quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

20150128 Nós, a humanidade e o momento histórico

Nós, a humanidade e o momento histórico


A Terra se desloca silenciosa no espaço sideral.


Carrega em seu caminhar bilhões de seres, cada qual com suas convicções; formas de pensar; suas crenças e ilusões.


Terão uma visão materialista da existência?


Estarão totalmente ludibriados quanto a uma possível subjetividade, metafísica ou espiritualidade?


Refletirão? Ou permitirão à vida os levar de roldão, qual as pedras rolando nos caminhos?


Assisto a um show de Rock and Roll, e as questões me batem na face, ao ver a multidão. Massa popular idolatrando Johnny
Hallyday.


1998  -  Johnny Hallyday  -  Alume le Feu  -  Stade de France

Lembrando a esperança de outro francês; Allan Kardec, quanto à expansão do espiritismo, chego a duvidar de tal proposta.


Certamente não ocorrerá como ele propõe na Revista Espírita de 1861, no mês de dezembro. Mas algo pode acontecer. Uma nova
forma de semeadura de ideias se abriu com a chegada dos aparatos tecnológicos. Assim, a propagação não se dará pela criação de diversos pequenos grupos em cada cidade, vinculados a um grupo maior e assim adiante.


Abaixo as velhas formas de organização. A nossa vida se aglutina em redes, e ligações virtuais. Perenes ou temporárias mas presentes.


As nossas ideias, individuais e coletivas formam um caldeirão cultural capaz de levar adiante uma onda, capaz de derrubar o
materialismo predominante na "Sociedade de Consumidores" tão claramente definida por Zygmunt Bauman em seus trabalhos
diversos.


Não mais somos fracos ao portarmos uma ideia. E somos todos portadores de mais de uma: imortalidade; evolução; socialismo;
justiça; ética; etc. Pensamos e conseguimos contribuir. Elaborar algo novo e talvez libertador dos espíritos.


Cada um de nós é um degrau na escalada de seus semelhantes. Mas só o seremos se nossos atos forem a formalização concreta de
cada uma de nossas palavras.


Caso assim não ocorra não prejudicaremos ninguém. Estaremos apenas deixando de lado a oportunidade de nos somar a Allan
Kardec, na propagação das ideias mais revolucionárias e libertadoras já vistas na face da terra.


Somos cocriadores. Não de Deus, pois isso é pura crença; mas cocriadores do Professor Allan Kardec. Trabalhador incansável de
uma causa: o avanço da humanidade para patamares mais amplos da ética e do relacionamento entre os povos.


Contribuir nessa obra, pequena seja nossa contribuição, há de nos fazer sentir participes de todo um movimento de progresso da humanidade. Um processo de deslocamento de um materialismo alienante na direção de uma espiritualidade ciente de sua presença, e de seu valor para o momento histórico pelo qual atravessamos.
Momento de indecisões, pois toda transição traz em seu bojo a ausência de um norte, quando os velhos valores ruíram.


Nesse contexto de incertezas entra a contribuição cristalina de Kardec, se despojada do católico nela presente.


Essa a tarefa a nós determinada para o presente.


Paulo Cesar Fernandes

28/01/2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

20150113 Reencarnação na canção



Juan Carlos Baglietto é um dos grandes cantores e compositores do mundo.

Não sei quem foi o autor dessa música. Mas apenas confirma minha ideia: os músicos tem uma proximidade muito grande com a mediunidade e com o conceito de reencarnação, tal qual o concebemos os espíritas. Veja a letra:

Fui mujer
Dificil olvidar
todo lo que perdí
eso no es para mi
material de vida,
botellas y almas queridas
que la noche sublima
en su medialuz.



Antes de ser varón
yo se que fui mujer
lo siento al recordar
algunos tramos
cuando me miro las manos
y son de un lejano
pais de otra piel.



Nostalgia de otra vida
carbón que da la mina
la fuerza necesaria para arder
y en los ojos del espacio
va silvandome despacio
que soy trigo
pa' que otros puedan comer,
esto no termina nunca
el amor es la pregunta
y si estuve en otra vida fui mujer.



Conozco la canción
falsia del querer
la trágica comedia de la hombria
creen que llorar afemina
y el dolór los obliga
a llorar como mujer.



Nostalgia de otra vida
carbón que da la mina
la fuerza necesaria para arder
y en los ojos del espacio
va silvandome despacio
que soy trigo
pa' que otros puedan comer,


esto no termina nunca
el amor es la pregunta
y si estuve en otra vida fui mujer.



esto no termina nunca
el amor es la pregunta
y si estuve en otra vida fui mujer.



mujer... mujer...


===

Se vale do conceito da reencarnação para denunciar a condição feminina. O machismo.


Tomando o conceito que o espírito não tem sexo. A transposição de um sexo a outro se dando por uma contingência fortuita e sem predestinação qualquer. Temos o dever de viver em perfeita complementaridade homens e mulheres.


E acatar com serenidade as novas expressões da sexualidade presentes e futuras. Pois nossa fase é de transição no mundo, e novas formas deverão brotar diante de nossos olhos.

Afinal o amor é, fundamentalmente espiritual.


Paulo Cesar Fernandes

13/01/2015

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

20150112 Reflexão acerca da aceitação


Reflexão acerca da aceitação

 
Estava em prece, bem agora.

 
E durante esse processo, um número imenso de pessoas passaram por minha lembrança. De início, os familiares, passando por amigos dos mais diversos locais. Inclusive da primeira empresa da área de informática em que trabalhei, onde aprendi muita coisa com um gerente paciente e bom, não apenas comigo, mas com todos.


Ao pensar em todas essas pessoas de quem gosto, e cuja ausência já se perde no tempo, uma frase do Pai Nosso me veio à mente, e definiu de forma clara a postura correta diante dessas perdas naturais da vida:


         "Seja feita a tua vontade/Assim na Terra..."

 
Pois a saudade bate. E bate forte. Principalmente lembrando de tantos benfeitores, no curto espaço desta encarnação. Saudade e gratidão a todos.

 

Hoje, eu não vejo a frase ensinada por Jesus, se assim o foi, como um elemento de submissão. A nada e a ninguém. Mas, muito pelo contrário, uma postura de compreensão da Vida, e das Leis Naturais regentes de cada momento dessa mesma Vida.

 
Compreender os fenômenos existenciais é estar cada vez mais em conformidade com essas Leis. E o fato de não nos aborrecermos ou revoltarmos ante cada novo fato, cada novo desafio, ou cada nova perda é um elemento engrandecedor da nossa forma de viver.

 
Aonde nos leva a revolta?

 
Em todas as circunstâncias da vida, a revolta apenas promove a perda de nossa energia. Uma energia capaz de ser positivamente utilizada.

 
Revolta,  ódio, inveja, orgulho, vaidade são fenômenos interiores capazes de nos roubar muita, mas muita energia mesmo. E na economia existencial vale a pena pensar um pouco mais nisso. Dotar nosso viver de uma outra forma de encarar cada um dos problemas.

 
Nem tudo é tão feio quanto nos parece no primeiro momento. Se algo novo se apresenta, e o medo faz menção de chegar.

 
Aguardemos.

 
O tempo, se mantivermos a serenidade, tem a capacidade de abrir novas perspectivas de um momento para outro. O impossível, num estalo acaba possível, viável e de fácil ordenamento.

 
“Por que não pensei logo nisso?”
Quem nunca usou essa expressão?
 

Seja por uma solução por nós mesmo encontrada, ou trazida por uma pessoa amiga.


Dado o conhecimento do espírito e de sua imortalidade, nem a morte é capaz de destruir o equilíbrio de nosso viver.


Sabemos. Nossos corpos são finitos. Mas nós já viemos de outras, e seguiremos para outras oportunidades de aperfeiçoamento através da encarnação.
 

Assim. Peito aberto para a Vida. Confiança. Positividade.

 
A nossa trajetória é ascensional. E todos somos inacabados. Todo novo desafio, tão somente nos acrescentará. Essa é a Lei.


Paulo Cesar Fernandes

 
12/01/2015

20150112 Acerca do futuro



 

“Pela ordem natural das coisas” como dizia o bom Kardec, o espiritismo se imporá ao contexto global da sociedade.

São completamente nulas e inúteis todas as iniciativas de proselitismo, de busca de maior número de adeptos.

Nada disso.

No tempo em que vivemos. A “Era do indivíduo” segundo o pensador francês Alain Renaut, reina a liberdade. Uma liberdade aberta a tudo. Com grande ênfase no consumo de bens e serviços, mas deixando aberta ao Homem da atualidade a possibilidade de se pensar enquanto Ser. Uma reflexão não mais restrita aos círculos filosóficos, como habitualmente ocorria no passado. A individualidade está liberta para se questionar em todos os aspectos antes tidos por já dados, ou proibidos.

Encontramos uma parcela significativa da população questionando sua forma de viver. Partindo principalmente do conceito de imortalidade cada vez mais presente na sociedade. E eu ouso dizer, temos hoje a imortalidade como conceito pertencente ao “senso comum”.

Não mais a imortalidade nos moldes católicos ou protestantes. Mas a exata concepção do modo espírita de pensar a imortalidade. Isto é, em forte vínculo com o conceito de reencarnação. Um dueto musical presente muito intensamente entre os artistas, e mais especificamente entre os músicos.

Um bom parâmetro para análise desse fenômeno são as criações ficcionais. Falo do cinema como a forma de arte que vem trabalhando o tema mais fortemente. E se trabalha tal tema parte da premissa do lucro futuro a ser obtido pela obra.  Não apenas no Brasil onde as coisas de Chico Xavier têm preponderância; mas ainda na Alemanha através de obras de Win Wenders, e mesmo o cinema norte-americano tem trazido algumas criações nesse sentido.

Numa das TVs pagas (a cabo) tem uma série chamada “A Médium” que trata a questão com toda a naturalidade. Expondo a mediunidade da forma mesmo como a conhecemos. Acho muito interessante essa série. Mas não sei o dia e nem o canal. As oportunidades que tive de assistir foi por mera casualidade.

Quando leio a Revista Espírita, e vejo a certeza de Allan Kardec na propagação do espiritismo, pela força da “racionalidade” do pensar espírita, e a função da formação de inúmeros pequenos grupos para a prática mediúnica, pequenos para que a harmonia entre seus membros seja facilitada, vejo Kardec apostando nas instituições como única forma de propagação.

Hoje as ideias se propagam de outras mil maneiras. O sistema educacional do mundo segue sendo medieval. Classes com 30, 50 ou 10 alunos não prestam mais ao nosso tempo. O foco é a individualidade. Mas para isso as instituições do Estado deveriam sofrer uma verdadeira revolução. Mas isso é tema para outro momento, algo sobre esse tema pode ser encontrado num dos meus blogs.

Quando falamos em “Era do indivíduo”, a primeira coisa a surgir na cabeça das pessoas desconectadas de nosso momento é tratar-se da era do egoísmo. E não é nada disso.

Vivemos um momento em que todas as instituições, em todos os países, vêm perdendo a credibilidade. Pense no sindicalismo dos tempos de Getúlio Vargas; pense em Maio de 68 na França, onde Jean Paul Sartre ditava as normas do “movimento”; onde Cornelius Castoriadis e Jean-François Lyotard criaram a revista “Socialismo ou Barbárie” nela apostando todas as fichas. Com Lyotard, na fria madrugada francesa, distribuindo panfletos revolucionários nas portas das fábricas.

Quem se prestaria a isso hoje?

Hoje as coisas se dão de forma diversa. Ainda com ideologia. Ainda com lutas e avanços a serem conquistados como a destruição de todas as fábricas de armas, uma pauta consensual entre os pensadores. Ainda com embates entre os grandes pensadores do nosso tempo. Mas por outros meios.

A proliferação das siglas trazidas pela tecnologia traz um universo aberto de possibilidades. E é exatamente nessa profusão de novidades o espaço adequado para a ampliação da força das concepções de imortalidade, evolução e da reencarnação.

Não nego o valor dos eventos “intramuros” para troca de ideias, fortalecimento de laços, etc. Mas tenho a certeza de sua nulidade enquanto mola propulsora da Era de Influencia Social tão sonhada por Allan Kardec.

Será sim através de nossa dispersão, enquanto indivíduos capazes de defender nossas concepções, todas elas contrárias ao materialismo vigente. Não impondo, mas abrindo às pessoas de nossa relação uma outra forma de conceber a vida; e mais, de vivenciá-la.

Afinal a vida é curta demais para ser desperdiçada.

 

Paulo Cesar Fernandes

12/01/2015 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

20150107 Energia de diversos povos segundo Jung




Qualquer semelhança com algum conceito que porventura trabalhemos nas casas espíritas não é mera coincidência.


Os fatos espíritas são da mais remota antiguidade. Em todas as épocas se deram. Ocorre que, como hoje, em todas as épocas o
materialismo busca se impor, visando ofuscar toda e qualquer metafísica.


Lembrar apenas que para Jung a palavra libido não tem a mesma carga sexual que para Freud. A Libido junguiana tem mais a ver
com energia, força, poder, capacidade de superação, essas coisas intensas da psique.


Ao texto:

Carl Gustav Jung
A energia psíquica
 
O CONCEITO PRIMITIVO DE LIBIDO

[114] As idéias mais primitivas referentes a uma potência mágica que pode ser considerada ao mesmo tempo como força objetiva
e estado subjetivo de intensidade mostram-nos como os inícios de formação dos símbolos se acham intimamente ligados a um
conceito de energia.

[115] Darei alguns exemplos, a título de ilustração. De acordo com McGEE, os índios Dacotas têm a seguinte concepção do que
seja esta "força: o sol é wakanda, não o wakanda nem um wakanda, mas simplesmente wakanda. A lua é wakanda, e assim também o
trovão, o raio, as estrelas, o vento, etc. Os homens também, especialmente os Xamãs, são wakanda. Assim como os demônios dos elementos, os fetiches e outros objetos rituais, além de numerosos animais e localidades de natureza particularmente
estranha. MCGEE afirma: “A expressão (wakanda) pode ser traduzida talvez antes pela palavra 'mistério' do que por outra
qualquer, mas mesmo este conceito é por demais estreito, porque wakanda pode significar igualmente força, santo, velho, grandeza, vivo, imortal”.


[116] Semelhante ao uso de wakanda pelos Dacotas é o de oki pelos Iroqueses e manitu pelos Algonquins, com o significado
abstrato de "força" ou "energia produtiva". Wakanda é a concepção de uma "energia vital ou força universal, difundida por toda parte, invisível, mas manipulável e transferível". Por isso a vida do primitivo gira, por assim dizer, em torno da preocupação de possuir esta força em quantidade suficiente.


[117] Especialmente valiosa é a observação de que um conceito como manitu ocorre também como exclamação, quando se percebe
alguma coisa espantosa.

HETHERWICK relata a mesma coisa a respeito do Yaos da África que gritam mulungu, quando vêem alguma coisa espantosa ou
incompreensível. Mulungu pode significar então:


1. a alma de uma pessoa que em vida se chama lisoka e quando morre se torna mulungu;
2. o mundo inteiro dos espíritos;
3. a qualidade ou força magicamente ativa inerente a um objeto de qualquer espécie, como, por ex., a vida e a saúde do corpo;
4. o princípio ativo em qualquer coisa mágica, misteriosa, incompreensível e inesperada;
5. a grande força espiritual que cria o mundo e toda vida nele presente.



[118] Semelhante a este é o conceito de wong da Costa do Ouro. Wong pode ser um rio, uma árvore, uma amuleto, ou um lago, uma
fonte, uma área de terra, um cupinzeiro, árvores, crocodilos, macacos, serpentes, pássaros, etc. TYLOR erroneamente
interpreta a força wong animisti-camente no sentido de "espírito" ou "alma". Mas, como nos mostra o uso da palavra wong, há
uma relação dinâmica entre o homem e seus objetos.


[119] O conceito de churinga dos australianos tem também um sentido energético.

Ele significa:

1. o objeto ritual;

2. o corpo de um antepassado individual (do qual provém a força vital);

3. a propriedade mística de qualquer objeto.



[120] Muito semelhante é o conceito de zogo dos habitantes de Estrada Torres, usado tanto como substantivo ou como adjetivo.
O australiano arunquiltha é um conceito paralelo de significado semelhante; só que é a palavra usada para designar uma
atividade mágica de natureza má e o espírito mau que gosta de devorar o sol durante um eclipse. Da mesma espécie é o conceito
malaio de badi, que inclui também as relações mágicas más.


[121] As pesquisas de Lumholtz mostraram que os Huichols mexicanos possuem também uma concepção fundamental de uma força que circula através dos homens, dos animais rituais e das plantas (veados, hikuli, trigo, penas, etc.).


[122] Das pesquisas de ALICE FLETCHER entre os índios da América do Norte se deduz que o conceito de wakan é também o de
relação energética, semelhante aos que acabamos de discutir. Uma pessoa pode tornar-se wakan pelo jejum, pela oração e por
visões. As armas de um jovem são wakan; não podem ser tocadas por uma mulher (do contrário, a libido regrediria). Por esta
razão reza-se às armas antes da batalha (para torná-las fortes, carregando-as com libido). Wakan estabelece a conexão entre o
visível e o invisível, entre os viventes e os mortos, entre a parte e o todo de um objeto.


[123] CODRINGTON diz a respeito do conceito melanésio de mana: "A mente melanésia é totalmente possuída pela crença em uma força ou influência sobrenatural, quase universalmente chamada mana. E esta força que produz tudo o que supera as forças
comuns do homem, tudo o que não entra nos processos comuns da natureza; liga-se às pessoas e coisas, e se manifesta através
de efeitos que só podem ser atribuídos à sua ação. É uma força ou uma influência não física, por assim dizer sobrenatural, mas se revela na força física em algum poder ou qualidade qualquer que uma pessoa possui. O mana não se acha fixado em lugar algum, e pode ser conduzido para qualquer parte. Só os espíritos, sejam almas desencarnadas ou seres sobrenaturais, é que o possuem e podem comunicá-los. É propriamente produzido por seres pessoais, embora possa agir por meio da água ou de uma pedra ou de um osso".



[124] Esta descrição nos mostra claramente que no caso do mana, assim como nos dos outros conceitos, trata-se de uma noção de
energia que é o único que nos permite explicar o fato estranho destas concepções primitivas. Evidentemente não queremos
dizer, com isto, que o primitivo tenha uma idéia abstrata de energia, mas não há dúvida de que sua concepção é o estágio concretista preliminar da idéia abstrata.



[125] Encontramos idéias parecidas no conceito de tondi dos Bataques, no atua dos Maoris, no ani ou han de Ponape, no kasinge
ou kalit de Pelew, no anut de Kusaie, no yaris de Tóbi, no ngai dos Masais, no andriamanitra dos Malgaxes, no njomm dos Ekois, etc. Uma visão de conjunto quase completa nos é oferecida por SÒDERBLOM, em seu livro Das Werden des Gottesglauben [A
Gênese da Crença em Deus].



[126] LOVEJOY é da opinião - com a qual estou plenamente de acordo -de que estes conceitos "não são nomes usados para
designar o supranormal ou o espantoso - e certamente não o que provoca medo, respeito ou amor - mas para designar o eficaz, o
poderoso e o criativo". O conceito em questão se refere propriamente à idéia de "uma substância ou energia difusa, de cuja

aquisição dependem toda a força ou habilidade ou fecundidade excepcionais. A energia seguramente é fecunda (sob certas
condições) e é misteriosa e incompreensível, mas o é, pelo fato de ser extremamente poderosa, e não porque as coisas que a
manifestam sejam incomuns, sobrenaturais ou de tal natureza a superar qualquer expectativa racional". O princípio pre animista é a "crença em uma força que é concebida como agindo de acordo com determinadas normas e leis inteiramente compreensíveis, uma força que pode ser estudada e controlada". Para estes conceitos LOVEJOY propõe a expressão primitive energeties [energia primitiva].



[127] Muito do que é tomado animisticamente pelos pesquisadores como espírito, demônio ou númen, pertence ao conceito primitivo de energia. Como já observamos, é incorreto, no sentido estrito do termo, falar de um "conceito". A concept of primitive philosophy [um conceito de filosofia primitiva], segundo a expressão de LOVEJOY, é uma idéia nascida naturalmente de nossa própria mentalidade. Isto é, para nós tratrar-se-ia de um conceito psicológico de energia, ao passo que para o primitivo é ura fenômeno psíquico, que é percebido em íntima ligação com o objeto. Não há uma idéia abstrata entre os primitivos, nem mesmo conceitos concretos simples, mas tão-somente representações.

Todas as línguas primitivas nos oferecem abundantes provas disto. Assim, mana não é um conceito, mas uma representação baseada na percepção da relação dos fenômenos.

É a essência da participation mystique, descrita por Lévy-Bruhl. Na linguagem primitiva só se indica o fato da relação e da
experiência que ela provoca, como o mostram claramente alguns dos exemplos dados acima, mas não a natureza ou a essência
desta relação ou do princípio que a determina. A descoberta de uma designação adequada para a natureza e a essência da força
unificadora estava reservada para um nível de cultura ulterior que substitui as denominações simbólicas.


[128] Em seu estudo clássico sobre o mana, LEHMANN define-o como o "extraordinariamente eficaz". A natureza psíquica do mana
é enfatizada de maneira particular por PREUSS e RÕHR. Realmente, é impossível escapar à impressão de que a idéia primitiva de mana é precursora do nosso conceito de energia psíquica e muito provavelmente também do conceito de energia em geral.


[129] A concepção fundamental do mana volta a aparecer no estágio animista, sob forma personificada. Aqui são almas,
espíritos, demônios, deuses que produzem os efeitos extraordinários. Como muito bem acentuou LEHMANN, nada de "divino" está ligado ao conceito de mana, de modo que não se pode ver no mana a forma original de uma idéia de Deus. Apesar disto,
dificilmente se pode negar que o mana é uma condição preliminar necessária ou pelo menos muito importante para o desenvolvimento da idéia de Deus, embora talvez não seja a mais primitiva de todas as condições preliminares. Uma outra condição preliminar essencial é a personificação, para cuja explicação seria preciso aduzir ainda outros fatores psicológicos.



[130] A difusão quase universal da idéia de energia é uma expressão clara do fato de que, mesmo ainda num estágio primitivo, a consciência sentia a necessidade de representar concretamente o dinamismo percebido dos acontecimentos psíquicos. Por isso, se em nossa psicologia colocamos ênfase no ponto de vista energético, fazemo-lo de acordo com os fatos psíquicos que se acham gravados no espírito humano desde épocas primordiais.



Fonte:
http://groups.google.com/group/Viciados_em_Livros, será um prazer recebê-lo

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Acho muito importante contrapor visões antropológicas dos temas naturalmente tratados nos meios espíritas.

Como vemos acima os diversos povos tratam com profunda naturalidade os fatos espíritas. denominando-os de formas diversas, mas mantendo o conceito em diversos desses povos.

Queiramos ou não, as Leis Naturais são um patrimônio do Humano. E assim sendo a intercomunicação entre os universos corpóreo e incorpóreo é sempre presente.

O tempo nos fará ver o quanto de valor têm os Povos Originários das diversas localidades do planeta.

Quando os chamamos de primitivos erramos feio. A América Espanhola perdeu 56 milhões de criaturas assassinadas nas invasões colonialistas.

Quem são os primitivos afinal?

Nossa civilização vive em guerras e invade os espaços desses povos cuja vida pacífica é, em geral, uma realidade.

Aposto muito na mudança de mirada quanto aos Povos Originários. Basta olhar o exemplo de alguns vizinhos de nossa América
Latina.

O próprio eixo cultural do mundo se desloca e foca nosso continente. O Eurocentrismo dá lugar ao SulCentrismo.


México, Chile, Argentina, Uruguay, Equador, Bolívia e Brasil formam um novo caldo de cultura. Na elaboração intelectual e nas
novas propostas estéticas para a música e diversas outras expressões artísticas.


Basta ter olhos de ver.



Paulo Cesar Fernandes

07/01/2015

sábado, 3 de janeiro de 2015

20150102 O Tempo e o Ser

O Tempo e o Ser



O tempo? Ele é o universo do Ser.
Nele se espraia o Ser na aquisição de multiplas possibilidades vivenciais.


Cada uma das vivências propositora de desafios a ser vencidos: perdas; desafetos; solidão; falsidade; competividade; traições; e tantos outros.


Mas quando este mesmo Ser, arrojado nas várias vivências, toma consciência de si, e dos possíveis rumos do seu existir, tudo muda de figura.


Não mais um ser rolando nos descaminhos das ilusões. Sabe o custo de sua Tomada de Consciência, e das posturas a brotar a
cada novo instante. Firma estacas nessa nova visão de si e do mundo; e mais forte, do seu estar no mundo.


Como se dará esse seu "estar no mundo"?


Quais projetos acalentará?


Como enfrentará os velhos desafios nessa nova fase?



Já não é o mesmo, bem o sabe. E não ser o mesmo lhe provoca perdas.


Estará preparado?


Tem de estar. Pois a Tomada de Consciência de Si é o ponto final de um longo processo de maturação individual. Muitas etapas
se passaram para ali chegar.


Etapas são um elenco interminável de Ritos de Passagem.


Nos Povos Originários é natural a demarcação da etapa infantil para a adulta através dos chamados ritos de passagem. Em
alguns grupos tem apenas um caráter comemorativo; enquanto em outros o aspirante se submete a uma série de provas para adentrar o universo adulto.


Nosso processo de maturação, de alguma forma assim é. Somos confrontados constantemente e vencemos ou somos vencidos pelos
desafios. Podemos tomar cada um desses desafios como um rito de passagem. Mas, diferentemente dos povos acima citados, não há
apenas um rito de passagem, são inúmeros ocorrendo em cada momento, e em cada etapa de nossa trajetória.


No geral, encaramos cada momento, cada uma dessas etapas como algo a ser vivido e nada mais. Não lhes damos importância.


Nunca nos postamos na popsição de observador ao se tratar de nossa vida. Vivemos e isto nos basta.


Tudo muda quando nos vemos como Ser-em-si e Ser-para-si. Esse é o momento da Tomada de Consciência. Nos sabemos Seres, e mais importante, sabemos usar em nosso favor cada momento da etapa vivencial na qual estamos mergulhados.


Estar voltado para si nada tem com egoísmo. O Ser-para-si ve o seu semelhante como um outro Ser-em-si e Ser-para-si, tal como
ele o é. Esse é o patamar da verdadeira equidade entre os seres. Tendo como desdobramento o respeito mútuo.


Não tenho esta reflexão como palavra final sobre a questão. Mesmo porque não há palavra final sobre nada. Não é possível
haver verdade. Não é possível qualquer ortodoxia. Basta olhar a História da Humanidade.


Tomemos apenas como um elemento de reflexão. Longe de mim a tentativa de impor algo a quem quer que seja.

Acima de tudo luto pela Liberdade do Ser e contra toda forma de opressão. Onde impera o autoritarismo me afasto.

Acredito que apenas um Ser Livre é capaz de se tornar Criativamente feliz.



Paulo Cesar Fernandes

02 de janeiro de 2015




P.S.:

Propositalmente inverti o título do imortal livro do Mestre Martin Heidegger "Ser e Tempo", focando sim a trajetória do Ser. Um Ser mergulhado no Tempo.

Mas nunca esquecendo o que disse o poeta Cazuza: "O Tempo não para..." e não para para ninguém em nenhuma das dimensões dos universos diversos aos quais ainda poderemos conhecer.

Será tudo uma questão de progresso. Não apenas da ciência; mas, muito mais importante, da mentalidade do homem diante dos fenômenos das Leis Naturais.



Adição após leitura em 04/01/2015

Uma posição de Carl Gustav JUNG 

Carl Gustav Jung
A energia psíquica

[111] As organizações ou sistemas são símbolos (sØmbolon = profissão de fé) que capacitam o homem a estabelecer uma posição espiritual que se contrapõe à natureza instintiva original, uma atitude cultural em face da mera instintividade.



Esta tem sido a função de todas as religiões. Por longo tempo e para a grande maioria dos homens basta o símbolo de uma religião coletiva. Talvez só temporariamente e para um número relativamente pequeno de pessoas é que as religiões coletivas existentes se tornaram inadequadas.


Onde quer que o processo cultural esteja em andamento, seja nos indivíduos, isoladamente, seja em grupos, dão-se rupturas com relação às crenças coletivas. Qualquer avanço cultural é, psicologicamente, uma ampliação da consciência, uma tomada de consciência, que só pode se realizar mediante uma diferenciação.



Por isso. Qualquer avanço começa sempre com a individuação, isto é, começa como indivíduo abrindo novo caminho através de terreno até então não desbravado, depois de haver-se conscientizado de sua própria individualização. Para chegar a isto, deve ele primeiramente retornar aos fatos fundamentais de seu próprio ser, independentemente de qualquer autoridade ou tradição, e tomar consciência de sua diferenciação.



Se conseguir conferir um valor à sua consciência ampliada, ele provocará uma tensão entre os opostos que lhe fornece estímulos para seus progressos posteriores.



[112] Com isto não queremos dizer que o desenvolvimento da individualidade seja necessário, ou pelo menos oportuno, em quaisquer circunstâncias, embora alguém possa acreditar que, segundo a afirmação de que a "maior felicidade dos filhos deste mundo é unicamente a realização da personalidade", existe um número mais ou menos grande de pessoas para as quais o desenvolvimento da individualidade é uma exigência primordial, especialmente em uma época cultural como a nossa, que se
banalizou por uma mentalidade coletiva e onde são praticamente os meios de comunicação que dominam o mundo.




Segundo minha experiência, naturalmente limitada, existe, entre as pessoas de idade madura, um número considerável daquelas para as quais o desenvolvimento da personalidade é um requisito essencial.


Por isso sou privadamente da opinião - exclusivamente pessoal - de que são justamente as pessoas em idade madura as que mais necessidade têm de um pouco mais de educação no plano da cultura individual, depois que sua educação juvenil, na escola ou na universidade, as formou numa linha exclusivamente coletiva, impregnando-as literalmente de uma mentalidade coletiva.


Sei bastante, por experiência, que as pessoas nessa idade são, sob este aspecto, muito mais capazes de educação do que propriamente se espera, embora sejam justamente os indivíduos amadurecidos e fortalecidos pela experiência da vida os que mais vigorosamente resistem a um ponto de vista meramente redutivo.



[113] É naturalmente no período da juventude em que mais podemos lucrar de um reconhecimento amplo da nossa instintividade.


Assim, por ex., o reconhecimento da sexualidade, cuja supressão neurótica afasta indevidamente o indivíduo da vida ou o obriga, desventuradamente, a um modo totalmente inadequado de viver, com o qual ele necessariamente entra em conflito.


Um reconhecimento e uma apreciação justa dos instintos normais conduzem o jovem à vida e o envolvem em acontecimentos que o levam, por sua vez, a novas necessidades da vida e aos conseqüentes sacrifícios e esforços mediante os quais seu caráter se robustece e suas experiências maturam.



Para a pessoa madura, na segunda metade da vida, entretanto, a continuada expansão da vida já não é, evidentemente, o princípio correto, porque a descida no entardecer da vida exige simplificação, limitação e interiorização; em outras palavras: exige cultura individual.



A pessoa, na primeira metade da vida, com sua orientação biológica, geralmente pode, graças à juventude de seu organismo, expandir, sem dificuldade, a sua vida e dela fazer alguma coisa de valor. Mas o homem na segunda metade da vida está, naturalmente, orientado para a cultura, enquanto as forças decrescentes de seu organismo permitem-lhe subordinar seus instintos aos pontos de vista culturais.



Não poucos naufragam na passagem da esfera biológica para a esfera cultural. Nossa educação marcadamente coletiva não
faz praticamente provisões para este período de transição.



Enquanto nos voltamos exclusivamente para a educação dos jovens, descuidamos da educação do adulto, a respeito do qual se admite - não se sabe com qual fundamento - que não tem necessidade de educação. Falta-lhe, por assim dizer, toda e qualquer guia para esta passagem, extraordinariamente importante, da atitude biológica para a atitude cultural, para a transformação da energia da forma biológica na forma cultural.



Este processo de transformação é de natureza individual e não pode ser imposto por regras e prescrições gerais. A transformação da libido se opera através do símbolo. A formação dos símbolos é um problema fundamental que não cabe discutir no âmbito deste trabalho. Devo remeter o leitor ao capítulo V do meu livro Tipos Psicológicos, onde tratei detalhadamente esta questão.


C. G. Jung

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sábado, 27 de dezembro de 2014

20141227 Bem maior

Pena
O Teatro Mágico (Recombinando atos
Compositor: Fernando Anitelli E Maíra Viana


O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é cédula mãe solteira



O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Acordes em oferta
Cordel em promoção
A prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação



E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Lá se dorme um sol em mi menor



Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior



O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
A porcentagem e o verso
Rifa, tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão



O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
Meu museu em obras
Obras em leilão
Atalhos retalhos e sobras
A matemática da arte em papel de pão



E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Já se abre um sol em mi maior



Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior



Fonte: http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/pena.html#ixzz3N824ZziA

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Historicamente somos formados e formatados para a obediência. E esta é a nadificação do Ser.


Religiões todas no tempo e o CatoEspiritismo atual cumprem a tarefa de fazer o homem sempre submisso. Atendem aos interesses
do Estado, dos patrões e dos tiranos.


Submissão faz do homem coisa, ente. Preso não há possibilidade de ser um elemento autônomo e livre; capaz de pensar e agir.


A quem servem os seres objetificados?


Estados autoritários, entidades autoritárias, pessoas autoritárias.


Em todos os lugares nos defrontamos com Seres Objetos. Um absurdo.


Precisamos nós. Espíritas pensantes ajudar na autonomia e libertação de outros espíritos. Assim não for, estaremos
contribuindo com todos os Estados Autoritários da Latinoamerica e do mundo; com as Entidades Autoritárias e com as relações
humanas onde um homem subjuga outro homem.


No mundo de hoje temos uma única voz. Nos vem da Europa sofrida. Condutor da Segunda Força Política da Itália. Seu nome é
Beppe Grillo e leva adiante o projeto do Movimento 5 estrelas. Um projeto acima de tudo libertador. Mas libertário ainda
mais.


Grillo liberta sua voz em benefício de uma Nova Itália e de uma Nova Europa. Sem a opressão da Alemanha.


E o espiritismo? Liberta?


Não o CatoEspiritismo presente em todas as vertentes e correntes. Mas um espiritismo capaz de dar ao Ser as rédeas do seu
pensar e do seu agir; pautando de forma autônoma o seu destino. Sem líderes de espécie alguma, nem na política, nem na
religião e nem no Centro Espírita.


Se bem pensarmos, o espírita não necessita das instituições, sua prática diuturna o faz bom ou mau segundo seus pensamentos e
atos.


Não proponho santos. Mas pessoas dignas e éticas. Espíritas capazes de levar alto as ideias de Kardec, transpondo-as ao nosso
conturbado tempo. Sem transigir das propostas éticas de um Erasto, por exemplo.


Queiramos ou não, se o Ser não for liberto pelo espiritismo, este último não passará de mais uma seitazinha cheia de rezas e
águas bentas; mantendo as almas na mais profunda e deletérea ignorância.


Ou libertamos através da Cultura ou sucumbiremos como proposta revigorante do mundo.



Paulo Cesar Fernandes

27/12/2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

20141205_Acerca do Inconsciente



OBRAS COMPLETAS DE C. G. JUNG
 
Volume VII/1
 
Psicologia do Inconsciente
 
 
 


FICHA CATALOGRÁFICA
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
Jung, Carl Gustav, 1875-1961.
J92p     Psicologia do inconsciente
C G Jung; tradução de Maria Luiza Appy. Petrópolis, Vozes, 1980.
(Obras completas de C. G. Jung, v.7, t.l).
Tradução de: Zwei Schriften Über Analytische Psychologie: Über die Psychologie des Unbewusten.


Bibliografia.
1. Psicanálise — Estudo de casos.
2. Subconsciente.

I. Título.
II. Série.

CDD — 154.2   616.8917   78-0241
CDU — 159.964.2

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Abstração feita dos riscos do tratamento, o inconsciente em si já pode representar um perigo. Uma das formas mais comuns desse perigo é provocar acidentes. Acidentes de todo tipo — em número bem maior do que o público possa imaginar — são causados por fatores de ordem psíquica. A começar por pequenos acidentes, como tropeçar, esbarrar, queimar os dedos, etc. até os acidentes automobilísticos e catástrofes alpinistas: tudo pode ter origem psíquica e, às vezes, já está programado semanas ou até meses antes.


Examinei grande número de casos dessa ordem, e pude comprovar que muitas vezes, semanas antes, os sonhos já revelaram uma
tendência autodestrutiva. Todos os acidentes provocados por descuido, como se diz, deveriam ser investigados, sob este enfoque.


Sabemos muito bem que não só tolices de maior ou menor importância podem suceder-nos quando, por qualquer motivo, não estamos bem, mas também estamos expostos a perigos que, em dados momentos psicológicos, podem até comprometer a vida. O ditado popular: "Fulano ou sicrano morreu na hora certa", exprime uma certeza intuitiva quanto à causalidade psicológica secreta do
caso.


Da mesma forma, podem ser provocadas ou prolongadas as doenças físicas. Um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal consegue afetar a alma, pois alma e corpo não são separados, mas animados por uma mesma vida. Assim sendo, é rara a doença do corpo, ainda que não seja de origem Psíquica, que não tenha implicações na alma.


Mas não seria justo salientar unicamente o lado negativo do inconsciente. É comum o inconsciente ser desfavorável, ou perigoso, por não concordarmos e, portanto, nos opormos a ele.


A atitude negativa em relação ao inconsciente, isto é, a ruptura com o mesmo, é prejudicial, na medida em que a sua dinâmica é idêntica à energia dos instintos. (Ver Instinkt und Unbewusstes, em Über psychische Energetik und das Wesen der Träume, 1948, p. 261ss. Obras Completas, Vol. 8, § 263ss) A falta de solidariedade com o inconsciente significa ausência de instinto,
ausência de raízes.


Quando conseguimos estabelecer a função denominada função transcendente, suprime-se a desunião com o inconsciente e então o
seu lado favorável nos sorri. A partir desse momento, o inconsciente nos dá todo o apoio e estímulo que uma natureza bondosa pode dar ao homem em generosa abundância.


O inconsciente encerra possibilidades inacessíveis ao consciente, pois dispõe de todos os conteúdos subliminais (que estão no
limiar da consciência), de tudo quanto foi esquecido, tudo o que passou despercebido, além de contar com a sabedoria da experiência de incontáveis milênios, depositada em suas estruturas arquetípicas.


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Não consigo ver o Inconsciente como uma instância separada do espírito.


A somatória das experiências vivenciais do espírito formam o que Jung chama de Inconsciente. É provável, o próprio conceito
de Inconsciente Coletivo (Arquétipo Coletivo), união da somatória de todos os signos e símbolos da História da Humanidade, não passe ele do repositório das lembranças das encarnações passadas.


Desconectado de tudo aquilo que posso chamar de não-eu.


Embora Jung estabeleça diferença entre Inconsciente Pessoal e Inconsciente Coletivo, eu creio tudo ser propriedade do Ser ou
do espírito.


A leitura deste livro me trouxe esta outra visão.


Minha visão anterior era de um Inconsciente apartado do Ser, numa leitura mais freudiana, isso permitia ao homem o processo de
recalque das coisas desagradáveis. Reprimia tudo, abafando ou "entulhando" no inconsciente. Cuja função seria a de um sótão
ou um local de despejo das coisas que não queremos no nosso dia a dia (o consciente).


Mas como hoje penso no espírito como pensamento, uma unidade indivisível, mesmo teoricamente ou didaticamente, não consigo
mais ver as coisas de modo estanque, compartimentadas. O espírito é uno, e ponto final.


Muito embora o processo de recalque, de fuga de si mesmo continue ocorrendo da mesma maneira, mas dentro do processo de
elaboração constante do espírito diante das suas dificuldades.


É parte do viver lidar com nossos problemas, é parte do viver enfrentar ou fugir deles, é parte do viver vencer e encarar de
frente ou agir como o avestruz. E não cabe julgamento de forma nenhuma.


Cada qual joga o jogo da vida da forma que mais lhe compraz. No tablado desse palco somos todos artistas em eterno improviso, pois a vida é uma grande peça teatral sem texto prévio.


"Caminhante, não há caminho.
O caminho o fazemos ao caminhar."

     Antonio Machado, Poeta Espanhol.


Nada mais verdadeiro. A cada dia fazemos uma nova estreia.

E assim, de estreia em estreia vamos percorrendo os dias, meses, anos e encarnações.

Possamos todos fazer bom uso do espaço de palco a nós ofertado pela Vida.


Paulo Cesar Fernandes

05/12/2014