quarta-feira, 4 de maio de 2016

20160504 Trem da vida

Trem da vida




Somos todos passageiros.
E vamos descer numa das próximas estações.
Ilusões, dessa forma, não cabem mais.
Sonhos sim, sonhos nunca envelhecem.
Os ideais da Revolução Francesa ainda não vieram à tona.
Seguem no subterrâneo das vidas humanas.
Na marginalidade das aparências.
No nãoSer de muitos.
Agressores dos realmente vivos.



E viver é amar.
É ser solidário.
É ver em si os defeitos e lutar para superá-los.
Claro que superamos.
Questão de tempo.



E o trem segue parando nas estações.
E desembarcando muitos a cada ano.
E nós vamos nele até quando?
Pelo tempo que ocorpo resister.
Pelo tempo que o espírito não desistir.
Seja útil nossa viagem.



Muito a descortinar das janelas do coletivo.
Mas fechamos os olhos.
Um mundo lá fora e nós NADA.
Tá na hora da gente acordar.
E perceber a fragilidade de tudo.
Usando bem cada minuto, cada conversa.



Somos Pensamento
Somos Vida
Somos Energia
Somos imortais.



Paulo Cesar Fernandes.

04/05/2016.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

20160502 Progresso intelectual.



Revista Espírita

Maio 1865

Progresso intelectual.

Sociedade de Paris, 31 de março de 1865. 
Médium, Sr. Desliens.


Nada se perde neste mundo, não só na matéria onde tudo se renova sem cessar, em se aperfeiçoando, segundo as leis imutáveis aplicadas a todas as coisas pelo Criador, mas também no domínio da inteligência. A Humanidade é como um único homem que vivesse eternamente, e adquirisse sem cessar novos conhecimentos.


Isto não é uma figura, mas uma realidade, porque o Espírito é imortal; não há senão o corpo, envoltório ou veste do Espírito, que cai quando está usado e se substitui por um outro. A própria matéria sofre modificações. À medida que o Espírito se depura, ele adquire novas riquezas, e merece, se posso me exprimir assim, uma roupa mais luxuosa, mais agradável, mais cômoda, para empregar a vossa linguagem terrestre.


A matéria se sublima e se torna cada vez mais leve, sem desaparecer jamais completamente, pelo menos nas regiões medianas; seja como corpo, seja como perispírito, ela acompanha sem cessar a inteligência e lhe permite, por este ponto de contato, se comunicar com seus inferiores, seus iguais e seus superiores para instruir, meditar a aprender.


Nada se perde na Natureza, dissemos; acrescentamos: nada é inútil. Tudo, até as criaturas mais perigosas, os venenos mais sutis, tem sua razão de ser. Quantas coisas foram julgadas inúteis ou nocivas, e das quais mais tarde se reconheceram as vantagens!


Assim, há daquelas que não compreendeis. Sem tratar a fundo a questão, direi somente que as coisas nocivas vos obrigam à atenção, à vigilância que exerce a inteligência, ao passo que se o homem não tivesse nada a temer, se abandonaria à preguiça, em prejuízo de seu desenvolvimento. Se a necessidade é a mãe da indústria, a indústria é também a filha da inteligência.


Sem dúvida, Deus, como alguns objetam, teria podido vos poupar as provas e as dificuldades que vos parecem supérfluas; mas se os obstáculos vos são opostos, é para despertar em vós os recursos que dormem; é para dar o vôo aos tesouros da inteligência que permaneceriam enterrados em vosso cérebro se uma necessidade, um perigo a evitar, não viessem vos forçar a velar pela vossa conservação.


O instinto nasce; a inteligência o segue, as idéias se encadeiam, e o raciocínio se acha inventado. Se eu raciocino, se julgo, bem ou mal, é verdade, mas é em raciocinando em falso que se aprende a reconhecer a verdade; quando se está freqüentemente enganado, acaba-se por triunfar; e esta verdade, esta inteligência, obtidas por tanto trabalho, adquirem um preço infinito e vos faz considerar-lhes a posse como um bem inestimável. Temeis ver se perderem as descobertas que fizestes; que fazeis, então?


Instruís vossos filhos, vossos amigos; desenvolveis sua inteligência a fim de nela semear e nela fazer frutificar o que adquiristes ao preço de vossos suores intelectuais; é assim que tudo se encadeia, que o progresso é uma lei natural, e que os conhecimentos humanos, aumentados pouco a pouco, se transmitem de geração em geração. Que se venha, depois disto, vos dizer que tudo é matéria! Os materialistas não repelem a Espiritualidade, na maioria, porque lhes seria preciso, sem isso, mudar seu gênero de vida, atacar seus defeitos, renunciar a seus hábitos; isto seria muito penoso, é porque acham mais cômodo tudo negar.

PASCAL.


===

Segundo penso o desenvolvimento intelectual é apenas uma etapa do desenvolvimento de nossa espiritualidade.

São muitos os aspectos a desenvolver. Tanto em cada um de nós; bem como na sociedade como um todo. Quer miremos o nosso pais, quer nosso foco seja a humanidade.

A Solidatriedade Humana é uma das coisas capazes de trazer o maior progresso a todos os homens e a todas as nações do Planeta Terra.


Paulo Cesar Fernandes.

02/05/2016.

terça-feira, 19 de abril de 2016

20160419 O Pensar

O Pensar.


Pensar sereno, não lento a ponto de não desenvolver, e nem tão rápido a ponto de se tornar um moto-contínuo.

Sim. Aquele pensamento recorrente. Rodando e rodando na cabeça; 

Tirando o sono da gente, de maldade mesmo. Esse pensamento não quero mais para mim. Faz alguns anos me vi livre dele e não sinto saudade nenhuma.


Pensar assim. Como estou eu agora. Eu e este texto. Interagindo com serenidade e quase carinho entre nós. Pelo menos de minha parte o carinho eu verifico.


Um pensar assim. A isso podemos chamar, de alguma forma: espiritualidade.


Lembrando sempre que espiritualidade é muito mais ampla que as religiões todas. Espiritualidade é oposta à materialidade dominante em nosso tempo.


Quando você estuda o balanceamento de uma fórmula de química; ou um texto de algum filósofo ou teórico de alguma área, forçosamente está nesse campo que chamo espiritualidade.


Duvido que ao se debruçar sobre um texto de Heidegger por exemplo, o ódio possa tomar seu coração. Você está em outro Universo. Você, pensamento navega por um outro mar, onde a materialidade não tem espaço de penetração.


Ou quando estamos em oração. Não consigo pensar em alguém orando com ódio a alguém. Que oração seria essa?


Somos Pensamento. E nos projetamos no mundo através do nosso pensar, das elaborações mentais.


Essa é a vida; melhor dizendo A Vida.


Paulo Cesar Fernandes.

19/04/2016

sábado, 9 de abril de 2016

20160409 Destruição dos seres vivos

REVISTA ESPIRITA


JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS


8o ANO NO. 4 ABRIL 1865




DESTRUIÇÃO DOS SERES VIVOS UNS PELOS OUTROS.









A destruição recíproca dos seres vivos é uma das leis da Natureza que, à primeira vista, parece o menos se conciliar com a bondade de Deus. Pergunta-se por que lhes fez uma necessidade de se entre-destruírem para se nutrirem às expensas uns dos outros.


Para aquele que não vê senão a matéria, que limita sua visão à vida presente, isto parece, com efeito, uma imperfeição na obra divina; de onde esta conclusão que disso tiram os incrédulos, de que Deus não sendo perfeito, não há Deus. É que julgam a perfeição de Deus do seu ponto de vista; seu próprio julgamento é a medida de sua
sabedoria, e pensam que Deus não poderia fazer melhor do que eles mesmos o fariam.


Sua curta visão não lhes permitindo julgar o conjunto, não compreendem que um bem real pode sair de um mal aparente. Somente o conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua essência verdadeira, e da grande lei de unidade que constitui a
harmonia da criação, podem dar ao homem a chave desse mistério, e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia precisamente aí onde não via senão uma anomalia e uma contradição. Ocorre com esta verdade, como em uma multidão de outras; o homem
não estará apto a sondar certas profundezas senão quando seu Espírito tiver chegado a um grau suficiente de maturidade.


A verdadeira vida, tanto do animal quanto a do homem, não está mais no envoltório corpóreo que dela não é senão o vestuário; ela está no princípio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo. 


Este princípio tem necessidade do corpo para se desenvolver pelo
trabalho que deve realizar sobre a matéria bruta; o corpo se desgasta nesse trabalho, mas o Espírito não se gasta, ao contrário: sai dele cada vez mais forte, mais lúcido e mais capaz. Que importa, pois, que o Espírito mude mais ou menos vezes de envoltório; com isso não é menos Espírito; é absolutamente como se um homem renovasse cem vezes seu vestuário no ano, com isso não seria menos o mesmo homem. Pelo espetáculo incessante da destruição, Deus ensina aos homens o pouco caso que devem fazer do envoltório material, e suscita entre eles a idéia da vida espiritual em lhes fazendo desejá-la como uma compensação.


Deus, dir-se-á, poderia chegar ao mesmo resultado por outros meios, e sem constranger os seres vivos a se entre-destruírem? Bem audacioso aquele que pretendesse penetrar os desígnios de Deus! 


Se tudo é sabedoria em sua obra, devemos supor que essa sabedoria não deva mais fazer falta sobre esse ponto do que sobre os outros; se não o compreendemos, é preciso atribuí-lo ao nosso pouco adiantamento. No entanto, podemos tentar procurar-lhe a razão, tomando por bússola este princípio: Deus deve ser infinitamente justo e sábio] procuremos, pois, em tudo sua justiça e sua
sabedoria.


Uma primeira utilidade que se apresenta dessa destruição, utilidade puramente física, é verdade, é esta: os corpos orgânicos não se mantêm senão com ajuda das matérias orgânicas, só essas matérias contendo os elementos nutritivos necessários à sua transformação. 


Os corpos, instrumentos de ação do princípio inteligente, tendo
necessidade de serem incessantemente renovados, a Providência os faz servir à sua manutenção mútua; é por isso que os seres se nutrem uns dos outros; quer dizer que o corpo se nutre do corpo, mas o Espírito não é nem destruído, nem alterado; ele não é
senão despojado de seu envoltório.


Além disso há considerações morais de uma ordem mais elevada.


A luta é necessária ao desenvolvimento do Espírito; é na luta que ele exerce suas faculdades. Aquele que ataca para ter seu alimento, e aquele que se defende para conservar sua vida, se rivalizam em astúcia e em inteligência, e aumentam, por isso mesmo, suas forças intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas o que é que o mais forte ou
o mais hábil tirou ao mais fraco em realidade? Sua veste de carne, não outra coisa; o Espírito, que não está morto, retomará um outro corpo mais tarde.


Nos seres inferiores da criação, naqueles em que o senso moral não existe, em que a inteligência não está ainda senão no estado de instinto, a luta não poderia ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material; ora, uma das necessidades materiais mais imperiosas é a da nutrição; eles lutam, pois, unicamente para viver, quer dizer, para tomar ou defender uma presa, porque não poderiam estar estimulados por um móvel mais elevado. É neste primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida. Quando ela alcança o grau de maturidade necessária para sua transformação, recebe de Deus novas faculdades: o livre arbítrio e o senso moral, centelha divina em uma palavra, que dão um novo curso às suas idéias, dotam-na de novas aptidões e de novas percepções.


Mas as novas faculdades morais das quais está dotada não se desenvolvem senão gradualmente, porque nada é brusco na Natureza; há um período de transição em que o homem se distingue com dificuldade do animal; nessas primeiras idades, o instinto animal domina, e a luta tem ainda por móvel a satisfação das necessidades materiais; mais tarde, o instinto animal e o sentimento moral se contrabalançam; o homem então luta, não mais para se nutrir, mas para satisfazer sua ambição, seu orgulho, a necessidade de dominar: por isto, lhe é necessário ainda destruir. Mas, à medida que o senso moral domina, a sensibilidade se desenvolve, a necessidade da destruição diminui; acaba mesmo por se apagar e por se tornar odiosa: o homem tem horror ao sangue. No entanto,
a luta é sempre necessária ao desenvolvimento do Espírito, porque mesmo chegado a este ponto, que nos parece culminante, está longe de ser perfeito; não é senão ao preço de sua atividade que ele adquire conhecimentos, experiência, e que se despoja dos
últimos vestígios da animalidade; mas então a luta, de sangrenta e brutal que era, se torna puramente intelectual; o homem luta contra as dificuldades e não mais contra os seus semelhantes.

===

Visão espírita da necessidade de destruição dos seres vivos.

Pode até ser assim, mas que eu sofro muito ao ver as imbecilidades das guerras é uma verdade sem contradita.

É horrível, é insano um homem matar um outro homem.

Pense nisso com mais profundidade. Se pense com uma arma na mão na sua janela, ou na sua sacada. Ou mesmo com uma arma no porta-luvas do seu carro.

Não lhe arrepia a ideia?

Acho que alguns passos já demos.


Paulo Cesar Fernandes.

09/04/2016.



sábado, 2 de abril de 2016

20160402 Tempo em Revista

Tempo em Revista






Estou em 1865 e devo chegar a 1869 na leitura da Revista Espírita de Allan Kardec.


Esta é uma atividade sempre tentada por mim para fazer em grupo de estudo, e sempre com maus resultados.


Mas hoje compreendo ser uma tarefa a ser realizada de forma individual. Pois cada um tem o seu tempo de leitura e mesmo a sua compreensão muito própria.


Certamente as críticas por mim pensadas a determinados textos presentes na obra seriam mal interpretadas. Melhor que as guarde para mim.


É uma leitura instigante, principalmente quando Kardec fala de suas certezas do Futuro do Espiritismo. Certezas infelizmente não concretizadas pela avalanche do materialismo do século XX e início do XXI.


Triste é sentir o sonho de Allan Kardec em seus textos e ver nosso Planeta Terra tão engalfinhado em Lutas Fraticidas.


Não. O espiritismo não vingou, embora suas sementes tenham sido as de melhor qualidade possível. O tempo atual, previsto para ser o da influenciação social pelo espiritismo, nada tem dessa forma de pensar. A Solidariedade prevista por Kardec ainda é sonho distante. O que temos é a ira irracional; a vigência do ódio dentro e fora 
das fronteiras diversas; o que temos é a irracionalidade.


Resgato aqui o "poema" do Professor Herculano Pires onde preconiza as distorções da visão do Reino em algumas das alternativas da humanidade. Em determinado momento nos diz ele ser o reino do bem uma semente a ser cultivada no coração de cada indivíduo.


Quando leio livros de Alain Renault, preconizando nosso tempo como a "Era do Indivíduo" me surge em mente a possibilidade do atual individualismo ser uma porta de entrada para a instalação do Reino da Solidariedade e da Paz na relação entre todos os homens. Tendo como sede maior o coração de cada um de nós.  





É bem provável que, pautado em Kardec, Herculano Pires tenha nos trazido a fórmula de construção de novas individualidades; novas formas de pensar; agir e sentir a relação com nossos semelhantes.


Sempre haverá luz, se pensarmos o mundo com positividade; e mais, se estivermos dispostos a deixar para trás muitos dos velhos hábitos e ilusões.


Paulo Cesar Fernandes.

02/04/2016.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

20160401 Jornada

Jornada


Do Ser (protoespírito) criado simples e ignorante ao Ser pleno no conhecimento das Leis Naturais, cujo pensar se faz sempre sábio, há uma larga escala de seres.

Estamos em algum ponto dessa escalada.
Já estivemos muito para trás; e poderemos cada dia promover um certo avanço.

NADA é estático nos universos. 

Em todos os lugares o Movimento é a Lei Maior.

Essa é uma visão esperançosa da existência. Amplia nossas possibilidades. Acaba com aquele negócio de pecado; de buscar nos fazer menores a cada momento, com o objetivo de nos dominar. Cai por terra tudo isso.

Somos algo! 

E cada dia algo melhor, e mais útil ao conjunto geral da Vida Universal. Não mais somos da Terra apenas. Somos dos possíveis universos apresentados a todos nós pela ciência da Academia. Não das ciências ocultas; ou dos místicos de toda sorte.

Não. A Academia se pronunciou afirmando a Existência de Diversos Universos. Não deu ainda maiores detalhes mas está aberta a porteira por onde vão passar outras tantas verdades.

Comentando com alguns amigos, dizia que de nossa parte cabe olhar o futuro com muita energia positiva, com muita esperança. Mais que esperança, carregar a Certeza num futuro muito melhor, para todo aquele capaz de apostar em sua progressão intelectual e moral.

Por que motivo coloco antes o intelectual? - algum pode estar perguntando. 

Pelo simples fato do aspecto intelectual ser indutor do progresso moral.

Basta olhar a vida dos grandes cientistas; dos grandes filósofos da humanidade. A Eticidade é, de uma forma ou de outra, a sua principal preocupação.

E nós, no nosso ponto da escalada, devemos estar felizes pelo patamar de compreensão da vida onde já chegamos. 

E mais progrediremos segundo nosso esforço e nossa "Tomada de Consciência"; expressão cunhada pelo Professor Herculano Pires, capaz de definir claramente o ponto de inflexão da vida de um Ser. 

Num momento se deixa viver ao sabor das ondas; e em outro é capaz de tomar para si as rédeas de sua existência. 


Pensando a Existência já nessa caracterização mais ampla: do simples e ignorante ao Ser capaz de estar integrado às Leis Naturais.

Somos almas; seres; espíritos; pensamentos em continua progressão. Inevitavelmente. Dessa forma...

Boa Jornada!

Paulo Cesar Fernandes.

01/04/2016.

quinta-feira, 24 de março de 2016

20160324 Coração de luz e sombra

Coração de luz e sombra.


Assim somos todos.

E quando estamos iluminados?

Nos momentos de amor por nossos semelhantes. Essa emoção pura e cristalina jorrando de nós como se fossemos uma turbina de energia pura.


E tu me dizes: esses momentos não existem.

Mas eu te respondo que são raros, muito raros mesmo. Mas na medida em que formos cultivando mais e mais nossos pensamentos, formos tratando o pensar como se fosse uma Obra de Arte sob nossa responsabilidade, será mais fácil a ocorrência de um momento assim.


São poucas vezes na vida uma ocorrência dessas. Mas se formos mais e mais vigilantes quanto aos pensamentos, o lapso de tempo entre um evento superior e outro será menor.


Tudo está em nossas mãos. 


Tudo está sob nossa responsabilidade. 


A busca do Bem não pode ser feita por outra pessoa senão nós mesmos. Somos os donos e senhores dos nossos destinos. E ponto final!


Quebram a cara todos os homens e mulheres capazes de crer na FELICIDADE fora de si. 

Isso não existe!


E quanto à sombra?

Sabe aquele momento da cinza nuvem ao redor de nossa cabeça? 

Onde os pensamentos rodam e rodam nessa nuvem, e nunca chegam a lugar nenhum? 

Quando tudo e todos nos parecem inimigos e passíveis de tomar uma bela surra?

Isso é a sombra. 

E se houver ódio a sombra fica mais densa ainda, e mais difícil para cada um de nós dela nos ver livres.


Nós todos somos pensamento.

Somos pensamento de luz; e somos pensamento sombrio.

E transitamos entre esses dois extremos segundo nossa vontade e disposição.


A Felicidade está no Bem; na Luz; na Solidariedade; na Alegria; na Justiça e na Paz.


"Verificai se os espíritos são de Deus." disse Paulo de Tarso.


Se somos pensamentos, atraímos pensamentos semelhantes a nós.

A Luz ou a Sombra é sempre uma escolha de cada um de nós.


Razão e sentimento determinam nossa jornada.


Somos INEVITAVELMENTE LIVRES para todas as escolhas.

Boa Sorte!



Paulo Cesar Fernandes.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

20160225 Repensando o Pai Nosso

I.   PAI NOSSO, QUE ESTAIS NO CÉU, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME!

Partindo do princípio que Deus existe, glorificar seu nome é legal.


II.  VENHA A NÓS O VOSSO REINO!

Aqui a coisa pega. Passividade total. 

Não é Deus que tem que mandar seu reino para nossa vida. Nada disso. 

Nós é quem construímos o Reino de Deus dentro de nós através dos nossos pensamentos e dos nossos atos. 


III. SEJA FEITA A VOSSA VONTADE, ASSIM  NA TERRA COMO NO CÉU!

Acatar as vicissitudes da vida sem revolta é algo bom, pois reduz nosso sofrimento. 

Quem se revolta sofre mais. É mais inteligente não se revoltar 
contra a Vida e gerenciar bem todos os momentos: os bons e os maus.     


IV.  O PÃO DE CADA DIA DAI-NOS HOJE.

Dai-nos sim, oportunidades de trabalho para que venhamos a ganhar o pão com o suor do nosso rosto, e com a dignidade de todos os grandes homens de todos os tempos.

Passividade outra vez,


V.  PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS, ASSIM COMO PERDOARMOS AOS NOSSOS DEVEDORES. PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO PERDOARMOS AOS QUE NOS OFENDEM.

É bem verdade. Só merece ser perdoado aquele que luta para perdoar o semelhante que o ofendeu de alguma maneira.

Mas é aí que a coisa pega. O perdão não é algo fácil, só quem já tentou de verdade sabe o quanto de força devemos ter para perdoar verdadeiramente; a ponto de esquecer.


VI.  NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DO MAL.

É tarefa de Deus nos livrar do Mal? 

Nunca. Devemos facear o Mal, enfrentá-lo com toda a nossa energia e o vencer.

Que mérito teria o homem se Deus fizesse tudo por ele?

Nenhum.


VII. ASSIM SEJA. 

O Homem como Senhor e dono do seu destino?

Plenamente Livre?

Assim seja mesmo!


Paulo Cesar Fernandes.

25/02/2016.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

20160129 Kardec e seu idealismo

Kardec e seu idealismo


Nem todos os textos me emocionam, mas este, por sua simplicidade e beleza me tocou as fibras da alma.

Consta da Revista Espírita de 1864.

Como todo idealista Allan Kardec era pautado pela busca de um mundo melhor. E apostava todas as fichas no Espiritismo.

Se as mudanças sonhadas não ocorreram não culpemos o Espiritismo, mas ao homem comum que elegeu outras prioridades. E tem toda Liberdade para tanto.

Ao texto pois:


O ESPIRITISMO NA BÉLGICA.



Cedendo às prementes solicitações de nossos irmãos espíritas de Bruxelas e de Anvers, fomos lhes fazer uma pequena visita este ano, e estamos felizes em dizer que dali trouxemos a impressão mais favorável pelo desenvolvimento da Doutrina naquele país. Ali encontramos um número maior do que esperávamos de adeptos sinceros, devotados e esclarecidos. A acolhida simpática que nos foi feita, nessas duas cidades, deixou em nós uma lembrança que não se apagará jamais, e contamos os momentos que ali passamos entre os mais satisfatórios para nós. Não podendo dirigir nossos 
agradecimentos a cada um em particular, rogamos-lhes consentirem em recebê-los aqui coletivamente,



Em nosso retorno a Paris, encontramos uma mensagem da Sociedade Espírita de Bruxelas, com a qual ficamos profundamente tocados; nós a conservaremos preciosamente como um testemunho de sua simpatia, mas eles compreenderão facilmente os motivos que nos impedem de publicá-la em nossa Revista. Há, no entanto, uma passagem dessa mensagem que nos fazemos um dever levar ao conhecimento de nossos leitores, porque o fato que revela disso diz mais que longas frases sobre a maneira com as quais certas pessoas compreendem o objetivo do Espiritismo; está assim concebida:


"Em comemoração de vossa viagem à Bélgica, nosso grupo decidiu a fundação de um dormitório para crianças na creche de Saint Josse Tennoode."



Nada poderia ser mais agradável para nós do que um semelhante testemunho. É nos dar a maior prova de estima nos crer mais honrado pela fundação de uma obra de beneficência em memória de nossa visita, do que pelas mais brilhantes recepções que podem gabar o amor-próprio daquele que lhe é objeto, mas não aproveitam a ninguém e nem deixam nenhum traço útil.



Anvers se distingue por um maior número de adeptos e de grupos; mas ali, como em Bruxelas e por toda a parte, aqueles que fazem parte das reuniões, de alguma sorte oficiais e regularmente constituídas, são em minoria. As relações sociais e as opiniões emitidas na conversação, provam que as simpatias pela Doutrina se estendem muito além dos grupos propriamente ditos. Se todos os habitantes não são espíritas, a idéia ali não encontra oposição sistemática; fala-se dela como uma coisa muito natural e dela não se ri. Os adeptos pertencendo em geral à classe do alto comércio, nossa chegada foi a novidade da bolsa e sobressaindo na conversação, sem mais importância que se tratasse da chegada de uma carga.



Vários grupos se compõem de um número limitado de membros, e se designam por um título especial e característico; foi assim que um se intitulou: A Fraternidade, um outro Amor e Caridade, etc. Acrescentamos que esses títulos não são para eles insígnias banais, mas divisas que se esforçam por justificar.



O grupo Amor e Caridade, por exemplo, tem por objetivo especial a caridade material, sem prejuízo das instruções dos Espíritos, que são de alguma sorte a parte acessória. Sua organização é muito simples e dá excelentes resultados. Um dos membros tem o título de esmola, nome que responde perfeitamente às suas funções de distribuir recursos a domicílio, e freqüentemente os Espíritos indicaram com nome e endereço as pessoas às quais eram necessários. O nome de esmola é assim reconduzido ao seu significado primitivo, do qual foi singularmente desviado.



Esse grupo possui um médium tiptólogo excepcional do qual cremos dever fazer adiante o objeto de um artigo especial.



Não fazemos senão constatar aqui os muito bons elementos que permitem augurar do Espiritismo nesse país, onde não tomou raízes senão há pouco, o que não quer dizer que certos grupos não tiveram, lá como em toda aparte, desacordos e decepções inevitáveis quando se trata do estabelecimento de uma idéia nova. É impossível que, no início de uma doutrina, tão importante sobretudo quanto à do Espiritismo, mesmo todos aqueles que se declaram delas partidários, compreender-lhe a importância, a gravidade e as conseqüências; é preciso, pois, esperar encontrar através da rota das pessoas que nele não vêem senão a superfície, ambições pessoais, aqueles para quem é um meio antes que uma convicção de coração, sem falar das pessoas que tomam todas as máscaras para se insinuar tendo em vista servir os interesses dos adversários; porque, do mesmo modo que o hábito não faz o monge, o nome de Espírita não faz o verdadeiro Espírita. Cedo ou tarde esses Espíritas mascarados, cujo orgulho permaneceu vivo, causam nos grupos esfriamentos penosos, e nele suscitam entraves, mas dos quais se triunfa sempre com a perseverança e a firmeza. Essas são provas para a fé dos Espíritas sinceros.



A homogeneidade, a comunhão de pensamentos e de sentimentos são para os grupos Espíritas, como para quaisquer outras reuniões, a condição sine qua non de estabilidade e de vitalidade. É para esse objetivo que devem tender todos os esforços, e compreende- se que é tanto mais fácil atingi-lo quanto as reuniões sejam menos numerosas. Nas grandes reuniões é quase impossível evitar a ingerência de elementos heterogêneos que, cedo ou tarde, semeiam a divisão; mas pequenas reuniões, onde todo o mundo se conhece e se aprecia, se está como em família, o recolhimento é maior, e 
a intrusão dos mal-intencionados mais difícil. A diversidade dos elementos dos quais se compõem as grandes reuniões os torna, por isso mesmo, mais vulneráveis às surdas astúcias dos adversários.



Vale mais, pois, numa cidade, cem grupos de dez a vinte adeptos, dos quais nenhum se arroga a supremacia sobre os outros, do que uma única sociedade que os reunisse todos. Esse fracionamento não pode em nada prejudicar a unidade de princípios, desde que a bandeira seja única e que todos caminhem para um mesmo objetivo. É o que parece terem perfeitamente compreendido nossos irmãos de Anvers e de Bruxelas.



Em resumo, nossa viagem à Bélgica foi fértil em ensinamentos no interesse do Espiritismo, pelos documentos que recolhemos, e que serão aproveitados em tempo oportuno.



Não esqueçamos uma menção, das mais honrosas, ao grupo espírita de Douai, que visitamos de passagem, e um testemunho particular de gratidão pela acolhida que ali recebemos. É um grupo de família, onde a Doutrina Espírita evangélica é praticada em toda a sua pureza. Ali reina a mais perfeita harmonia, a benevolência recíproca, a caridade em pensamentos, em palavras e em ações; respira-se ali uma atmosfera de fraternidade patriarcal, isenta de eflúvios malfazejos, onde os bons Espíritos devem se comprazer tão bem quanto os homens; também as comunicações ali se ressentem da influência desse meio simpático. Ele deve à sua homogeneidade, e aos cuidados escrupulosos que se lhe tem nas admissões, de jamais ter sido perturbado nas dissenções e nos desacordos dos quais outros sofreram; é que todos aqueles que dela fazem parte são Espíritas de coração, e que ninguém ali procura fazer prevalecer a sua personalidade. Os médiuns são relativamente muito numerosos; todos se consideram como simples instrumentos da Providência, e são sem orgulho, sem pretensões pessoais, e se submetem humildemente, e sem se machucarem, ao julgamento dado sobre as comunicações que obtêm, prontos a destruí-las, se elas são consideradas más.



Uma encantadora peça de versos foi obtida em nossa intenção e depois de nossa partida; agradecemos ao Espírito que a ditou e seu intérprete; conservamo-la como uma preciosa lembrança, mas são desses documentos que não podemos publicar e que não aceitamos senão a título de encorajamento. Estamos felizes em dizer que esse grupo não é o único nessas condições favoráveis, e de ter podido constatar que as reuniões verdadeiramente sérias, aquelas onde cada um procura se melhorar, de onde a curiosidade foi banida as únicas que merecem a qualificação de espíritas, se multiplicam cada dia. Elas oferecem uma pequena imagem daquilo que poderá ser a sociedade, quando o Espiritismo, bem compreendido e universalizado, lhe formará a base das relações mútuas. Então, os homens não terão nada mais a temer uns dos outros; a caridade fará reinar entre eles a paz e a justiça. Tal será o resultado da transformação que se opera e da qual a geração futura começará a sentir os efeitos.


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As visitas de Kardec a outras localidades sempre nos trazem verdadeiras aulas de como deveriam ser os espíritas e suas instituições.

Lendo essas obras, em muitos momentos a mim parece Kardec ver o Espiritismo, muito mais como uma ideologia, que como religião ou algo similar. 

Paulo Cesar Fernandes.

29/01/2016.

domingo, 10 de janeiro de 2016

20160110 Transcendente

Transcendente



Não sou dado a essas coisas, creio eu.


Assistia agora, após o lanche, um show de Jorge Fandermole, um autor e cantor argentino de grande criatividade poética.


Uma poética superior mesmo. Na construção das frases, na escolha das temáticas. Alguns compõe músicas; outros, dentre as coisas compostas geram Obras de Arte. Fandermole se encontra nesse grupo.


Um show feito em 2015 na cidade de Montevidéu, num festival de nome: "Musica de La Tierra".


Na medida em que Jorge mostrava suas músicas a casa ia ganhando um clima mais e mais leve, superior mesmo.


Quando apresentou uma música feita para a língua espanhola costurando as capitais de Habla Hispanica, inclusive as europeias eu senti a força da unidade da língua, e como discutia com uma amiga, do cuidado a ter com nossa língua mãe.


Num outro momento, ele costurava os elementos do nosso corpo, como elementos encontrados em todos os corpos estelares do Universo. Fazendo, dessa forma cada um de nós um pedaço das estrelas.


Quando citou três poetas voltados a escrever e descrever a força dos rios, pediu se permita a sobrevivência dos rios.


Transcender é exatamente isso; tanto para quem escreve como para quem lê. Pois quem lê busca sua leitura, e pode escolher entre a violência e a grandeza da alma. Um bom livro, uma boa música nos arremessam fora do universo da materialidade, abrindo portas do que chamo de espiritualidade.


O humano não transcendente jamais será um Fernão Capelo Gaivota. Um Ser em busca do aperfeiçoamento. Ciscará no chão da materialidade por muitos e muitos anos; até chegar à sua Tomada de Consciência, proposta a cada um de nós pelo Professor José Herculano Pires. 


Esse ponto de corte fará a diferença entre o antigo Ente ciscante da materialidade, para o Ser capaz da consciência-em-si-para-si. O Ser integral, capaz de traçar metas e objetivos para sua jornada; agora não mais uma jornada puramente material. Mas uma jornada como espírito imortal, apto ao progresso, à Evolução.


Afinal. Qual o sentido da Vida e da Arte na Vida?


O nosso Progresso, a nossa Evolução.


O Prazer, o Barato, nos é dado por acréscimo da bondade da Vida.


"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz..." Luis Gonzaga Junior.

Ouça sem medo.
Direção do Programa "Ensaio" TV Cultura: Fernando Faro.
Tomada de cena, imagem, linguagem visual criação do Fernando Faro.


Paulo Cesar Fernandes.

10/01/2016.

Notas: 

1) Para mais claros conceitos de Ser e Ente consultar obras e pensamento de Martin Heidegger.

2) Para consciência-em-si-para-si consultar Hegel, "Fenomenologia do Espírito". Obra de 1807.