corria dela. "Te pego, leque ruin.".


Chega o tempo de não ser mais moleque. Quando o pai proibiu de viver la no barraco das comidas. Foi quando "Mãe Preta" virou "Nhá Nega" e a gente só se via quando tudo era silêncio, rerolava no canto dela até boca da manhã. Eu sumia nessa hora, na cama dormia logo, e nunca gostava de acordar. Descobriram, e fui fora
estudar. Mas nada separa o que é direito. E coração não perde afeto nunca. Eu adulto de todo, ela avançada nos anos e o mesmo carinho, o mesmo prazer de estar juntos. E conversa nunca faltava. Eu mentia estórias só prá me alegrar de ver ela rir. Falava das aulas, da cidade, professores, criticava tudo, e dizia da saudade de ser menino de novo.


Até hoje lembro a alegria de conseguir roubar os doces e ver ela brava comigo. Ralhava da boca prá fora e ria por dentro. Eu bem que sabia, mesmo menino a gente sabe do coração.


Até hoje lembro sua primeira visita aqui em Santos. Eu tinha 18 ou menos de idade. Sua toca branca e sua bondade encheram a sala onde eu ouvia música. Chamou prá trabalhar com ela na casa dela: era uma Tenda de Umbanda. Não falou, mas preocupava com as drogas que andavam entre nós.Tentou algumas outras vezes me levar para a umbanda; até que convidei para ir no Centro que eu fazia parte. Se negou. Demorou um tempo, mas um dia apareceu. Usou meu corpo, falou o que quis e eu não lembro uma palavra. Minha única comunicação totalmente inconsciente.


Se me sente em perigo aparece. Me apoiou na minha separação de minha companheira. Em 2011, numa dor profunda me pareceu senti-la ao pé de mim, mas eu estava abalado demais para percebe-la mais claramente. Foi um ano horrível: morte em família e uma relação desastrosa.


E tem mais a contar. Já vivi entre os Povos Originários, e não foi por menos que na Ditadura Militar um plástico Vermelho em meu carro carregava o lema: "Pela demarcação das Terras Indígenas.". Duas coisas ali se firmavam, minha postura contra os militares, era esquerda na época; e meu vínculo com esses povos que ainda hoje sofrem mutilações e assassinatos frequentes.


Defender eu os Povos Originários é defender minha ancestralidade remota. Admito. É lutar em causa própria, e em prol de meus irmãos de sangue nalgum momento de minha existência.


Quem acha que "morreu acabou" nada sabe da vida. Abdicou das percepções mais sutis da existência.


Não me julgo ignorante. Adestrei por séculos para  chegar a alguma coisa mais distante da materialidade. Admito possam ser emanações do inconsciente; mas o inconsciente é também um repositório de vivências, capazes de aflorar aos gênios; ou, como eu, nos fatos mediúnicos.


Lembranças e emoções por certo nos eclodem em diversas ocasiões do inconsciente. Basta estar atento, e ver a projeção do real em flashes da existência.



Nota: Dedico à minha negra este rememorar carregado de afeto e muitas saudades. Sei das suas tarefas em dimensões mais avançadas, e a quero cumprindo-as como deve fazer.


Paulo Cesar Fernandes

20  04  2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

20140416 A Personalidade Humana

20140416 A Personalidade Humana


A personalidade humana
e sua sobrevivência à morte corporal

por Emily Williams Kelly

Human Personality and Its Survival of Bodily Death de F. W. H. Myers. Charlottesville, VA: Hampton Roads, 2002. 352 pp. $15.26 (paper). ISBN 1-57174-238-7.

 Existe uma versão em português (hoje em dia ela é rara) publicada pela editora Edigraf. Ela pode ser encontrada na Estante Virtual sob o nome "A Personalidade Humana".

 Divisão de Estudos da Personalidade University of V
irginia Health System Charlottesville, VA 22908

Fonte: Journal Scientific Exploration, vol. 17, p. 323.


[myers.jpg]

Este ano [2002] é o centésimo aniversário da publicação de A personalidade humana e sua sobrevivência à morte corporal de

F. W. H. Myers (foto), de dois massivos volumes de um tratado de 1360 páginas que o autor esperava que servisse como base e ponto de partida para o desenvolvimento de uma teoria completa da personalidade humana, uma que pudesse responder a uma grande variedade de fenômenos psicológicos, de fenômenos patologicamente anormais de interesse crescente para os clínicos, aos processos psicológicos associados com a consciência de vigília normal, às raras manifestações de funções supernormais, inclusive a criatividade e a telepatia. No amanhecer do século XX, as idéias e os escritos de Myers ganharam a atenção de muitos psicólogos proeminentes, clínicos e filósofos, e embora o próprio Myers tenha morrido em 1901, na infeliz idade de 57 anos, parecia provável que sua póstuma publicação magnum opus pudesse servir como a inspiração para muitas pesquisas importantes e teorização. Por volta do século XXI, porém, Myers e seu trabalho são desconhecidos para a maioria vasta dos psicólogos, enquanto Human Personality é considerado uma obra clássica na pesquisa psíquica/parapsicológica, embora (e eu fortemente suspeito) ela mesma não seja lida por muitos parapsicólogos. Na tentativa de atrair mais leitores para este longo e difícil livro, o volume um ocasionalmente tem sido resumido, o primeiro em 1907 pelo filho de Myers, e o segundo em 1961 pela autora Susy Smith. Esta publicação mais recente é uma edição de volume único, por Hampton Roads e Russell Targ, numa série chamada "Estudos da Consciência", e é uma reimpressão da edição de 1961 de Susy Smith, inclusive o prefácio de 1961 por Aldous Huxley e uma nova introdução por Jeffrey Mishlove.

O motivo no qual tem importância um livro como Human Personality, é porque ele está repleto de rico material de caso, numa ampla variedade de fenômenos psicológicos como também idéias provocativas sobre a interpretação destes fenômenos; as quais têm sido negligenciadas na psicologia e na história das idéias? A resposta é complicada e estende-se a uma variedade de fatores social, intelectual e mesmo emocionais já conhecidos dos leitores deste jornal e de outros investigadores de fenômenos que parecem impor-se claramente frente às visões prevalentes a respeito da ordem natural. Mas identificando em particular dois importantes temas abordados ao longo de Human Personality, isso poderia ajudar na compreensão tanto do porquê o livro é bastante importante e porque tem sido tão negligenciado.

Primeiro, o livro de Myers foi desenvolvido principalmente sobre uma visão da personalidade humana, ou consciência, que era diretamente oposta à visão prevalente no final do século XIX e continuação do XX - a visão que a consciência é um produto do aumento da complexidade dos processos neurais. Em contraste, a visão de Myers, apresentada aqui com uma quantidade vasta de material empírico que a sustenta, é que a consciência é muito mais extensa que o "eu" de vigília com o qual nós estamos familiarizados e que o cérebro, no lugar de ser o produtor da consciência, é o mecanismo que, em resposta às demandas do meio-ambiente do organismo, filtra, limita, e modula nossa consciência ordinária de vigília (ou supraliminar) a partir de uma consciência mais ampla, primariamente latente ou subliminar.

Myers usou a analogia do espectro eletromagnético para ilustrar sua hipótese: a mais ampla e oculta consciência subliminar é comparável ao espectro inteiro, que se estende indefinidamente, enquanto que nossa consciência supraliminar, ou consciência de vigília, é comparável a um pequeno fragmento daquele espectro que é visível para nós como resultado do desenvolvimento evolucionário de nosso sistema visual. Na maioria dos indivíduos, a "porção visível do espectro psicológico oscila à medida que elementos entram e saem da consciência de vigília, mas ele permanece relativamente estável. Em outros indivíduos, porém, como histéricos ou pacientes com múltiplas personalidades, gênios criativos, ou automatistas (termo de Myers para médiuns ou sensitivos), a "barreira" controlando o fluxo de elementos psicológicos entre o supraliminar e as porções subliminais da consciência é mais "permeável", permitindo a "descida" ou perda de funções associadas à histeria, ou a "subida" da mentação subliminar dos gênios criativos, o aparecimento ocasional de faculdades ocultas como a telepatia, ou outras alterações na estrutura e no conteúdo ordinários da consciência.

Uma visão da personalidade humana que está muito em discrepância com a visão que veio a dominar a psicologia moderna e isto em grande parte seria devido ao fato de fenômenos raros e controversos, como histeria, hipnotismo/mesmerismo, fenômenos de transe e telepatia poderem gerar resistência sob a melhor das hipóteses. Mas o trabalho de Myers, e por extensão a pesquisa psíquica que compôs uma importante parte de sua base, encontrou um obstáculo muito maior porque o segundo tema mais importante em Human Personality foi largamente ignorado e que levou a muitos erros durante o último século sobre a natureza e os propósitos da pesquisa psíquica em geral e do trabalho do Myers em particular. De acordo com o Myers, "o princípio da continuidade... tem nos guiado ao longo deste trabalho" (Myers, 1903, 2:202). Para Myers e a maioria dos outros cientistas de século XIX, a continuidade e uniformidade de natureza emergiram como um dos mais fundamentais princípios que guiam a ciência moderna:

A fé para qual a Ciência se compromete é a fé na uniformidade, na coerência, na inteligibilidade, de qualquer modo, o universo material... Se qualquer fenômeno ... parece arbitrário, ou incoerente, ou ininteligível, ela então não supõe que o encontrou separado na estrutura das coisas; mas supõe bastante que uma resposta racional para o novo problema deve existir em algum lugar — uma resposta que será ainda mais instrutiva, porque envolverá fatos que a primeira pergunta deve ter falhado ao fazer a devida consideração. (Myers, 1900, pág. 120).

Então o corpo inteiro do trabalho de Myers foi baseado na convicção que nenhum fenômeno verdadeiramente é "anômalo", isto é, "separado na estrutura das coisas." Ele reconheceu que para muitas pessoas, especialmente os cientistas, "a dificuldade de acreditar não está nem no defeito de evidência confiável nem na ininteligibilidade, que é a incoerência dos fenômenos descritos, que as impede de reterem na mente ou assimilarem com o conhecimento prévio", e ele continuou a dizer que "eu mesmo senti toda a força desta objeção" (Myers, 1903, 2:505). Para os "antagonistas resolutos ... nenhuma evidência nova pode levá-los a acreditar... a menos que ela seja persistente como evidência" (Myers, 1903, 2:2). Embora "a mente popular tenham expressamente desejado algo surpreendente, algo fora da Lei e acima da Natureza... eu dificilmente posso repetir com freqüência que minha objeção nestas páginas seja de um caráter bastante oposto" (pág. 168).

A meta de Myers, então, era alargar e avançar a compreensão científica sobre a ordem natural tecendo as pontas soltas de fenômenos aparentemente anômalos junto com o conhecimento já existente dentro de um quadro mais amplo, mais completo. Para ele, aqueles que ignoraram ou excluíram certos fenômenos ou perguntas da investigação científica mostraram "um desejo no lugar de um excesso de confiança" na "regularidade imutável da natureza" (Myers, 1881, pág. 99). O método de Myers era pegar uma grande variedade de fenômenos psicológicos — inclusive histeria e personalidades múltiplas, gênios e criatividade, sono e sonhos, hipnotismo e mesmerismo, alucinações, aparições, outros automatismos sensórios, automatismos motor, como a escrita automática, transe, possessão e êxtase — e, "conduzi-los como transições que variariam bem gradualmente, o quanto possível a partir de fenômenos seguramente considerados normais para fenômenos entendidos como supernormais" (pág. 7), demonstrar que estes, de fato, não são anomalias isoladas, mas todos são partes integrantes de um quadro maior da personalidade humana.

A paixão de Myers, o motor que dirigiu sua energia prodigiosa, produtividade e criatividade de pensamento era seu desejo de aprender "se ou não a personalidade [humana] envolvesse qualquer elemento que pudesse sobreviver completamente à morte" (pág. 1). Aqui, também, porém, ele insistiu que "ao lidar com assuntos que vão além da experiência humana (isto é, a sobrevivência post-mortem), nossa única pista é alguma chance de continuidade com que nós já conhecemos" (pág. 338). Então, embora uma das tarefas empreendidas por Myers, e seus colegas, fosse "uma coleção e análise das evidências... que apontavam diretamente para a sobrevivência do espírito do homem" (pág. 4), ele entendeu que a evidência aparentemente muito discrepante das implicações da neurologia e da psicologia modernas tinha que ser integrada de alguma maneira às neurologia e psicologia modernas, se ela carregasse qualquer convicção: "tornou-se gradualmente claro para mim que antes de nós seguramente podermos demarcar qualquer grupo de manifestações como definitivamente implicando alguma influência além túmulo, seriam necessárias mais pesquisas revisadas sobre as capacidades da personalidade encarnada do homem do que psicólogos não familiarizados com esta nova evidência atribuírem valor a elas" (pág. 4).

Em outras palavras, o objetivo de Myers era descobrir se existem características e traços da personalidade encarnada que sustentam a possibilidade da personalidade humana ser mais extensa do que aquilo que é manifestado num organismo biológico em particular, e Human Personality, com seu volumoso material empírico, desenvolve-se dentro da armação teórica de uma consciência mais ampla que a consciência que nós estamos ordinariamente cientes, tal foi o resultado.

Susy Smith fez um excelente trabalho ao resumir Human Personality, e eu espero que esta síntese atraia leitores que se sintam amedrontados pela versão completa de 1360 páginas. Não obstante, eu espero que os leitores venham a entender que uma redução de 1360 páginas para 350, não importa quão boa seja, muito material interessante e essencial do original é necessariamente perdido. Como Gardner Murphy advertiu (Murphy, 1975, pág. iv), uma leitura cuidadosa dos dois volumes completos, inclusive os volumosos apêndices que contém a maior parte do material de suporte, é "o único meio que pelo qual a força do documento e o significado filosófico de Myers podem ser entendidos". Eu espero que o presente resumo afie suficientemente o apetite dos leitores para remetê-los ao trabalho completo.

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Chegando ao fim desta leitura, que não contempla os dois volumes, chegando a um total de 348 páginas na impressão da Edigraf, a mim doada em xerox por algum amigo, em um passado já distante, me vejo diante da perspectiva de tê-lo mais como um livro de psicologia específicamente, do que como um livro espírita, como me foi estipulado desde a infância e juventude.
 
São colocações analíticas colocadas no transcurso da obra; e, no meu parecer, o autor vai se convencendo dos fatos na medida em que a escrevia.
 
Numa linguagem pré-frudiana este desenvolve toda uma teoria, discordante da forma de ver das obras de Kardec, estabelecendo teorias para cada um dos fatos por ele apresentados.
 
É um verdadeiro contraponto a todo aquele que se proponha ao estudo da mediunidade.
 
Se de início me estranhou o posicionamento do autor, neste momento de quase final, me sinto feliz de ter percorrido tal caminho. Em doses diárias, de maior ou menor quantidade, mas com firme regularidade.
 
Recomendo a espíritas e, principalmente a psicólogos, psiquiatras, e congêneres.
 
Paulo Cesar Fernandes
 
16 04 2014

sábado, 12 de abril de 2014

20140412 As pedras do preconceito

As pedras de Java
Revista Espírita, janeiro de 1860




 
Bruxelles, 9 de dezembro de 1859.

Senhor Diretor,

Li, na Revista Espírita, o fato narrado por Ida Pfeiffer, sobre as pedras caídas em Java na presença de um oficial superior holandês, com o qual estive fortemente ligado em 1817, uma vez que foi ele quem me emprestou suas pistolas e serviu de testemunha no meu primeiro duelo. Chamava-se Michiels, de Maestricht, e se tornou general em Java. A carta que relatava este fato acrescentava que essa queda de pedras, na habitação isolada do distrito de
Chéribon não durou menos que doze dias, sem que os sentinelas colocados pelo general nada houvessem descoberto, nem ele durante todo o tempo que ali ficou. Essas pedras, formadas por uma espécie de pedra vulcânica, pareciam se criar no ar, a alguns pés do teto. O general fez encher várias cestas delas, os habitantes vinham procurá-las para delas fazer amuleto, e mesmo remédio. Este fato é muito conhecido em Java, porque se renova muito
freqüentemente, sobretudo os escarros de siry. Várias crianças foram perseguidas por pedradas em campo raso, mas sem serem atingidas. Dir-se-ia Espíritos falsantes que se divertem fazendo medo às pessoas. Evocai o Espírito do general Michiels, talvez vos explique esse fato. O doutor Vanden Kerkhove, que morou muito tempo em Java, confirmou-me como vos afirmo que vossa Revista torna-se todos os dias mais interessante, mais moralizante e mais procurada em Bruxelas.

Aceitai, Jobard.

 
O caráter conhecido da senhora Ida Pfeiffer, a marca de veracidade que levam todas essas narrações, não nos deixam nenhuma dúvida sobre a realidade do fenômeno em questão: mas concebe-se toda a importância que venha acrescentar-lhe a carta do senhor Jobard, pelo testemunho da principal testemunha ocular encarregada de verificar o fato, e que não tinha nenhum interesse em acreditá-lo se o reconhecesse falso. Em primeiro lugar, a natureza
porosa dessa chuva de pedras poderia fazê-lo atribuir uma origem vulcânica ou aerolítica, e os cépticos não faltariam para dizerem que a superstição enganou-se sobre um fenômeno natural. Se não tivéssemos senão o testemunho dos Javaneses, a suposição seria fundada, e essas pedras, caídas em campo raso, viriam, sem contradita, em apoio desta opinião. Mas o general Michaels e o doutor Vanden Kerkhove não eram Malaios, e suas afirmações têm algum valor. A esta consideração, já muito poderosa, é necessário acrescentar que essas pedras não caíam somente em pleno ar, mas num quarto onde pareciam se formar a alguma distância do teto: foi o general quem o afirmou; ora, não pensamos que se viu aerolitos se formarem na atmosfera de um quarto. Admitindo-se a causa meteorológica ou vulcânica, não se saberia dizer dos escarros de siry que os vulcões jamais vomitaram, pelo menos de nosso conhecimento. Descartada esta hipótese pela própria natureza dos fatos, resta saber como essas substâncias puderam se formar. Encontrar-se-á a explicação em nosso artigo do mês de agosto de 1859, sobre o Mobiliário

de além-túmulo.





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É totalmente inaceitável o preconceito e o Eurocentrismo de Kardec, por mais respeito nos seja merecedor. Este é apenas um registro, objetivando a não mitificação de nenhum dos nossos antecessores no processo de conhecimento e reconstrução do espiritismo.

Lembrar sempre: sendo o espiritismo uma área do conhecimento, está sujeito a todas as leis relativas a qualquer área do conhecimento, e muito fortemente a instabilidade de seus conceitos. Não há, no Espiritismo tal o concebo, nenhuma cláusula pétrea. Tudo é passível de questionamento. De novas interpretações e visões, desde que estejam baseadas em pesquisas bem elaboradas, com rezoabilidade científica.

Voltando ao preconceito e ao eurocentrismo ainda hoje presente. Embora nomes como Enrique Dussel, Nestor Garcia Canclini, Adolfo Sánchez Vázquez, venham revertendo esse quadro a ponto de alguns alemães se deslocarem ao México para desenvolver suas teses de Doutoramento junto aos intelectuais da UNAM (Universidade Nacional Autonoma do Mexico), tendo-os por orientadores.

O que desencadeou o Eurocentrismo?

Se um homem como Kardec, de reconhecido quilate intelectual, tinha tal postura quanto aos povos não europeus, que se dirá dos Conquistadores das Américas cuja saga aniquilou 56 milhões de criaturas. Cinquenta e seis milhões de mortes totalmente injustas dadas as condições de armamentos dos Povos Originários de nosso continente.

Se para Kardec os malaios, os habitantes de Java e suas opiniões nenhum valor tinham.



Por outro lado, o Professor Herculano Pires, em seu livro "O Espírito e o Tempo", se vale do pensamento linear e natural dos povos da Indonésia, para reafirmar a realidade da aparição de espíritos, em reuniões por estes povos realizadas ao cair da tarde, onde os antepassados se apresentavam e interagiam com a comunidade.

Na verdade, homens de origens geográficas diferentes, e postados em saberes também diferentes. Uma série de descobertas científicas separam a Era de Kardec da Década de Herculano Pires. E o tempo é elemento interveniente em nosso processo de progresso intelectual.

Na atualidade, alguns meses já podem trazer novas configurações ao nosso pensamento. Basta sejamos aptos à busca do novo e abertos às contribuições de todos os povos. Desde os Povos Originários de qualquer parte do mundo aos povos escandinavos, tidos como os mais avançados, social e culturalmente.

Todo preconceito nos apequena, diante do acolhimento enobrecedor.

Paulo Cesar Fernandes

12 04 2014


 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

20140401 Nosso tempo

Nosso tempo


Quando os conceitos nos adotam, nosso pensar segue apenas seu roteiro.


Assim é no que diz respeito ao franciscanismo, humanismo, e todos os ismos capazes de nos adotarem.


Costumeiramente pensava ser eu o adotante, e das concepções todas. Ilusão. Me vejo hoje muito mais adotado, acolhido pelas ideias. Não tenho mais a sensação de estar no controle da qualquer coisa. Tudo está aí, e eu desfruto de todas as coisas.


Me permito a liberdade de deixar alguns valores se integrarem em minha vida.


Assim mesmo. Os conceitos vem ao pé de mim, e vão ficando, ficando; e quando me dou conta, já estamos numa única formação mental. Integrados.


Uma única preocupação se apresenta nos momentos iniciais do contato: há de ser algo voltado ao Bem e à Justiça. Esta condição ausente, a rejeição é imediata.


Estas são premissas primeiras da atual busca enquanto Ser. Um Ser consciente de sua responsabilidade, relativa ao progresso individual, bem como das pessoas com as quais possa ter contato. Do progresso social, em última instância.


Uma responsabilidade não impositiva de ideias, mas propositiva tão somente; pois o importante é a capacidade individual na busca de soluções, e sempre de forma livre e autônoma.


Cada qual é dono e senhor de seu destino.


A História da Humanidade já registra séculos e séculos de almas comandadas, rebanhos cegos de saber e de percepção de sua grandiosidade. Oprimidos, oprimidos, sempre oprimidos.


Almas sempre tidas por rebanho de algum pastor; de alguma igreja; tenda de umbanda ou centro espírita. E todas as formas de religiosidade são reféns do personalismo. Do tutorialismo. Do autoritarismo.


A religião do futuro será a semente do Bem no coração do homem; disto brotando sua harmoniosa relação com as demais criaturas de todas as espécies e reinos.


Nossa incompletude será dessa forma superada. Estaremos aptos e abertos a aprender e apreender de todas as culturas, de todos os povos.


A presunção sempre fez muito mal a alguns povos; estes se tinham por civilizados e se julgavam no direito/obrigação de "civilizar" os povos "bárbaros".


Para isto se valiam de seus sacerdotes, e de seus canhões principalmente. Faço ressalva ao General Candido Rondon do Brasil, um verdadeiro missionário cujo lema era "morrer se for preciso, matar nunca". Mas a Hispano-América não teve a mesma sorte: 56 milhões de criaturas foram dizimadas pelos "civilizados" invasores.


Se superamos esta fase brutal, ainda temos outras tantas a superar.


Coisas de nosso tempo. "Verdades" e "Novos sacerdotes" sedentos em nos conduzir a seus rebanhos, sempre com dízimos de uma ordem ou de outra.


Mas, já nas revoltas estudantis de Maio de 68 na França e do mundo mesmo, algo de novo nasceu: o conceito de individualidade. Superando ele o de subjetividade trazido por Descartes e o Iluminismo.


Morre a subjetividade da Modernidade, para dar lugar à Individualidade da Pós-Modernidade.


Em recente entrevista. Perguntado quanto às suas previsões relativas ao futuro, Zygmunt Bauman afirma já conclusivamente: "Vivemos um momento de transição."


Qualquer previsão é temerária, ou falseia a realidade num momento de transição. É como estar em meio a uma borrasca em alto mar, e dizer que a náu sairá ilesa de tudo. Em momentos de transição as coisas não estão claras. Saímos de um ponto conhecido e estável, mas ainda não chegamos ao porto de destino. E não sabemos bem qual destino nos está reservado. Nosso tempo é de imprecisão.


Mesmo Bauman, um dos sociólogos mais celebrados do momento se preservou quanto ao futuro.


Nestes tempos, a grande batalha é do indivíduo consigo mesmo.


"Vitorioso é o que vence a si mesmo" dizia Gandhi com toda propriedade. Mas para tal vitória é imprescindível a busca do conhecimento dos nossos defeitos e de nossas qualidades. Ponto inicial de toda uma trajetória de aprimoramento da individualidade.


Mas somos livres e capazes de empreender tal projeto quando bem entendermos. No momento de nossa maior autoconfiança, quando nos sentirmos aptos a tanto.


Cada qual sabe de si. E ninguém tem o direito da crítica. Cuida de ti e deixa em paz teu semelhante.


Afinal, pensando bem: tudo é o resultado de um processo histórico, no qual estamos insertos como individualidades. Capazes de optar por nossa mudança a curto, médio ou longo prazo.


Mais cedo ou mais tarde nossa completude se dará. Isto é da Lei Natural.


É natural que avancemos, e sempre, e mais; pautados na ampla Liberdade.


Portal Fernandes   (Paulo Cesar Fernandes

01  04  2014

quinta-feira, 3 de abril de 2014

20140403 Não somos mais os mesmos

Fonte: pre.univesp.br

Não somos mais os mesmos

Os efeitos do tempo no corpo humano

Christiane Bueno
2/4/14

O tempo consome todas as coisas e tudo envelhece com o tempo, já dizia Aristóteles. Inclusive o organismo humano. O tempo modifica a pele, os cabelos, a fisionomia e até mesmo nossos sentidos. Tato, olfato, visão, audição e paladar também são afetados com o passar dos anos. Mas como isso acontece?


O envelhecimento é um processo complexo e a ciência ainda está longe de compreender todos os aspectos moleculares e celulares envolvidos. Estudos genéticos explicam o envelhecimento através da divisão celular (mitose) e da maneira como é feita a transmissão do código genético de uma célula a outra.


Nesse processo de divisão, há o encurtamento dos telômeros, que são as porções terminais dos cromossomos e que funcionam como uma espécie de capa para o material genético neles contido.


Acredita-se que a falta dessa proteção promoveria uma menor capacidade de renovação de células lesadas ou mortas. “Ao que parece, o envelhecimento celular envolve prejuízos nos mecanismos pelos quais células novas são geradas a partir das células precursoras”, aponta Leonam Martins, médico do Hospital Universitário Clementino Braga Filho (HUCFF) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em geriatria e gerontologia.


Outro importante mecanismo estudado para entender como envelhecemos é o das lesões moleculares por espécies reativas de oxigênio, os radicais livres. O nosso organismo produz radicais livres na respiração e na queima das células, em resposta ao contato com toxinas, como as que estão presentes em ambientes poluídos, com muita fumaça e até mesmo pela exposição à luz solar sem proteção.


Esses radicais livres, no entanto, também são tóxicos, podendo destruir ou alterar o DNA e afetar várias outras funções celulares. Apesar de o organismo ter um sistema de defesa contra os radicais livres, ele perde eficácia com o tempo e os danos celulares se tornam maiores.


Além disso, o trabalho celular produz dejetos que, ao longo do tempo, tornam-se mais numerosos do que as células podem eliminar. Entre estes dejetos está a lipofuscina, ou pigmento do envelhecimento, que liga gordura a proteínas nas células, se acumula com o tempo e pode interferir no funcionamento celular.


A lipofuscina, juntamente com os outros dejetos celulares, afeta o funcionamento da célula, levando-a lentamente à morte. Essas teorias, no entanto, ilustram apenas uma pequena parte dos efeitos do tempo no organismo, como e porque eles ocorrem. “As teorias biológicas explicam algumas características do envelhecimento, mas os múltiplos mecanismos envolvidos no processo ainda não são completamente conhecidos. Entender as causas desse processo ainda é um desafio para a ciência”, diz Ilka Nicéia D'Aquino Oliveira Teixeira, pesquisadora da área de Gerontologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).


Rugas e cabelos brancos


Alguns efeitos do tempo sobre o organismo são bem visíveis. Entre eles estão os cabelos brancos e as rugas. Produzida pelos melanócitos, é a melanina que confere cor aos cabelos (e à pele). Com o tempo, essas células sofrem uma redução progressiva de sua função, perdendo a capacidade de produzir melanina e de manter os cabelos coloridos. A capacidade de produção de melanina é determinada geneticamente, por isso algumas pessoas ficam grisalhas antes das outras, mas a redução desta capacidade se inicia geralmente entre os 35 e 45 anos.


Já as rugas são causadas devido a alterações próprias do envelhecimento e, também, pela exposição à luz ultravioleta, o chamado fotoenvelhecimento. “Dentre as alterações fisiológicas, há a redução da espessura da pele e do conteúdo de elastina e colágeno; o achatamento da zona de transição entre a epiderme e a derme; e diminuição dos lipídeos, o que faz com a pele tenha mais dificuldade em reter umidade, favorecendo o ressecamento. Como resultado do fotoenvelhecimento, há alterações patológicas na própria célula e no interstício celular. A exposição aos raios ultravioleta acentua as alterações proteicas, produzindo anormalidades na rede de fibras elásticas e reduzindo o teor de colágeno”, explica Martins. 


Mudanças sutis


Existem mudanças, porém, que não são visíveis. Os órgãos internos também apresentam alterações em sua fisiologia e em sua constituição tecidual, que envolvem aumento da quantidade de gordura, diminuição de unidades funcionais, perda de elasticidade e lentificação de seus processos fisiológicos.


O coração recebe maior carga de trabalho, devido ao enrijecimento das paredes dos vasos sanguíneos.


Também sofre perda ou hipertrofia de suas células musculares, tornando-se menos elástico. Os pulmões têm diminuição na capacidade de oxigenar o sangue, por conta de uma redução na área da superfície de troca de gases entre o sangue e o ar nos alvéolos, e menor eficiência deste processo.


Devido ao comprometimento progressivo de suas unidades funcionais, os rins têm sua massa reduzida, o que acarreta diminuição progressiva do ritmo de depuração de substâncias.


O tempo também afeta os cinco sentidos. Perdemos habilidade de focar objetos próximos; de detectar alterações no tom dos sons, assim como de ouvir sons de alta frequência. A percepção ligada ao paladar, olfato e tato é reduzida progressivamente, conforme envelhecemos.


Estilo de vida


Apesar de o tempo afetar todos os organismos naturalmente, o estilo de vida contribui muito para acelerar ou retardar seus efeitos. O efeito acumulativo do álcool, gordura saturada, cafeína, açúcar, estresse, noites maldormidas e excesso de trabalho podem agravar o envelhecimento natural.


Assim, para minimizar os efeitos do tempo sobre o organismo, é preciso investir o quanto antes em um estilo de vida mais saudável. E, para isso, não existe segredo: “é preciso ter alimentação saudável, praticar atividade física regularmente, fazer acompanhamento médico periódico para diagnóstico precoce e tratamento dos agravos à saúde, ter descanso e lazer apropriados, cultivar bons pensamentos e manter a mente estimulada, ativa e produtiva”, aconselha Martins.

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cultivar bons pensamentos e manter a mente estimulada, ativa e produtiva”, aconselha Martins



Nestes conselhos do professor nada vem de fora de nós.

Somos ou não somos os donos de nosso existir? Inclusive derrubando as barreiras do berço e do túmulo.

Bons pensamentos;

Mente estimulada;

O que estimula nossa mente?

Depende de nossas disposições interiores mais íntimas.

Depende do Bem ou do Mal agasalhados nos nossos corações.

Mente ativa e produtiva.

Aqui entra o que venho chamando de Espiritualidade, busca de atividades capazes de nos favorecer a abstração: a matemática; a sociologia como análise social, seja esta feita por nós mesmos ou por autores capazes de nos ajudar os raciocínios, não nos dizer o que pensar, mas nos fornecer elementos para livremente estabelecermos nossos conceitos sociais; semiótica, ou a linguagem dos signos, das imagens, segundo penso a linguagem dos processos mediúnicos (mas este é outro ponto); e todas as outras atividades mentais capazes de nos deslocar do materialismo vigente na sociedade em que vivemos, deslocar-nos de toda competição pelo mal que nos faz à alma.


Fomos criados e vivemos para o nosso progresso material e conceitual, mental. Tudo capaz de nos ajudar nessa trajetória é relativo à Espiritualidade tal qual penso.


Nada contra as religiões. Não creio em nenhuma e em nada. A Espiritualidade proposta por mim é muito distante de todas elas. Se apoia tão somente na liberdade do Ser, e na capacidade deste Ser definir seus caminhos e destinos.

E nesse sentido todas as concepções querem que pensemos por "suas verdades". Mas como fazer isso se não existem verdades?

A ruptura com verdades é um dos prérequisitos da Liberdade. Sem a qual ninguém pode se sentir feliz.

Saúde e Paz!

Paulo Cesar Fernandes

03 04 2014


 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

20140402 O Bem se propaga

O Bem se propaga


Fazia a barba e uma música norteamericana me veio à mente:


"I'm in heaven   (Estou no céu
 So on/in heaven"  (Tão no céu



E um pensamento brotou. O céu é mesmo um instante. Nada a ver com locais geográficos: lá embaixo no inferno, ou lá em cima no céu.


Tudo é uma questão do estado de espírito. Momento. Mais ou menos longo, mas momento.


Pode ser pessoal, individual, ou compartilhado com mais pessoas, onde um elo de harmonia cobre corações e mentes, num todo coeso e benfazejo para todos.


É muito comum entre duas pessoas sinceras que se amam. Há entre elas, um halo de confiança e admiração mútua que traz o céu até elas.


Trabalhando na Zona Sul de São Paulo, muitas vezes o horário de almoço se iniciava mais tarde em razão do trabalho.


Numa casa do bairro, onde não havia qualquer placa indicativa, um grupo de senhoras se ocupava de roupas usadas. Pareciam periquitos em seu chilrrear. A alegria daquelas almas se propagava no ar.


Uma dessas ocasiões chamei a atenção de minha amiga de trabalho.


Ela percebeu o mesmo e sorriu de minha observação.


O Bem é assim. Ele se propaga no ar e afeta a todos a ele atentos.


Quem sabe um dia, com nosso empenho, possamos ser cada um de nós, um foco emanador desse Bem, capaz de se propagar e contagiar o mundo ao seu redor.


Como as senhorinhas, daquela casa muito simples, incrustrada num bairro qualquer, na Zona Sul da Cidade de São Paulo.


Paulo Cesar Fernandes

02 04 2014

sexta-feira, 28 de março de 2014

20140329 Raul Marino

Raul Marino


Ou, eu mais perto da neurologia.




Em estrevista ao programa "Salomão:" da BandNews Raul Marino demonstrou uma segurança e uma forma de ver a vida que muito me agradou.

No vídeo a seguir fala de seu livro  "A Religião do Cérebro". Tem tudo a ver com nossas preocupações metafísicas, ou de espiritualidade (pensamento abstrato como venho defendendo).

Ainda não assisti ao video, dessa forma não tenho dele opinião formada. Mas acho o tema propício a um debate. Descobrir a espiritualidade no lado esquerdo do cérebro, e não mais no coração derruba teses ancestrais desde Aristóteles perpassando por todas as épocas da humanidade.

Se prepare e curta um vídeo de mais de 50 munitos:

http://vimeo.com/9301622

A cada dia novas posições me são mostradas, capazes de alterar meu modo de pensar. Não no básico e estabelecido. Mas nas formas de compreensão das Leis Naturais o que busco.

Paulo Cesar Fernandes

29 03 2014

terça-feira, 25 de março de 2014

20140325 Dualidades

Dualidades


Para não errar a forma de grafar trouxe do Wikipedia:
Em Descartes, res cogitans ("coisa pensante") é o sujeito pensante, que encontra obstáculo numa res extensa ("coisa extensa") que é o corpo, a realidade deste
mesmo ou matéria.


Assim temos, segundo o pensador:


res cogitans  x  res extensa
 
pensamento  x  matéria


Levando em consideração que o pensamento é a essência do espírito, ou o espírito em si mesmo; e que a matéria é a positiva representação do corpo temos:


espírito  x  corpo


Aqui temos a dualidade clássica, passível até de questionamentos monistas, mas não é o momento para isso agora.

Penso em, neste jogo de oposições, estabelecer talvez a maior dentre todas as oposições:


espiritualidade  x  materialidade


Sendo a espiritualidade nos moldes por mim concebidos, isto é, tudo quanto nos leve à abstração dos sentidos.

Estudar matemática está inserido na espiritualidade.

O tempo dedicado ao estudo de sociologia é um tempo de espiritualidade.

Quando escrevo um poema estou em clima de espiritualidade.

Se desenho ou componho uma música estou em clima de espiritualidade.



Mas que absurdo, dirá alguém, voce está tirando a espiritualidade da religião?


Nem um pouco. Estar em prece, em oração, lendo textos religiosos é também estar em clima de espiritualidade.


Estou ampliando a espíritualidade, ou as possibilidades de estarmos imersos nela.


Tudo aquilo, capaz de nos remover da materialidade do dia a dia, nos coloca exatamente em seu contrário: a espiritualidade.


Toda atividade capaz de nos levar à abstração mental, cujo objetivo seja um incremento nas nossas potencialidades enquianto Ser, como gosta de se referir Heidegger; ou como espírito, como prefere Kardec; isso tudo nos insere no campo da espiritualidade.


Diferentemente ocorre, a meu juizo, se estivermos fazendo mil cálculos matemáticos, mas nossa preocupação maior estiver voltada para a ansiedade por maiores lucros. Ou mesmo visando colocar nossa empresa em um patamar de competitividade mais intenso, tendo por projeto reduzir o espaço do nosso concorrente. Estas
são coisas estritamente vinculadas à materialidade.


Nesse jogo de oposições, tão forte e tão verdadeiro, entra um terceiro elemento, qualificador de cada um dos nossos pensamentos e dos nossoas atos: a intencionalidade.


Quem sabe das minhas intencionalidades sou eu. Tu não me podes julgar de forma nenhuma. Da mesma forma, não posso eu julgar a ninguém.

Sem dúvida, tanto quanto o discernimos, tanto quanto a nós próprios nos podemos indagar, o sistema dualista (mas só sob a direcção de um Ser originário sumamente bom) tem em si um princípio preponderante, do ponto de vista prático, para cada homem a si mesmo se julgar (embora não tenha competência para julgar os outros). De facto, tanto quanto a si mesmo se conhece, a razão não lhe deixa mais nenhuma outra vista sobre a eternidade a não ser a que a sua própria consciência moral lhe abre no fim da vida, a partir do modo de vida que, até então, levou. Mas para fazer do sistema dualista um dogma, portanto, para o transformar numa proposição teórica em si mesma (objectivamente) válida, ele é, enquanto simples juízo da razão, muitíssimo insuficiente.
 
Pois que homem se conhece a si mesmo, quem conhece tão perfeitamente os outros para decidir se, quando das causas do seu modo de vida pretensamente bem conduzido separa tudo o que se chama o mérito da felicidade, por exemplo o seu temperamento benigno congénito, a força natural maior das suas potências superiores (do entendimento e da razão, para dominar os seus impulsos), ademais, também ainda a oportunidade pela qual o acaso lhe poupou felizmente muitas provações que afectaram outrem; se separar tudo isso do seu verdadeiro carácter (como necessariamente deve descontar, para a este valorizar de um modo justo porque, enquanto dom feliz, não o pode atribuir ao
seu próprio mérito), quem quererá então decidir, digo eu, se aos olhos que tudo vêem do Juiz Universal um homem, segundo os seus valores morais íntimos, tem ainda alguma superioridade em relação a outrem?
 
Não seria, talvez, uma presunção absurda em tão superficial autoconhecimento proferir um juízo tanto em vantagem própria sobre o seu valor moral (e o destino merecido) como sobre o de qualquer outro indivíduo?
 
(Immanuel Kant "O Fim de Todas as Coisas")
 
 
 
No nosso pensamento reside nossa intencionalidade, essa mesma capaz de alocar uma atividade nossa no lado da espiritualidade na balança da vida; ou, pelo contrário, lancá-la na materialidade.


Mas afinal o que é a materialidade até agora tratada?


Muitas coisas se destacam. A mais evidente é a competição entre as pessoas: seja competição no âmbito profissional; seja na posse de bens materiais (um carro de ano mais recente; um equipamento de última geração; etc.); seja ainda no âmbito intelectual, nada menor que pessoas competirem para ter maior destaque que as outras e aparecer mais num determinado grupo, isso denota primitividade espiritual, sendo muito comum no universo acadêmico e nas instituições religiosas.


Um aspecto bastante forte de determinação da materialidade presente na vida é a luta por interesses pessoais, de grupos, ou de associaçãoes: os lobbies do Congresso Nacional; os interesses das categorias profissionais; as lutas intestinas dentro da mesma categoria, chamada luta sindical; a luta pelo poder, nem sempre
levada a cabo com lisura; etc.


Todas estas coisas estão enfeixadas no que chamo materialidade.


Tomo estas apenas como exemplo, uma vez ser o rol muito extenso, e qualque pessoa de bom senso poderá, por si, fazer as necessárias deduções e classificações. Basta pensar se despojando de conceitos pré-estabelecidos.


Voltando, reforçando e finalizando:


res cogitans  x  res extensa
 
pensamento  x  matéria
 
espírito  x  corpo
 
espiritualidade  x  materialidade


As oposições da vida existem.


Existem, e aí estão para nos mostrar algo, nos ensinar algo, pois absolutamente todos somos "eternos aprendizes", como bem nos ensinou Luis Gonzaga Junior, o Gonzaguinha.






O que é, o que é?
Gonzaguinha



Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita



Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz



Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita



Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz



Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita



E a vida
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida de um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!



E a vida
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão



Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo



Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor



Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer



Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser



Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte



E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita



Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz

Ah meu Deus!

Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita



No momento de criatividade/da criação na qual brotou esta música, Gonzaguinha estava imerso em profunda espiritualidade.
Estou seguro disto. Com sua licença meu irmão Gonzaguinha.

Paulo Cesar Fernandes
25 03 2014