A Europa é o centro da civilização
ALLAN KARDEC
O que é o Espiritismo
SEGUNDO DIÁLOGO
O CÉPTICO
IMPOTÊNCIA DOS DETRATORES
V. — Convenho que, entre os detratores do Espiritismo, há muita gente inconsciente, como esses que acabais de citar; mas, ao lado deles, não se encontrarão também homens de real valor, cujas opiniões têm certo peso?
A. K. — Não o contesto. A isso respondo que o Espiritismo também conta em suas fileiras muitos homens de não menos real valor; digo-vos, mais, que a imensa maioria dos espíritas se compõe de homens inteligentes e de estudos; só a má-fé pode dizer que seus adeptos são recrutados entre as mulheres simples e as massas ignorantes.
Um fato peremptório responde, além disso, a essa objeção; é que, apesar de todo o saber, de todo o poder oficial, ninguém consegue deter o Espiritismo na sua marcha; e, entretanto, não há um só dos seus contrários, seja ele o mais obscuro folhetinista, que se não tenha lisonjeado com a idéia de dar-lhe um golpe mortal;
sem querê-lo, todos, sem exceção, concorreram para a sua vulgarização.
Uma idéia que resiste a tantos assaltos, que avança impávida através da chuva de dardos que lhe atiram, não provará a sua força máscula e a segurança das bases em que se firma? Não será esse fenômeno digno da atenção dos pensadores? Também, já hoje, muitos deles avançam que deve haver nisso alguma coisa de real,
que talvez seja um desses grandes movimentos irresistíveis que, de tempos a tempos, abalam as sociedades para transformá-las.
Isto se tem dado sempre com todas as idéias novas, chamadas a revolucionar o mundo; forçosamente elas encontram obstáculos, porque lutam contra os interesses, os prejuízos, os abusos que elas vêm destruir; porém, como estão nos desígnios de Deus, para que se cumpra a lei do progresso da humanidade, chegada a hora,
nada as poderá deter; é a prova de serem a expressão da verdade.
===
Partindo dessa observação de Kardec, pensar o mundo atual.
O movimento espírita institucional não opoe obstáculos abertos ao movimento social presente no mundo atual. Mas dá-lhe as costas. Os "Indignados"; "Ocupa Wall Street"; as passeatas diversas ocorrendo no mundo, e principalmente na Europa contra a Dominação NeoLiberal (francesa e alemã) não obtém palavra dos
gendarmes do espiritismo constituido.
Silentes, focam em temas como reencarnação, evidentemente necessário, mas sobejamente conhecido de todos quantos se digam espíritas. Por certo nada de novo acrescentam ao tema: pesquisas sérias, capazes de serem aceitas pela Academia; a oferta de uma visão libertária, inerente à reencarnação, a tantos quantos se
aproximem de uma casa espírita; etc.
O espiritismo é libertário em sua essência.
O espírito não nasceu para estar preso a nenhuma instituição, a nenhum cadinho de idéias; mas, bem ao contrário nasceu para se fazer autônomo e caminhar com os próprios pés, pensar através da luz da própria razão.
Singrar os ares do conhecimento em todas as suas áreas,
conseguindo com isso uma visão mais ampla da sua própria existência como Ser. Ser inacabado e em constante e incessante construção.
A América Latina vem passando por um processo de retomada dos valores dos Povos Originários e ruptura com a Europa. A Presença de Evo Morales na Presidência da Bolívia; de Cristina Fernandes Kirchner na Argentina e de Pepe Mujica no Uruguay são elementos a reforçar essa tendência de ruptura com o Eurocentrismo.
Para os espíritas, do movimento espirita de todas as vertentes, será difícil romper com o Eurocentrismo, na medida em que Kardec era um frances, europeu e tinha todo o ranço dos europeus de sua época.
Assim como Karl Marx via a Europa como o centro de toda possível civilização e todo o resto como a barbárie. Era tal a
ignorância que chamavam nossos povos de indios, como se tivessem chegado às Índias. Hoje, os ambientes culturais mais atentos, chamam de Povos Originários.
A Europa é o centro da civilização. Paris "a cidade luz é o centro da Europa." ouvia eu na década de 60.
Ledo engano. O Eurocentrismo vem caindo pela própria inconsistência de suas bases.
Como fica o Kardecismo diante da queda do Eurocentrismo?
Esta sim é uma questão pertinente ao momento presente.
Mas o movimento, comandado pelos "iluminados", passa ao largo do seu tempo, e de tudo o que ocorre nesse tempo. Isto é uma forma de alienação que terá provavelmente um custo, não possível de ser mensurado no presente momento, mas virá à tona ainda na década presente. Principalmente nos países de governos
mais progressistas.
Nesses países de governos mais comprometidos com seu povo e com os valores desse mesmo povo, as universidades já se debruçam sobre os elementos culturais dos Povos Ancestrais; os artistas, músicos principalmente, se voltam para o folclore desses povos: Jujuy; a Patagônia; Santiago del Estero na Argentina onde venho
estudando, tem dado contribuições notáveis desde a chegada de Néstor Kirchner ao poder. Ao mesmo tempo em que o precesso democrático e popular se aprofunda, tem início a aproximação aos povos históricamente esquecidos, rejeitados e alvo de preconceito.
O mesmo ocorre na Bolívia até onde sei.
Meus referenciais para isso são: o artista e militante argentino León Gieco e o Prof. Dr. Enrique Dussel, da UNAM (Universidade Nacional Autonoma do México) cujas conferências são encontradas no "YouTube" e as obras, grande parte delas, disponíveis na Internet.
Há todo um processo ocorrendo no mundo, e principalmente na América de fala Hispanica, e o movimento espirita de todas as facções ignora.
Canción por la unidad latinoamericana
Chico Buarque
El nacimiento de un mundo
Se aplazó por un momento
Fue un breve lapso del tiempo
Del universo un segundo
Sin embargo parecia
Que todo se iba a acabar
Con la distancia mortal
Que separó nuestras vidas
Realizavan la labor
De desunir nossas mãos
E fazer com que os irmãos
Se mirassem com temor
Cunado passaron los años
Se acumularam rancores
Se olvidaram os amores
Parecíamos estraños
Que distância tão sofrida
Que mundo tão separado
Jamás se hubiera encontrado
Sin aportar nuevas vidas
E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória
A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue
É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos
Lo que brilla con luz propia
Nadie lo puede apagar
Su brillo puede alcanzar
La oscuridad de otras costas
Quem vai impedir que a chama
Saia iluminando o cenário
Saia incendiando o plenário
Saia inventando outra trama
Quem vai evitar que os ventos
Batam portas mal fechadas
Revirem terras mal socadas
E espalhem nossos lamentos
E enfim quem paga o pesar
Do tempo que se gastou
De las vidas que costó
De las que puede costar
Já foi lançada uma estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela
Já foi lançada um estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela
===
Paulo Cesar Fernandes
26 03 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
Afinidade é Lei?
Venho nos últimos dias assistindo às apresentações de músicos argentinos, músicos presentes no Festival de Cosquín, um festival de folclore, que de sua parte tem uma data para o Rock and Roll daquele país.
Quem, como eu, ama a música, tem em Cosquín um prato cheio.
Diversas vertentes de folclore ali se apresentam. Dentre todas apresentações algumas me chamaram mais atenção por seu conteúdo mais engajado politicamente.
Falo de Suna Rocha, Leon Gieco, a família Carabajal e Facundo Toro, nomes que me vem agora à mente. Outros há de grande valor mas meu tópico hoje é outro.
Ouvindo essa gente, uma expressão eclodiu em mim: "essa/esse joga no meu time...".
Mas o que significa isso?
É estar próximo a mim ideológicamente, estar com as mesmas preocupações, estar a mim ligada/ligado por laços que transcendem a consanguinidade e a própria proximidade física.
Pensamos de forma semelhante.
Sentimos de forma semelhante a vida, os habitantes da Terra, com seus problemas e seus desvios de conduta.
Lutamos para que a Justiça se faça no mundo de forma plena. Um mundo onde a injustiça é tão gritante.
Isso me fez pensar na Lei de Afinidade tantas vezes ouvida no Centro Espírita. E fui ver no velho e bom Kardec de sempre.
Descobri que não há uma Lei claramente definida, mas uma questão onde o tópico é tratado:
278. Os Espíritos das diferentes ordens se acham misturados uns com os outros?
“Sim e não. Quer dizer: eles se vêem, mas se distinguem uns dos outros. Evitam-se ou se aproximam, conforme à simpatia ou à antipatia que reciprocamente uns inspiram aos outros, tal qual sucede entre vós.
Constituem um mundo do qual o vosso é pálido reflexo.
Os da mesma categoria se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias, unidos pelos laços da simpatia e pelos fins a que visam: os bons, pelo desejo de fazerem o bem; os maus, pelo de fazerem o mal, pela vergonha de suas faltas e pela
necessidade de se acharem entre os que se lhes assemelham.”
Tal qual uma grande cidade, onde os homens de todas as classes e de todas as condições se vêem e encontram, sem se confundirem; onde as sociedades se formam pela analogia dos gostos; onde a virtude e o vício se acotovelam, sem trocarem palavra.
É muito bom, muito prazeroso ter, do outro lado da fronteira, pessoas de uma grandeza de alma capazes de nos inspirarem em nossa jornada. Capazes de, com suas palavras, convicções e arte, trazer/propor mudanças das quais nossa Terra anda tão carente.
Como sempre digo: "os artistas são os capazes de ver o futuro desde o presente". E os músicos argentinos, alguns deles cuja entrevista eu vi, e venho registrando, falam com tranquilidade na espiritualidade, em seu guia espiritual. O que me causou certo espanto. Mas uma ditadura que eliminou 30.000 pessoas, só pode deixar marcas profundas, em todas as pessoas de alguma sensibilidade. E a espiritualidade é o desaguadouro natural de tudo isso.
Espiritualidade nada tem a ver com religião, lembremos sempre disso. É outra coisa segundo minha formulação. Se pauta na abstração do espírito da materialidade vigente em nossa sociedade. Num ato racional e consciente.
Os ideais e as energias acabam por nos unir ou nos separar. São os verdadeiros elementos na formação do podemos chamar, junto com Kardec, de nossa família espiritual. Capaz de nos trazer pitadas de felicidade a cada contato.
Paulo Cesar Fernandes
19 03 2013
Quem, como eu, ama a música, tem em Cosquín um prato cheio.
Diversas vertentes de folclore ali se apresentam. Dentre todas apresentações algumas me chamaram mais atenção por seu conteúdo mais engajado politicamente.
Falo de Suna Rocha, Leon Gieco, a família Carabajal e Facundo Toro, nomes que me vem agora à mente. Outros há de grande valor mas meu tópico hoje é outro.
Ouvindo essa gente, uma expressão eclodiu em mim: "essa/esse joga no meu time...".
Mas o que significa isso?
É estar próximo a mim ideológicamente, estar com as mesmas preocupações, estar a mim ligada/ligado por laços que transcendem a consanguinidade e a própria proximidade física.
Pensamos de forma semelhante.
Sentimos de forma semelhante a vida, os habitantes da Terra, com seus problemas e seus desvios de conduta.
Lutamos para que a Justiça se faça no mundo de forma plena. Um mundo onde a injustiça é tão gritante.
Isso me fez pensar na Lei de Afinidade tantas vezes ouvida no Centro Espírita. E fui ver no velho e bom Kardec de sempre.
Descobri que não há uma Lei claramente definida, mas uma questão onde o tópico é tratado:
278. Os Espíritos das diferentes ordens se acham misturados uns com os outros?
“Sim e não. Quer dizer: eles se vêem, mas se distinguem uns dos outros. Evitam-se ou se aproximam, conforme à simpatia ou à antipatia que reciprocamente uns inspiram aos outros, tal qual sucede entre vós.
Constituem um mundo do qual o vosso é pálido reflexo.
Os da mesma categoria se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias, unidos pelos laços da simpatia e pelos fins a que visam: os bons, pelo desejo de fazerem o bem; os maus, pelo de fazerem o mal, pela vergonha de suas faltas e pela
necessidade de se acharem entre os que se lhes assemelham.”
Tal qual uma grande cidade, onde os homens de todas as classes e de todas as condições se vêem e encontram, sem se confundirem; onde as sociedades se formam pela analogia dos gostos; onde a virtude e o vício se acotovelam, sem trocarem palavra.
É muito bom, muito prazeroso ter, do outro lado da fronteira, pessoas de uma grandeza de alma capazes de nos inspirarem em nossa jornada. Capazes de, com suas palavras, convicções e arte, trazer/propor mudanças das quais nossa Terra anda tão carente.
Como sempre digo: "os artistas são os capazes de ver o futuro desde o presente". E os músicos argentinos, alguns deles cuja entrevista eu vi, e venho registrando, falam com tranquilidade na espiritualidade, em seu guia espiritual. O que me causou certo espanto. Mas uma ditadura que eliminou 30.000 pessoas, só pode deixar marcas profundas, em todas as pessoas de alguma sensibilidade. E a espiritualidade é o desaguadouro natural de tudo isso.
Espiritualidade nada tem a ver com religião, lembremos sempre disso. É outra coisa segundo minha formulação. Se pauta na abstração do espírito da materialidade vigente em nossa sociedade. Num ato racional e consciente.
Os ideais e as energias acabam por nos unir ou nos separar. São os verdadeiros elementos na formação do podemos chamar, junto com Kardec, de nossa família espiritual. Capaz de nos trazer pitadas de felicidade a cada contato.
Paulo Cesar Fernandes
19 03 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
Sim sim Não não
Assim é Kardec. De uma firmeza polida com seus opositores, mas não deixa de rasgar sua máscara, de homem interessado e homem de rigor filosófico, pondo-o no seu devido lugar.
É uma bela peça, nos permite ver um Kardec persistente na idéia de impedir a tal senhor participar de uma reunião, o que realmente seria um dano para a reunião, atrapalharia em muito seu bom andamento.
Kardec é uma homem de idéias claras e firmes. Agiu conforme os ditâmes de suas convicções.
Vamos ao texto:
Allan Kardec
O que é o Espiritismo
Primeiro diálogo - O crítico
Visitante — Confesso-vos, caro senhor, que a minha razão recusa admitir a realidade dos fenômenos estranhos atribuídos aos Espíritos, persuadido que estou de estes não terem senão uma existência imaginária. Entretanto, eu me curvaria diante da evidência, se disso tivesse provas incontestáveis; por isso desejo merecer-vos a permissão de assistir somente a uma ou duas experiências, para não ser indiscreto, a fim de convencer-me, caso seja possível.
Allan Kardec — Desde que a vossa razão repele o que nós consideramos irrecusável, vós a credes superior às de todos quantos não compartilham de vossas opiniões. Longe de mim o pensamento de duvidar do vosso talento e a pretensão de supor minha inteligência superior à vossa; admiti, pois, que eu esteja iludido, é a
vossa razão quem vo-lo diz: e não falemos mais nisso.
V. — Entretanto, se conseguísseis convencer-me, conhecido que sou como antagonista das vossas idéias, isto seria um milagre eminentemente favorável à causa que defendeis.
A. K. — Lamento-o, caro senhor, porém não tenho o dom de fazer milagres. Julgais que uma ou duas sessões bastariam para adquirirdes convicção?
Seria, realmente, um verdadeiro prodígio; eu precisei mais de um ano de trabalho para ficar convencido; o que prova que não cheguei a esse estado inconsideradamente. Além disso, não realizo sessões públicas e parece-me que vos enganastes sobre o fim das nossas reuniões, visto não fazermos experiências com o fito de satisfazer à curiosidade de ninguém.
V. — Não procurais, pois, fazer prosélitos?
A. K. — Para que buscarmos fazer-vos prosélito, quando não o quereis ser? Não pretendo forçar convicção alguma. Quando encontro pessoas que sinceramente desejam instruir-se e dão-me a honra de pedir-me esclarecimentos, folgo e cumpro um dever respondendo-lhes nos limites dos meus conhecimentos; quanto
aos antagonistas, porém, que, como vós, têm convicções arraigadas, não tento um passo para delas arredá-los, atento a que é grande o número dos que se mostram bem-dispostos, para que possamos perder o nosso tempo com aqueles que o não estão. Estou certo de que, diante dos fatos, a convicção há de vir, mais tarde ou mais cedo, e que os incrédulos hão de ser arrastados pela torrente; por ora, alguns partidários, de mais ou de menos, nada alteram na pesagem; pelo que nunca me vereis incomodado para atrair, às nossas idéias, aqueles que, como vós, sabem as razões que têm para fugir delas.
V. — Há mais interesse em convencer-me do que o supondes. Permitis que me explique com franqueza e prometeis-me não ver ofensa alguma nas minhas palavras?
São as minhas idéias sobre a coisa em si e não sobre a pessoa a quem me dirijo; posso respeitar a pessoa, sem participar de suas opiniões.
A. K. — O Espiritismo me tem ensinado a desprezar essas mesquinhas suscetibilidades do amor-próprio, e a me não ofender com palavras. Se as vossas expressões saírem dos limites da urbanidade e das conveniências, apenas concluirei que sois um homem mal-educado, mas não irei além. Quanto a mim, antes quero que os outros fiquem com os defeitos, do que compartilhar deles. Vedes, só por isso, que o Espiritismo já serve para alguma coisa. Já vos disse, senhor, não tenho a pretensão de vos fazer adotar a minha opinião; respeito a vossa, se é sincera, como desejo que respeiteis a minha. Acreditando ser o Espiritismo um sonho sem sentido, dissestes, sem dúvida, vindo a minha casa: Vou ver um louco. Confessai-o francamente, pois com isso não me escandalizarei. Todos os espíritas são loucos, é coisa sabida. Pois bem! se julgais assim, eu tenho escrúpulo de transmitir-vos a minha enfermidade mental; e causa-me espanto ver-vos, com tal pensamento, buscar uma convicção que vos vai colocar no número dos loucos. Se já estais persuadido de que não conseguiremos convencer-vos, o passo que destes é inútil, visto que só terá por fim a curiosidade. Abreviemos, pois, por favor, porque me falta tempo para perder em conversações sem objeto.
V. — O homem pode enganar-se, deixar-se iludir, sem que, por isso, seja louco.
A. K. — Dizei logo: acreditais, como muitos, que isto é moda que durará certo tempo; mas deveis convir que um passatempo que, em alguns anos, tem conquistado milhões de partidários, em todos os países, que conta entre seus adeptos sábios de toda ordem, que se propaga de preferência nas classes mais esclarecidas, é mania singular, que merece examinada.
V. — Tenho minhas idéias a respeito, é certo, porém elas não se acham tão absolutamente firmadas, que não consinta em sacrificá-las à evidência. Disse-vos que teríeis certo interesse em me convencer. Confesso-vos que tenciono publicar um livro em que me proponho demonstrar ex professo (sic) a minha opinião sobre
o que considero um erro; e como esse livro deve produzir efeito, dando um golpe no Espiritismo, eu deixaria de publicá-lo, caso ficasse convencido da realidade da vossa doutrina.
A. K. — Eu sentiria que ficásseis privado do que vos pode proporcionar um livro que deve produzir tanto efeito; além disso, não tenho interesse algum em impedir a sua publicação: ao contrário, desejo-lhe grande circulação, porque assim ele nos servirá de prospecto e anúncio. A nossa atenção é sempre chamada sobre aquilo que vemos atacado; há muita gente que quer ver os prós e os contras, e a crítica faz aparecer a verdade, mesmo aos olhos daqueles que não a procuravam aí; é assim que muitas vezes, sem querer, se faz reclamo do que se quer combater. A questão dos Espíritos é, por outro lado, tão palpitante de interesse, choca a tal ponto a curiosidade, que basta assinalá-la à atenção, para que nasça o desejo de aprofundá-la.
V. — Então, no vosso entender, a crítica para nada serve, a opinião pública nada vale?
A. K. — Não considero a crítica como expressão da opinião pública, mas como juízo individual, que bem pode enganar-se. Lede a história e vereis quantos trabalhos importantes foram, ao aparecer, criticados, sem que isso os excluísse do número das grandes obras; quando, porém, uma coisa é má, não há elogio que a
torne boa. Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira. Ao nosso modo de ver, vosso livro não será mais que uma apreciação pessoal; a verdadeira opinião pública decidirá da justeza dos vossos conceitos.
Procurarão examinar. Se mais tarde reconhecerem que vos enganastes, vosso livro se tornará ridículo, como os que, não há muito, foram publicados contra as teorias da circulação do sangue, da vacina, etc., etc. Esquecia-me, porém, que íeis tratar a questão ex professo, o que equivale a dizer que a estudastes sob todas as
suas faces; que vistes tudo o que se pode ver, lestes tudo o que sobre a matéria se tem escrito, analisastes e comparastes as diversas opiniões; que vos achastes nas melhores condições de observação pessoal; que durante anos lhe consagrastes vigílias; em suma: que nada desprezastes para chegar à verdade. Devo crer que tal se
deu, se sois um homem sério, porque somente aquele que fez tudo isso pode dizer que fala com conhecimento de causa.
Que juízo formaríeis de um homem que, sem conhecimento de literatura, sem ter estudado a pintura, se erigisse em censor de uma obra literária ou de um quadro?
É de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem valor. Para combater um cálculo é necessário opor-se-lhe outro cálculo, o que exige saber calcular. O crítico não se deve limitar a dizer que tal coisa é boa ou má; é preciso que justifique a opinião
por uma demonstração clara e categórica, baseada sobre os princípios da arte ou ciência a que pertence o objeto da crítica.
Como poderá fazê-lo, quando não conhecer esses princípios?
Não tendo idéia da mecânica, podereis apreciar as qualidades, ou os defeitos de determinada máquina?
Não. Pois bem: o vosso juízo acerca do Espiritismo, que aliás não conheceis, não pode ter mais valor que o que, nas condições acima, emitísseis sobre a aludida máquina. A cada passo sereis apanhado em flagrante delito de ignorância, porque aqueles que têm estudado a matéria verão logo que a desconheceis; donde concluirão que não sois um homem sério ou que agis de má-fé; expondo-vos, portanto, a receber, quer num, quer noutro caso, desmentido pouco lisonjeiro ao vosso amor-próprio.
V. — É precisamente para evitar esse perigo que vim pedir-vos permissão para assistir a algumas experiências.
A. K. — E julgais que isto vos baste para poder, ex professo, falar de Espiritismo? Como podereis compreender essas experiências e, ainda mais, julgá-las, quando não estudastes os princípios em que elas se baseiam? Como apreciaríeis o resultado, satisfatório ou não, de ensaios metalúrgicos, por exemplo, não conhecendo a
fundo a metalurgia?
Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente a mesma coisa que, não tendo estudado a Matemática, nem a Astronomia, vos apresentásseis a um dos membros do Observatório, dizendo-lhe: “Senhor, quero escrever um livro sobre Astronomia e provar que o vosso sistema é falso; mas, como desconheço os menores rudimentos dessa ciência, deixai que, por uma ou duas vezes, me sirva de vossa luneta; o que será suficiente para ficar sabendo tanto quanto vós.”
É somente por extensão que a palavra criticar se tornou sinônima de censurar; em sua acepção própria e segundo a etimologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aprobativa ou desaprobativa. Fazer a crítica de um livro não é necessariamente condená-lo; quem empreende essa tarefa, deve fazê-lo sem idéias
preconcebidas; porém, se antes de abrir o livro, já o condena em pensamento, o exame não pode ser imparcial. Tal o caso da maioria dos que têm falado contra o Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião, fazendo qual juiz que proferisse uma sentença, sem antes examinar as peças do processo.
A conseqüência foi que seu julgamento feriu em falso, e que, em vez de persuadir, ocasionaram riso. A maior parte dos que seriamente têm estudado a questão, mudou de idéia, e mais de um adversário se tem tornado adepto do Espiritismo, quando reconhece que o seu objetivo é muito diverso daquele que supunha.
V. — Falais do exame dos livros em geral; acreditais que seja materialmente possível a um jornalista ler e estudar todos os que lhe passam pelas mãos, sobretudo quando se ocupam com teorias novas, que lhe seria preciso aprofundar e verificar? Seria o mesmo que exigir de um impressor que ele lesse todas as obras saídas de
sua prensa.
A. K. — A tão judicioso raciocínio não tenho outra resposta a dar senão que, quando nos falta o tempo para fazer conscienciosamente uma coisa, é melhor não fazê-la; é preferível produzir um só trabalho bom a fazer dez maus.
V. — Não acrediteis que minha opinião se tenha formado levianamente. Vi mesas girarem e produzirem sons como de pancadas; vi pessoas escreverem o que segundo diziam, lhes ditavam os Espíritos; estou, porém, convencido de que nisso há charlatanismo.
A. K. — Quanto vos cobraram para mostrar-vos essas coisas?
V. — Nada, por certo.
A. K. — Ora, aí tendes charlatães de uma espécie singular, que vão reabilitar o nome da sua classe. Até ao presente não se tinha ainda visto charlatães desinteressados. Suponhamos que um gaiato de mau gosto tenha querido uma vez divertir-se assim; será crível que as outras pessoas presentes pactuassem com ele?
Demais, com que fim se fariam elas cúmplices de uma mistificação? Direis que com o fim de recrear a sociedade...
Concordo em que uma vez se prestassem a tal brinquedo; porém, quando esse brinquedo dura meses e anos, julgo que o mistificado é o próprio mistificador. Não é provável que, só pelo gosto de fazer que creiam em uma coisa que ele sabe ser falsa, alguém vá passar horas inteiras, imóvel, agarrado a uma mesa. O gosto não
equivaleria à pena. Antes de julgar isso uma fraude, é preciso indagar que interesse havia em enganar; ora, não deixareis de convir que há pessoas que se não coadunam com a mais leve suspeita de embuste; pessoas cujo caráter já é uma garantia de probidade.
Coisa muito diversa seria se se tratasse de uma especulação, porque a tentação do ganho é má conselheira; mas, admitindo mesmo que, neste último caso, ficasse bem comprovado um manejo fraudulento, isso em nada ofenderia a realidade do princípio, porque de tudo se pode abusar. Por vender-se vinho falsificado, não se deve concluir que não existe vinho puro.
O Espiritismo não é mais responsável pelos atos daqueles que abusam desse nome e o exploram, do que o é a ciência médica pelos atos dos charlatães que impingem suas drogas, ou a religião pelos dos sacerdotes que iludem seu ministério. Por sua novidade e mesmo por sua natureza, o Espiritismo se presta a abusos; ele, porém, fornece os meios para que os reconheçam, definindo claramente seu verdadeiro caráter e afastando de si toda a solidariedade com aqueles que o viriam a explorar ou desviar do seu fim exclusivamente moral, para transformá-lo em meio de vida, em instrumento de adivinhação ou de investigações fúteis.
Desde que o Espiritismo mesmo traça os limites em que se encerra, define o que pode ou não dizer ou fazer, o que está ou não em suas atribuições, o que aceita e o que repudia, toda a falta recai sobre aqueles que, não se dando ao trabalho de estudá-lo, o julgam pelas aparências e que, por terem encontrado saltimbancos adornando-se sob o nome de espíritas, para chamar concorrência, dizem com gravidade: eis o que é o Espiritismo.
Sobre quem, em definitivo, cairá o ridículo? Será sobre o saltimbanco que usa do seu ofício? Será sobre o Espiritismo, cuja doutrina escrita desmente tais asserções? ou, antes, sobre os críticos que falam do que não sabem ou de, cientemente, alterarem a verdade?
Aqueles que atribuem ao Espiritismo o que é contrário à sua mesma ciência, fazem-no por ignorância ou má intenção; no primeiro caso há leviandade, no segundo, má-fé. E, neste último caso, eles se colocam na posição do historiador que, no interesse de sustentar um partido ou uma opinião, alterasse os fatos históricos. Quando usa desses meios, o partido fica desacreditado e não consegue o seu fim. Notai bem, cavalheiro, que eu não pretendo que a crítica deve necessariamente aprovar nossas idéias, mesmo depois de as haver estudado; não nos revoltamos de forma alguma contra os que não pensam como nós.
O que é evidente, para nós, pode não ser para vós outros; cada qual julga as coisas debaixo de certo ponto de vista, e do fato mais positivo nem todos tiram as mesmas conseqüências. Se um pintor, por exemplo, pinta em seu quadro um cavalo branco, não faltará quem diga que essa cor faz aí mau efeito, que a cor negra conviria mais, e nisto não se comete erro; cometer-se-á, porém, se, vendo que o cavalo é branco, afirmar que é negro; é o que faz a maioria dos nossos adversários.
Em resumo, senhor, todos têm completa liberdade de aprovar ou censurar os princípios do Espiritismo, de deduzir deles as conseqüências boas ou más que lhes aprouver, porém a consciência impõe ao crítico a obrigação de não dizer o contrário do que ele sabe que é; ora, para isso, a primeira condição é não falar do que
não conhece.
V. — Voltemos, por favor, às mesas que se movem e falam; não será possível que elas sejam preparadas com algum artifício?
A. K. — É sempre a mesma questão de boa-fé, a que já respondi. Quando a fraude for provada, eu vo-la reconhecerei; se descobrirdes fatos demonstrados de embuste, charlatanismo, especulação ou abuso de confiança, fustigai-os e eu desde já vos declaro que não irei defendê-los, porque o Espiritismo sério é o primeiro a repudiá-los; e quem assinalar tais abusos o auxilia no trabalho de preveni-los e lhe presta importante serviço.
Porém, generalizar essas acusações, lançar sobre elevado número de pessoas honradas a reprovação que só cabe a alguns indivíduos isolados, é um abuso de outro gênero, porque é uma calúnia. Admitindo, como dissestes, que as mesas estivessem preparadas, era preciso que o mecanismo empregado fosse bem engenhoso
para fazê-las produzir movimentos e sons tão variados.
Ora, como não é ainda conhecido o nome do hábil artista que os fabrica? Entretanto, ele deveria gozar de grande celebridade, visto que seus aparelhos estão espalhados pelas cinco partes do mundo. Devemos também convir que o seu processo é assaz delicado e sutil, para poder adaptar-se à primeira mesa que se apresenta, sem deixar sinal algum exterior que o denuncie. Como é que, desde Tertuliano, que já tratava das mesas giratórias e falantes, até o presente ninguém conseguiu ver e descrever tal mecanismo?
V. — Eis o que vos ilude. Um célebre cirurgião reconheceu que certas pessoas podem, pela contração de um músculo da perna, produzir um ruído semelhante ao que atribuís à mesa; donde concluiu que os médiuns se divertem à custa da credulidade dos assistentes.
A. K. — Se é um estalido do músculo, não é então a mesa que está preparada. Uma vez que cada qual explica a seu modo essa pretendida fraude, fica reconhecido que a verdadeira causa não é sabida.
Respeito a ciência desse sábio cirurgião, e somente acho que se apresentam algumas dificuldades na aplicação, às mesas falantes, da teoria indicada. A primeira é que é singular que essa faculdade, até o presente excepcional e olhada como um caso patológico, se tenha tornado comum; a segunda, que é preciso ter-se
robustíssima vontade de mistificar, para fazer estalar o músculo durante duas ou três horas consecutivas, quando disso não resulte a quem assim procede senão fadiga e dor; a terceira, que eu não compreendo bem como pode esse músculo responder às portas e paredes em que as pancadas se fazem ouvir; a quarta, finalmente, que é necessário dar-se a esse músculo estalador uma propriedade bem maravilhosa, para que ele possa mover uma pesada mesa, levantá-la, abri-la, fechá-la, conservá-la suspensa sem ponto de apoio, e, finalmente, fazê-la despedaçar-se ao cair. Ninguém, por certo, desconfiava que esse músculo possuísse tanta virtude (Revue Spirite, junho de 1859, pág. 141: “Le muscle craqueur”.)
O célebre cirurgião, de que falais, teria estudado o fenômeno da tiptologia sobre os indivíduos que os produzem? Não; ele observou um efeito fisiológico anormal em alguns indivíduos que nunca se ocuparam de mesas batedoras; e, notando certa analogia entre esse efeito e o que essas mesas produzem, sem mais amplo exame
concluiu, com toda a autoridade de sua ciência, que todos os que concorrem, para que as mesas falem, devem ter a propriedade de fazer estalar o músculo curto-perônio, e não são mais que embusteiros, sejam eles príncipes ou artífices, recebam ou não um pagamento.
Estudou ele, ao menos, o fenômeno da tiptologia em todas as suas fases? Verificou, por meio desse estalido muscular, se podia produzir todos os efeitos tiptológicos? Não; porque, do contrário, ele ficaria convencido da insuficiência do seu processo; apesar disso, julgou-se no caso de proclamar a sua descoberta, em pleno Instituto.
Não será esse juízo assaz comprometedor para um sábio? Quem pensa hoje nessa opinião? Confesso-vos que, se me tivesse de sujeitar a uma operação cirúrgica, hesitaria muito em confiar-me a esse médico, porque recearia que ele não julgasse o meu mal com mais perspicácia. Já que esse juízo é uma das autoridades em que
pareceis querer apoiar-vos para esmagar o Espiritismo, fico completamente inteirado da força dos outros argumentos que quereis validar, a menos que os não vades beber em fontes mais autênticas.
V. — Entretanto, bem vedes que já passou a moda das mesas girantes que durante certo tempo fizeram furor; hoje já ninguém se ocupa com elas. Por que se dá isso, quando é uma coisa séria?
A. K. — Porque das mesas girantes saiu uma coisa ainda mais séria: uma ciência completa, uma perfeita doutrina filosófica, do máximo interesse para os homens que refletem. Quando estes nada mais tiveram a aprender no giro das mesas, não mais com elas se ocuparam. Para as pessoas fúteis, que nada querem aprofundar, esse fenômeno era um passatempo, um divertimento que abandonaram quando dele se aborreceram; são pessoas com as quais a ciência não conta.
O período de curiosidade teve seu tempo; sucedeu-lhe o da observação. O Espiritismo entrou, então, no domínio da gente séria, que não o toma como objeto de divertimento, mas, sim, como meio de instruir-se. Porém, essas pessoas que o consideram como coisa grave, não se prestam a qualquer experiência de curiosidade,
e ainda menos a satisfazer a daqueles que se apresentam com pensamentos hostis; como não brincam, não se prestam a servir de brinquedo para os outros; eu pertenço a esse número.
V. — No entanto, somente a experiência pode convencer, mesmo aquele que, em começo, seja movido pela curiosidade. Se só trabalhais na presença de pessoas convictas, deixai que vos diga, ensinais a quem já sabe.
A. K. — Uma coisa é estar convencido e outra estar disposto a convencer-se; é aos desta última classe que me dirijo, e não aos que julgam humilhação vir escutar o que eles chamam ilusões. Com estes eu não me ocupo, absolutamente. Quanto aos que manifestam sincero desejo de esclarecer-se, o melhor modo que têm, para
prová-lo, é mostrar perseverança; são reconhecidos por outros sinais que não apenas o desejo de ver uma ou duas experiências: esses querem trabalhar seriamente.
A convicção só se adquire com o tempo, por meio de uma série de observações feitas com cuidado todo particular. Os fenômenos espíritas diferem essencialmente dos das ciências exatas: não se produzem à vontade; é preciso que os colhamos de passagem; é observando muito e por muito tempo que se descobre uma porção
de provas que escapam à primeira vista, sobretudo, quando não se está familiarizado com as condições em que se pode encontrá-las, e ainda mais quando se vem com o espírito prevenido.
As provas abundam para o observador assíduo e refletido: uma palavra, um fato aparentemente insignificante, é para ele um raio de luz, uma confirmação; ao passo que tais fatos não têm sentido para quem os observa superficialmente ou por simples curiosidade; eis por que não me presto a fazer experiências sem resultado provável.
V. — Enfim, tudo deve ter começo. O aprendiz, que nada sabe, que nada viu ainda, mas que deseja esclarecer-se, como poderá fazê-lo, quando não lhe facultais os meios para isso?
A. K. — Eu faço grande distinção entre o incrédulo por ignorância e o incrédulo por sistema; quando descubro alguém com disposições favoráveis, nada me custa esclarecê-lo; há, porém, pessoas em quem a vontade de instruir-se não é senão aparente; com estas perde-se o tempo; porque, se elas não encontram logo o que parecem buscar, e que talvez as incomodasse, se aparecesse, o pouco que vêem não é suficiente para lhes destruir as prevenções; julgam mal os resultados obtidos e os transformam em objeto de zombaria, pelo que não há utilidade em lhos fornecer.
A quem deseja instruir-se, direi: “Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um de Física ou de Química, atento que nunca se é senhor de produzir os fenômenos espíritas à vontade, e que as inteligências desses agentes fazem, muitas vezes, frustrarem-se todas as nossas previsões. Aqueles que acidentalmente poderíeis ver, não apresentando nexo algum, nem ligação necessária, seriam pouco inteligíveis para vós. Instruí-vos primeiramente pela teoria, lede e meditai as obras que tratam dessa ciência; nelas aprendereis os princípios, encontrareis a descrição de todos os fenômenos, compreendereis a possibilidade deles pela explicação que elas vos darão, e, pela narrativa de grande número de fatos espontâneos de que pudestes ser testemunha sem os compreender, mas que vos voltarão à memória, vós vos fortificareis contra todas as dificuldades que possam surgir e formareis, desse modo, uma primeira convicção moral.
Então, quando se vos apresentar a ocasião de observar ou operar pessoalmente, compreendereis, qualquer que seja a ordem em que os fatos se mostrem, porque nada vereis de estranho.”
Eis, meu caro senhor, o que aconselho a todos que dizem querer instruir-se, e, pela resposta que dão, é fácil conhecer se neles há alguma coisa mais que curiosidade!
É uma bela peça, nos permite ver um Kardec persistente na idéia de impedir a tal senhor participar de uma reunião, o que realmente seria um dano para a reunião, atrapalharia em muito seu bom andamento.
Kardec é uma homem de idéias claras e firmes. Agiu conforme os ditâmes de suas convicções.
Vamos ao texto:
Allan Kardec
O que é o Espiritismo
Primeiro diálogo - O crítico
Visitante — Confesso-vos, caro senhor, que a minha razão recusa admitir a realidade dos fenômenos estranhos atribuídos aos Espíritos, persuadido que estou de estes não terem senão uma existência imaginária. Entretanto, eu me curvaria diante da evidência, se disso tivesse provas incontestáveis; por isso desejo merecer-vos a permissão de assistir somente a uma ou duas experiências, para não ser indiscreto, a fim de convencer-me, caso seja possível.
Allan Kardec — Desde que a vossa razão repele o que nós consideramos irrecusável, vós a credes superior às de todos quantos não compartilham de vossas opiniões. Longe de mim o pensamento de duvidar do vosso talento e a pretensão de supor minha inteligência superior à vossa; admiti, pois, que eu esteja iludido, é a
vossa razão quem vo-lo diz: e não falemos mais nisso.
V. — Entretanto, se conseguísseis convencer-me, conhecido que sou como antagonista das vossas idéias, isto seria um milagre eminentemente favorável à causa que defendeis.
A. K. — Lamento-o, caro senhor, porém não tenho o dom de fazer milagres. Julgais que uma ou duas sessões bastariam para adquirirdes convicção?
Seria, realmente, um verdadeiro prodígio; eu precisei mais de um ano de trabalho para ficar convencido; o que prova que não cheguei a esse estado inconsideradamente. Além disso, não realizo sessões públicas e parece-me que vos enganastes sobre o fim das nossas reuniões, visto não fazermos experiências com o fito de satisfazer à curiosidade de ninguém.
V. — Não procurais, pois, fazer prosélitos?
A. K. — Para que buscarmos fazer-vos prosélito, quando não o quereis ser? Não pretendo forçar convicção alguma. Quando encontro pessoas que sinceramente desejam instruir-se e dão-me a honra de pedir-me esclarecimentos, folgo e cumpro um dever respondendo-lhes nos limites dos meus conhecimentos; quanto
aos antagonistas, porém, que, como vós, têm convicções arraigadas, não tento um passo para delas arredá-los, atento a que é grande o número dos que se mostram bem-dispostos, para que possamos perder o nosso tempo com aqueles que o não estão. Estou certo de que, diante dos fatos, a convicção há de vir, mais tarde ou mais cedo, e que os incrédulos hão de ser arrastados pela torrente; por ora, alguns partidários, de mais ou de menos, nada alteram na pesagem; pelo que nunca me vereis incomodado para atrair, às nossas idéias, aqueles que, como vós, sabem as razões que têm para fugir delas.
V. — Há mais interesse em convencer-me do que o supondes. Permitis que me explique com franqueza e prometeis-me não ver ofensa alguma nas minhas palavras?
São as minhas idéias sobre a coisa em si e não sobre a pessoa a quem me dirijo; posso respeitar a pessoa, sem participar de suas opiniões.
A. K. — O Espiritismo me tem ensinado a desprezar essas mesquinhas suscetibilidades do amor-próprio, e a me não ofender com palavras. Se as vossas expressões saírem dos limites da urbanidade e das conveniências, apenas concluirei que sois um homem mal-educado, mas não irei além. Quanto a mim, antes quero que os outros fiquem com os defeitos, do que compartilhar deles. Vedes, só por isso, que o Espiritismo já serve para alguma coisa. Já vos disse, senhor, não tenho a pretensão de vos fazer adotar a minha opinião; respeito a vossa, se é sincera, como desejo que respeiteis a minha. Acreditando ser o Espiritismo um sonho sem sentido, dissestes, sem dúvida, vindo a minha casa: Vou ver um louco. Confessai-o francamente, pois com isso não me escandalizarei. Todos os espíritas são loucos, é coisa sabida. Pois bem! se julgais assim, eu tenho escrúpulo de transmitir-vos a minha enfermidade mental; e causa-me espanto ver-vos, com tal pensamento, buscar uma convicção que vos vai colocar no número dos loucos. Se já estais persuadido de que não conseguiremos convencer-vos, o passo que destes é inútil, visto que só terá por fim a curiosidade. Abreviemos, pois, por favor, porque me falta tempo para perder em conversações sem objeto.
V. — O homem pode enganar-se, deixar-se iludir, sem que, por isso, seja louco.
A. K. — Dizei logo: acreditais, como muitos, que isto é moda que durará certo tempo; mas deveis convir que um passatempo que, em alguns anos, tem conquistado milhões de partidários, em todos os países, que conta entre seus adeptos sábios de toda ordem, que se propaga de preferência nas classes mais esclarecidas, é mania singular, que merece examinada.
V. — Tenho minhas idéias a respeito, é certo, porém elas não se acham tão absolutamente firmadas, que não consinta em sacrificá-las à evidência. Disse-vos que teríeis certo interesse em me convencer. Confesso-vos que tenciono publicar um livro em que me proponho demonstrar ex professo (sic) a minha opinião sobre
o que considero um erro; e como esse livro deve produzir efeito, dando um golpe no Espiritismo, eu deixaria de publicá-lo, caso ficasse convencido da realidade da vossa doutrina.
A. K. — Eu sentiria que ficásseis privado do que vos pode proporcionar um livro que deve produzir tanto efeito; além disso, não tenho interesse algum em impedir a sua publicação: ao contrário, desejo-lhe grande circulação, porque assim ele nos servirá de prospecto e anúncio. A nossa atenção é sempre chamada sobre aquilo que vemos atacado; há muita gente que quer ver os prós e os contras, e a crítica faz aparecer a verdade, mesmo aos olhos daqueles que não a procuravam aí; é assim que muitas vezes, sem querer, se faz reclamo do que se quer combater. A questão dos Espíritos é, por outro lado, tão palpitante de interesse, choca a tal ponto a curiosidade, que basta assinalá-la à atenção, para que nasça o desejo de aprofundá-la.
V. — Então, no vosso entender, a crítica para nada serve, a opinião pública nada vale?
A. K. — Não considero a crítica como expressão da opinião pública, mas como juízo individual, que bem pode enganar-se. Lede a história e vereis quantos trabalhos importantes foram, ao aparecer, criticados, sem que isso os excluísse do número das grandes obras; quando, porém, uma coisa é má, não há elogio que a
torne boa. Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira. Ao nosso modo de ver, vosso livro não será mais que uma apreciação pessoal; a verdadeira opinião pública decidirá da justeza dos vossos conceitos.
Procurarão examinar. Se mais tarde reconhecerem que vos enganastes, vosso livro se tornará ridículo, como os que, não há muito, foram publicados contra as teorias da circulação do sangue, da vacina, etc., etc. Esquecia-me, porém, que íeis tratar a questão ex professo, o que equivale a dizer que a estudastes sob todas as
suas faces; que vistes tudo o que se pode ver, lestes tudo o que sobre a matéria se tem escrito, analisastes e comparastes as diversas opiniões; que vos achastes nas melhores condições de observação pessoal; que durante anos lhe consagrastes vigílias; em suma: que nada desprezastes para chegar à verdade. Devo crer que tal se
deu, se sois um homem sério, porque somente aquele que fez tudo isso pode dizer que fala com conhecimento de causa.
Que juízo formaríeis de um homem que, sem conhecimento de literatura, sem ter estudado a pintura, se erigisse em censor de uma obra literária ou de um quadro?
É de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem valor. Para combater um cálculo é necessário opor-se-lhe outro cálculo, o que exige saber calcular. O crítico não se deve limitar a dizer que tal coisa é boa ou má; é preciso que justifique a opinião
por uma demonstração clara e categórica, baseada sobre os princípios da arte ou ciência a que pertence o objeto da crítica.
Como poderá fazê-lo, quando não conhecer esses princípios?
Não tendo idéia da mecânica, podereis apreciar as qualidades, ou os defeitos de determinada máquina?
Não. Pois bem: o vosso juízo acerca do Espiritismo, que aliás não conheceis, não pode ter mais valor que o que, nas condições acima, emitísseis sobre a aludida máquina. A cada passo sereis apanhado em flagrante delito de ignorância, porque aqueles que têm estudado a matéria verão logo que a desconheceis; donde concluirão que não sois um homem sério ou que agis de má-fé; expondo-vos, portanto, a receber, quer num, quer noutro caso, desmentido pouco lisonjeiro ao vosso amor-próprio.
V. — É precisamente para evitar esse perigo que vim pedir-vos permissão para assistir a algumas experiências.
A. K. — E julgais que isto vos baste para poder, ex professo, falar de Espiritismo? Como podereis compreender essas experiências e, ainda mais, julgá-las, quando não estudastes os princípios em que elas se baseiam? Como apreciaríeis o resultado, satisfatório ou não, de ensaios metalúrgicos, por exemplo, não conhecendo a
fundo a metalurgia?
Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente a mesma coisa que, não tendo estudado a Matemática, nem a Astronomia, vos apresentásseis a um dos membros do Observatório, dizendo-lhe: “Senhor, quero escrever um livro sobre Astronomia e provar que o vosso sistema é falso; mas, como desconheço os menores rudimentos dessa ciência, deixai que, por uma ou duas vezes, me sirva de vossa luneta; o que será suficiente para ficar sabendo tanto quanto vós.”
É somente por extensão que a palavra criticar se tornou sinônima de censurar; em sua acepção própria e segundo a etimologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aprobativa ou desaprobativa. Fazer a crítica de um livro não é necessariamente condená-lo; quem empreende essa tarefa, deve fazê-lo sem idéias
preconcebidas; porém, se antes de abrir o livro, já o condena em pensamento, o exame não pode ser imparcial. Tal o caso da maioria dos que têm falado contra o Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião, fazendo qual juiz que proferisse uma sentença, sem antes examinar as peças do processo.
A conseqüência foi que seu julgamento feriu em falso, e que, em vez de persuadir, ocasionaram riso. A maior parte dos que seriamente têm estudado a questão, mudou de idéia, e mais de um adversário se tem tornado adepto do Espiritismo, quando reconhece que o seu objetivo é muito diverso daquele que supunha.
V. — Falais do exame dos livros em geral; acreditais que seja materialmente possível a um jornalista ler e estudar todos os que lhe passam pelas mãos, sobretudo quando se ocupam com teorias novas, que lhe seria preciso aprofundar e verificar? Seria o mesmo que exigir de um impressor que ele lesse todas as obras saídas de
sua prensa.
A. K. — A tão judicioso raciocínio não tenho outra resposta a dar senão que, quando nos falta o tempo para fazer conscienciosamente uma coisa, é melhor não fazê-la; é preferível produzir um só trabalho bom a fazer dez maus.
V. — Não acrediteis que minha opinião se tenha formado levianamente. Vi mesas girarem e produzirem sons como de pancadas; vi pessoas escreverem o que segundo diziam, lhes ditavam os Espíritos; estou, porém, convencido de que nisso há charlatanismo.
A. K. — Quanto vos cobraram para mostrar-vos essas coisas?
V. — Nada, por certo.
A. K. — Ora, aí tendes charlatães de uma espécie singular, que vão reabilitar o nome da sua classe. Até ao presente não se tinha ainda visto charlatães desinteressados. Suponhamos que um gaiato de mau gosto tenha querido uma vez divertir-se assim; será crível que as outras pessoas presentes pactuassem com ele?
Demais, com que fim se fariam elas cúmplices de uma mistificação? Direis que com o fim de recrear a sociedade...
Concordo em que uma vez se prestassem a tal brinquedo; porém, quando esse brinquedo dura meses e anos, julgo que o mistificado é o próprio mistificador. Não é provável que, só pelo gosto de fazer que creiam em uma coisa que ele sabe ser falsa, alguém vá passar horas inteiras, imóvel, agarrado a uma mesa. O gosto não
equivaleria à pena. Antes de julgar isso uma fraude, é preciso indagar que interesse havia em enganar; ora, não deixareis de convir que há pessoas que se não coadunam com a mais leve suspeita de embuste; pessoas cujo caráter já é uma garantia de probidade.
Coisa muito diversa seria se se tratasse de uma especulação, porque a tentação do ganho é má conselheira; mas, admitindo mesmo que, neste último caso, ficasse bem comprovado um manejo fraudulento, isso em nada ofenderia a realidade do princípio, porque de tudo se pode abusar. Por vender-se vinho falsificado, não se deve concluir que não existe vinho puro.
O Espiritismo não é mais responsável pelos atos daqueles que abusam desse nome e o exploram, do que o é a ciência médica pelos atos dos charlatães que impingem suas drogas, ou a religião pelos dos sacerdotes que iludem seu ministério. Por sua novidade e mesmo por sua natureza, o Espiritismo se presta a abusos; ele, porém, fornece os meios para que os reconheçam, definindo claramente seu verdadeiro caráter e afastando de si toda a solidariedade com aqueles que o viriam a explorar ou desviar do seu fim exclusivamente moral, para transformá-lo em meio de vida, em instrumento de adivinhação ou de investigações fúteis.
Desde que o Espiritismo mesmo traça os limites em que se encerra, define o que pode ou não dizer ou fazer, o que está ou não em suas atribuições, o que aceita e o que repudia, toda a falta recai sobre aqueles que, não se dando ao trabalho de estudá-lo, o julgam pelas aparências e que, por terem encontrado saltimbancos adornando-se sob o nome de espíritas, para chamar concorrência, dizem com gravidade: eis o que é o Espiritismo.
Sobre quem, em definitivo, cairá o ridículo? Será sobre o saltimbanco que usa do seu ofício? Será sobre o Espiritismo, cuja doutrina escrita desmente tais asserções? ou, antes, sobre os críticos que falam do que não sabem ou de, cientemente, alterarem a verdade?
Aqueles que atribuem ao Espiritismo o que é contrário à sua mesma ciência, fazem-no por ignorância ou má intenção; no primeiro caso há leviandade, no segundo, má-fé. E, neste último caso, eles se colocam na posição do historiador que, no interesse de sustentar um partido ou uma opinião, alterasse os fatos históricos. Quando usa desses meios, o partido fica desacreditado e não consegue o seu fim. Notai bem, cavalheiro, que eu não pretendo que a crítica deve necessariamente aprovar nossas idéias, mesmo depois de as haver estudado; não nos revoltamos de forma alguma contra os que não pensam como nós.
O que é evidente, para nós, pode não ser para vós outros; cada qual julga as coisas debaixo de certo ponto de vista, e do fato mais positivo nem todos tiram as mesmas conseqüências. Se um pintor, por exemplo, pinta em seu quadro um cavalo branco, não faltará quem diga que essa cor faz aí mau efeito, que a cor negra conviria mais, e nisto não se comete erro; cometer-se-á, porém, se, vendo que o cavalo é branco, afirmar que é negro; é o que faz a maioria dos nossos adversários.
Em resumo, senhor, todos têm completa liberdade de aprovar ou censurar os princípios do Espiritismo, de deduzir deles as conseqüências boas ou más que lhes aprouver, porém a consciência impõe ao crítico a obrigação de não dizer o contrário do que ele sabe que é; ora, para isso, a primeira condição é não falar do que
não conhece.
V. — Voltemos, por favor, às mesas que se movem e falam; não será possível que elas sejam preparadas com algum artifício?
A. K. — É sempre a mesma questão de boa-fé, a que já respondi. Quando a fraude for provada, eu vo-la reconhecerei; se descobrirdes fatos demonstrados de embuste, charlatanismo, especulação ou abuso de confiança, fustigai-os e eu desde já vos declaro que não irei defendê-los, porque o Espiritismo sério é o primeiro a repudiá-los; e quem assinalar tais abusos o auxilia no trabalho de preveni-los e lhe presta importante serviço.
Porém, generalizar essas acusações, lançar sobre elevado número de pessoas honradas a reprovação que só cabe a alguns indivíduos isolados, é um abuso de outro gênero, porque é uma calúnia. Admitindo, como dissestes, que as mesas estivessem preparadas, era preciso que o mecanismo empregado fosse bem engenhoso
para fazê-las produzir movimentos e sons tão variados.
Ora, como não é ainda conhecido o nome do hábil artista que os fabrica? Entretanto, ele deveria gozar de grande celebridade, visto que seus aparelhos estão espalhados pelas cinco partes do mundo. Devemos também convir que o seu processo é assaz delicado e sutil, para poder adaptar-se à primeira mesa que se apresenta, sem deixar sinal algum exterior que o denuncie. Como é que, desde Tertuliano, que já tratava das mesas giratórias e falantes, até o presente ninguém conseguiu ver e descrever tal mecanismo?
V. — Eis o que vos ilude. Um célebre cirurgião reconheceu que certas pessoas podem, pela contração de um músculo da perna, produzir um ruído semelhante ao que atribuís à mesa; donde concluiu que os médiuns se divertem à custa da credulidade dos assistentes.
A. K. — Se é um estalido do músculo, não é então a mesa que está preparada. Uma vez que cada qual explica a seu modo essa pretendida fraude, fica reconhecido que a verdadeira causa não é sabida.
Respeito a ciência desse sábio cirurgião, e somente acho que se apresentam algumas dificuldades na aplicação, às mesas falantes, da teoria indicada. A primeira é que é singular que essa faculdade, até o presente excepcional e olhada como um caso patológico, se tenha tornado comum; a segunda, que é preciso ter-se
robustíssima vontade de mistificar, para fazer estalar o músculo durante duas ou três horas consecutivas, quando disso não resulte a quem assim procede senão fadiga e dor; a terceira, que eu não compreendo bem como pode esse músculo responder às portas e paredes em que as pancadas se fazem ouvir; a quarta, finalmente, que é necessário dar-se a esse músculo estalador uma propriedade bem maravilhosa, para que ele possa mover uma pesada mesa, levantá-la, abri-la, fechá-la, conservá-la suspensa sem ponto de apoio, e, finalmente, fazê-la despedaçar-se ao cair. Ninguém, por certo, desconfiava que esse músculo possuísse tanta virtude (Revue Spirite, junho de 1859, pág. 141: “Le muscle craqueur”.)
O célebre cirurgião, de que falais, teria estudado o fenômeno da tiptologia sobre os indivíduos que os produzem? Não; ele observou um efeito fisiológico anormal em alguns indivíduos que nunca se ocuparam de mesas batedoras; e, notando certa analogia entre esse efeito e o que essas mesas produzem, sem mais amplo exame
concluiu, com toda a autoridade de sua ciência, que todos os que concorrem, para que as mesas falem, devem ter a propriedade de fazer estalar o músculo curto-perônio, e não são mais que embusteiros, sejam eles príncipes ou artífices, recebam ou não um pagamento.
Estudou ele, ao menos, o fenômeno da tiptologia em todas as suas fases? Verificou, por meio desse estalido muscular, se podia produzir todos os efeitos tiptológicos? Não; porque, do contrário, ele ficaria convencido da insuficiência do seu processo; apesar disso, julgou-se no caso de proclamar a sua descoberta, em pleno Instituto.
Não será esse juízo assaz comprometedor para um sábio? Quem pensa hoje nessa opinião? Confesso-vos que, se me tivesse de sujeitar a uma operação cirúrgica, hesitaria muito em confiar-me a esse médico, porque recearia que ele não julgasse o meu mal com mais perspicácia. Já que esse juízo é uma das autoridades em que
pareceis querer apoiar-vos para esmagar o Espiritismo, fico completamente inteirado da força dos outros argumentos que quereis validar, a menos que os não vades beber em fontes mais autênticas.
V. — Entretanto, bem vedes que já passou a moda das mesas girantes que durante certo tempo fizeram furor; hoje já ninguém se ocupa com elas. Por que se dá isso, quando é uma coisa séria?
A. K. — Porque das mesas girantes saiu uma coisa ainda mais séria: uma ciência completa, uma perfeita doutrina filosófica, do máximo interesse para os homens que refletem. Quando estes nada mais tiveram a aprender no giro das mesas, não mais com elas se ocuparam. Para as pessoas fúteis, que nada querem aprofundar, esse fenômeno era um passatempo, um divertimento que abandonaram quando dele se aborreceram; são pessoas com as quais a ciência não conta.
O período de curiosidade teve seu tempo; sucedeu-lhe o da observação. O Espiritismo entrou, então, no domínio da gente séria, que não o toma como objeto de divertimento, mas, sim, como meio de instruir-se. Porém, essas pessoas que o consideram como coisa grave, não se prestam a qualquer experiência de curiosidade,
e ainda menos a satisfazer a daqueles que se apresentam com pensamentos hostis; como não brincam, não se prestam a servir de brinquedo para os outros; eu pertenço a esse número.
V. — No entanto, somente a experiência pode convencer, mesmo aquele que, em começo, seja movido pela curiosidade. Se só trabalhais na presença de pessoas convictas, deixai que vos diga, ensinais a quem já sabe.
A. K. — Uma coisa é estar convencido e outra estar disposto a convencer-se; é aos desta última classe que me dirijo, e não aos que julgam humilhação vir escutar o que eles chamam ilusões. Com estes eu não me ocupo, absolutamente. Quanto aos que manifestam sincero desejo de esclarecer-se, o melhor modo que têm, para
prová-lo, é mostrar perseverança; são reconhecidos por outros sinais que não apenas o desejo de ver uma ou duas experiências: esses querem trabalhar seriamente.
A convicção só se adquire com o tempo, por meio de uma série de observações feitas com cuidado todo particular. Os fenômenos espíritas diferem essencialmente dos das ciências exatas: não se produzem à vontade; é preciso que os colhamos de passagem; é observando muito e por muito tempo que se descobre uma porção
de provas que escapam à primeira vista, sobretudo, quando não se está familiarizado com as condições em que se pode encontrá-las, e ainda mais quando se vem com o espírito prevenido.
As provas abundam para o observador assíduo e refletido: uma palavra, um fato aparentemente insignificante, é para ele um raio de luz, uma confirmação; ao passo que tais fatos não têm sentido para quem os observa superficialmente ou por simples curiosidade; eis por que não me presto a fazer experiências sem resultado provável.
V. — Enfim, tudo deve ter começo. O aprendiz, que nada sabe, que nada viu ainda, mas que deseja esclarecer-se, como poderá fazê-lo, quando não lhe facultais os meios para isso?
A. K. — Eu faço grande distinção entre o incrédulo por ignorância e o incrédulo por sistema; quando descubro alguém com disposições favoráveis, nada me custa esclarecê-lo; há, porém, pessoas em quem a vontade de instruir-se não é senão aparente; com estas perde-se o tempo; porque, se elas não encontram logo o que parecem buscar, e que talvez as incomodasse, se aparecesse, o pouco que vêem não é suficiente para lhes destruir as prevenções; julgam mal os resultados obtidos e os transformam em objeto de zombaria, pelo que não há utilidade em lhos fornecer.
A quem deseja instruir-se, direi: “Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um de Física ou de Química, atento que nunca se é senhor de produzir os fenômenos espíritas à vontade, e que as inteligências desses agentes fazem, muitas vezes, frustrarem-se todas as nossas previsões. Aqueles que acidentalmente poderíeis ver, não apresentando nexo algum, nem ligação necessária, seriam pouco inteligíveis para vós. Instruí-vos primeiramente pela teoria, lede e meditai as obras que tratam dessa ciência; nelas aprendereis os princípios, encontrareis a descrição de todos os fenômenos, compreendereis a possibilidade deles pela explicação que elas vos darão, e, pela narrativa de grande número de fatos espontâneos de que pudestes ser testemunha sem os compreender, mas que vos voltarão à memória, vós vos fortificareis contra todas as dificuldades que possam surgir e formareis, desse modo, uma primeira convicção moral.
Então, quando se vos apresentar a ocasião de observar ou operar pessoalmente, compreendereis, qualquer que seja a ordem em que os fatos se mostrem, porque nada vereis de estranho.”
Eis, meu caro senhor, o que aconselho a todos que dizem querer instruir-se, e, pela resposta que dão, é fácil conhecer se neles há alguma coisa mais que curiosidade!
domingo, 17 de março de 2013
InstitucioNada.
A Biblia Sagrada traz A Palavra.
Mas não provê respostas.
E a humanidade segue assim, desordenada, desorientada, perdida em sua busca do Bezerro de Ouro.
Pois sim, esta é a meta real do homem da atualidade: ouro.
Ouro, Poder e Fama? Vã ilusão!
Os Templos de toda ordem: Ordenam!
Fiéis como sempre: Obedecem sem pensar!
Onde estão voces evangelistas?
Onde estão voces espíritos sérios?
Que forjou vossa obra?
Impérios de Poder e Luxúria!
Palácios de Vaidade!
Todos distantes do homem e da sua dor.
Religiões. Templos. Centros. Núcleos.
Instituições de todo jaez.
A triste face da inutilidade.
O grande engodo.
Distantes do homem, o único Deus real e concreto, onde me apoio e me espelho.
O único capaz de me tirar a máscara social, e me mostrar tal qual sou realmente.
Não Sartre, não. Os outros não são o diabo.
Mas deuses como tu e eu.
Donos da deusa humanidade dentro de si.
Capazes de nos tirar a fragilidade e dar, de pronto, a força de ver no seu semelhante um igual.
Nem mais que eu, nem menos que eu. Semelhante ou igual.
Afinal o mundo é composto de seres.
E todos. Absolutamente todos, buscando caminhos, norte, rumos, senderos...
Até encontrar, de alguma forma, algum lugar, onde seu coração possa bater de amor, na mais profunda paz.
Paulo Cesar Fernandes
12 03 2013
Mas não provê respostas.
E a humanidade segue assim, desordenada, desorientada, perdida em sua busca do Bezerro de Ouro.
Pois sim, esta é a meta real do homem da atualidade: ouro.
Ouro, Poder e Fama? Vã ilusão!
Os Templos de toda ordem: Ordenam!
Fiéis como sempre: Obedecem sem pensar!
Onde estão voces evangelistas?
Onde estão voces espíritos sérios?
Que forjou vossa obra?
Impérios de Poder e Luxúria!
Palácios de Vaidade!
Todos distantes do homem e da sua dor.
Religiões. Templos. Centros. Núcleos.
Instituições de todo jaez.
A triste face da inutilidade.
O grande engodo.
Distantes do homem, o único Deus real e concreto, onde me apoio e me espelho.
O único capaz de me tirar a máscara social, e me mostrar tal qual sou realmente.
Não Sartre, não. Os outros não são o diabo.
Mas deuses como tu e eu.
Donos da deusa humanidade dentro de si.
Capazes de nos tirar a fragilidade e dar, de pronto, a força de ver no seu semelhante um igual.
Nem mais que eu, nem menos que eu. Semelhante ou igual.
Afinal o mundo é composto de seres.
E todos. Absolutamente todos, buscando caminhos, norte, rumos, senderos...
Até encontrar, de alguma forma, algum lugar, onde seu coração possa bater de amor, na mais profunda paz.
Paulo Cesar Fernandes
12 03 2013
sábado, 16 de março de 2013
Hijos del Sol. Somos muchos más.
Hijos del
Sol. Somos muchos más.
Lagrimas de
nuestra música ancestral. Nuestros pueblos todos, y sus almas por todos los
cantos haciéndose sentir.
Por más,
mucho más de una vida.
Viajantes del tiempo, traemos ya muchas cosas de antes de nuestro nacimiento.
Somos hijos
del viento. Vientos helados y vientos ancestrales. En nosotros la fuerte
herencia de nuestros abuelos.
Somos más
de un pueblo, de una raza ancestral. Somos muchos y muchos, por valles, montes,
ríos y llanuras.
Sin medo a
la muerte, tampoco a la vida.
No más me
llames indio. Somos Los Pueblos Originarios!
Y originarios desde Santo Domingo
hacia la olvidada Patagonia. Guatemala, Nicaragua, Honduras, El Salvador,
Bolivia y Perú. Nos hacemos más fuertes.
Hijos del
viento resistimos por cuatro siglos. Nos murieron generaciones, pero ahí están
ellas, cantando. Nuestras tradiciones en el alma. Y las ponen en su arte, con o
sin nosotros. Ya tenemos voces. Los voceros del alba de Hispanoamérica.
El Sol nos
da protección. Y el viento lleva las semillas de nuestra cultura hacia nuevos
rincones. Y ahí se ponen raíces y van hacer presentes. Somos nosotros volviendo
a lo nuestros pagos.
Todos los
cantos. Todos los pagos. Volverán a nuestras manos, donde jamás deberían tener
salido.
Estamos
vivos bajo tu piel.
En las
calles de tu ciudad, en los jóvenes que piensan en otro lugar para vivir mejor.
En tus hijos, ahí están nuestras semillas a desarrollar el árbol del nuevo
tiempo. La nueva civilización con antiguos valores. Una mezcla del viejo, muy
viejo, y el nuevo porvenir. El amor, una canción, manos llenas de solidaridad
son las marcas de nosotros. Los dueños de todos estos pagos.
Acuérdate
siempre:
Somos Hijos
del Sol.Hermanos Del viento.
Portal Fernandes
(Paulo Cesar Fernandes
17 03 2013
Mudando com o tempo.
Numa época o pensamento era único. Quem não pensava como eu, nós, nosso grupo, era inimigo.
Tempo, ventos, livros, pessoas passam por nossas vidas, não mais somos iguais. Renascemos diferentes a cada etapa, a cada período, a cada ano.
Dinâmica é a Vida, e nos empurra hacia outros horizontes, para traz ficando o velho, o inútil em cada nova etapa.
Perdemos sempre, ganhamos sempre.
É um jogo sem certezas para alegria geral, pois é a expressão mais pura dos tempos atuais. Tudo é efêmero e fugaz. Estar dentro disto é estar dentro no real mundo em que vivemos.
Renovações marcam nossas tardes e levam as verdades, compondo sinfonias substitutivas, harmonia de outra vida.
Pautas diversas sonan la vida. Não mais inimigos, adversários, junto a mim apenas gente, tão somente gente. Seu pensar
não importa apenas gente, corpo e alma. Gente, nomás!
Ávida e aberta fica la vida.
Tudo é lícito, mas pouco me convoca os sentidos. Nem tudo me serve à jornada.
Tomo o norte de meus sonhos, e faço meu o roteiro desta vida.
Pouco a pouco tudo se olvida. E passa algo novo em nossa jornada.
De pronto nos chega a alegria. Bem viver e emoção demarcando macio caminhar.
Caminho quase solitário. Sem dor. Sem rancor.
Mas com lágrimas nascentes, fruto da emoção mais cristalina: a música me traz.
Música e sensibilidade humana, o ato de acolhimento ao semelhante. Nada mais forte que a solidariedade.
Um coração aberto. Como é belo isto entre os músicos. Um palco compartilhado é como compartir a vida. Para ser bondoso e justo precisa sair de si, apagar o Ego e mantendo a individualidade aprender a compartilhar.
Poucos silêncios são tão belos como o silêncio do Ego. Lições dos músicos, a aprender nas novas etapas.
Paulo Cesar Fernandes
17 03 2013
Tempo, ventos, livros, pessoas passam por nossas vidas, não mais somos iguais. Renascemos diferentes a cada etapa, a cada período, a cada ano.
Dinâmica é a Vida, e nos empurra hacia outros horizontes, para traz ficando o velho, o inútil em cada nova etapa.
Perdemos sempre, ganhamos sempre.
É um jogo sem certezas para alegria geral, pois é a expressão mais pura dos tempos atuais. Tudo é efêmero e fugaz. Estar dentro disto é estar dentro no real mundo em que vivemos.
Renovações marcam nossas tardes e levam as verdades, compondo sinfonias substitutivas, harmonia de outra vida.
Pautas diversas sonan la vida. Não mais inimigos, adversários, junto a mim apenas gente, tão somente gente. Seu pensar
não importa apenas gente, corpo e alma. Gente, nomás!
Ávida e aberta fica la vida.
Tudo é lícito, mas pouco me convoca os sentidos. Nem tudo me serve à jornada.
Tomo o norte de meus sonhos, e faço meu o roteiro desta vida.
Pouco a pouco tudo se olvida. E passa algo novo em nossa jornada.
De pronto nos chega a alegria. Bem viver e emoção demarcando macio caminhar.
Caminho quase solitário. Sem dor. Sem rancor.
Mas com lágrimas nascentes, fruto da emoção mais cristalina: a música me traz.
Música e sensibilidade humana, o ato de acolhimento ao semelhante. Nada mais forte que a solidariedade.
Um coração aberto. Como é belo isto entre os músicos. Um palco compartilhado é como compartir a vida. Para ser bondoso e justo precisa sair de si, apagar o Ego e mantendo a individualidade aprender a compartilhar.
Poucos silêncios são tão belos como o silêncio do Ego. Lições dos músicos, a aprender nas novas etapas.
Paulo Cesar Fernandes
17 03 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Oração de São Francisco de Assis
Oração de São Francisco de Assis
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo, que se nasce para a vida eterna...
«««
Assim como ele se desnudou.
Devolvendo à familia as roupas,
e possíveis títulos.
Possamos nós,
desnudarmo-nos,
de nosso orgulho e de nossa vaidade.
Fundando um novo tempo.
Em nossa vida.
Paulo Cesar Fernandes
27 02 2013
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo, que se nasce para a vida eterna...
«««
Assim como ele se desnudou.
Devolvendo à familia as roupas,
e possíveis títulos.
Possamos nós,
desnudarmo-nos,
de nosso orgulho e de nossa vaidade.
Fundando um novo tempo.
Em nossa vida.
Paulo Cesar Fernandes
27 02 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Evocações
Evocações
Acabo de assistir, para registro, ao programa "Encuentro en el Estudio" do Canal Encuentro da TV Argentina. HERMOSO!
Esse terceiro programa, da Primeira Temporada, tem como convidada Liliana Herrero. Uma mulher que, pela doçura, me lembra Mercedes Sosa, e em alguns momentos sua forma de cantar também.
Digno de nota é o seguinte:
Ao fim do programa, Lalo Mir, apresentador e condutor pergunta:
Lalo_ Alguma noite, na beira do rio, já pensastes o que vai ocorrer com a música no futuro (más allá del tiempo)?
Liliana_ ... temos vozes que nos estão inspirando, que estão atrás no tempo, e adiante nos estão esperando: Gardel nos está esperando; Garcia nos está esperando; Espineta nos está esperando; Atahualpa Yupanqui nos está esperando; isso eu creio, isso eu creio, de verdade. Me emocionei! Olha que tonta!
Lalo_ Eu também!
Se abraçam fortemente! Há um clima de emoção no estúdio. E admito, em minha casa.
Nota: Todos os nomes por Liliana citados eram de artistas já desencarnados.
O que ocorreu em minha leitura deste fato?
Como venho lendo sistemáticamente o "Livro dos Médiuns" de Allan Kardec e "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita" do mesmo Kardec, tomo o fato ocorrido no programa televisivo como um momento de Evocação de todos aqueles espíritos. Os dois livros tratam, em algum momento, da questão da Evocação dos espiritos, e esta se pode dar através do pensamento apenas, ou através da enunciação de seus nomes. Isso mais na tiptologia, mas podemos ampliar para vinculos entre seres pensantes e sensíveis. E a arte é para seres sensíveis.
É evidente. Alguns, capazes de ali estar, não deixaram de se aproximar, e a sensibilidade das pessoas no estúdio os captou.
Mesmo nós. Com todas as limitações ainda presentes, podemos, num momento ou outro, ter entre nós nossos familiares amados, e espiritos de similaridade de tendências. no meu caso espíritos ligados ao conhecimento, ao socialismo, à arte, tendo como principal dentre elas a música mesmo.
Não me parece descabido, pensar na descoberta desses programas como intuíção recebida. Afinal, vivo voltado para minha familia, a música, a filosofia, e agora aos amigos de diversos paises de minha HispanoAmérica tão amada. Que Espíritos Hispanicos se aproximen de meu Lar, nada de mais vejo nisto, na medida em que abro minha casa intencionalmente a espíritos dessas áreas de atuação.
São bemvindos, incentivados a trazer outros espiritos também benevolentes para compor o nosso grupo. Não os vejo, mas desfruto de um momento muito especial, ao final de cada tarde desde o inicio de 2012.
Tudo teve inico com a doença e desencarne de meu cunhado em 2011. Esse hábito de parar para meditar, vincular o pensamente mais acima da materialidade reinante. Etapas foram vencidas. Esquecimento de pontos desagradáveis do passado. Isso ocorreu em 2012, ano focal de ordenamento dessa forma de viver.
Em tudo Livre, e em tudo cauteloso.
Coisa jamais ocorrida em minha vida. Uma nova etapa se iniciou e a tenho em alta conta. Cultivo as lembranças positivas do passado como passado; tal e qual os amores do passado. Lá estão e lá devem ficar. Nada mais a ver com o presente.
Agora é outro momento e estar aberto ao novo, ao belo capaz de eclodir é uma perspectiva luminosa.
Sensível de ver: meu Lar como Oficina de Planejamento de atividades, desde que atividades benevolentes.
Peço apenas a presença de espíritos benevolentes das distintas áreas. Sem restrições e preocupações com relação à sua forma de pensar: católica de todas vertentes; umbandistas como a minha negra amiga de séculos; espíritas de todos os matizes, etc.
Imponho aos convidados apenas dois pontos: Sinceridade de propósitos; estar fortemente voltados para o Bem Maior, o bem de toda a humanidade (ou a um número maior de pessoas, como propunha Kant, segundo LucFerry). Disso cuidam os amigos que creio ao meu redor. O bem estar de cada momento desses me leva a crer em seu trabalho.
Não evoco nominalmente a nenhum, mas minhas leituras são elementos indutores de algo. Professores e aprendizes como eu, podem circular livremente neste Lar aberto a isso.
E não há perigo, pois onde se estabelece o Bem,
um espaço energético se cria, e a defesa aí está.
Estou com Kardec, quando propunha pequenos e múltiplos pontos de luz espalhados por todas as cidades. Busco deste Lar fazer uma dessa pequenas luzinhas.
O que vejo de enriquecedor nisso é a multiplicidade de formas de construção mental capazes de se estabelecer. Diversas ideologias não em conflito, porém em complementaridade, e acima de tudo nada de competitividade. Algo de um passado a esquecer. Síntese do pensamento capitalista neoliberal, infelicitante de milhões e milhões de criaturas, famílias e países ao longo do mundo.
A libertação das instituições é o primeiro passo para um Espiritismo Libertário, e quem sabe mais produtivo, pois livre das amarras dos regramentos institucionais. A parte chata da burocracia das instituições.
Faço votos, que iniciativas como a minha, possam se reproduzir ao longo do país, pois a muito ajudaria em cidades como São Paulo, incapazes de permitir ao cidadão um planejamento de vida, onde os horários possam ser cumpridos à risca. Por vezes chegar ao Centro Espírita é um tormento. Morando no Jaguaré frequentei o "Obreiros do Senhor" em Osasco, nem sempre foi simples chegar. Aliás, foi nessa casa que desenvolvi a psicofonia e a psicografia. No COEM.
Fica aqui como sugestão, para espíritos capazes de se desvencilhar de verdades ortodoxas dos Tempos Sólidos (Bauman), se adaptando a um outro tempo, nem melhor nem pior, apenas diferente, exigindo novos parâmetros no nosso dia a dia.
Como sempre digo, não creio em verdades, dessa forma lanço idéias. Apenas idéias. Pequenas sementes a cair nos mais diferentes terrenos.
Serei mais feliz ainda se alguma semente frutificar. Pois "O semeador sae a semear. A colheita será dos que lhe virão atrás."
Eu passo! Até porque tenho pouco tempo pela frente. E devo bem usá-lo. Corajosamente criativo.
Modestidade aqui, seria de imensa falsidade.
Eu chuto a modestidade bem prá longe.
Prefiro jogar limpo, como sempre fiz. Dizendo minhas idéias, sem papas na língua, e acatando a aceitação ou rejeição das mesmas.
Nunca fiz por agradar a ninguém. Os elogios sempre saíram da mesma forma que as críticas, sinceros. Tenho apenas compromisso com minha consciência. Nada. Nada mais mesmo.
Aguardo o silêncio costumeiro!
Paulo Cesar Fernandes
22 02 2013
Acabo de assistir, para registro, ao programa "Encuentro en el Estudio" do Canal Encuentro da TV Argentina. HERMOSO!
Esse terceiro programa, da Primeira Temporada, tem como convidada Liliana Herrero. Uma mulher que, pela doçura, me lembra Mercedes Sosa, e em alguns momentos sua forma de cantar também.
Digno de nota é o seguinte:
Ao fim do programa, Lalo Mir, apresentador e condutor pergunta:
Lalo_ Alguma noite, na beira do rio, já pensastes o que vai ocorrer com a música no futuro (más allá del tiempo)?
Liliana_ ... temos vozes que nos estão inspirando, que estão atrás no tempo, e adiante nos estão esperando: Gardel nos está esperando; Garcia nos está esperando; Espineta nos está esperando; Atahualpa Yupanqui nos está esperando; isso eu creio, isso eu creio, de verdade. Me emocionei! Olha que tonta!
Lalo_ Eu também!
Se abraçam fortemente! Há um clima de emoção no estúdio. E admito, em minha casa.
Nota: Todos os nomes por Liliana citados eram de artistas já desencarnados.
O que ocorreu em minha leitura deste fato?
Como venho lendo sistemáticamente o "Livro dos Médiuns" de Allan Kardec e "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita" do mesmo Kardec, tomo o fato ocorrido no programa televisivo como um momento de Evocação de todos aqueles espíritos. Os dois livros tratam, em algum momento, da questão da Evocação dos espiritos, e esta se pode dar através do pensamento apenas, ou através da enunciação de seus nomes. Isso mais na tiptologia, mas podemos ampliar para vinculos entre seres pensantes e sensíveis. E a arte é para seres sensíveis.
É evidente. Alguns, capazes de ali estar, não deixaram de se aproximar, e a sensibilidade das pessoas no estúdio os captou.
Mesmo nós. Com todas as limitações ainda presentes, podemos, num momento ou outro, ter entre nós nossos familiares amados, e espiritos de similaridade de tendências. no meu caso espíritos ligados ao conhecimento, ao socialismo, à arte, tendo como principal dentre elas a música mesmo.
Não me parece descabido, pensar na descoberta desses programas como intuíção recebida. Afinal, vivo voltado para minha familia, a música, a filosofia, e agora aos amigos de diversos paises de minha HispanoAmérica tão amada. Que Espíritos Hispanicos se aproximen de meu Lar, nada de mais vejo nisto, na medida em que abro minha casa intencionalmente a espíritos dessas áreas de atuação.
São bemvindos, incentivados a trazer outros espiritos também benevolentes para compor o nosso grupo. Não os vejo, mas desfruto de um momento muito especial, ao final de cada tarde desde o inicio de 2012.
Tudo teve inico com a doença e desencarne de meu cunhado em 2011. Esse hábito de parar para meditar, vincular o pensamente mais acima da materialidade reinante. Etapas foram vencidas. Esquecimento de pontos desagradáveis do passado. Isso ocorreu em 2012, ano focal de ordenamento dessa forma de viver.
Em tudo Livre, e em tudo cauteloso.
Coisa jamais ocorrida em minha vida. Uma nova etapa se iniciou e a tenho em alta conta. Cultivo as lembranças positivas do passado como passado; tal e qual os amores do passado. Lá estão e lá devem ficar. Nada mais a ver com o presente.
Agora é outro momento e estar aberto ao novo, ao belo capaz de eclodir é uma perspectiva luminosa.
Sensível de ver: meu Lar como Oficina de Planejamento de atividades, desde que atividades benevolentes.
Peço apenas a presença de espíritos benevolentes das distintas áreas. Sem restrições e preocupações com relação à sua forma de pensar: católica de todas vertentes; umbandistas como a minha negra amiga de séculos; espíritas de todos os matizes, etc.
Imponho aos convidados apenas dois pontos: Sinceridade de propósitos; estar fortemente voltados para o Bem Maior, o bem de toda a humanidade (ou a um número maior de pessoas, como propunha Kant, segundo LucFerry). Disso cuidam os amigos que creio ao meu redor. O bem estar de cada momento desses me leva a crer em seu trabalho.
Não evoco nominalmente a nenhum, mas minhas leituras são elementos indutores de algo. Professores e aprendizes como eu, podem circular livremente neste Lar aberto a isso.
E não há perigo, pois onde se estabelece o Bem,
um espaço energético se cria, e a defesa aí está.
Estou com Kardec, quando propunha pequenos e múltiplos pontos de luz espalhados por todas as cidades. Busco deste Lar fazer uma dessa pequenas luzinhas.
O que vejo de enriquecedor nisso é a multiplicidade de formas de construção mental capazes de se estabelecer. Diversas ideologias não em conflito, porém em complementaridade, e acima de tudo nada de competitividade. Algo de um passado a esquecer. Síntese do pensamento capitalista neoliberal, infelicitante de milhões e milhões de criaturas, famílias e países ao longo do mundo.
A libertação das instituições é o primeiro passo para um Espiritismo Libertário, e quem sabe mais produtivo, pois livre das amarras dos regramentos institucionais. A parte chata da burocracia das instituições.
Faço votos, que iniciativas como a minha, possam se reproduzir ao longo do país, pois a muito ajudaria em cidades como São Paulo, incapazes de permitir ao cidadão um planejamento de vida, onde os horários possam ser cumpridos à risca. Por vezes chegar ao Centro Espírita é um tormento. Morando no Jaguaré frequentei o "Obreiros do Senhor" em Osasco, nem sempre foi simples chegar. Aliás, foi nessa casa que desenvolvi a psicofonia e a psicografia. No COEM.
Fica aqui como sugestão, para espíritos capazes de se desvencilhar de verdades ortodoxas dos Tempos Sólidos (Bauman), se adaptando a um outro tempo, nem melhor nem pior, apenas diferente, exigindo novos parâmetros no nosso dia a dia.
Como sempre digo, não creio em verdades, dessa forma lanço idéias. Apenas idéias. Pequenas sementes a cair nos mais diferentes terrenos.
Serei mais feliz ainda se alguma semente frutificar. Pois "O semeador sae a semear. A colheita será dos que lhe virão atrás."
Eu passo! Até porque tenho pouco tempo pela frente. E devo bem usá-lo. Corajosamente criativo.
Modestidade aqui, seria de imensa falsidade.
Eu chuto a modestidade bem prá longe.
Prefiro jogar limpo, como sempre fiz. Dizendo minhas idéias, sem papas na língua, e acatando a aceitação ou rejeição das mesmas.
Nunca fiz por agradar a ninguém. Os elogios sempre saíram da mesma forma que as críticas, sinceros. Tenho apenas compromisso com minha consciência. Nada. Nada mais mesmo.
Aguardo o silêncio costumeiro!
Paulo Cesar Fernandes
22 02 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Reflexão 09 02 2013 Aceitação
Estava em prece, bem agora.
E durante esse processo, um número imenso de pessoas passaram por minha lembrança. De início os familiares, passando por amigos dos mais diversos locais. Inclusive da primeira empresa da área de informática em que trabalhei, onde aprendi muita coisa com um gerente paciente e bom, não apenas comigo, mas com todos.
Ao pensar em todas essas pessoas de quem gosto, e cuja ausência já se perde no tempo, uma frase do Pai Nosso me veio à mente, e definiu de forma clara a postura correta diante dessas perdas naturais da vida:
"Seja feita a tua vontade
Assim na Terra..."
Pois a saudade bate. E bate forte. Principalmente lembrando de tantos benfeitores, no curto espaço desta encarnação. Saudade e gratidão a todos.
Hoje, eu não vejo a frase ensinada por Jesus, se assim o foi, como um elemento de submissão. A nada e a ninguém. Mas, muito pelo contrário, uma postura de compreensão da Vida, e das Leis Naturais regentes de cada momento dessa mesma Vida.
~
Compreender os fenômenos existenciasis, é estar cada vez mais em conformidade com essas Leis. E o fato de não nos aborrecermos ou revoltarmos ante cada novo fato, cada novo desafio, ou cada nova perda é um elemento engrandecedor da nossa forma de viver.
Onde nos leva a revolta?
Em todas as circunstâncias da vida, a revolta apenas promove a perda de nossa energia. Uma energia capaz de ser positivamente utilizada.
Revolta, o ódio, inveja, orgulho, vaidade são fenômenos interiores capazes de nos roubar muita, mas muita energia mesmo. E na economia existencial vale a pena pensar um pouco mais nisso. Dotar nosso viver de uma outra forma de encarar cada um dos problemas.
Nem tudo é tão feio quanto nos parece no primeiro momento. Se algo novo se apresenta, e o medo faz mensão de chegar.
Aguardemos.
O tempo, se mantivermos a serenidade, tem a capacidade de abrir novas perspectivas de um momento para outro.
O impossível, num estalo acaba possível, viável e de fácil ordenamento.
Por que não pensei logo nisso?
Quem nunca usou essa expressão?
Seja por uma solução por nós mesmo encontrada, ou trazida por uma pessoa amiga.
Dado o conhecimento do espírito, e de sua imortalidade; nem a morte é capaz de destruir o equilíbrio de nosso viver.
Sabemos. Nossos corpos são finitos. Mas nós já viemos de outras, e seguiremos para outras oportunidades de aperfeiçoamento através da encarnação.
Assim. Peito aberto para a Vida. Confiança. Positividade.
A nossa trajetória é ascencional. E todos somos inacabados. Todo novo desafio, tão somente nos acrescentará. Essa é a Lei.
Paulo Cesar Fernandes
09 02 2013
E durante esse processo, um número imenso de pessoas passaram por minha lembrança. De início os familiares, passando por amigos dos mais diversos locais. Inclusive da primeira empresa da área de informática em que trabalhei, onde aprendi muita coisa com um gerente paciente e bom, não apenas comigo, mas com todos.
Ao pensar em todas essas pessoas de quem gosto, e cuja ausência já se perde no tempo, uma frase do Pai Nosso me veio à mente, e definiu de forma clara a postura correta diante dessas perdas naturais da vida:
"Seja feita a tua vontade
Assim na Terra..."
Pois a saudade bate. E bate forte. Principalmente lembrando de tantos benfeitores, no curto espaço desta encarnação. Saudade e gratidão a todos.
Hoje, eu não vejo a frase ensinada por Jesus, se assim o foi, como um elemento de submissão. A nada e a ninguém. Mas, muito pelo contrário, uma postura de compreensão da Vida, e das Leis Naturais regentes de cada momento dessa mesma Vida.
~
Compreender os fenômenos existenciasis, é estar cada vez mais em conformidade com essas Leis. E o fato de não nos aborrecermos ou revoltarmos ante cada novo fato, cada novo desafio, ou cada nova perda é um elemento engrandecedor da nossa forma de viver.
Onde nos leva a revolta?
Em todas as circunstâncias da vida, a revolta apenas promove a perda de nossa energia. Uma energia capaz de ser positivamente utilizada.
Revolta, o ódio, inveja, orgulho, vaidade são fenômenos interiores capazes de nos roubar muita, mas muita energia mesmo. E na economia existencial vale a pena pensar um pouco mais nisso. Dotar nosso viver de uma outra forma de encarar cada um dos problemas.
Nem tudo é tão feio quanto nos parece no primeiro momento. Se algo novo se apresenta, e o medo faz mensão de chegar.
Aguardemos.
O tempo, se mantivermos a serenidade, tem a capacidade de abrir novas perspectivas de um momento para outro.
O impossível, num estalo acaba possível, viável e de fácil ordenamento.
Por que não pensei logo nisso?
Quem nunca usou essa expressão?
Seja por uma solução por nós mesmo encontrada, ou trazida por uma pessoa amiga.
Dado o conhecimento do espírito, e de sua imortalidade; nem a morte é capaz de destruir o equilíbrio de nosso viver.
Sabemos. Nossos corpos são finitos. Mas nós já viemos de outras, e seguiremos para outras oportunidades de aperfeiçoamento através da encarnação.
Assim. Peito aberto para a Vida. Confiança. Positividade.
A nossa trajetória é ascencional. E todos somos inacabados. Todo novo desafio, tão somente nos acrescentará. Essa é a Lei.
Paulo Cesar Fernandes
09 02 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Reflexão 07 02 2013 Da origem do perigo
Mario Sérgio Cortella é um filósofo e teólogo por quem tenho grande respeito. Não apenas por seus inegáveis valores éticos e intelectuais; bem como pelo fato de ter trabalhado com o Professor Paulo Freire, e o substituido na Secretaria Municipal de Educação da Cidade de São Paulo, quando da necessidade de afastamento do
Mestre.
Chamo Mestre pois assim se refere a ele Mário Sérgio, e sempre lhe reverencia a bondade e sua capacidade de ensinar sem ferir.
Mário Sérgio, se referindo ao tempo em que estamos e o comparando ao passado diz:
_ Antigamente, quando estavamos na rua tarde da noite, e ouviamos o barulho de alguém se aproximando, temíamos fosse uma "assombração"; e nos sentiamos aliviados ao perceber se tratar de um humano como nós.
Ocorre mais recentemente um fenômeno estranho.
Ao ouvir os passos de alguém entramos em alerta.
Temerosos de sermos assaltados.
Quando a pessoa passa e nada ocorre nos sentimos aliviados. As "assombrações" deixaram de ser uma das nossas preocupações.
Talvez minha memória não tenha registrado o texto em sua integralidade, mas a idéia é essa: os espiritos, nos tempos que correm, causam menos medo que os encarnados.
Isto me veio à mente pois na leitura do Livro dos Médiuns de Allan Kardec, quando trata das Comunicações Visuais, cita um fato interessante. Trago todo o contexto, para que o leitor deste se posicione:
Allan Kardec - Livro dos Médiuns
Capítulo VI - Das Manifestações visuais.
Temos Kardec questionando a Erasto.
E opinando através das Notas.
7ª Que inconveniente haveria em ser permanente e geral entre os homens a possibilidade de verem os Espíritos? Não seria esse um meio de tirar a dúvida aos mais incrédulos?
"Estando o homem constantemente cercado de Espíritos, o vê-los a todos os instantes o perturbaria, embaraçar-lhe-ia os atos e tirar-lhe-ia a iniciativa na maioria dos casos, ao passo que, julgando-se só, ele age mais livremente. Quanto aos incrédulos, de muitos meios dispõem para se convencerem, se desses meios quiserem
aproveitar-se e não estiverem cegos pelo orgulho. Sabes multo bem existirem pessoas que hão visto e que nem por isso crêem, pois dizem que são ilusões. Com esses não te preocupes; deles se encarrega Deus."
NOTA. Tantos inconvenientes haveria em vermos constantemente os Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca e as miríades de animais microscópicos que sobre nós e em torno de nós polulam. Donde devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém.
8ª Uma vez que há inconveniente em vermos os Espíritos, por que, em certos casos, é isso permitido?
"Para dar ao homem uma prova de que nem tudo morre com o corpo, que a alma conserva a sua Individualidade após a morte. A visão passageira basta para essa prova e para atestar a presença de amigos ao vosso lado e não oferece os Inconvenientes da visão constante."
9ª Nos mundos mais adiantados que o nosso, os Espíritos são vistos com mais freqüência do que entre nós?
"Quanto mais o homem se aproxima da natureza espiritual, tanto mais facilmente se põe em comunicação com os Espíritos. A grosseria do vosso envoltório é que dificulta e torna rara a percepção dos seres etéreos."
10ª Será racional assustarmo-nos com a aparição de um Espírito?
"Quem refletir deverá compreender que um Espírito, qualquer que seja, é menos perigoso do que um vivo. Demais, podendo os Espíritos, como podem, ir a toda parte, não se faz preciso que uma pessoa os veja para saber que alguns estão a seu lado. O Espírito que queira causar dano pode fazê-lo, e até com mais segurança,
sem se dar a ver. Ele não é perigoso pelo fato de ser Espírito, mas, sim, pela influência que pode exercer sobre o homem, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal."
NOTA. As pessoas que, quando se acham na solidão ou na obscuridade, se enchem de medo raramente se apercebem da causa de seus pavores. Não seriam capazes de dizer de que é que têm medo. Muito mais deveriam temer o encontro com homens do que com Espíritos, porquanto um malfeitor é bem mais perigoso
quando vivo, do que depois de morto. Uma senhora do nosso conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma aparição tão bem caracterizada, que ela julgou estar em sua presença uma pessoa e a sua primeira sensação foi de terror. Certificada de que não havia pessoa alguma, disse:
"Parece que é apenas um Espírito; posso dormir tranqüila."
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Vejo grande similitude/semelhança entre o que nos coloca Mário Sérgio Cortella e o narrado por Allan Kardec.
Paulo Cesar Fernandes
07 02 2013
Mestre.
Chamo Mestre pois assim se refere a ele Mário Sérgio, e sempre lhe reverencia a bondade e sua capacidade de ensinar sem ferir.
Mário Sérgio, se referindo ao tempo em que estamos e o comparando ao passado diz:
_ Antigamente, quando estavamos na rua tarde da noite, e ouviamos o barulho de alguém se aproximando, temíamos fosse uma "assombração"; e nos sentiamos aliviados ao perceber se tratar de um humano como nós.
Ocorre mais recentemente um fenômeno estranho.
Ao ouvir os passos de alguém entramos em alerta.
Temerosos de sermos assaltados.
Quando a pessoa passa e nada ocorre nos sentimos aliviados. As "assombrações" deixaram de ser uma das nossas preocupações.
Talvez minha memória não tenha registrado o texto em sua integralidade, mas a idéia é essa: os espiritos, nos tempos que correm, causam menos medo que os encarnados.
Isto me veio à mente pois na leitura do Livro dos Médiuns de Allan Kardec, quando trata das Comunicações Visuais, cita um fato interessante. Trago todo o contexto, para que o leitor deste se posicione:
Allan Kardec - Livro dos Médiuns
Capítulo VI - Das Manifestações visuais.
Temos Kardec questionando a Erasto.
E opinando através das Notas.
7ª Que inconveniente haveria em ser permanente e geral entre os homens a possibilidade de verem os Espíritos? Não seria esse um meio de tirar a dúvida aos mais incrédulos?
"Estando o homem constantemente cercado de Espíritos, o vê-los a todos os instantes o perturbaria, embaraçar-lhe-ia os atos e tirar-lhe-ia a iniciativa na maioria dos casos, ao passo que, julgando-se só, ele age mais livremente. Quanto aos incrédulos, de muitos meios dispõem para se convencerem, se desses meios quiserem
aproveitar-se e não estiverem cegos pelo orgulho. Sabes multo bem existirem pessoas que hão visto e que nem por isso crêem, pois dizem que são ilusões. Com esses não te preocupes; deles se encarrega Deus."
NOTA. Tantos inconvenientes haveria em vermos constantemente os Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca e as miríades de animais microscópicos que sobre nós e em torno de nós polulam. Donde devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém.
8ª Uma vez que há inconveniente em vermos os Espíritos, por que, em certos casos, é isso permitido?
"Para dar ao homem uma prova de que nem tudo morre com o corpo, que a alma conserva a sua Individualidade após a morte. A visão passageira basta para essa prova e para atestar a presença de amigos ao vosso lado e não oferece os Inconvenientes da visão constante."
9ª Nos mundos mais adiantados que o nosso, os Espíritos são vistos com mais freqüência do que entre nós?
"Quanto mais o homem se aproxima da natureza espiritual, tanto mais facilmente se põe em comunicação com os Espíritos. A grosseria do vosso envoltório é que dificulta e torna rara a percepção dos seres etéreos."
10ª Será racional assustarmo-nos com a aparição de um Espírito?
"Quem refletir deverá compreender que um Espírito, qualquer que seja, é menos perigoso do que um vivo. Demais, podendo os Espíritos, como podem, ir a toda parte, não se faz preciso que uma pessoa os veja para saber que alguns estão a seu lado. O Espírito que queira causar dano pode fazê-lo, e até com mais segurança,
sem se dar a ver. Ele não é perigoso pelo fato de ser Espírito, mas, sim, pela influência que pode exercer sobre o homem, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal."
NOTA. As pessoas que, quando se acham na solidão ou na obscuridade, se enchem de medo raramente se apercebem da causa de seus pavores. Não seriam capazes de dizer de que é que têm medo. Muito mais deveriam temer o encontro com homens do que com Espíritos, porquanto um malfeitor é bem mais perigoso
quando vivo, do que depois de morto. Uma senhora do nosso conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma aparição tão bem caracterizada, que ela julgou estar em sua presença uma pessoa e a sua primeira sensação foi de terror. Certificada de que não havia pessoa alguma, disse:
"Parece que é apenas um Espírito; posso dormir tranqüila."
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Vejo grande similitude/semelhança entre o que nos coloca Mário Sérgio Cortella e o narrado por Allan Kardec.
Paulo Cesar Fernandes
07 02 2013
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